Solido
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Pinterest
  • Gmail
  • Tumblr
Ela baixa os olhos para o cho e a luz parece fugir do seu rosto: seu peito um faminto buraco negro que devora sua alegria.

Agora ela est sentada sozinha em uma mesa de quatro lugares no Mac Donalds, mas ainda h pouco estava com uma amiga que agora segue pela rua para um compromisso que no podia adiar, nem mesmo para tentar preencher o vazio da amiga.

O dia das duas ser um pesadelo… No importa o cu l fora, as boas notcias de trabalho, os amigos fiis que as duas colecionaram em seus poucos anos de vida e nem mesmo a amizade pura que as une desde criana.

Ela, a moa solitria ali na mesa, tem a sorte de conhecer seu vazio. Muitos de ns conseguem preench-lo com falsos amores, uma vida superficial cheia de festas ou de coisas caras, delrios de poder… Nossa! Como h delrios de poder…

Mas a moa ali simplesmente se apaga, deixa uma lgrima desenhar a geografia da sua dor na bochecha rosada e no se importa quando ela cai sobre as batatas-fritas.

J no nibus a amiga se embola em seus sentimentos, uma perna de culpa por ter sido meio dura na observao sobre o defeito da amiga, um brao de auto-defesa, afinal fez tudo com a melhor das intenes, e com carinho! Mais uns trs braos e quatro pernas de amores, raivas, arrependimentos e insatisfaes (porque ela no podia se atrasar para o trabalho, droga?) completavam o corpo sem cabea dos seus sentimentos, alis, sem ps tambm j que ela no sabe para onde ir.

Assim somos muitos de ns… Basta que os nossos objetivos, sonhos, desejos e, principalmente, determinao, no sejam o bastante para nos indicar um caminho: fica tudo vazio e basta um tropeo para a luz fugir de ns…

Imagem: Torley