Trovador de Hector Zablach“Mo?o, eu preciso voltar para a minha cidade, o senhor pode me completar o dinheiro para o ?nibus?”

? alta a noite, em uma ou duas horas o sol surgir? espalhando seu magenta entre as paredes de m?rmore, pastilhinhas ou tinta dos edif?cios de Ipanema.

“A copabacana veio e levou as nossas coisas, mo?o, s? o senhor me deu aten??o e eu t? com a minha esposa com asma. Me ajuda a sair dessa cidade horr?vel!”

O mo?o de arrepende de ter dando aten??o. O sujeito gruda e o acompanha por uns dois ou tr?s quarteir?es insistindo, implorando, quase chorando.

Dias depois outro mo?o, outro expatriado: “fui assaltado, me ajuda a pagar o ?nibus!”

Sujeito sem a menor pinta de mendigo, l? na faixa dos 45, mas faltam aqueles sinais de verdade e, afinal, porque n?o procura a pol?cia?

Pedintes…

“Uma esmola por favor” j? n?o convence como antes – que o estado ou as ongs cuidem deles! – ent?o surgem os novos trovadores sem melodia, contadoes de hist?rias que somem nos cantos escuros das ruas compartilhando o espa?o com trombadinhas e assaltantes oportunistas de olhos vazios e frases prontas “me d? esse rel?gio se n?o te arrebento cheio de ?dio no cora??o”.