Toda vez que começo a falar em Fronteiras do Universo (trilogia que se inicia com A Bússola de Ouro) encontro basicamente duas dificuldades:

  1. Sinto a necessidade de explicar a diferença entre mitologia e fantasia, entre Senhor dos Anéis e Harry Potter já que muita gente coloca tudo no mesmo saco.
  2. Muitas sagas mitológicas são poderosas metáforas para questões muito reais, no entanto poucas são transgressoras como a trilogia de Pullman e isso sugere a necessidade de confrontar dois paradigmas.
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Dakota Blue Richards como Lyra

Creio que ainda não respondi bem nenhuma das duas questões nos posts anteriores, mas vou me concentrar apenas na seguinte questão:

O filme é bom?

Sinto que houve um esforço sincero e, em muitos aspectos, bem sucedido de respeitar a dimensão e importãncia da obra de Philip Pullman.

Logo nos primeiros 5 minutos de filme o espectador que nunca ouviu falar em Fronteiras do Universo consegue entender que tipo de filme está vendo, onde se passa e as características mais importantes das personagens como o caráter complexo da protagonista (Lyra tem espírito de liderança, é transgressora, criativa, um tanto mentirosa, fiel e competitiva sem ser maliciosa), a sua relação com os Gípcios (não escrevi errado, é assim mesmo) e cria laços necessários com alguns personagens que terão importância mais adiante na saga.

A parte ruim… sim, há uma parte ruim…

O estilo literário moderno, mais dinâmico e menos descritivo faz do primeiro volume da trilogia uma história quase tão extensa quanto toda a trilogia de Senhor dos Anéis.

Vou resumir sem estragar o prazer de quem não viu nem leu a história ainda.

Na primeira parte desta Saga a protagonista transita pelos seguintes lugares (estou colocando fora da ordem):

  • A universidade Jordan
  • Londres
  • A fortaleza dos Panserbjornes no Ártico
  • Uma região pantanosa
  • Bolvangar, uma instalação de pesquisas
  • Uma pequena cidade costeira
  • Uma viagem marítima e uma por rios

E mais algumas de menor importância, mas em todas essas, enquanto lemos, temos a sensação de uma longa passagem de tempo, dias ou mesmo semanas e no filme acabam se sucedendo apressadamente.

Caso essa fosse uma mera fantasia para distrair a família eu não estaria aqui dizendo categoricamente para você assistir o filme, mas Fronteiras do Universo (His Dark Materials em Inglês) inspira-se e tem potencial para ser tão impactante como foi Paraíso Perdido de John Milton no século XVII e isso nos leva a outro patamar de julgamento.

No papel de introdução para o que está por vir é um excelente filme! Principalmente como forma de divulgação dos livros (cujas vendas já haviam aumentado 500%).

Além disso, apesar de corrida, a aventura é clara, os personagens são carismáticos, as atuações estão muito boas (Dakota é Lyra e Kidman conseguiu ilustrar muito bem a força e a personalidade conflitante de Marisa Coulter) e a atmosfera está densa como deveria.

A densidade, a propósito, é uma das características principais desse filme!

Quando saímos do cinema, encontrando um ensolarado dia de verão, nos sentimos felizes por viver em um mundo livre (ou quase) da sombra do Magistério.

Bom, para concluir, me sinto na obrigação de apontar dois pontos negativos que podem ser úteis para o espectador que não leu os livros:

  • A bruxa Serafina Pekala tem uma aparição incomodamente breve e repentina
  • Os laços de confiança são construídos muito rapidamente, aliás não são construídos: Lyra é uma menina desconfiada “na vida real”

Resumindo: Assista o filme e leia o livro depois ou, pelo menos, leia sobre ele em blogs como este ;-)

P.S.: Dá uma olhada nos comentários da Miriam também