Esse é o segundo dos quatro posts com poemas que vou publicar atendendo à provocação do Marcelo Ferrão no FB.

As regras são simples:

  1. Um poema por dia, por quatro dias
  2. Se você esbarrou aqui sinta-se convidada(o) para fazer o mesmo
  3. Publique um poema famoso e um desconhecido (pode ser seu)

Neil Gaiman é um dos mais elogiados autores do nosso tempo, ele consegue ser um fantástico contador de histórias populares, mas mantém um estilo literário mais elaborado.

Aqui temos um poema concreto em parceria com Chris Riddel.

Credo

Tradução: Rafa Gnomo (mundo pequeno…)

Eu acredito
que reprimir ideias propaga ideias
Eu acredito
que pessoas e livros e jornais são
repositórios de ideias, mas
que
queimar pessoas será
tão vão quanto jogar bombas incendiárias em arquivos de jornais.
Já é tarde demais.
Será sempre tarde demais.
As ideias já foram divulgadas, se escondem por detrás dos olhos das
pessoas, deitam-se no pensamento.
Elas podem ser sussurradas.
Elas podem ser escritas em muros
na calada da noite.
Elas podem ser desenhadas.
Eu acredito que,
na guerra entre
armas e ideias,
no fim, as ideias
vencerão.
Porque as ideias são invisíveis
e elas persistem,
e,
às vezes,
são verdadeiras.
Eppur si muove *
Mas ela se move.

* [“Mas ela se move”, frase cunhada por Galileo Galilei ao renegar, forçadamente, a visão heliocêntrica do mundo perante o tribunal da Inquisição]

O poema original:

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Imagens: Tumblr do Neil Gaiman

Carne do Umbigo

E já que coloquei um poema gráfico de alguém consagrado vamos a um poema em vídeo de alguém novo, Maria Resende (Youtube).