Desculpem, juro que não é para fazer tipo, para parecer diferentão, eu realmente não tenho qualquer ligação emocional com o dia que esse corpo cujos dedos teclam esse post passou a existir…

Que coisa! Enquanto escrevia o parágrafo acima ouvindo Runaway da Aurora me ocorreu algo que nunca tinha me ocorrido… E agora até me veio aos pensamentos a transhumana de Years and Years: sempre tive uma sensação de dissociação do meu corpo, como se ele fosse um acaso onde minha consciência acontece…

Isso é material para reflexões futuras ;-)

Na véspera do meu aniversário (12 de fevereiro) minha esposa e alguns amigos disseram que eu devia fazer alguma coisa e acho que a gente deve ouvir os amigos. Além disso vivemos tempos em que temos que nos manter próximos, então topei!

De noite sonhei que me evadia discretamente do lobby de um hotel onde acontecia um congresso com muitos amigos só para não fazerem uma comemoração de aniversário para mim…

Pode parecer que eu realmente ODEIO atenção no meu aniversário, mas na verdade é só esquisito para mim que me tratem de um jeito especial no dia que me corpo passou a existir.

Ah! Também não é para fugir da minha idade (53 anos) porque há décadas eu já mudo de idade uns meses antes porque faz sentido para mim já que tenho, por exemplo, 52,8 anos.

Tenho apenas um motivo para falar nisso aqui: outras pessoas podem se achar muito estranhas por se sentirem assim, você que lê esse post pode conhecer alguém assim e vocês podem se sentir menos excêntricas agora :-P

Se alguém comentar aqui dizendo que é parecida eu também vou me achar menos estranho hehehehehe! Então você que não acredita que as pessoas façam coisas sem interesses egoístas pode respirar aliviada, cara pessoa sem fé na empatia e altruísmo humano ;-)

Esse aí acabou sendo um dos melhores aniversários da minha vida (acho que as convidadas não sabem, preciso contar!) justamente porque não ficamos admirando os dias de vida do meu corpo e passamos umas boas horas conversando sobre generalidades.

Também tentei retornar a um hábito antigo, o de juntar pessoas que não se conhecem, mas três pessoas não puderam ir e só uma pessoa não conhecia o restante, mas foi bom assim mesmo.

É uma beleza ver as pessoas se conhecendo, descobrindo coisas em comum, pensamentos em ressonância. Principalmente em tempos tão ásperos em que os semelhantes se rejeitam por pequenas diferenças como temos visto nas pessoas engajadas em causas contra preconceitos…

Na verdade fui cuidadoso e só chamei gente que eu sabia que se dariam muito bem, mas desde esse dia passei a conectar mais gente no Twitter (ando afastado do Facebook, outro assunto para outra hora); vamos ver os desdobramentos, espero que eu acabe ajudando a conectar umas bolhas e dissolver um pouco da aspereza que tem se espalhado pelas redes online e offline.

O lugar é o boteco Colarinho em Botafogo e era um dia de ameaça de chuvas assustadoras, ficam aqui meus agradecimentos aos amigos que se aventuraram para me levar o carinho que recebi nesse dia! (felizmente nem choveu direito, só chuviscou)

E teve a amiga de longe que veio por videoconferência para chorar e fazer chorar…. Uma moça antropóloga que sempre admirei muito e por quem tenho profundo carinho e muitas saudades!