Entramos nas Lojas Americanas e vamos comprar luzes para o Natal. Pegamos uma caixa de 200 lâmpadas e está vazia, pegamos outra e o mesmo. Todas as caixas estavam vazias! Eram os clientes que se aproveitavam da semelhança com a caixa de 100 lâmpadas que trocavam as caixas para assaltar a loja… Será que eles também vão boicotar o filme Turistas? Será que reclamam da corrupção?

Um amigo manda um email pedindo para ligarem para ele. Ligo. “Rapaz!!! Quantos anos!!! Putz! Você ligou!!! Ah! Vamos almoçar no sábado!!”. O cara parecia sinceramente animado, mas não atendeu o celular na sexta, nem no sábado… Nem retornou. Será que ele não gostou do meu recado na sexta de noite dizendo que estava fazendo programa de índio brega vendo a árvore da Lagoa Rodrigo de Freitas e confirmando nosso almoço no dia seguinte? Será que fui politicamente incorrendo ao falar “programa de índio” e o cara resolveu me cortar da agenda dele?

A MTV entrou na onda dos jogos de realidade alterada (como o de Lost) criando uma história onde ela e seus patrocinadores se mobilizam contra uma organização do mal chamada Intituto Purifica cujos discursos fazem referência a boa alimentação, Luther King, direitos humanos e que tem como objetivo destruir a MTV que é o único foco de resistência a favor da liberdade de pensamento. Bom… Além de ser estranho ver isso depois daquela campanha que convidava os jovens a se alienarem do processo político trata-se de um terreno bem perigoso… Até onde que essa história pode ir? Além disso tem muita gente genuinamente com medo do tal instituto. Mas justo numa hora em que precisamos tanto das ONGs e de uma nova forma de pensar?

Todo dia vemos nas esquinas, nos bares e nos blogs extensos comentários de que nada é sério nesse país, que a gente não devia votar porque tá tudo errado e só com uma revolução para resolver e que aqui tudo termina em pizza. Repetimos esta ladainha auto-comiserativa, pessimista e derrotista à exaustão. Para mim é desculpa para se refestelar no sofá e assistir a MTV enquanto outros suam. Bem, ai vem o filme classe Z Turistas que ninguém conhece falando que “em um país onde tudo é permitido” turistas vivem uma história de terror. Tá, então os mesmos caras que vivem se entregando ao pessimismo aparecem e querem boicotar o filme… Porque não “se boicotam a si mesmos”?

Tudo muito esquisito…