O subtítulo do cartaz dá uma impressão incorreta dessa gostosa fábula moderna:

Um conto de fadas mal comportado

Isso nos faz pensar em Deu a louca na Chapeuzinho ou na série Shrek, mas Stardust seria melhor definido como “Um conto de fadas moderno”.

Por moderno quero dizer que é um conto de fadas que pode ser contado para um jovem contemporâneo sem que ele o ache estúpido e com personagens idiotas.

Nas fábulas antigas as pessoas falavam e se comportavam como pessoas do século XVII, mas em Stardust vemos várias características que encontramos em colegas de trabalho, de escola… No entanto, ao mesmo tempo, elas só poderiam existir em um conto de fadas. É um delicado equilíbrio que, ao meu ver, o autor soube manter.  

Deixarei para você as boas surpresas de acompanhar a história no cinema (ou no livro) e me esquivarei de contar o filme, mas posso dizer que, embora ele gire em torno do amor ingênuo e puro que caracteriza uma grande parte das fábulas, também há nas personagens uma qualidade de personalidade que as torna, se não verossímeis, muito divertidas e adequadas aos nossos tempos.

Isso não é para menos, quem assina a história é Neil Gaiman, um dos escritores modernos que escreve para crianças sem subestimar sua maturidade.

Se você assistiu Mirror Mask (no Brasil Máscara da Ilusão) não se assuste! Stardust foi feito para todos os públicos e não apenas para os fãs do febril mundo onírico de Gaiman e Mckean (ilustrador de Sandman e co-criador de Mirror Mask) 

O melhor exemplo está em Coraline.

Neil Gaiman não é o tipo de autor que revoluciona a nossa percepção da realidade, mas ele certamente é um dos nossos melhores contadores de histórias além de ter a rara habilidade de pintar as sombras do nosso mundo arrancando delas outros mundos fantásticos que parecem perturbadoramente possíveis enquanto lemos seus livros (como em Filhos de Anansi, Deuses Americanos e Fumaça e Espelhos).