“Essa mania de achar que eu tenho importância…”


Entra ano sai ano eu não aprendo a não me meter onde não sou chamada. Se tem uma coisa que eu detesto em mim é essa mania de achar que eu tenho importância. Não tenho. E não tô falando isso pra vocês virem aqui dizer: Você é importante sim. Não sou. As relações humanas tem suas especificidades e eu só posso tomar conta das minhas. Fica a dica aí pra vocês. Vamos ver se um dia eu aprendo.

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Mais ou menos, né?

Se pensar que a gente evoluiu vivendo em tribos de poucas centenas até ontem faz sentido que tenhamos o impulso instintivo de sermos importantes para a tribo contribuindo para a segurança, o conhecimento e alimentação do grupo, né?

Nesse sentido somos importantes para “a tribo”, ou seja, as pessoas da nossa esfera de contatos e interdependências.

Só que de fato nossa tribo também é global, também somos chamadas (não só instintivamente, mas culturalmente também) a pensar e agir globalmente, uma esfera em que somos tão relevantes quanto uma gota de água no oceano (não é zero, mas é completamente imperceptível).

Isso é fonte de uma série de problemas que vão do delírio das pessoas que se escravizam a teorias da conspiração até a ansiedade e colapso nervoso diante da pressão.

Duvido que exista uma abordagem que sirva a todas nós. Podemos seguir uma postura de profunda humildade aceitando placidamente que somos irrelevantes (desde que aceitemos placidamente mesmo e saibamos que temos relevância, só não dá para percebê-la), podemos procurar espalhar o que temos de melhor sem esperar perceber o efeito (como estou fazendo agora), podemos decidir não tentar causar qq influência (e provavelmente não teremos qq presença online, né?) e mais um monte de nuances.

Me parece que, em comum, deve haver a placidez de entender que nossas contribuições para a sociedade serão imperceptíveis. É como achar um peixe preso numa poça e devolvê-lo ao mar: mal vamos lembrar disso, jamais perceberemos o impacto do bem que fizemos, mas era o certo a fazer.

Claro que ainda temos o problema do conceito de “certo”, né? Mas aí é outra história 😜

Photo by mauro mora on Unsplash

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