“Oi filho, arrumando a mala?”

Cinco anos, cabelos castanhos bem claros. O menino colocava metodicamente as peças de roupa que achava mais importantes. A mãe ria secretamente dos impulsos de rebeldia e independência do filho.

“É mãe, eu vou embora!”

E foi. Chegou na porta arrastando uma mala maior do que ele, a mãe se despediu dele alegremente pedindo que a visitasse de vez em quando.

Ainda era dia quando ele desceu, colocou a mala na calçada, sentou sobre ela e começou a pensar para onde ir, onde morar…

Já era noite quando ele finalmente desistiu. Várias horas devem ter passado até que a fome o vencesse e frustrasse seus planos de independência.

Os olhinhos vivos que a encaravam não refletiam resignação ou fracasso, eles pareciam dizer que a primeira etapa havia sido um sucesso: ele era capaz de decidir viver por conta própria! Só não tinha aonde ir ainda!

Seguro da sua independência, 13 anos depois ele finalmente se atirará ao mundo, talvez não tão seguro quanto a criança de 5 anos, mas igualmente determinado. Aquele fim de tarde na calçada de casa já uma memória distante e esquecida servirá apenas para alimentar, lá no fundo do peito, uma alegria que ele não saberá explicar.