Ah! Antes de começar: pode ler sem medo de spoilers, ou seja, de que eu conte coisas que tiram a graça de descobrir por conta própria. Sou contra fazer isso.

Fim nos traz a história dos últimos momentos de cinco homens que tiveram vidas longas.

Entre memórias e narrativas, conhecemos a trajetória deles até aquele momento.

No entanto as protagonistas, de uma forma quase discreta, são as mulheres ao redor das quais esses homens orbitaram. Por isso a minha escolha de imagem para ilustrar o post.

Aliás, preciso me desculpar por não colocar uma brasileira, mas infelizmente creio que a personagem Nyata Uhura, vivida pela atriz Nichelle Nichols, é um ícone mais familiar e mais acessível para a maioria de nós. Resumindo: Negra, mulher, livre, independente, feminina e em posição de comando.

Pois em Fim o foco está nos homens, mas os pilares de sustentação são aquelas que passaram por eles ou por quem eles passaram.

À primeira vista podemos achar que vamos entrar no cotidiano de pessoas idosas no Rio de Janeiro e viver suas dificuldades, e é isso também, mas é muito mais. Fernanda Torres escreve aquele tipo de literatura que dá gosto de ler mesmo que a história não fosse boa pois as próprias frases, a própria forma de contar a história é “saborosa”.

Nós passeamos pelas ruas, mas também vagamos pelos pensamentos dos personagens me lembrando um pouco Borges ou Antônio Torres.

E por falar nele… Viajamos também pela história recente, pelos anos mais importantes do século passado. E essa história é muito mais a das conquistas femininas do que das picardias dos homens daquele século.

Foi a primeira vez que li algo da Fernanda e me surpreendi mesmo tenho uma expectativa um pouco alta.

Recomendo muito a leitura para quem gosta desse tipo de literatura que jé tem valor pela própria forma e que se interessa por mergulhar no espírito humano e na alma de da nossa sociedade.

Claro que ela não esgota o assunto e nem abrange todos os aspectos do século passado! Claro que não. O cenário são as ruas nobres do Rio e a população pobre da época passa sem ter muita atenção, mas não vejo qualquer demérito nisso e fiquei com a nítida impressão que, se a Fernanda Torres decidir abordar esse grupo, fará muito bem.