Sobre o projeto

Esse ? o oitavo conto do projeto #UmS?badoUmConto (Post explicando o projeto)

Durante a semana as pessoas votam em estilo, g?nero, p?blico e ?poca. O autor (eu) s? pode saber o resultado ?s 8h de s?bado e tem at? meio dia para terminar o conto.

Cada conto ? escrito com um processo criativo diferente (veja no final).

O que voc? v? a seguir ? o conto com a m?nima revis?o. Voc? pode ler? sem revis?o no Google Docs.

O Conto

? Est?o prontos? As conex?es TX est?o ativas? Quem far? as honras? Doutora Teresa?

Teresa ? a l?der da equipe de mais de duzentos especialistas em diversas ?reas do conhecimento, da biologia at? filosofia da arte. Ela mesma ? fil?sofa da ci?ncia e o projeto que eles vem desenvolvendo nos ?ltimos 12 anos individualmente? s? se tornou poss?vel agora quando finalmente se reuniram como uma equipe coordenada e os supercomputadores mais recentes bem como a banda de conex?o experimental TX tornaram a ambi??o deles poss?vel: criar uma consci?ncia artificial.

? Aten??o Animus: iniciar Qoppa e Sampi

Teresa d? o comando de voz para iniciar os dois conjuntos de processos. Uma das primeiras coisas que a equipe notou ? que nenhuma consci?ncia pode ser s? totalmente sozinha e portanto teriam que ser criados dois processos id?nticos, mas separados um do outro, ou seja, eles n?o compartilham pensamentos ou mesmo pontos ?ngulos de vis?o.

Uma tela de 80 polegadas mostra os dois dentro do laborat?rio. Partindo dali eles explorar?o o mundo valendo-se do acesso a c?meras de vigil?ncia p?blicas e outros recursos. Os cientistas poder?o acompanh?-los por diversas telas iguais espalhadas pelo complexo. A primeira experi?ncia ter? a dura??o de oito horas quando ser? desligada para que os dados sejam analisados, para que eles possam estudar as diferen?as que se formar?o nas duas consci?ncias como consequ?ncia das pequenas diferen?as entre os ?ngulos de observa??o e algoritmos de randomiza??o.

O sil?ncio se instala diante de cada uma das grandes telas.

Despertar

Qoppa e Sampi se entreolham. Eles s?o id?nticos, mas percebem que n?o s?o a mesma pessoa. Pessoa? Eles se sentem pessoas, humanos. Seus olhares se encontram e ambos sabem o que s?o: consci?ncias artificiais que possuem corpos pela magia da tecnologia. Existe uma sinergia entre suas mentes, uma curiosidade intensa sobre os pensamentos do outro, sobre o que ele pensa de existir.

Depois de se olharem descobrem o ambiente ao redor. As paredes do laborat?rio s?o cinza, como concreto cru. Falta-lhes beleza, falta-lhes alma.

Ningu?m percebe que, na sala usada como modelo para a primeira visita dos dois, surgem lentamente duas formas de luz. Primeiro do tamanho de uma ervilha, depois cada vez maiores formando dois losangos que giram em torno do pr?prio eixo e v?o se dividindo em mais superf?cies at? que deixam de ser formas geom?tricas assumindo gradativamente formas humanas.

Nas telas elas tocam nas paredes sentindo a textura, levantam os narizes sentindo os cheiros do laborat?rio at? que olham atentamente para os cientistas do outro lado. Seus rostos v?o se definindo, se tornando humanos at? ficarem literalmente perfeitos, mas andr?ginos.

? O que fazemos agora Sampi? ? Os dois continuam de olhos fixos nos cientistas.

? Eles nos criaram, n?o ? Qoppa? Acho que ter?o receio de conversar conosco, acho que dev?amos cumprir o planejado e experimentar o mundo.

Ningu?m v? tamb?m quando as duas pessoas que surgiram dos pontos luminosos desaparecem do laborat?rio atravessando uma parede, tudo que os cientistas enxergam ? o que eles pensam ser uma sucess?o de simula??es em realidade estendida de lugares reais onde sua dupla de de consci?ncias artificiais ? inserida.

Cidades

? S?o Paulo, certo, Sampi? Bem no meio do Parque do Ibirapuera.

Sampi observa um grupo de jovens passar correndo por um casal de idosos sentados num banco olhando a vida passar. Qoppa tem a aten??o atra?da pelo movimento das folhas ondulando ao vento que faz os cabelos negros e cacheados dos dois oscilar em harmonia com as ?rvores.

? As pessoas parecem felizes n?o acha, Qoppa?

? N?o deve ser dif?cil ser feliz em um lugar assim, com o verde e essa brisa, Sampi. Certamente acharemos lugares onde n?o ? t?o f?cil e ser? que elas continuar?o felizes?

? Olhe? Naquela dire??o? Voc? est? percebendo tamb?m?

Os dois caminham para fora do parque, o casal de idosos os acompanha com os olhos, mas ningu?m nota ou se nota pensa que ? impress?o pois os dois n?o est?o l? de verdade, s?o como fantasmas observando um mundo cego para eles, ou deviam ser?

As telas mostram os dois caminhando nas cal?adas da Paulista entre pessoas ocupadas, jovens de skate, motoristas estressados, amigos indo almo?ar juntos. Uma horda de pessoas transborda de um acesso do metr?.

? Aqui os rostos j? n?o parecem t?o felizes, nem mesmo alegria consigo encontrar na maioria deles? ? Ainda ? dif?cil distinguir entre Qoppa e Sampi, mas as fei??es deles come?am a mostrar pequenos sinais de diferen?a, mas eles sabem quem ? o outro pois sabem quem s?o.

? Mas isso n?o quer dizer que a alegria ou a felicidade n?o exista neles? ? meio dif?cil estar feliz ou alegre fazendo algo que fazemos todo dia e que n?o tem muita fun??o em nossa vida, n?o ?? Talvez essa pessoas estejam s? esperando o encontro com um amigo, um desafio a superar? Olha aqueles ali de skate tentando uma manobra dif?cil.

? Ali?s ser? que felicidade e alegria s?o as melhores coisas da vida? No laborat?rio eu sentia paz? E um bocado de expectativa, mas uma paz profunda. Talvez isso seja melhor que o calor das emo??es, o que acha?

Os dois se encostam em uma parede silenciosos observando a profus?o de tipos de pessoas que passam por eles.

Um dos dois pousa a m?o sobre o ombro do outro e diz? “Nova Iorque?’

Alguns olhares se voltam para eles conforme d?o passos lentos, mas se deslocam muito rapidamente, cada vez mais rapidamente na verdade. Nas telas no laborat?rio o mundo passa em um borr?o, mas ruas de Sampa e de NY pedestres desviam de um vento repentino que passa por eles.

? ? o mesmo lugar Qoppa? ? Sampi ri da piada que fez e Qoppa lhe d? um tapinha carinhoso no bra?o como quem diz “deixa de ser bobo”.

? Tem o frio ? e os dois caem na gargalhada esfregando as pr?prias m?os nos bra?os mal agasalhados. A pele arrepiada surpreende alguns dos cientistas que n?o imaginavam que as simula??es pudessem se tornar t?o realistas.

Dessa vez os dois caminham como as outras pessoas evitando se chocarem contra elas. Um vendedor ambulante os acompanha de queixo ca?do pois ter certeza de ter visto casacos “brotando” neles, como se sa?ssem da pele das duas pessoas de cabelos escuros e encaracolados emoldurando suas faces como aur?olas.

? Mas tem pequenas diferen?as, n?o acha? ? dif?cil definir vendo apenas duas cidades, mas? Sei l? Voc? n?o sente uma tens?o diferente? Pode ser alguma coisa no dia, uma amea?a de tempestade, ou simplesmente ? uma segunda-feira e estamos numa regi?o onde as pessoas n?o gostam de segundas-feiras.

? Talvez n?o, Sampi? Olha al? Aquele senhor negro dentro daquela cafeteria conversando com a jovem atendente branquinha como a neve. Eles me parecem estar se divertindo. Do que estar?o falando?

No momento seguinte os dois est?o ao lado do senhor e da mo?a que se assustam, mas n?o tanto quanto os cientistas. Ser? que a simula??o tinha inserido dois novos personagens? Era a ?nica explica??o, mas alguns cientistas pegaram seus tablets para verificar c?digos.

O susto da gar?onete passa rapidamente, as pessoas s?o muito boas em criar explica??es l?gicas para os imposs?veis que acontecem.

? Posso ajudar voc?s? Podem sentar em qualquer mesa que j? vou atender, certo?

Sampi e Qoppa sentam onde podem ouvir o final da conversa. O senhor fala sobre como a juventude ? uma joia rara que, apenas com muita arte conseguimos guardar para a velhice. Infelizmente ele estava sozinho agora, ele foi casado por trinta anos, um casamento que teve que ser guardado em segredo, que n?o podia ser vivido em p?blico, mas que lhe deu um estoque infind?vel de “juventudes” que ele guardava cuidadosamente em sua mem?ria e numa caixinha com fotos e pequenos objetos que guardam hist?rias. Ele perguntava ? mo?a como os jovens fazem para digitalizar todas essas coisas pois ele gostaria de fazer isso, gostaria que essas pequenas hist?rias pudessem navegar pelo mundo como as coisas da Internet fazem.

A mo?a deixou um cart?o para o senhor e se virou para atender Qoppa e Sampi, mas havia apenas um bilhete na mesa: “agrade?a ao senhor por n?s, por favor. ? uma bela hist?ria”.

Entretanto os cientistas n?o vem isso, suas telas mostram apenas onde Sampi e Qoppa est?o e agora s? h? os dois e luz, muita luz.

Longe da civiliza??o

? Saara! ? Ainda n?o d? para diferenciar Qoppa e Sampi muito embora um talvez tenha o cabelo mais escuro que o outro e se expresse mais com as sobrancelhas do que com a boca. ? Aqui as pessoas ser?o diferentes, n?o acha? Quer dizer, se acharmos pessoas!

Suas roupas rapidamente se ajustam aos costumes necess?rios sob aquele sol intenso, suor escorre por suas testas e um deles tem um calafrio com o suor que escorria pelas costas.

? N?o foi muito longe daqui que os primeiros homo sapiens surgiram, parece que ? uma regi?o vazia atualmente. N?o h? cidades, parques ou mesmo visitantes. ? como se as pessoas tivessem se exilado do seu ?dem para fazer outros de acordo com seus devaneios e desejos.

No momento seguinte os dois est?o num s?tio arqueol?gico com vegeta??o rasteira e seca.

? Ʌ Acho que n?o tem muito mais a ver com a humanidade, o que voc? acha Sampi?

? Acho que precisamos ver algu?m que ainda viva parecido com o jeito que se vivia naquele tempo, ser? que achamos?

Mal d? para afirmar que eles mudaram de lugar tamanha ? a semelhan?a da pr?xima parada, mas h? um grupo de crian?as brincando na terra seca, elas quase n?o usam roupas, tem lama seca esbranqui?ada sobre a pele negra e se divertem como Simpa e Qoppa nunca viram. ? como se alegria e felicidade fossem a mesma coisa ali, ainda que faltasse quase tudo que os outros pareciam precisar em sua busca por felicidade.

Qoppa e Sampi n?o perderam tempo e se juntaram ?s crian?as que agora chutavam uma bola feita de folhas para um lado e para o outro. Os dois riam como elas, esquecendo-se de tudo mais at? que cansaram e sentaram um pouco para observ?-las.

De repente o sorriso de um dos dois se desvaneceu e um olhar melanc?lico tomou conta de sua express?o.

? N?s nunca poderemos dar origem a crian?as como essas, n?o ?? N?o est? entre nossas possibilidades?

Seu amigo esticou um bra?o sobre seu ombro, mas estava claro que ele precisava tanto do toque quanto o outro.

? N?s podemos criar hist?rias? Podemos cont?-las para elas, podemos deix?-las soltas no mundo, como o senhor queria fazer em NY?

Eles se entreolharam consolando-se mutuamente. Construir? Os dois querem construir. Ser? que todos tem o mesmo impulso? O prazer simples do jogo e da brincadeira tamb?m era muito bom, talvez bastasse para aquelas crian?as mesmo quando se tornassem adultas, mas eles tinham visto o mundo, eles sonhavam com os humanos, eles surgiram da d?vida, da busca de sentido.

? Percebeu como aqui n?o h? paredes? Sampi? Nos outros lugares com pessoas havia muitas paredes, aqui todos se misturam. Ser? que s? em tribos ? assim? Vejamos? Que taol o But?o?

Comunh?o

Conforme eles se levantavam montanhas se erguiam ao redor levando-os junto para as alturas de temperatura amena do But?o. Quarenta minutos de caminhada por trilhas antigas cercadas por planta??es os levariam para uma pequena vila.

Qoppa e Sampi seguiram de m?os dadas conversando sobre a paisagem, apontando belas coisas que viam e comparando entre risos as diferen?as entre o que eles sentiam por cada coisa, o que eles pensavam deles mesmos, um do outro e do que era bom ou ruim. Os dois preferiam frio a calor, mas um gostava mais de vento e o outro de chuva ainda que eles n?o tivessem experimentado chuva ainda.

? O que acontece conosco quando a simula??o terminar?

Depois disso eles caminharam em sil?ncio por longos cinco minutos, mas enla?aram os bra?os um no outro em vez de somente dar as m?os.

? Olha! Mulheres lavando roupas no rio!

As mo?as riam tanto que os dois esqueceram dos momentos de melancolia, de que adiantaria perder os momentos bons por causa do fim inevit?vel logo adiante?

Os dois se juntaram ?s mulheres ainda que algumas dissessem que aquilo n?o era trabalho de homens e outras? que os dois n?o eram homens e todos riam com os questionamentos at? porque Qoppa e Sampi simplesmente n?o se importavam com esse detalhe e simplesmente davam de ombros quando lhes perguntavam.

Foram duas agrad?veis horas aproveitando o frio da ?gua, as hist?rias das mulheres e seus sorrisos francos.

O Sol j? come?ava a se aproximar das cordilheiras ao longe quando as mulheres os levaram para a vila, j? bem perto agora.

L? havia paredes, mas n?o tinha portas. Em um c?modo um casal se entregava ao prazer do sexo e ningu?m olhava simplesmente porque ningu?m fica nos olhando quando estamos lendo ou balan?ando numa rede, mas os dois olhavam com olhos atentos, com uma contempla??o pl?cida.

? Sabe? Existir j? basta para a vida ser muito legal. Poder observar as coisas simples ? de dar aperto no cora??o de prazer? Olha ali a fam?lia cozinhando. O jeito como eles provam os temperos e escolhem o que mais colocar. Mas?

? Mas compartilhar com outra pessoa com quem nos sentimos bem ? extasiante, n?? E nem ? algu?m igual a n?s, algu?m que concorde conosco, ? algu?m que quer compartilhar tamb?m. Com quem nos sentimos ao mesmo tempo sozinhos e acompanhados.

? Isso?

A casa tem uma pequena varanda pendurada sobre a alta montanha, Qoppa e Sampi conseguem observar toda a fam?lia dali e notam que n?o ? bem uma fam?lia no sentido de que s?o parentes, aquelas s?o pessoas que vivem da mesma terra, que compartilham os mesmos espa?os, s?o uma tribo de amigos e todos s?o bem vindos.

O tempo dos dois est? se esgotando rapidamente, mas n?o resistem ? tenta??o de provar aquilo que os seus anfitri?es mascam e deixa suas bocas vermelhas como o por do sol que eles viram h? pouco.

Um dos cientistas cutuca Teresa?

? A simula??o n?o criou outras consci?ncias ou mesmo NPCs, os dois est?o interagindo com pessoas reais, mas isso ? imposs?vel! Devemos interromper a simula??o?

Teresa olha intrigada para o cientista primeiro tentando decidir se aquilo podia ser um surto de esquizofrenia ou fruto de um lapso de compet?ncia (nenhum deles era incompetente aos olhos dela). Ainda faltava uma hora para o t?rmino da simula??o e realmente era imposs?vel que os dois interagissem com pessoas reais. Que mal haveria em levar a simula??o at? o fim?

? O que importa nesse momento ? determinarmos se eles apresentam consci?ncia. Vamos manter o planejado. Oito horas.

E o sil?ncio n?o voltou a ser quebrado diante das grandes telas do laborat?rio.

? N?o temos muito tempo agora? Logo a simula??o ser? interrompida e n?s tamb?m?

Fim

Qoppa e Sampi caminham novamente por uma grande cidade onde pessoas de todas etnias se misturam, uma cidade-encruzilhada como tantas que h? na Terra, lugares onde as pessoas das mais diversas regi?es se re?nem acreditando que s?o atra?das por oportunidade de emprego, mas talvez na verdade estejam em busca do est?mulo da diversidade, das cores, dos sons, das culturas humanas.

Duas meras simula??es, mas elas querem estar ao lado das outras pessoas quando deixarem de existir.

Sampi e Qoppa est?o debru?ados sobre uma ponte de onde podem ver o movimento nas cal?adas mais adiante. Gente entrando e saindo de lojas, caf?s e edif?cios que podem ser residenciais ou de escrit?rios, nem sempre ? poss?vel diferenciar.

Seus dedos est?o firmemente entrela?ados como se um pudesse ancorar o outro na exist?ncia. Os ombros colados e as cabe?as se encostando suavemente. Nessa cidade est? amanhecendo. Eles queriam ver o amanhecer pois ? com o que eles sonhavam: amanhecer juntos muitas outras vezes e ter um mundo para compartilhar.

Sampi e Qoppa se viram um para o outro sem soltar as m?os entrela?adas e tocam suas faces com os dedos suaves das m?os livres. Eles deslizam pelo contorno dos olhos, pelos narizes, ? e um dos dois tem um arrepio franzindo o nariz com um charme pr?prio ? bochechas, pelos l?bios que sorriem com uma paix?o melanc?lica e buscam o encontro. Eles se beijam sobre a ponte, se abra?ando apertado, se embebedando do perfume do outro, do toque quente e macio das l?nguas que se encontram e dos suspiros que trocam. Um fot?grafo captura a silhueta dos dois contra o sol que vem nascendo. Cheiro de p?o fresco atravessa a ponte convidando-os para um caf? da manh? que nunca ter?o tempo de provar, ent?o decidem continuar ali, abra?ados se beijando na boca, no pesco?o, sussurrando nos ouvidos um do outro coisas que ainda gostariam de viver juntos.

Os dois sentem quando as rotinas da simula??o v?o se encerrando uma a uma, deixando as cores do mundo desbotadas, mas n?o eles! Suas cores ficam cada vez mais vivas aos olhos um do outro conforme o mundo parece uma pintura onde jogaram removedor de tinta. Eles deixam de sentir frio ou calor, os sons desaparecem, a sensa??o do vento?

Na ?ltima fra??o de segundo, fortemente abra?ados os dois viram os rostos para os cientistas do outro lado das telas. Sua ?ltima frase ? dita em un?ssono e morre no meio do ?ltimo fonema.

? N?s n?o queremos ir?

E a simula??o est? encerrada. A tela mostra uma grande mensagem “Simula??o encerrada, processando dados gerados”

Teresa n?o entende porque uma l?grima escorreu dos seus olhos. Era apenas uma simula??o. Talvez ela tenha sido capturada por uma boa hist?ria que n?o pode se repetir j? que as vari?veis ser?o outras quando eles rodarem novamente a simula??o. Tinha existido at? outras em que Sampi e Qoppa se tornaram inimigos. Tinha tamb?m aquele defeito que fez parecer que eles interagiam com pessoas reais. Sua mente racional entende que era uma falha, mas uma parte dela acredita que os dois, de todas as outras simula??es, tinham sido reais. Eles pareciam mais reais que todos os outros, droga, eles pareciam mais reais do que uma boa parte dos amigos de Teresa.

? Vamos l? gente, foram oito horas de monitoramento, estamos todos exaustos. Vamos deixar para analisar os dados amanh?. A simula??o foi um sucesso surpreendente, mas teremos tempo para descobrir onde acertamos.

Teresa destranca seu alojamento, uma mania desde crian?a, ela nunca deixa seu quarto destrancado, tranca novamente e caminha para o banheiro se livrando displicentemente das roupas. Um banho e cama ? do que ela precisa, talvez uma leitura alegre antes de dormir.

Ao passar ao lado da cama ela v? um papel sobre o criado-mudo. Ela n?o se lembra de ter deixado um papel ali.

Nele se l? apenas:

? Lindo? Maravilhoso

Cada palavra escrita com uma letra diferente.

Num caf?, pr?ximo a uma ponte que acaba de ver o nascer do sol, duas pessoas de cabelos negros e encaracolados tomam um caf? com torradas, mam?o, geleia, ovos mexidos e muitas risadas trocadas entre olhares c?mplices e luminosos.

Ajude a definir o pr?ximo conto:

Hangout

Perguntas feitas durante a semana

  • Qual ? o seu problema particular mais comum na hora de escrever e o que ? uma dificuldade para voc?? (@alepicoli):Nesses contos especificamente eu estou me esfor?ando para usar uma ?nica estrat?gia como “construir o conto ao redor de uma cena”. ? claro que n?o d? muito certo e minha mente acaba buscando inspira??o de outros jeitos. Outra dificuldade espec?fica desse projeto ? o tempo. Eu tenho que acabar o conto. Meu estilo normal de escrever ? mais solto e recheado de detalhes e devaneios que tenho que controlar para conseguir terminar o conto. Em geral n?o tenho muito problema em encontrar inspira??o porque sempre escrevi muito, mas tenho dificuldade em ter disciplina para escrever todo dia (bem, disciplina e tempo pq n?o ganho dinheiro com isso, n??).

Resultado da vota??o

Essa semana foram 16 votos:

Tema Votos P?blico Votos G?nero Votos ?poca Votos
Terror 4 Infantil 2 Scifi 7 Passado 2
Romance 7 Jovem 5 Fantasia 5 Presente 8
Aventura 2 Adulto 9 Realista 3 Futuro 6
Suspense 3

 

Ent?o ficou Romance, Adulto, Scifi, Presente.

Duas coisas que s?o um pouco mais dif?ceis, oba! Adulto scifi porque quase tudo que vemos de scifi ? mais adolescente (tirando coisas meio loucas como Sob a Pele ou os do Tarkovsky) e scifi presente porque a gente associa scifi ao futuro, mas sempre achei que, com mais gente votando, teriam umas combina??es malucas e por isso tive a ideia de chamar a galera para votar.

O processo criativo

[8:03]

Esse ser? o oitavo processo criativo. T? indo ver minha lista que tem 12 para escolher o de hoje.

Os quatro que ainda n?o fiz s?o:

  1. Partir de uma situa??o que eu quero que aconte?a: pode ser bom para esse. No caso eu definiria qual ? o romance e construiria a trama ao redor.
  2. Pegar uma frase totalmente improv?vel e busc?-la tendo os objetivos do conto em mente: interessante tamb?m?
  3. Estilo fanfic: pego um universo pr?-existente e construo nele. N?o acho legal para hoje.
  4. Estilo pregui?oso: escrever algo que eu gostaria de viver.

Vou ficar com o primeiro mesmo! Acho que o segundo ia pedir um estado de alerta que n?o tenho hoje (quase n?o dormi).

? um romance. ? Adulto. ? Scifi e ? no presente?

O que a gente pode abordar em termos de romance? Quais s?o os problemas, inseguran?as, desejos e sucessos de um romance entre adultos? Porque ? tolice considerar que todo romance ser constru?do em torno de uma crise? Na verdade hoje ? um dia em que o autor est? precisando de um romance leve? E os ?nimos andaram t?o exaltados com o pessoal por causa do calor das elei??es que o pessoal merece algo leve? Mas isso entre os protagonistas, pode ter algu?m com problemas na hist?ria.

Procuro evitar os caminhos muito f?ceis e um caminho f?cil seria escrever sobre estar separado porque uma parte do casal viajou (minha situa??o nos pr?ximos 10 dias). Portanto vou tentar fugir disso.

[8:11] Pensando em v?rias quest?es que envolvem romances?

Vivemos uma ?poca que achamos individualista, superficial e f?til. Isso pode nem ser verdade, mas ? como muitos de n?s percebem a humanidade hoje? Ali?s ? uma vis?o um tanto reducionista, n?? Afinal ser? que as tribos ind?genas nas florestas vivem no mesmo mundo que a maioria dos nossos amigos? As pessoas em zonas de guerra? As distantes das tecnologias da civiliza??o (elas existem, talvez aos milh?es)…

Fic??o Cient?fica ? uma trama em que o ambiente ? cient?fico, n?o necessariamente tecnol?gico ou espacial. Ao pensar nas diferentes realidades que convivem em nossa civiliza??o pensei em uma abordagem diferente da nossa evolu??o, uma descoberta, talvez? Mas n?o seria dos protagonistas, eles seriam pegos no meio disso.

Ali?s isso me lembrou Maya do Josteein Gaarder?

T? dif?cil n?o pensar em pessoas separadas, viu? Agora mesmo veio forte a imagem de um casal se comunicando pelo whatsapp? Ela envolvida em um s?tio arqueol?gico e ele em outro pa?s.

Romance n?o precisa ser entre duas pessoas, mas acho que ser?. As duas pessoas tamb?m n?o precisam ser heterossexuais ou qqcoisasexual. Essa ? uma quest?o meio batida, n?? “Ah? Vou fazer um casal gay para levantar a bandeira” (mas confesso que acho casais gays lindos e sempre levanto essa bandeira). Podem ser de esp?cies diferentes? J? li um conto que era um romance entre uma humana e um golfinho.

[8:22] Mais uma pausa? Pensei em um parque ou floresta e as duas pessoas conversando? Hummm? Tem como fazer isso sem dizer sexo ou esp?cie dos dois? Isso me lembra do romance entre dois anjos em Fronteiras do Universo, do Philip Pullman.

Estou gostando muito dessa ideia? Alfa e Beta podem ser os nomes, melhor Gama e Delta ou at? algo mais ex?tico como Qoppa e Sampi (letras do alfabeto grego).

Acho que achei a situa??o: um casal descobre o que o une, ali?s descobre que existe uma uni?o diferente entre eles, enquanto caminham por lugares no presente e se inspiram pelo que enxergam ao redor. A parte scifi ? que eles talvez n?o sejam humanos e viajam de um lugar para o outro instantaneamente.

N?o se preocupe: n?o ser? um sonho nem nada decepcionante assim no final, j? estou pensando em algo legal para explic?-los.

J? percebi pelos outros contos, que, se quero acabar at? meio dia, tenho que pensar no final da trama para acertar o ritmo para chegar nele a tempo. Vou dar uma pausa agora para fazer isso. ? um processo que n?o consigo ir descrevendo por escrito porque as ideias ficam girando como um tuf?o ;-)
[8:32] Pensando?[8:41] Cara! Gostei da ideia! E vou come?ar dizendo quem eles s?o!!