Photo credit: WarthFire GTX (Someformofhuman) via Visual Hunt / CC BY-NC-SA

Cara, esse post A gera??o de mulheres INAMOR?VEIS! ? MUITO bom! A Akasha Lincourt (que eu nunca tinha visto) n?o s? nos apresenta personagens carism?ticos, mas nos leva por uma jornada pelas perspectivas de empatia, aten??o e carinho que s? d? para descrever criando outro texto como o dela, que j? est? perfeito! V? l? ler antes de continuar aqui, ok?

S?rio, n?o tem sentido ler o meu sem ler o dela, t??

?. O mundo complicou.

Ontem a gente tinha nossa fam?lia, os amigos do col?gio (ou do trabalho) e da rua, do clube, da academia, do campinho, bem era esse o esp?rito: uma vida buc?lica comparada a de hoje.

Vida buc?lica, ali?s, que parecia corrida demais para quem nasceu anteontem, n?? E assim por diante.

Mas n?o estou dizendo que ? tudo igual, que as coisas est?o s? um pouco mais corridas! N?o! N?o! N?o! Eu concordo com a Akasha que t? muito diferente dessa vez! Ela descreveu o novo mundo dos encontros modernos de um jeito que d? at? um aperto no peito.

Agora os outros est?o ali na frente da gente, mas parecem fechados dentro de casulos de percep??o ? dist?ncia.

Se os arredores n?o est?o legais a gente mergulha no ciberespa?o sem sair do lugar. ? uma vida anal?gica/cibern?tica.

Na cr?nica das pessoas inamor?veis n?o ? apenas o cibern?tico que tem defeito, ? o desejo do encontro real, do mergulho nos olhos de outra pessoa, na alma de outra pessoa, o que nos leva sempre a experimentar dimens?es dif?ceis da nossa pr?pria ess?ncia.

Resista ao “mas eu fa?o isso! Tenho relacionamentos profundos” a quest?o ? justamente que n?s temos, os outros parecem n?o ter e, mais ainda, parecem inalcan??veis pois tem seus pr?prios mundos sem pontes para n?s.

E a troca de olhares, toques, sonhos e reflex?es que s?o gravados para a vida em nossas mem?rias parece cada vez mais imposs?vel.

O melanc?lico peso dessa solid?o curiosamente ? envolvente! Mesmo para algu?m (como eu) que segue para o caminho oposto do ultra-romantismo ou da perspectiva g?tica. Talvez porque a melancolia ? esse sentimento t?o profundo, que parece vir de regi?es da nossa consci?ncia que n?s mesmos raramente enxergamos.

A atra??o do abismo escuro? desconhecido…

No entanto, quando ainda estava no primeiro par?grafo do texto da Akasha, eu estava pensando em outro tipo de “inamor?vel”.

Sim, pois o inamor?vel do texto ? um r?tulo, um estere?tipo externo que a pessoa aceitou para ela: os outros n?o querem me namorar pois n?o suportariam a vastid?o de abrir seus cora??es e mentes.

Ali?s falei ontem mesmo sobre R?tulos, Estere?tipos e diversidade

Enfim, os inamor?veis em que pensei foram os do meu tipo, claro, a gente sempre come?a a entender o mundo a partir de n?s mesmos, como haver?amos de partir de outra pessoa, outra perspectiva?

“Mas Roney, voc? ? casado h? 30 anos num relacionamento muito profundo”? J? adianto para quem n?o me conhece que ? isso a? que todos que estiveram mais de duas vezes comigo j? perceberam.

Acontece que n?o estou casado h? 30 anos porque preciso dela. N?o me aproximo de ningu?m para me completar pois me completo sozinho. Isso ? somente uma caracter?stica, n?o uma qualidade ou um defeito.

Sou a pessoa que passa tr?s horas solit?ria observando o mundo, lendo, escrevendo e profundamente feliz com isso.

Tamb?m sou a pessoa que abre as portas do seu vasto mundo encantado interior e que o abandona para entrar no mundo vasto e encantado dos outros se for convidada.

Quando somos solit?rios… Solit?rio n?o ? a palavra, acho que n?o temos palavra para isso em portugu?s. N?s temos “saudade” o ingl?s tem “loner” que n?o ? nem solit?rio, nem auto-suficiente. Um dia ainda vou inventar uma palavra para isso.

Enfim, quando n?o precisamos viver para fora para sermos felizes somos meio inamor?veis pois muitas das rela??es que a gente vem criando nos ?ltimos s?culos (mil?nios, talvez?) s?o para preencher vazios.

A esperan?a do encontro ? viver um tipo de reecontro com com n?s mesmos.

O texto fala de outro tipo de inamor?vel, aquele que tem paix?o devoradora pelo mundo, pelo encontro, pelo novo, pelo calor. Pessoas para quem o prazer real do encontro ? uma fus?o de almas.

O obst?culo para eles n?o ? a tecnologia da comunica??o onipresente que permite que nos dividamos entre quem est? conosco e quem podemos encontrar atrav?s dos nossos celulares.

O obst?culo para eles ? o medo que quase todo mundo tem do mundo real.

Sim. Gostamos de achar que vivemos no mundo real, mas… Lembrei de uma amiga fant?stica que ? justamente esse tipo de inamor?vel.

Ela cumprimenta as pessoas assim “Oi, eu sou a Ju. Do que voc? tem medo?”

Viver profundamente n?o ? f?cil. Nem todo mundo quer. Ningu?m precisa querer.

A realidade tem n?veis, n?o ??

A busca da personagem da Akasha ? uma grande aventura pois o encontro para ela precisa ser natural, sem o interm?dio dos contatos digitais, ela quer o toque, quer o calor da imagem, o sabor do som das palavras (tenho quase certeza que ela ? sinest?sica) e n?o ? f?cil identificar nos rostos iluminados pelo foco frio dos celulares quem est? aberto para o mesmo mundo.

Impossibilidades… Elas sempre existiram, mas o encontro ? sempre uma possibilidade para os destemidos e, sejam do meu tipo, sejam do tipo da personagem da Akasha, os inamor?veis s?o destemidos.

Tenho apenas um problema: como terminar esse post?