Você começou a ler pelo quarto parágrafo depois desse? O que começa com “no entanto…”? Não então leia lá e volte aqui… Leu? Então, pode ler o texto todo sem medo de que eu estrague o livro revelando algum segredo da trama pois eu não faço spoilers, ok? Agora pode continuar lendo ;-)

Talvez você nunca tenha ouvido falar em Cory Doctorow como eu até esse ano. Talvez você esteja me achando um alienado por ignorá-lo por tanto tempo e agora, se você está no primeiro caso, talvez esteja se sentindo alienado. Deixa tudo isso para lá pois tem um monte de autores fantásticos por ai que a gente demora a conhecer.

Minha esposa fez a revisão desse livro e imediatamente me disse para ler pois eu adoraria pois sou uma pessoa ciberneticamente ativista.

Por ciberneticamente ativista quero dizer basicamente que sou um cara ativista de causas sociais, ambientais, humanas, democráticas etc. e considero que a Internet e a nossa capacidade de comunicação são instrumentos essenciais para que possamos construir a civilização do século XXI.

No entanto… Espera, vai lá ler o primeiro parágrafo!

Como ia, dizendo, no entanto eu não preciso falar sobre ativismo, liberdade de expressão, ciberativismo, neutralidade da Internet e outras coisas pois Cinema Pirata e outras obras de Cory Doctorow são verdadeiros manifestos.

É muito empolgante ver pessoas como você e eu sofrendo as consequências de um mundo onde a Internet foi “domesticada” (entre aspas porque na verdade isso é mesmo quase impossível).

Tenho certeza que você deve ter amigos ciberativistas, gente que se diz Anonymous, e os acha exagerados (a menos que você seja um deles). Esse livro mostra o que vai acontecer se eles não estiverem exagerando e faz isso colocando a história uma década, talvez duas no futuro.

Opa! Se você está pensando que o livro é só uma desculpa para fazer um monte de #mimimi de classe média com banda larga cara pare agora porque não é isso!

Mesmo que não fosse empolgante pelo ativismo temos personagens bem interessantes com jornadas pessoais ricas. Jovens descobrindo a vida adulta em um mundo nada hospitaleiro para quem pensa só um pouquinho fora da caixa, um mundo entre o nosso e distopias como Hunger Games em que lidar com as nossas responsabilidades e laços emocionais (amizades, amores e família) não é nada fácil.

Existe um romance, claro! O protagonista encontra uma moça, um pouco menina, um pouco mulher, simplesmente encantadora. Uma das personagens mais interessantes que li no ano, viu? Pode ser por meu gosto pessoal, mas creio que muita gente concordará comigo.

Cory Doctorow, enfim, consegue unir o melhor de vários mundos: a reflexão social de uma ficção científica distópica, uma trama tensa e empolgante envolvendo desobediência civil (aliás adoraria ver Cinemas Piratas no Brasil) e um romance entre a adolescência e a idade adulta.

Se eu tivesse um sistema de avaliação aqui no blog, algo como um a dez espelhinhos (afinal o nome do blog é galeria de espelhos) daria oito ou nove espelhinhos sem titubear! Aliás, ainda se fala titubear ou eu devia ter dito “vacilar”?

É serio, leiam o livro, pelo menos o primeiro capítulo na livraria ou baixe a amostra para os eu Kobo ou Kindle. Você ainda tem a garantia de que está bem transposto para nossa língua pois foi revisado por uma das melhores (e não digo isso só para agradar a esposa hehehe!). A tradução é de Mariana Kohnert

Fonte da imagem no cabeçalho: Internet Census 2012