Sobre o projeto

Esse ? o d?cimo primeiro conto do projeto #UmS?badoUmConto (Post explicando o projeto)

Durante a semana as pessoas votam em estilo, g?nero, p?blico e ?poca. O autor (eu) s? pode saber o resultado ?s 8h de s?bado e tem at? meio dia para terminar o conto.

Cada conto ? escrito com um processo criativo diferente (veja no final).

O que voc? v? a seguir ? o conto com a m?nima revis?o. Voc? pode ler? sem revis?o no Google Docs.

Voc? pode votar no que devo escrever no pr?ximo aqui: http://bit.ly/1w5JcZT

O Conto

? Carol? Al?, Carol?

? Pera a?, Cl?udio, a liga??o t? cortando? T? correndo? Te ligo em? 10 minutos

A liga??o ? interrompida, casados h? sete anos e ele ainda n?o lembra dos hor?rios em que ela sai para correr? O engarrafamento hoje est? pior que de costume e Cl?udio est? preocupado. Carol ? advogada e deve ser capaz de ajud?-lo com a quest?o do contrato de confidencialidade que ele tem com a empresa.

Ele, com 32, e ela, com 33 anos n?o podem reclamar da vida. Os dois tem carreiras em franca ascens?o e desfrutam de boas posi??es. Ela se preparando para ser promotora p?blica e ele ? um economista capaz de tirar recursos do ar.

No banco do carona Cl?udio olha para os gr?ficos que imprimiu com sobras de recursos de departamentos da multinacional de agroneg?cios em que ele trabalha. S?o dados que raramente s?o analisados, s?o simplesmente reintegrados, mas esse ? o problema, uma parte substancial deles, em vez de serem reintegrados est?o sendo repassados para uma subsidi?ria inexpressiva, devia ser apenas um tipo de estoque de materiais indo de papel a tratores tanto da pr?pria empresa matriz quanto de outras menores que precisam armazenar equipamentos e n?o disp?e de um espa?o.

O tr?nsito volta a andar? Cl?udio olha para os motoristas vizinhos? ? uma rela??o estranha essa que temos em rodovias engarrafadas de grandes cidades? Ali est? o outro, h? menos de dois metros, mas vivendo em uma bolha de realidade em que mal percebe que h? outros seres no Universo, o que dir? no carro ao lado. A mulher que est? retocando a maquiagem o nota e o clima fica constrangedor. Cl?udio fecha o carro vizinho para avan?ar um pouco mais e se livrar da situa??o. N?o d? muito certo, mas pelo menos coloca uma coluna de carros entre eles.

J? est? escuro, naturalmente, mas um lindo por do sol atravessava a janela do escrit?rio no 27? andar ?s 17h quando Cl?udio verificava a tal subsidi?ria e percebia que ela tinha gastos de viagem por todo o Brasil, muitos gastos. Belo Monte foi o que chamou sua aten??o e logo depois ele descobriu que todas as viagens eram para pontos onde aconteciam grandes obras ou mobiliza??es ecol?gicas. Tinha algo errado? Estava claro que ele havia esbarrado no que n?o devia.

? claro que sua fun??o envolvia diversas sugest?es que levariam muita gente a sofrer; como cortes de pessoal e desapropria??es de trechos de terra ocupados por fazendas familiares conforme as necessidades do agroneg?cio se expandiam, ele at? desconfiava, claro, que a empresa devia investir em pol?ticos que desfavoreceriam interesses ecol?gicos, mas n?o pensava muito nisso… n?o era sua fun??o.

No entanto, agir ativamente contra o meio ambiente mexeu em um interruptor em Cl?udio. Uma coisa ? manter seu direito de express?o para defender seus interesses, outra bem diferente ? fazer algo contra os direitos de express?o dos outros? E Cl?udio n?o ? ignorante, ele sabe que teremos que resolver nossos problemas ambientais um dia. S? esperava que outros cuidassem disso, mas se empresas como a dele est?o aplicando verbas desviadas para tramar alguma coisa ent?o a disputa deixa de ser entre opini?es e passa a ser um jogo de poder desigual.

O telefone toca, ele olha a tela e ? a Carol. Ele atende no viva-voz.

? Oi Carol, desculpe te ligar durante a corrida, esqueci de novo! T? preso num engarrafamento horr?vel, demorei a sair da empresa e vou chegar tarde em casa, ok?

? Tudo bem, amor, assim voc? n?o me encontra fedendo que nem rato morto!

A risada dela ? leve e faz Cl?udio se lembrar do p?r do sol que tinha visto mais cedo. Ele decide n?o falar nada, tinha sido uma tolice querer falar com ela pelo celular antes. Se ele realmente pretende ir a fundo nisso tem que ser muito mais cuidadoso.

Carol ainda est? ofegante, deve ter ligado imediatamente depois de terminar a corrida. Ser? que ela corre perigo? Ele usou os computadores da empresa para fazer as pesquisas? Certo, agora isso j? n?o ? ser cuidadoso, ? ser paran?ico, mas ser? que um pouco de paran?ia n?o ? justamente o que pode fazer a diferen?a entre a vida e a morte?

? T? bom ratinha! A gente se v? daqui a pouco!

? Voc? t? bem? Sua voz t? estranha? Voc? t? preocupado com o qu??

? Um pouco cansado, coisas do trabalho? Te conto em casa, ok?

? T? bom? ?! Esquenta n?o, voc? ? um dos melhores no que faz e vai achar a solu??o, quaquer coisa eu te ajudo com os c?lculos! ? e outra risada leve enche o carro fechado. Ela ? p?ssima com c?lculos.

Pouco antes de chegar em casa ele recebe o whatsapp dela “Ca?a comida. A geladeira est? fazendo eco eco eco eco ;-)”

Um bocado de queijo, p?o franc?s e um vinho, ? o que ele leva para casa. S? quando a Carol o olha com olhinhos de esquilo e boquinha de gatinha perplexa ? que ele puxa outra sacola com ingredientes para fazer comida de verdade, mas eles acabam comendo mesmo o p?o com queijo e vinho sentados no ch?o da sala que ainda n?o tem mesa? Tem uma semana que eles mudaram para o apartamento rec?m-comprado.

A Carol bobinha de minutos antes vai se transformando na s?ria futura promotora p?blica conforme Cl?udio mostra os dados que recolheu. Ela conhece e tem interesse por cada um dos casos que foram visitados pela empresa de fachada e, em v?rios deles, havia suspeita de agitadores infiltrados e relatos de pessoas investigando os ativistas.

Os dois se debru?am sobre artigos de jornais de grande circula??o e alternativos buscando nomes que possam estar envolvidos tanto no papel de investigados quanto de investigadores. O segundo grupo ? invis?vel. Parece hist?ria de “Homens de Preto” s? que n?o tem nenhuma gra?a.

? Cara? Cl?udio? Para tudo. Voc? j? pensou no que estamos pensando em fazer? Onde isso vai nos levar? A gente n?o est? em um filme, temos nossas vidas! Acabamos de comprar um ap?! Como vai ser? Vamos denunciar sua empresa? Ok, n?o ? um rompimento de contrato de confidencialidade afinal o contrato ? para atividades l?citas da empresa, mas onde vamos, digo, onde voc? vai trabalhar depois disso? Voc? n?o acha que alguma outra pessoa ? que tem que descobrir e pesquisar essas coisas? Sim, porque o que temos ? insuficiente para entregar para a m?dia e? bem? que m?dia vai querer comprar essa briga com uma empresa deste tamanho? T? me entendendo?

Ela olha com firmeza para ele, a testa franzida lhe d? um ar de determina??o e de for?a que surpreendem.

? Carol? Caiu nas minhas m?os? Eu n?o posso fugir da responsabilidade? No momento que estou consciente n?o posso ficar calado?

A voz de Cl?udio soa fraca, com medo, mas tamb?m determinada.

? ? por isso que te amo, seu maluco! Ent?o nosso primeiro passo ? ir l? nessa empresa e tirar fotos de quem entra e quem sai. Voc? precisa pedir uns dias de folga na sua empresa. Depois que tivermos informa??es suficientes a gente pensa no que pode fazer. Vamos salvar tamb?m todas as fotos com pessoas que acharmos nos artigos de jornal sobre os lugares para onde eles mandaram gente.

Felizmente a empresa ? em uma cidade perto de S?o Paulo. O grande canteiro est? repleto de caminh?es agr?colas, de ceifadeiras a arados. Eles param o carro no alto de um barranco de onde d? para ver o acesso principal com facilidade h? uns 500 metros. Dentro dele eles armam a c?mera de 50x de zoom que compraram numa das viagens ao exterior para tirar fotos dos rebites da torre Eifel.

Quando Cl?udio se d? conta ao lado do carro tem uma grande toalha de mesa com um bolo em cima, uma jarra t?rmica, pratinhos, talheres de pl?stico e uma Carol descal?a de pernas cruzadas rindo para ele.

? Piquenique! O disfarce perfeito! E n?o ? porque viramos espi?es que n?o podemos nos divertir! Senta, daqui d? para ver se vier algum carro e d? tempo de chegar na m?quina.

? Vamos passar um m?s fazendo piquenique aqui e ningu?m vai achar estranho, n? Carol?

Os dois come?am a rir, afinal provavelmente aquilo n?o daria em nada, eles n?o poderiam passar mais de um dia ali. Logo a realidade os chamria de volta e uma parte deles estava nisso s? pela brincadeira enquanto a parte que se indignou dois dias antes come?ava a ser vencida pelos interesses individuais deles.

Volta e meia um carro chega e esses s?o f?ceis de fotografar pois s?o vistos ainda antes de chegar ao port?o externo, mas as pessoas que est?o saindo d?o mais trabalho ent?o eles come?am a se revesar mantendo sempre um dos dois no carro enquanto o outro comparava as fotos tiradas (enviadas por wifi para o computador) com as que eles tinham guardado dos jornais.

N?o demorou para ver no meio das multid?es de ativistas ecol?gicos rostos que agora entravam e sa?am daquela empresa em carros utilit?rios caros e poluentes.

E tinha as antenas? Parab?licas grandes instaladas entre os caminh?es o que fez com que eles demorassem a perceb?-las. Eram cinco ao todo. A coisa era mais sofisticada do que eles pensavam.

Carol tinha amigos em algumas organiza??es ecol?gicas, mas era estranho que algu?m se desse a tanto trabalho para se infiltrar em manifesta??es que muitas vezes s?o combinadas em assembleias ao ar livre que todos podem olhar ? vontade. Esses grupos s?o idealistas e ing?nuos, n?o fazem nada em segredo.

? Carol? E se tiver grupos que fazem algo em segredo? O que eles poderiam fazer? Se desse lado tem gente tramando secretamente deve ter do lado de l? tamb?m. O que eles tramariam? Terrorismo ecoativista? A??es como as do GreenPeace?

? N?o? Isso n?o faz sentido. Nada disso causa realmente algum problema para essas empresas. Soltar uns beagles, atrapalhar um baleeiro? Teria que ser algo que amea?asse o neg?cio?

Carol arregala os olhos e deixa a boca de abrir daquele jeito que a faz parecer uma gatinha perplexa.

? S? se eles acham que tem gente que est? pesquisando tecnologias que podem tornar os neg?cios deles obsoletos, lembra que uma vez te mostrei um projeto de fazenda vertical? Pr?dios que tem ecossistemas quase fechados onde se produz de tudo? A tecnologia nem ? t?o avan?ada, mas ningu?m fez at? hoje.

? Claro! Lembro! Bem, eles atrapalhariam muitos neg?cios, n?o ?? Esque?a os atravessadores pois a produ??o seria feita na pr?pria cidade onde haver? o consumo ent?o tamb?m n?o precisaria de transporte de caminh?o interestadual. Que ind?stria moderna se interessaria em pagar pesquisas para algo que ? ruim para o agroneg?cio, para a ind?stria do petr?leo e at? a ind?stria de armas teria a perder pois n?o precisa de jagun?os armados para proteger uma fazenda dessas.

? Sei l?, amor? Por outro lado ser? que n?o ? muita viagem da minha cabe?a?

Eles est?o t?o concentrados que demoram a perceber o ru?do de um carro se aproximando. Felizmente Cl?udio est? sentado dentro do carro e Carol est? cortando uma fatia de bolo na hora e ele tem tempo de fechar o trip? e jogar a c?mera sob o banco antes que o carro entre no campo de vis?o deles.

Dois homens de jeans e camisas de malha saem do carro sorrindo, mas com olhares bem amea?adores.

? Aqui n?o ? um bom lugar para fazer piquenique? ? bem perigoso aqui. Muito deserto e sempre aparecem pessoas querendo invadir o campo ali em baixo para roubar pe?as.

? Puxa! Obrigada!! A gente est? viajando para o centro-oeste de carro e paramos aqui para esticar as pernas, n?o sab?amos que era perigoso! Obrigada mesmo!!

J? no carro, indo para a cidade pr?xima, os dois se entreolham. Com certeza eles tinham causado preocupa??o a algu?m. A placa deve ter sido anotada. Agora n?o tinha mais volta? Pelo menos a desculpa do Cl?udio para se ausentar seria coerente “Ir visitar um ramo da fam?lia porque um parente pr?ximo e importante estava ? beira da morte” e Carol deu a desculpa de que iria com ele.

Carol decide que eles precisam encontar algu?m de confian?a do lado de l?, dos que est?o sendo espionados. Ela tem um amigo que conhece todo mundo na ?rea de meio ambiente inclusive um cientista e pol?tico engajado na causa ambiental. Cl?udio dirige enquanto ela fala com ele ao celular, diz que precisam conversar e pede para ele tentar marcar um encontro com o tal cientista.

? Carol? Acho que eles est?o nos seguindo? Quer dizer, n?o t? vendo nada, mas ? claro que eles devem estar nos seguindo. Temos que assumir que est?o nos seguindo, n?o acha?

? Calma, m?! Sem p?nico, t?? Com paran?ia, mas sem p?nico, certo? Voc? tem raz?o? ? melhor assumir que estamos sendo seguidos. Vamos direto pra Sampa, pro shopping perto de casa. Vamos deixar o carro l? e pedir para algu?m pegar para a gente. A? sa?mos de l? e pegamos transporte p?blico. A Raffinha pode quebrar essa para a gente, vou mandar whatsapp para ela? Vamos trocar de roupas tamb?m, ainda bem que trouxemos! Ser? que podemos confiar no Whatsapp? Bem, por enquanto vai ter que ser assim?

A Raffa est? esperando no estacionamento quando eles chegam.

? Voc?s v?o dizer o que t? acontecendo? No que voc?s se meteram? Como algu?m como vcs se mete em alguma coisa?

A Carol olha para ela, segura suas bochechas gostosas de apertar, d? um selinho nos seus l?bios e diz apenas “Melhor n?o Raffinha? Deixa o carro na nossa garagem, n?o deixa ningu?m te ver saindo dele. O porteiro nunca de viu ent?o simplesmente sai pela porta e, se perguntarem, voc? n?o v? a gente tem uma semana, valeu? Juro que te conto tudo depois! Melhor que isso! Tem um post que vai se publicar automaticamente em 24h no meu blog se acontecer alguma coisa comigo. ? com senha. Decora: raffalinda, dif?cil,n?? Se ele aparecer estar? tudo explicado l?. Manda para os jornais sem se expor, t?? Joga na Rede, espalha.”

Eles n?o passam mais de tr?s minutos juntos com receio de algu?m v?-los. A Raffa ? uma grande amiga ? felizmente eles tem alguns poucos, mas grandes, amigos em quem podem confiar.

? Oi? Let?cia? ? Eles v?o para a casa de uma amiga do Jorge que eles n?o conhecem, a ideia foi por receio de que os perseguidores que a paran?ia dizia que estavam em seu encal?o vigiassem as casas dos amigos que est?o ligados a ecologia. Ela e Jorge usam um aplicativo seguro de videoconfer?ncia que Cl?udio e Carol nunca tinham ouvido falar.

? Isso, j? estou com o Jorge e o Gustavo, que ? o nosso contato no congresso e um brilhante cientista ambiental, na videoconfer?ncia. Voc?s s? disseram por whatsapp que achavam que podia ter penetras na festa do Jorge e a gente j? sabia disso, mas o Jorge se preocupou com o que voc?s podem ter esbarrado e se estariam em risco?

Let?cia ? uma mulher de uns 40 anos de cabelos bem encaracolados com cachos ainda castanhos escuros alternados com outros ficando grisalhos, mas sua pele ? lisa como a de ?uma adolescente e os olhos brilham com ?uma curiosidade e paix?o que n?o se v? todo dia.

A casa fica na encosta de um morro e ? diferente. Na paredes h? v?rios tablets mostrando gr?ficos que sem movem o tempo todo. S?o barras que variam do vermelho ao azul.

? S?o gr?ficos de sondas que medem a temperatura nos oceanos, sou ocean?grafa. ? Ela explica ao ver que os dois observam curiosos os tablets ? Azul mostra temperaturas que est?o dentro do ideal para manter as correntes saud?veis e vermelho mostra que est?o frias ou quentes demais. E sim? Tem muito vermelho nesses gr?ficos? Eles s?o um tipo de contagem regressiva. N?o que algo v? acontecer se eles ficarem vermelhos demais? Bem, n?o imediatamente, mas voc?s devem ter lido sobre a onda de frio na Europa essa semana, certo? Aqueles quatro tablets ali sobre o roteador wifi mostram as condi??es das correntes que participam da regulagem do clima l? Tem uns tr?s anos que n?o ficam t?o vermelhos.

Na verdade a casa parece um laborat?rio com v?rios computadores em uma bancada e ?um enorme quadro branco com c?lculos.

Eles sentam diante de uma TV de umas 50 polegadas onde se veem os rostos do Jorge e do Gustavo bem grandes al?m do deles tr?s em uma janelinha menor.

Enquanto eles conversam a Let?cia instala aplicativos de comunica??o segura nos celulares dos dois, um cliente TOR e carrega um documento explicando como usar tudo aquilo al?m de um app que d? duas interfaces para o celular de acordo com a senha usada: com uma aparecem apenas os aplicativos de comunica??o e com outra ? exibida a interface ?normal com os aplicativos comuns que todo mundo usa.

? Estou acabando de fazer o backup para a nuvem e para o HD externo. Preciso de mais 15 minutos e depois podemos ir ? Let?cia comenta sem tirar os olhos dos celulares que est? configurando ? Se nada acontecer, depois o pessoal da limpeza vem recolher os meus equipamentos.

? Cl?udio e Carol, ? Gustavo tem uma voz firme, grave e calma ? Antes de mais nada temos que agradecer a voc?s. Conhecendo os rostos dos infiltrados poderemos plantar informa??es falsas que os levar?o para longe de n?s e vamos repensar seriamente a nossa participa??o nessas mobiliza??es pois isso n?o pode colocar nossos projetos em risco. Minha confian?a no Jorge ? ilimitada e ele confia em voc?s, mas ainda assim eu prefiro n?o falar que projetos s?o esses. ? por isso que voc?s est?o com a Let?cia, eu sou um te?rico e minha posi??o como pol?tico me torna vis?vel demais. Eu nunca vi os projetos de perto? A Let?cia sim. Ela vai lev?-los l?, mas voc?s devem entender que a volta ser? complicada pois voc?s ter?o que viver uma vida secreta e, claro, voc?s n?o saber?o onde estiveram. No entanto acho que, se voc?s quiserem, podem nos ajudar a impedir que nossas pesquisas sejam destru?das. Voc?s entendem os riscos?

Os dois concordam com a cabe?a? Ent?o Carol cutuca forte a costela de Cl?udio e diz “Fala que nem h?mi, menino! Entendemos e concordamos Gustavo! Tem caminhos que tomamos que n?o podem ser ignorados”. Ela ri um pouco, o Cl?udio sorri os outros permanecem s?rios. Ela fecha a express?o, se aproxima da c?mera e se transforma em outra pessoa “N?s entendemos perfeitamente o que a Let?cia nos mostrou, vimos perfeitamente bem o que havia nos olhos dos homens que vieram falar conosco e sabemos que as responsabilidades que caem em nossas m?os devem ser abra?adas com dedica??o mesmo que nos causem grandes danos. S? n?o estamos plenamente convencidos das boas inten??es de voc?s”.

??? por isso que voc?s v?o comigo para o projeto. Os celulares est?o prontos, no caminho explico a voc?s como usar. Temos que ir logo enquanto ainda ? noite.

A viagem envolve avi?o e um trajeto de carro por estradas acidentadas. Quando eles podem olhar para fora est?o em uma estrutura totalmente fechada, talvez subterr?nea. Uma sala de recep??o com uma mesa e uma janela coberta por uma persiana.

? Aqui estamos n?s? Voc?s pediram uma semana no trabalho, n?? Mas a hist?ria ? falsa, j? estamos preparando uma outra mentira inconveniente, que voc?s na verdade fugiram do trabalho para passear, crise do casamento. Assim voc?s podem voltar com uma hist?ria desagrad?vel que ningu?m vai querer ficar comentando com voc?s. Agora vamos conhecer o projeto?

Ela abre a persiana e eles percebem que est?o em uma estrutura do tamanho de uns 12 quarteir?es pelo menos. A luz vem do teto e parece luz solar, mas ? diferente. A maior estrutra tem seis andares e ? um edif?cio fazenda. Ao redor dele h? resid?ncias cujos telhados abrigam planta??es, tr?s torres de tr?s andares s?o claramente esta??es de distribui??o ou de produ??o de eletricidade.

Eles passam os pr?ximos tr?s dias conhecendo as pessoas que moram l? e aprendendo que ? um sistema quase totalmente fechado, que eles n?o extraem praticamente nada do ambiente exterior al?m do carbono que ? recapturado para testar tecnologias de recaptura e produ??o de estruturas de carbono.

Os custos do projeto devem ser astron?micos, pelo menos os custos iniciais j? que depois o ecossistema fechado ? praticamente aut?nomo. O ponto mais cr?tico ainda ? a gera??o de energia que, para ser independente, teria que vir de um reator de fus?o ou outra tecnologia ainda mais distante. Se essa tecnologia, ou uma combina??o de tecnologias que forne?am energia limpa, for alcan?ada eles podem exibir o projeto pois ent?o n?o haver? mais argumentos para a sua inviabilidade econ?mica.

Cada descoberta feita ali ? publicada em dom?nio p?blico na Internet em papers que s?o mostrados para a Carol e para o Cl?udio.

S?o grandes os sacrif?cios das pessoas que tornaram aquilo tudo real. Os que atuam do lado de fora jamais podem ver o resultado das suas pesquisas pois s?o visados demais como o Gustavo ou como empres?rios milion?rios que entendem que o futuro da vida est? em jogo e certamente suas viagens seriam monitoradas. Por outro lado a maioria que est? ali abandonou suas vidas fora do projeto muitas vezes forjando as pr?prias mortes.

Mas o futuro est? sendo constru?do ali e as rodas de conviv?ncia em que Cl?udio e Carol entraram os encantaram com a combina??o de pessoas que vivem de acordo com tradi??es ind?genas, cientistas, fil?sofos e pessoas simples que aram e cuidam da terra em harmonia caminhando hora em paralelo, hora se completando. A sabedoria ancestral antecipando a ci?ncia e a ci?ncia desvendando aos poucos os segredos a que essa sabedoria nos conduz.

A vida dos dois de volta a um mundo que agora lhes parece primitivo n?o ser? f?cil, mas eles entendem que ser?o mais ?teis fora, atentos para as movimenta??es dos que querem impedir os avan?os que desafiam suas fontes de lucro atuais, mas que podem ser a ?nica esperan?a para a continua??o da vida na Terra ou a chave para estend?-la para o espa?o.

Coment?rios

Cara? O scifi ficou na ?ltima p?gina? Foi mal. Esse ? mais um conto que merece ser expandido depois?

Coloquei pelo menos um pouco do car?ter deles e da natureza dos relacionamentos que eles constroem (leves, fieis e livres), mas tive que colocar tudo muito corrido para cumprir a meta de escrever em 4 horas e fazer o hangout depois.

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Hangout

 

O processo criativo

Me comprometi a usar uma estrat?gia em cada conto enquanto desse, mas s? faltam tr?s:

  1. Fanfic: criar em um universo que j? exista
  2. Criar uma hist?ria em que eu gostaria de estar, ou seja, eu mesmo sou um dos persoangens (? meio pregui?osa, n??)
  3. Retalho de outros autores / hist?rias. ? pregui?osa tamb?m e fica com cara de pl?gio apesar de ser comum (as hist?rias mitol?gicas por exemplo)
  4. Um banco de hist?rias que a gente mesmo criou, como sonhos e cr?nicas. Lembrei nessa agora.

S?bado vamos ver que estrat?gia vou usar. Vai depender do resultado da vota??o.

Me atrasei! Foi mal! S?o [8:09] Agora! Vamos ver o resultado da vota??o e vou avisar no Twitter e no FB que estou come?ando!

Foram 15 votos. Ganhou Aventura, scifi, presente e empatou jovem e adulto. D? para fazer bem para os dois, um jovem-adulto por exemplo. Gostei pq vi Interstellar essa semana e j? estava pensando em dar um jeito de inserir umas ideias que vieram dos papos sobre o filme no conto de hoje.

Uma pessoa sugeriu usar letras de m?sicas que ? uma coisa realmente muito legal!!! Mas eu sou uma nega??o para lembrar de letras de m?sicas!!! No m?ximo lembro de uma frase ;-) tipo “Mr Sandman? Give me a dream…” e acabou! Hahahaha! Juro que um dia vou pegar um monte de letra de m?sica e estudar para fazer um conto, ok?

Vou usar hoje ent?o a quarta estrat?gia a? de cima: um banco de hist?rias que tenho na minha cabe?a (e nas pastas sonhos, contos, livros etc onde anoto ideias).

O que eu venho pensando em usar durante a semana ? a ideia de que uma cidade ultra-avan?ada tecnologicamente (uma evolu??o para o lado “certo”) teria n?o s? uma pegada de carbono nula, mas capacidade de restaura??o do equil?brio ecol?gico do Planeta.

De qualquer forma, com a nossa interfer?ncia ou n?o, um dia a Terra entrar? em outro ciclo que tornar? as formas de vida atuais invi?veis. Uma das mensagens mais fortes de Interstellar ? justamente contra essa ideia de que a Terra foi feita para a vida como ? hoje e que, se n?o atrapalh?ssemos, ela seria um para?so para sempre.

? bom? Bem, bom n?o ?, n?? Mas termos acelerado a entrada em um novo ciclo ecol?gico no planeta pode nos fazer despertar para a necessidade de sermos preservadores do sistema que existe hoje.

Como a hist?ria ? no presente se eu quiser usar isso tudo ter? que ser atrav?s de gente planejando isso, despertando para isso?

T? a? O que nos impede de j? estar construindo cidades que pelo menos n?o interferem no meio ambiente? Sem emiss?o de carbono, ricamente arborizadas etc? N?o h? interesse econ?mico? Vai contra alguns interesses econ?micos?

E a hist?ria ? uma aventura?

Esse tema ? perigoso, ? arriscado fazer uma daquelas hist?rias ecol?gicas bobinhas. Talvez lembrar da conversa do cientista com o padre em Contato me ajude a fugir disso? A que eles tem diante de um p?ndulo de Focault. Ali?s Contato est? bem recheado de ideias interessantes sobre a natureza humana.

[8:28]

? pensando? Hummm? Quero falar do melhor que podemos ser dando menos foco para os elementos perversos da hist?ria, quero falar em pessoas diferentes que se unem pela causa comum (aproveitanto o recente sucesso da miss?o Rosetta que envolveu vinte pa?ses trabalhando juntos por 20 anos).

A hist?ria j? est? se delineando? Se voc? n?o quiser spoilers ? melhor voltar s? meio dia e ir direto para “O Conto” ok?

Ci?ncia precisa de experimenta??o, de dados, de tentativa e erro para funcionar. Os resultados das pesquisas precisam ser metodicamente anotados para que possam ser reproduzidos tanto para confirmar que est?o corretos quanto para serem aplicados no futuro.

O que teremos ? um grupo grande de pessoas de v?rias origens: milion?rios, pol?ticos, cientistas (claro, n?), ind?genas (e pessoas que optam por um estilo de vida completamente mesclado ao ambiente), pessoas comuns etc. que foram se unindo a uma grande experi?ncia que visa desenvolver as tecnologias que nos permitiriam fazer cidades? que nome eu daria a cidades que restauram o equil?brio ecol?gico? E ao mesmo tempo poderiam ser constru?das no espa?o para que possamos fazer travessias de 10 anos para outros sistemas solares.

Nossos her?is v?o esbarrar na exist?ncia dessa iniciativa por estarem servindo ao lado inimigo, eles n?o ser?o chamados por algu?m que j? faz parte do projeto. V?o descobrir que as empresas para que trabalham est?o tentando descobrir sobre essa experi?ncia e destru?-la por ser contr?ria aos seus interesses econ?micos.

Tenho que tomar cuidado porque o tema ? vasto e pode ficar apertado para escrever em 3h. E ainda tenho que comer alguma coisa pq acordei tarde e s? bebi ?gua! Mas esse ? o momento em que tenho que dar uma parada para pensar bem nos pontos principais da trama com introdu??o, virada, problemas, chave para resolu??o dos problemas e conclus?o. J? volto [8:43] voltei [8:57]

Quase sempre eu come?o sem saber como ser? realmente a hist?ria, tenho os personagens e o come?o ou o fim, hoje tenho o come?o e o fim, mas fa?o pouca ideia do que acontecer? no decorrer. Um dia preciso fazer isso diferente. Sei que tem gente que planeja o conto ou o livro inteiro antes de come?ar e pode ser uma boa t?tica, principalmente se tivermos um prazo, mas sinto que, se eu tentar pensar em todos os detalhes n?o vou conseguir escrever tudo. Ent?o vamos l?…