E quando descobrimos que podemos mudar?

Imagem: Ben White

“Seu período de crisálida terminou, suas asas estão prontas”

Vi a frase na timeline de uma pessoa que amo pacas e fiquei pensando…

É que reconhecer que podemos alçar vôo, mudar, sermos livres é apenas o começo de uma jornada, não é mesmo?

Uma das piores coisas que pode nos acontecer é a frustração de perceber que somos livres, mas não conseguir fazer o salto de coragem que nos liberta. É se apegar ao “eu sou assim”.

É difícil por causa da dor.

A vida não devia envolver dor, dificuldade, ao menos na minha opinião e meu desejo (para os budistas é inevitável e até parte do processo de despertar).

Seja como for o fato é que vamos sendo encasulados desde que nascemos e romper casulo envolve vários esforços que doem.

O primeiro de todos é lidar com a transitoriedade, com a ideia de que enquanto estamos vivos estamos nos transformando.

Muitas vezes nos agarramos à ilusão de que estamos prontos, que já somos o que deveríamos ser e pronto, agora é só ir vivendo. Isso tristemente acontece lá pelos vinte e poucos anos… Imagine! 70 anos como uma poça de água parada!

Aliás, essa talvez seja uma das coisas que torna nosso mundo tão enrolado: adultos que se enxergam como poças de água parada e deixam de amadurecer, deixam de pensar em suas mudanças. Vira um mundo de imaturos adultos.

A segunda é o reconhecimento de que, se não agimos com energia para escolher nossos caminhos ainda assim nos transformaremos, entretanto seremos fruto das pressões do nosso meio que, lamentavelmente, está adoecido e nos levará a sofrer e/ou fazer sofrer cada vez mais. Não só poças de água parada, mas de água apodrecendo. Desculpem o peso da palavra, mas sei que muita gente se sente assim, às vezes sem perceber conscientemente.

O terceiro é o mais difícil: agir diariamente para mudar, para descartar coisas que fazem parte da identidade que criamos para nós e experimentar outras. Esse é um processo diário não cumulativo, ou seja, não dá para fazer amanhã o de hoje.

Claro que sempre há a opção de jamais despertar para o questionamento, nunca se perguntar “eu sou uma crisálida?” Aliás, talvez por isso tanta gente esteja adorando Westworld (a série de 2016). Essa pergunta está lá…

O problema é que, uma vez que façamos a pergunta, não tem retorno. Não há como esquecer que podemos ser livres para mudar.

Como em Madoka Mágica em que uma menina fica sabendo que há meninas que recebem poderes mágicos para enfrentar bruxas que se alimentam produzindo catástrofes.

O anime, apesar de infantil, é bem pesado ao mostrar que a opção por ser uma garota mágica é terrível, mas o que fazer agora que sabemos que existe mais do que aquele casulo onde vivíamos?

Essa é uma daquelas encruzilhadas míticas das nossas vidas em que no final das contas não temos muita opção: se olharmos para as opções adiante já teremos nos transformado, nosso caminho já terá sido decidido e será o da evolução constante ainda que venhamos a nos sentir cansados, com medo e com vontade de desistir muitas vezes.

Ao menos tenho uma boa notícia, aliás duas!

  1. Em algum momento entre os 30 e 40 anos você fica muito feliz por ter optado por ser mutante;
  2. O mundo hoje é muito mais hostil com quem não é mutante pois é um mundo em permanente e profunda transformação que simplesmente aterroriza quem decide se manter encasulado.