Todos dizem que choram litros com esse livro, mas…

Ops! Antes de mais nada: Pode ler sem medo pois não faço spoiler, ok? Quer dizer, não vou contar nada da história que estrague a graça de lê-la.

… Mas é verdade, a maioria chora mesmo! hahahaha!

Apesar disso eu não chorei. Veja bem, choro fácil com coisas… bem, com quase tudo; mas é possível que você ria mais do que chore acompanhando a história de Hazel e Augustus.

Você deve saber ao comprar o livro e ler a primeira página que a protagonista Hazel está com câncer e pode achar que é uma história de gente morrendo, mas é uma história de gente vivendo intensamente.

Esse “viver intensamente” não é “la vida loca” como em tantas outras histórias com o mesmo pano de fundo. É viver intensamente como todos nós devíamos viver.

Sabe, você e eu vamos morrer. Isso é chato, mas é verdade. Pode ser em alguns minutos, eu posso ter morrido logo depois de clicar “publish” nesse post. A diferença é que não tem ninguém nos dizendo “olha, você não tem nem 24h de vida” enquanto quem tem um câncer terminal pode ter quase certeza que não vai durar muito tempo.

Bem… Mesmo assim tem gente que dura apesar de todas as expectativas em contrário. Isso me lembra de Asimov, Sagan e Hawking que participaram de uma entrevista juntos há 20 anos quando todos achavam que o Hawkins não ia durar muito e agora ele é o único vivo dos três…

Só que isso não tem nada a ver com A Culpa é das Estrelas, o que tem a ver é que John Green escreve para adolescentes, mas sabe respeitar a inteligência deles (não posso me incluir no grupo pois sou um cara de 47 anos – considerando que não morri hoje, véspera do meu aniversário – ainda que amigos digam que sou uma menina adolescente) e nos dá um livro gostoso de ler, com uma estrutura literária que, se não é erudita, tem seus momentos líricos e bem elaborados capazes de encantar qualquer adulto que não tenha se tornado duro e amargo.

Praticamente cada página do livro tem alguma reflexão ética, moral ou de vida (pode chamar de espiritual também), mas sem ter o menor traço de ser um texto educativo ou coisa assim, o que vemos são pessoas como nós pensando no sentido da vida e buscando realizações como todos nós devíamos estar fazendo.

Toda vez que algum amigo diz que chorou muito lendo ACDE eu penso com meus botões (alguém ainda usa roupa com botões que pensam?) que triste é vida desperdiçada, é viver superficialmente.

A gente faz isso com muita frequência, eu mesmo não ando muito bem nesse quesito e talvez devesse chorar por mim mesmo, mas o que recebi de Hazel e Augustus foi força, determinação, arte, bastante arte, e inteligência.

Dentro da história tem outra história e um mistério, mas não digo mais que isso hehehehe!

Tem gente que acha que literatura precisa ter considerações filosóficas e tal, eu não acho, eu acho que literatura ou qualquer outra história precisam nos emocionar. Só que, quando ela também causa aquela emoção profunda, quando mexe com nosso jeito de ver a nós mesmos aí ela se torna inesquecível. A Culpa é das Estrelas é assim!

É importante dizer que a tradução está excelente, a tradutora se chama Renata Pettengill. Foi o primeiro livro que li traduzido por ela, mas a moça já entrou para minha lista de bons tradutores. O tradutor faz toda a diferença em um livro! Pena que algumas editoras não levem isso a sério.

Ah! Vai ter filme, olha o trailer (no filme acho que vou chorar!)

The Fault in Our Stars – trailer extendido

Créditos da imagem: Noite Estrelada de Van Gogh (do blog de Roman Shymko)