Esse ? o terceiro conto do projeto #UmS?badoUmConto (clique para conhecer e ver os outros)

O Conto

Este sou eu comendo sozinho na pra?a de alimenta??o do shopping? Preferia ter companhia, mas pelo menos aproveito um pouco a hora do almo?o para passar a mat?ria da facul de logo mais ? noite.

? Oi Ricardo!

? o Jorge chegando para pegar o trabalho s? agora na parte da tarde. Dei um tchau para ele e um sorriso meio amarelo. Nem foi de prop?sito, o cara ? maneiro. O sorriso s? saiu amarelo porque estou pensando no que li. Bem, o dia de todo mundo est? cheio de sorrisos amarelos e se formos ficar encucados com todos eles vamos achar que o Universo nos odeia.

Ainda tenho meia hora antes de ter que voltar e ajudar pessoas a escolherem roupas que combinem com elas? Meio chato, mas ajuda a pagar os livros e outras coisas da faculdade. Como s?o caros os livros de administra??o! Paci?ncia, vai valer a pena no futuro! O que n?o d? ? para viver a vida toda de bicos em lojas? Ou d?, n?? A gerente da loja n?o fez faculdade e est? l? com um bom sal?rio, mas, p?, tanta gente no mundo que n?o tem chance de estudar? E quanto mais a gente sabe melhor. N?o quero depender da sorte. Melhor voltar ? leitura antes que eu lembre da Rachel? Merda? Lembrei…

Olha a? o meu cora??o batendo na garganta? Acho que vou no posto de sa?de, isso deve ser doen?a! Mas s? quando lembro dela? Droga? T? apaixonado? Que ideia est?pida se apaixonar numa altura dessas! Primeiro que, se ela souber, vai rir de mim. Homem n?o se apaixona, homem vai chegando e marcando sua presen?a, a mulher tem que saber que ele n?o precisa dela.

Porque a Rachel? T? cheio de mina que dan?a melhor que ela, mas tem uma coisa no jeito que ela balan?a os cabelos encaracolados, no jeito que ela olha ao redor com aqueles olhos castanhos claros e no rebolado meio sem jeito, mas? hipn?tico. Ʌ At? j? notaram que fico meio vidrado olhando para ela no meio do baile funk, mas n?o ? com aquele olhar de lobo faminto, ? como olhar para um nascer do sol especialmente bonito. Espero que ningu?m tenha contado para ela.

At? hoje n?o conversamos, quer dizer, dei um jeito de me enturmar com a galera dela, mas n?o puxo assunto porque tenho certeza que vou parecer um babaca, ent?o fa?o o desligad?o, converso sobre o que t? todo mundo falando e n?o dou muita bola se ela puxa um assunto novo. Vou seguindo pela tangente, saca?

Depois de amanh? tem baile funk l? perto de casa. Ser? que ela vai? Na semana passada ela n?o foi, disseram que era per?odo de provas. Ela cursa biologia, primeiro per?odo tamb?m. Nem todo mundo entra para a faculdade com 19 anos como eu e ela, tem gente que entra bem mais tarde? T?, tem quem entre bem mais cedo tamb?m, mas cada um tem suas oportunidades e tem gente que faz um monte de faculdade. Ainda n?o seis e vou fazer isso, mas ela tem todo jeito de que vai estudar muito na vida. T? no jeito dela falar, dos olhos brilharem quando ela fala de alguma coisa que tem a ver com a facul dela.

Pode ser maluquice minha, coisa de nego apaixonadinho! Droga? Acabou meu hor?rio de almo?o e n?o li nada da mat?ria de hoje, vou ter que ler no bus?o, droga?

? Ricardo, tudo bem? T? precisando de umas camisas novas

Como ? mesmo o nome desse cara? Andr?? Alexandre? Wesley? Nem fa?o ideia? Bem pelo menos lembro qual ? a vibe dele: listras, estampas descoladas. Normalmente ele vem com o namorado aqui uma vez por m?s mais ou menos. Eles tem l? seus quase quarenta e parece que s?o um casal maneiro, nunca vi os dois brigando e sempre tem casais que voc? percebe que se aturam, que est?o juntos s? para n?o ficarem sozinhos ou porque curtem uma rela??o doentia onde um est? sempre disputando com o outro para ser o mais troll.

Fico pensando que s? d? para ter um relacionamento mais est?vel depois dos trinta. Antes disso ? muito apelo para a putaria, ningu?m quer nada s?rio antes dos trinta que ? quando cai a ficha que a gente n?o vai ser jovem para sempre e que passar o s?bado de noite em casa na companhia das paredes ou do Netflix ? muito triste.

? Veio sozinho hoje? ? para voc? ou ? um presente? ? Eu pergunto para ver se me situo

? O Daniel t? no trabalho, s? eu que ganhei uma folga hoje. Acho que vou levar alguma coisa para mim e outra para ele. O que voc? tem amarelo a?? Acho que essa primavera est? pedindo amarelo.

? legal quando o cliente ? tranquilo, tenho boa apar?ncia, deixei a barba crescer para parecer mais velho e confi?vel, mas assim mesmo tem uns clientes que vou te contar, viu? Esse ? educado e na dele. No m?ximo reclama que a loja pegou pesado no pre?o de uma pe?a ou outra de roupa, mas n?o trata o vendedor como se a culpa fosse nossa.

S? que isso me fez pensar ainda mais na Rachel. Merda! Porque esperar mais dez anos para ter um lance s?rio com algu?m? T? ok, eu mando bem na putaria, todo baile me arranjo com uma guria gostosinha e cheia de amor para dar. Geralmente nem elas nem eu queremos muito mais do que uns pegas. Tem uma ou outra que dura um pouco mais, rola um sexo aqui ou ali, n?o fico no aperto, mas ningu?m quer compromisso.

Quer dizer, eu at? queria. A Rachel ? a fissura (e olha que o m?ximo que fizemos foram beijinhos na bochecha), mas ? claro que volta e meia tem uma que tem bom papo e d? uma vontade de levar a s?rio, mas fico na minha e elas tamb?m. Alguns dias depois at? me pego pensando nelas. Tem a Isadora. A gente fica meio que se namorando de vez em quanto, tipo amizade colorida, mas s? quando ela n?o est? com ningu?m porque ela ? assim. S? fica com um de cada vez. A primeira vez que a gente ficou foi h? tr?s anos quando eu tinha dezesseis e ela quase quinze. Estudamos na mesma escola e, entre os namoricos ela ? uma boa amiga, mas n?o para falar de namoro!

Acho que nosso lance ? s? preencher a necessidade de carinho do outro. O que rola entre n?s n?o ? aquela coisa de tirar o f?lego, de ficar pensando no outro a ponto de ficar tonto e ter vontade de dormir at? chegar de novo o dia de se encontrar novamente. S? conversamos sobre bobeira, tipo s?ries e filmes, ?s vezes sobre pol?tica.

Com a Rachel ? diferente. Fico calado s? ouvindo porque tenho certeza que vou dar na pinta que estou querendo impressionar, mas ou?o atentamente o que ela tem a dizer! Ela ? cheia de causas parecidas com as minhas.

Volta e meia tem um malandro que se aproveita dos rebolados das meninas para tirar um sarro deschavado, ela n?o deixa barato, vira, olha na cara do sujeito e manda um “te conhe?o? A mercadoria aqui tem dona, viu? Euzinha! Passa para outra, valeu?”. J? a vi puxar uma amiga pro canto tamb?m e conversar algo tipo “T? vendo na tua cara que voc? n?o t? curtindo. Presta aten??o, quem manda em voc? ? s? voc? mesma! Se o cara n?o te respeita manda rodar!”

Foi com ela que aprendi o que era feminismo e descobri que tamb?m era feminista, que essa hist?ria de machismo ? ruim para todo mundo: para a mulher que n?o tem respeito e para os homens que n?o podem ser o que quiserem, n?o podem demonstrar emo??es, n?o podem gostar desse ou daquele tipo de m?sica, n?o podem nem gostar de ler.

Acabo fazendo o jogo do machismo porque a gente tem que ter amigos, n?? Quer dizer, temos que ter uma turma e n?o existe isso de turma feminista.

A tarde seguiu tranquila, poucos clientes que gastaram bastante, vai colocar a comiss?o em dia e vou poder ir ao cinema tranquilo com a galera amanh?!

Meia noite? ? foda pegar o ?nibus meia noite para casa do outro lado da cidade? Pelo menos ? rapidinho, s? quarenta minutos. Daria quase duas horas se fosse mais cedo. ? claro que a gente vai rezando para casa para o motorista n?o jogar o ?nibus para fora de um viaduto pelo jeito que eles v?o voados! Pelo menos a essa hora n?o tem velhinhos. Cara, d? raiva quando a gente v? aquele velhinho andando com a maior dificuldade e o motorista arrancando sem d? nem piedade! Pelo menos acho que tenho visto mais gente se levantar para eles sentarem.

Chego em casa e j? t? todo mundo dormindo, minha irm? de 12 tem atividade todo s?bado de manh? no clube da comunidade. ? uma refresco para a nossa m?e que cuida sozinha de dois filhos, pelo menos ela teve s? n?s dois. Meu pai ningu?m sabe se fugiu de casa ou se sumiram com ele? Acontece muito e a gente nunca sabe se foi o tr?fico ou a pol?cia que sumiu com as pessoas que estavam no lugar errado na hora errada. Eu tinha nove anos quando ele desapareceu e minha irm? tinha s? dois. Acabei sendo meio pai dela, mas temos aquelas brigas de irm?o para usar o computador que fica na sala.

Eu e minha m?e nos viramos em tr?s para ela n?o ter que trabalhar. Muita gente n?o tem essa vis?o de investir em estudo para ficar melhor mais para frente, suar um pouco na juventude para poder melhorar de vida e n?o ficar se preocupando se vai ter comida no prato na semana seguinte.

J? tivemos que usar bolsa fam?lia quando acabaram com os gatos da comunidade e tivemos que passar a pagar pela energia. Os mais revoltados com as injusti?as reclamam, dizem que luz de gra?a era o m?nimo que a gente devia ter j? que n?o temos mais nada, mas, na boa? prefiro assim. S?rio mesmo.

Acordo com a Sabrina, minha irm?, perguntando se vou v?-la nadar mais tarde. Me lembrando que vai ter competi??o de revezamento e ela est? na equipe. Eu tinha esquecido, mas d? tempo, o cinema ? s? ?s cinco da tarde e d? para sair da competi??o direto para l?. Quer dizer, o cinema ? mais tarde, mas ? bom chegar ?s cinco para comprar os ingressos. Na pior das hip?teses posso pedir para a Joana ou a Mari comprarem, elas moram perto do Nova Am?rica e sempre chegam mais cedo, compram os ingressos delas onde possam ficar juntinhas namorando sem serem incomodadas durante o filme, tem aquelas fileiras com tr?s ou quatro lugares nos cantos por exemplo e ? melhor ainda para elas se os outros lugares forem ocupados por amigos que n?o sejam homof?bicos malucos.

Bem, j? que acordei, vou tomar um banho, dar uma olhada no Facebook, ver uns v?deos no Youtube, ler uns artigos e estudar um pouco aproveitando que o computador ser? todo meu pelas pr?ximas horas.

O tempo voa quando a gente est? online, n?? Quando me dou conta s? tenho meia hora para estudar. Em vez disso vou ver se acho aqueles livros caros para baixar de gra?a de algum lugar. Ler no tablet ? meio esquisito, prefiro papel, mas com o pre?o de quatro livros eu compro um tablet, n?o d?, n?? Devia ter um bolsa-livro? Bem, quem sabe?

Consigo achar s? um e deixo baixando, a Internet ? lenta e n?o quero atrasar para a competi??o da Sabrina.

No caminho para l? vou pensando em como a Joana e a Mari est?o juntas h? Quanto tempo? Uns tr?s anos? Cacete! Acho que elas tem vinte e dois, vinte e quatro anos, ent?o namoram a s?rio desde os dezessete ou vinte e um anos. Acho que a Mari tem vinte e quatro.

Tem o Carlos e a Flu que s?o um pouco mais velhos, na faixa dos vinte e sete, eu acho, mas est?o juntos desde os vinte ou vinte um.

Porra, tem gente que namora a s?rio, quer dizer, j? vi que eles tem altos e baixos, mas batalham legal pela vida e pela rela??o. ? muita sorte achar algu?m que tamb?m quer coisa s?ria.

Outro dia? Opa, vem vindo ali os caras da mil?cia. Geralmente ? tranquilo, mas a gente nunca sabe o que vai rolar. Principalmente quando o pai da gente sumiu. O lance ? seguir sem dar na pinta, como se eles n?o estivessem ali a menos que eles digam “E a??” ao que temos que responder “T? de boa!”.

No geral ? tranquilo, n?o ? muito diferente do que a Rachel vive no dia a dia dela quando sai do seu apartamento no asfalto e passa pela pol?cia ou aquelas matilhas de trombadinhas. Outro dia foi a Isabel que chegou toda tr?mula na balada contando que viu que uns dez moleques estavam cercando ela e que teve que sair correndo. Ela parece ter uns 24, mas tem mais de trinta, dois filhos e vive do teatro, ? atriz.

N?o tem essa de viver em redoma de vidro, cara, fico pensando na Rachel andando sozinha a maior parte do tempo como outras amigas. Cidade grande n?o ? para os fracos, mas cidade pequena? Sei l?, nunca vivi em cidade pequena, mas acho que os horizontes s?o muito mais curtos. Na cidade grande a gente pode sonhar mais longe, ou ser? que n?o?

Ent?o, outro dia eu estava lendo que a maioria dos jovens reclama que os relacionamentos s?o muito superficiais, que os outros jovens s?o egoc?ntricos e s? pensam em suas carreiras ou no prazer imediato, geralmente no prazer imediato.

Super me identifiquei com a mat?ria, mas n?o entendi isso de “a maioria dos jovens reclama”. Meus amigos n?o parecem se incomodar nem um pouco. Todos eles s?o exatamente como diz a mat?ria? Acho que at? a Rachel. Nunca a vi com um namorado s?rio e ela est? sempre muito concentrada nos seus objetivos. Pelo menos ela n?o ? s? do prazer imediato.

Tipo, ela fica com uns caras, se joga no baile, mas sei pelos amigos em comum que ela n?o perde o foco dos estudos. Ela j? t? de olho em onde vai estagiar e tudo mais.

Nem lembro como cheguei no clube! Fui t?o imerso nos meus pensamentos? Quando me dou conta a Sabrina t? pulando em cima de mim toda molhada dizendo para eu sair do mundo da lua e prestar aten??o que a equipe dela ? a pr?xima!

A pirralhinha nada, viu? N?o ficaram em primeiro lugar, na verdade ficaram em quarto, mas vejo nos olhinhos dela pulando l? na piscina comemorando que uma das melhores amigas t? na equipe que ficou em segundo e, afinal de contas, ela nadou bem.

Vejo que elas j? v?o para o vesti?rio e que v?o fazer alguma coisa depois e qual ? a irm? de doze anos que quer um irm?o de dezenove por perto, n?? Ainda bem! O Jos? tem que acompanhar o irm?o dele para todo lugar, imagina aturar um bando de crian?a com menos de quatorze anos!!

Dou um sorriso para ela, mando uma figa (s? eu mando figa para as pessoas, uma mania minha que sempre tenho que explicar) e uma piscadela para ela e vou me adiantando para o shopping.

Tem dia que o ?nibus voa! Chego l? e encontro s? a Mari e a Joana, j? com o meu ingresso e o delas (mandei whatsapp para elas mais cedo pedindo para comprar o meu).

Pago uma parte do lanche para compensar o pre?o do ingresso e fico meio calad?o na mesa. Sei l? porque estou mais parado na Rachel hoje do que de costume.

? Ser? que o Ricardo n?o vai tirar esse chinelo da cabe?a?

? Acho que n?o J?, acho que s? o corpo dele t? a? na frente e o resto t? afogado l? na piscina

Acho que foi o afogado que me fez acordar e s? depois me toquei que tinha ouvido alguma coisa sobre chinelo na cabe?a. Mari e J? riam da minha cara, mas m?os dadas discretamente por baixo da mesa.

Fonte: ?lbum de Kiara Luz

Fonte: ?lbum de Kiara Luz – equipe do TV Fuzarca

A J? ? meio m?ezona, sabe? Daquele tipo que: um, sempre sabe que estamos com algum problema e; dois, tem um jeito infal?vel de nos fazer colocar para fora. Ela est? olhando fixamente para mim e a Mari reveza entre n?s dois como quem olha um jogo de t?nis, os olhinhos dela sorridentes, acho que ? amor.

? Desembucha logo, Ricardo! ? ? a Mari que fala, a J? s? me olha. ? que ela sabe que, quando a J? t? determinada n?o adianta tentar resistir.

? J? N?o ? nada… ? Olho para ela e vejo que n?o vai dar certo e vou ter que desabafar mesmo, mas como elas poderiam entender? Elas n?o s?o como a maioria das pessoas ? Cara, ? o seguinte, n?o sei se voc?s podem ajudar porque voc?s s?o diferentes, n?? Ningu?m quer namorar a s?rio, mas voc?s querem. T?o a? juntas faz um temp?o. Voc?s e o Carlos e a Flu. Eu n?o tenho uma Flu? Quer dizer, tenho a Isa, mas o nosso lance ? s? meio que preencher o vazio um do outro, n?o quero ficar com ela para sempre e duvido que ela queira ficar comigo, os namorados que ela arranja s?o totalmente diferentes de mim, at? fisicamente.

A J? e a Mari se entreolham por uma fra??o de segundo e viram juntas para mim. Quem fala ? a Mari.

? Ric? Voc? sabe como o Carlos e a Flu se conheceram?

Eu sabia sim, rolou o papo algum dia numa roda onde uns fumavam maconha, outros n?o fumavam nada e algu?m tocava viol?o e cantava. Tinha sido em um jogo de futebol, ali?s em v?rios. Eles se esbarravam sempre porque tinham amigos em comum. Sempre se provocavam at? que um dia deu um treco neles e quando viram estavam se beijando. Foi o que falei para a Mari.

Elas pegaram minha m?o direita para me fazer perceber que iam falar muito s?rio e come?aram a falar. Era engra?ado porque cada uma dizia um peda?o e as coisas iam se encaixando, algumas vezes elas discordavam e a outra dia “n?o, sua boba” e corrigiam, mas fui montando o que elas tinham a dizer.

Casais acabam andando com casais, aquela coisa de vela, n?? O pessoal que t? na pista acaba encontrando com o pessoal que est? numa parada s?ria s? para curtir, acabam n?o entrando tanto nas hist?rias de “a gente come?ou assim” dos namorados s?rios.

Quando as duas se conheceram elas s? estavam pensando em curtir a vida, n?o queiram nada s?rio com ningu?m e acabaram descobrindo que era t?o bom estar uma com a outra que ficar sozinhas era mais f?cil e quando rolava de irem s? as duas para algum lugar sem uma galera n?o era chato, pelo contr?rio, elas ficavam falando de tudo e o tempo voava. Nem ? que concordassem, mas acham maneiros os pontos de vista uma da outra.

J? com o Carlos e a Flu tinha sido bem diferente e era assim com boa parte dos casais que elas conheciam como o Marcelo e o Sidney ou a Hel? e a Clara: eles demoraram um temp?o para se declarar porque tinham certeza que o outro s? queria putaria e n?o queriam ser s? mais uma pega??o na vida do outro e, enquanto isso, iam ficando com uns e outros.

A? uma das duas disse “pera a?, eu achei que voc? s? queria putaria e eu era a s?ria da rela??o” ao que a outra disse que n?o, que era o contr?rio e come?aram a rir comparando momentos que provavam suas teorias.

Me recostei na cadeira, elas j? tinham soltado minha m?o h? um temp?o, rindo da cena? Casais como elas nos fazem sentir leves! Espero que elas sejam assim para sempre!

Quer saber? E se cai um edif?cio na minha cabe?a amanh? e eu morro sem ter tentado? Vou mandar um whatsapp agora para a Rachel perguntando se ela topa um cinema um dia desses?

“E a?? Voc? topa um cine um dia desses? Bjs, Ric”

Coloco o celular na mesa e fico olhando para ele, para o bot?o de enviar.

Quando me dou conta a Mari est? acenando para algu?m, olho para tr?s. Ʌ a? Rachel??? Eu hein? N?o sabia que elas se conheciam!

? Oi Quel! A gente vai na sess?o que vai rolar daqui a uma hora e meia, tem uma galera vindo. Esse aqui ? o Ric. Ric, essa ? a Quel.

? E a? Rachel, tudo bem? A gente j? se conhece Mari.

? Perfeito! ? ? a J? que toma a iniciativa ? A gente comprou tr?s lugares na fileira M, naquele peda?o que s? tem quatro lugares, corre l? e pega o M22 que ficamos juntos!

Enquanto ela vai comprar eu viro o meu celular e mostro para as duas. Elas arregalam os olhos e dizem “Ela?…” e “Cara! Ela ? uma fofa!” ?e “P?, tudo a ver!”.

Quando ela volta ainda temos mais de uma hora para bater papo, o restante da galera vai chegando, uns com calma, outros esbaforidos, mas pela primeira vez mergulho no papo com a Rachel sem pensar no que ela vai pensar de mim, sou apenas eu mesmo e vejo que ela ? apenas ela mesma. Quando nos damos conta ? como se estiv?ssemos sozinhos no meio dos quase vinte amigos que falam como se fossem uma matilha de lobos.

Por algum motivo quando vejo estamos falando do artigo que eu li outro dia, em como as pessoas est?o ego?stas demais. Ela n?o tinha lido a artigo, mas concorda e completa que a gente precisa de amizades como as do Harry Potter, gente em que possamos confiar e contar as coisas, compartilhar momentos bons e momentos dif?ceis.

Digo que penso exatamente isso e, quando percebo estou dizendo que queria dizer isso para ela h? muito tempo, mas tinha medo dela me achar bobo. “Ent?o somos dois bobos! E a Mari e a J? ali tamb?m! Ainda bem, n??” e solta um riso que faz meu cora??o esquentar.

O processo criativo

Relembrando as regras:

  • S? posso ver qual ser? o tema, p?blico e ?poca na hora de come?ar a escrever
  • Tenho que terminar o conto at? meio dia
  • Sempre que eu der uma pausa vou marcar escrevendo [8:02] parei para revisar[8:35]. Isso quer dizer que fiquei pensando por 33 minutos. Assim voc? n?o precisa ficar assistindo em tempo real para saber quanto tempo demorou cada trecho.

[8:11]Comendo alguma coisa hehehe[8:14]

Vou ver o resultado dos votos?

Somente 5 votos. Ou s? eu estou gostando de fazer isso ou realmente preciso pensar em jeitos melhores de divulgar hahahahaha!!

Bem, deu romance, jovem, presente:

Tema P?blico ?poca Votos
Terror 0 Infantil 0 Passado 1
Romance 3 Jovem 3 Presente 3
Aventura 1 Adulto 2 Futuro 1
Suspense 1

 

Processo criativo

[8:20]

Me comprometi a n?o repetir as formas de buscar inspira??o para escrever. Tenho 11 j? listadas.

A primeira foi totalmente intuitiva partindo de uma imagem que me ocorreu enquanto pensava no tema.

A segunda foi pensar em um tema a abordar. No caso foi o mundo assombrado pelos dem?nios quando nos deixamos levar por uma vis?o supersticiosa.

Para um romance jovem vejamos?.

[8:23]Escolhendo a forma[8:27]

Pensei em construir em torno de uma personagem interessante, mas achei mais legal pensar em uma situa??o que dificulte o romance pois acho que assim pode resultar em um conto mais ?til para os leitores. Jovens est?o sempre precisando resolver situa??es dif?ceis pois esse ? um segundo per?odo de descobertas, n?o ??

Na inf?ncia estamos descobrindo o mundo, na juventude estamos descobrindo n?s mesmos e os outros. Enfrentando dilemas como “devo ligar?”, “O que tem de errado em mim que n?o consigo ficar com ningu?m?”, “Ser? que meus relacionamentos s?o muito profundos? Ser? que s?o muito superficiais?”

A quest?o agora ? decidir que situa??o ser? essa?

[8:32]Decidindo[8:38]

A dificuldade est? nas inseguran?as sobre onde investir esfor?os: o protagonista tem 19 anos e precisa se preocupar em estudar e trabalhar. Tem sua vida e problemas pessoais e n?o quer ter relacionamentos superficiais, mas ser? que tem tempo para buscar isso? E as pessoas ao redor dele n?o acreditam em relacionamento s?rio, todos querem s? a pega??o e ele assume que a maioria das pessoas ? assim, mas ser? que s?o? Ser? que a menina de quem ele n?o consegue tirar os olhos, que n?o sai da cabe?a dele ? assim tamb?m? Ser? que as outras pessoas realmente acreditam no que est?o dizendo ou simplesmente acham que ser?o ridicularizadas se disserem que sentem falta de um namoro s?rio?

Ele ? morador de uma favela e ela mora no asfalto, mas isso precisa ser apenas um pano de fundo e n?o um dificultador. Eles se conhecem num dos bailes funk que rolam numa quadra perto do asfalto. Esse ambiente me parece muito comum na faixa dos 20 anos, mas dificulta um pouco a escrita porque ? necess?rio n?o cair nos preconceitos.

Hoje estou mega-desinspirado e o tema n?o ? dos meus mais fortes, mas essa ? a ideia: desafios ;-)

Ah! Vou fazer em primeira pessoa para colocar o leitor mais na pele do protagonista. Ricardo acho que ? um bom nome, n??

[12:52] Demorei a engrenar, s? comecei a gostar do conto no final e acho que devia continuar, mas extrapolei muito meu limite de quatro horas escrevendo e decidi deixar assim[fim]

Ajude a definir o pr?ximo conto: