Photo credit: WarthFire GTX (Someformofhuman) via Visual Hunt / CC BY-NC-SA

Cara, esse post A geração de mulheres INAMORÁVEIS! é MUITO bom! A Akasha Lincourt (que eu nunca tinha visto) não só nos apresenta personagens carismáticos, mas nos leva por uma jornada pelas perspectivas de empatia, atenção e carinho que só dá para descrever criando outro texto como o dela, que já está perfeito! Vá lá ler antes de continuar aqui, ok?

Sério, não tem sentido ler o meu sem ler o dela, tá?

É. O mundo complicou.

Ontem a gente tinha nossa família, os amigos do colégio (ou do trabalho) e da rua, do clube, da academia, do campinho, bem era esse o espírito: uma vida bucólica comparada à de hoje.

Vida bucólica, aliás, que parecia corrida demais para quem nasceu anteontem, né? E assim por diante.

Mas não estou dizendo que é tudo igual, que as coisas estão só um pouco mais corridas! Não! Não! Não! Eu concordo com a Akasha que tá muito diferente dessa vez! Ela descreveu o novo mundo dos encontros modernos de um jeito que dá até um aperto no peito.

Agora os outros estão ali na frente da gente, mas parecem fechados dentro de casulos de percepção à distância.

Se os arredores não estão legais a gente mergulha no ciberespaço sem sair do lugar. É uma vida analógica/cibernética.

Na crônica das pessoas inamoráveis não é apenas o cibernético que tem defeito, é o desejo do encontro real, do mergulho nos olhos de outra pessoa, na alma de outra pessoa, o que nos leva sempre a experimentar dimensões difíceis da nossa própria essência.

Resista ao “mas eu faço isso! Tenho relacionamentos profundos”. A questão é justamente que nós temos, os outros parecem não ter e, mais ainda, parecem inalcançáveis pois tem seus próprios mundos sem pontes para nós.

E a troca de olhares, toques, sonhos e reflexões que são gravados para a vida em nossas memórias parece cada vez mais impossível.

Photo credit: Christopher_Hawkins via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Pinterest
  • Gmail
  • Tumblr
Photo credit: Christopher_Hawkins via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

O melancólico peso dessa solidão curiosamente é envolvente! Mesmo para alguém (como eu) que segue para o caminho oposto do ultra-romantismo ou da perspectiva gótica. Talvez porque a melancolia é esse sentimento tão profundo, que parece vir de regiões da nossa consciência que nós mesmos raramente enxergamos.

A atração do abismo escuro desconhecido…

No entanto, quando ainda estava no primeiro parágrafo do texto da Akasha, eu estava pensando em outro tipo de “inamorável”.

Sim, pois o inamorável do texto é um rótulo, um estereótipo externo que a pessoa aceitou para ela: os outros não querem me namorar pois não suportariam a vastidão de abrir seus corações e mentes.

Aliás falei ontem mesmo sobre Rótulos, Estereótipos e diversidade

Enfim, os inamoráveis em que pensei foram os do meu tipo, claro, a gente sempre começa a entender o mundo a partir de nós mesmos, como haveríamos de partir de outra pessoa, outra perspectiva?

“Mas Roney, você é casado há 30 anos num relacionamento muito profundo”… Já adianto para quem não me conhece que é isso aí que todos que estiveram mais de duas vezes comigo já perceberam.

Acontece que não estou casado há 30 anos porque preciso dela. Não me aproximo de ninguém para me completar pois me completo sozinho. Isso é somente uma característica, não uma qualidade ou um defeito.

Sou a pessoa que passa três horas solitária observando o mundo, lendo, escrevendo e profundamente feliz com isso.

Também sou a pessoa que abre as portas do seu vasto mundo encantado interior e que o abandona para entrar no mundo vasto e encantado dos outros se for convidada.

Quando somos solitários… Solitário não é a palavra, acho que não temos palavra para isso em português. Nós temos “saudade” o inglês tem “loner” que não é nem solitário, nem auto-suficiente. Um dia ainda vou inventar uma palavra para isso.

Enfim, quando não precisamos viver para fora para sermos felizes somos meio inamoráveis pois muitas das relações que a gente vem criando nos últimos séculos (milênios, talvez?) são para preencher vazios.

A esperança do encontro é viver um tipo de reencontro com com nós mesmos.

O texto fala de outro tipo de inamorável, aquele que tem paixão devoradora pelo mundo, pelo encontro, pelo novo, pelo calor. Pessoas para quem o prazer real do encontro é uma fusão de almas.

O obstáculo para eles não é a tecnologia da comunicação onipresente que permite que nos dividamos entre quem está conosco e quem podemos encontrar através dos nossos celulares.

O obstáculo para eles é o medo que quase todo mundo tem do mundo real.

Sim. Gostamos de achar que vivemos no mundo real, mas… Lembrei de uma amiga fantástica que é justamente esse tipo de inamorável.

Ela cumprimenta as pessoas assim “Oi, eu sou a Ju. Do que você tem medo?”

Viver profundamente não é fácil. Nem todo mundo quer. Ninguém precisa querer.

A realidade tem níveis, não é?

A busca da personagem da Akasha é uma grande aventura pois o encontro para ela precisa ser natural, sem o intermédio dos contatos digitais, ela quer o toque, quer o calor da imagem, o sabor do som das palavras (tenho quase certeza que ela é sinestésica) e não é fácil identificar nos rostos iluminados pelo foco frio dos celulares quem está aberto para o mesmo mundo.

Impossibilidades… Elas sempre existiram, mas o encontro é sempre uma possibilidade para os destemidos e, sejam do meu tipo, sejam do tipo da personagem da Akasha, os inamoráveis são destemidos.

Tenho apenas um problema: como terminar esse post?