Noturno, A Queda e Noite Eterna.

Me emprestaram os dois primeiros para ler e ainda falta me emprestarem o terceiro pois eu não compraria a série.

Isso não quer dizer que eu achei ruim, só não atende ao meu gosto por um motivo que posso explicar logo agora e por outro que exige spoiler então vou deixar lá no final do post e com um título com letras bem grandes, ok?

Para eu gostar de uma história a ponto de comprá-la não basta que ela me distraia ou me divirta, eu preciso que ela me faça refletir sobre a natureza humana.

Nem precisa ser uma história adulta! Doctor Who, A Culpa é das Estrelas e o longa UP tem esse efeito em mim.

Aliás, como não li o terceiro livro ainda eu não posso afirmar nada categoricamente, certo? Depois que tiver lido volto aqui.

A outra coisa que eu não gostei é que há pontos na trama que acho mal acabados, como se a trilogia tivesse sido escrita às pressas. Vou falar disso na sessão de spoilers.

Dito isso…

Se você gosta de uma história empolgante e não liga para os detalhes acima essa trilogia é para você!

Aliás eu mesmo estou gostando de ler pois ela tem vários pontos fortes!

Em primeiro lugar os cinco capítulos iniciais de Noturno (o primeiro da trilogia) são um dos melhores começos de história de terror e suspense que já li.

Nós sabemos que tipo de história é, mas o legal é se colocar no lugar dos protagonistas que estão descobrindo as coisas aos poucos, entende? Fazer de conta que não sabemos que o livro é uma história… Bem, tipo vampiro, né?

Falo assim pois Guilhermo Del Toro e Chuck Hogan recriam a mitologia dos vampiros com uma criatividade que é bem interessante então não é uma história de vampiros convencional.

Ah! Como tivemos uma onda de histórias de vampiros bem levinha é bom avisar que tem sangue. Tem momentos bem tensos na história e não é para os que não gostam de se assustar.

Outra coisa que eu gostei muito é a forma como eles nos fazem entrar dentro da realidade de ser um vampiro. Se eu disser mais acabarei fazendo spoiler, mas você vai entender se decidir ler.

Logo no começo do primeiro livro já encontramos uma boa quantidade de personagens (como a Lorenza… Gostei da Lorenza…) que os autores conseguem apresentar com boa profundidade favorecendo nossa empatia com elas.

Há momentos emocionalmente tocantes no primeiro livro. Coisas sobre o carinho e dedicação que somos capazes de nutrir por quem amamos, mas não há muito tempo para isso no segundo.

Aliás do meio do primeiro livro em diante a ação atropela os momentos delicados, mas considero isso uma qualidade do livro: não há muito tempo para carinho quando o mundo está acabando, não é?

Mesmo assim os laços que ligam os protagonistas são belos e fortes.

Uma outra qualidade é a intercalação dos acontecimentos modernos com flashes do passado. O primeiro capítulo já deixa isso bem claro e continua ao longo dos dois primeiros volumes.

Resumindo: É uma ótima leitura para quem gosta de terror e ação e não se incomoda com uns pontos pouco convincentes na trama. Está longe de ser um daqueles livros pop pasteurizados que parecem escritos pelo mesmo autor mantendo um estilo que dá gosto de ler!

Ah!! Tem a série!

Série

A história recebeu uma adaptação para a TV (pelo canal FX).

NÃO assista antes de ler o segundo livro pois ela entrega spoilers do segundo livro já nos dois primeiros episódios.

Além disso a trilogia de livros é daquele tipo que não pode ser transposta para vídeo sem perder grande parte do que a torna boa.

O resultado até onde vi é uma série de pura ação onde parece que o Steven Segal vai sair de alguma esquina com uma katana a qualquer momento ;-)

Se você leu os livros e pretende conferir a série sugiro esquecer que ela é baseada neles,

Capas

Spoilers

Presta atenção, eu disse…

SPOILERS!!!!!!!!

Vamos aos furos na trama que me irritaram.

Um: não dá para engolir um cientista de menos de 40 anos em 2009 (ano de lançamento do livro) que precisa da ajuda do filho de 11 anos para subir um vídeo para o YouTube, né?

Dois: O cara tem pilhas de dados sobre o que está acontecendo e, em vez de soltar tudo na Internet, sobe só um vídeo tosco?

Três: O filho do sujeito é tudo para ele, ok? A vida só faz sentido porque o filho existe, certo? Aí ele demora horas sem fim para avisar a ex-esposa (que confia na competência dele) que ela deve fugir da cidade com o garoto…

Quatro: O grupo sabe que os vampiros usam vastamente os túneis do metrô para se locomover, a infestação já tomou toda a cidade e já se espalha pelas cidades vizinhas. Aí o mocinho decide salvar o filho e o manda para fora da cidade como? Como? De metrô…

Cinco: O mundo meio que já acabou. O vampiro mestre já está espalhando seus seguidores pelo mundo todo. A única forma de salvar o mundo é matar o tal vampiro, certo? Aí o mocinho decide ir em missão suicida matar um peão do vampiro cuja morte não mudará nada…

Tem outras, mas isso dá uma ideia. Tem até um daqueles momentos “O vilão conta tudo para o mocinho e depois lhe dá uma chance de escapar” que já era bobo na década de 60 do século passado.

O que me incomoda é que são coisas que nos fazem dar uma parada na leitura e pensar “pô, isso não faz sentido e nem atrapalharia a trama ou o ritmo se os autores se dessem ao trabalho de pensar um pouco melhor e achar uma solução mais verossímil”.

Nem me considero daqueles chatos que implica que o vírus tem poderes telepáticos, é um mundo de fantasia, oras! Se os autores decidirem que as pessoas podem flutuar se beberem leite misturado com sangue de vampiro tá ótimo para mim.