Sou um profundo cr?tico da ideia de que a Internet afasta as pessoas ou apresenta perigo ? privacidade: Ela n?o ? mais do que um reflexo da nossa sociedade.

No caso da privacidade o monstro mais perverso ao meu ver ? a m?dia tradicional.

Milhares de jovens an?nimos morrem todo ano atropelados, assassinados, depois de um aborto… A m?dia n?o coloca as causas, efeitos e solul??es nas suas primeiras p?ginas.

No entanto se a morte ? especialmente cruel ou chocante, se a v?tima ? famosa ou filha de famosa, mesmo que seja um evento raro que dificilmente acontecer? a n?s logo come?am dois pesadelos:

  • O completo desrespeito ? privacidade dos envolvidos que n?o tem direito a superar a dor silenciosamente em seu lar ou em uma praia distante
  • O terrorismo dos milh?es de brasileiros expostos a aquele drama familiar que n?o lhes diz respeito, mas causa estresse, medo, raiva…

Medo e raiva… Esses s?o, ? prop?sito, os dois maiores agentes contagiosos que corroem nossa capacidade de empatia e nos torna solit?rios e distantes uns dos outros, n?o a conversa mediada por uma tela de computador que faz justo o contr?rio: dilui medos e raivas.

Enquanto isso a imprensa culpa o Twitter, blogs e novas formas de comunica??o digital incontrol?veis por seu fracasso. O fracasso da m?dia est? em sua perda de humanidade e da capacidade de demonstrar empatia pelo espectador ou pelo tema dos artigos.

Deixem a pobre m?e do skatista atropelado (n?o falarei o nome dela pois ela merece o direito de ficar em paz) viver sua dor, respeitem nosso direito ? privacidade!

? claro que para isso acontecer n?s, consumidores de m?dia, devemos mudar tamb?m o nosso comportamento respeitando a privacidade dos famosos ou an?nimos e exigindo da m?dia que fale dos nossos interesses coletivos.