Sobre o projeto Um S?bado, Um Conto

Esse ? o quinto conto do projeto #UmS?badoUmConto (clique para conhecer e ver os outros)

Durante a semana as pessoas votam em estilo, g?nero, p?blico e ?poca. O autor s? pode saber o resultado ?s 8h de s?bado e tem at? meio dia para terminar o conto (esse foi at? as 13h).

Cada conto ? escrito com uma processo criativo diferente (veja no final).

O conto foi escrito em 5h e tem um final, mas algumas partes foram resumidas para maior desenvolvimento posterior.

O que voc? v? a seguir ? o conto com a m?nima revis?o. Ele pode ser visto em estado bruto no Google Docs.

O Conto

? Ent?o Samuel? Como foi sua semana de aposentado? ? Os cinco amigos caminham diariamente no grande parque no centro de Belo Horizonte. O mais novo deles completou 72 anos no m?s passado e o exerc?cio ? recomenda??o m?dica.

? Movimentad?ssima, Saulo! Movimentad?ssima! Al?m de aturar voc?s quatro todo dia de manh? tive que fazer as compras do m?s na quarta-feira, contei? Minha neta est? viajando a trabalho e n?o foi comigo. S?o vinte e cinco reais para entregar, para mandar entregar em casa, voc?s sabiam? Quase morri de tr?s ataques fulminantes do cora??o ao ver o pre?o e a? decidi levar sozinho, n?o devia ser mais de 6Kg, velho come pouco, menos o Jorj?o, n? Jorj?o? harharhar (a risada dele vem sempre acompanhada de um arranhar na garganta, fruto de d?cadas fumando, ele j? parou). A? quase tive mais tr?s ataques fulminantes at? chegar em casa. Uma aventura? Uma aventura? Da pr?xima acho que gasto os trinta e cinco reais?

? Vinte e cinco ? Esse era o Jorge que ? o mais magro dos tr?s, mas que realmente come como um touro

? Hein? Vinte e cinco onde?

? Voc? disse vinte e cinco e depois trinta e cinco Samuel. Quanto era a entrega afinal?

? Trinta e cinco? Sempre dou mais dez para o entregador ficar feliz e n?o querer me assaltar.

? Ele vai te assaltar do mesmo jeito enquanto voc? tiver aquelas coisas caras dentro de casa – Esse era o Saulo de novo.

Jos? e Ricardo vinham mais atr?s resfolegantes como sempre. Eles participam fielmente das caminhadas, mas moram perto e, tirando esse momento, quase n?o se exercitam, passam a maior parte do dia vendo TV ou se fazendo passar por garot?es na Internet. Eles est?o esperando a vida acabar. De certa forma todos eles est?o j? no compasso de espera do fim e s? tentam ocupar suas mentes para n?o pensar nisso.

Eles j? n?o enxergam sentido na vida, nem tem prop?sitos. Que prop?sito algu?m que n?o tem muito mais do que 10 anos pela frente pode ter? Tamb?m j? viram de tudo, n?o contemplam mais a vida com o encanto dos que ainda tem curiosidade de ver para onde as coisas v?o e que papel elas ter?o nisso.

Outro dia o neto do Ricardo ligou para ele dizendo para ele ver a Lua, como estava t?o rubra que parecia uma moeda de cobre. Ele disse que foi ver, at? citou algum poema que leu ou que talvez tenha escrito h? d?cadas, mas n?o se levantou da cadeira. Nem tirou as pernas do pufe que fica em frente para ele n?o deixar os p?s para baixo o que poderia fazer a trombose voltar. O m?dico deu as recomenda??es alimentares, mas, que diabos, agora na reta final ele ia se privar dos prazeres da vida? Os prazeres da vida ele pensava? A vida dele teve muitos prazeres, mas a mem?ria deles n?o lhe traz satisfa??o, ? bem o contr?rio? H? somente nostalgia em suas mem?rias.

? Hei! ‘spera a?! ? ele engole o “E” no esfor?o para falar alto – O Jos? t? t?o cansado que n?o consegue nem falar! Vamo reduzir esse passo a??

O Jos? olha para ele com aquele misto de reprova??o e carinho de amigos que atravessaram d?cadas juntos. O ?ltimo a entrar no grupo foi o Saulo h? quase vinte anos quando conheceu o Samuel no trabalho e foi apresentado ao resto do grupo nas noites de sexta feira.

Alguns deles tinham sido casados, Jos? e Saulo nunca, mas j? estavam todos sozinhos? Todos sobreviveram ?s suas esposas o que n?o estava certo, as mulheres costumam viver mais e? Bem? Agora eles estavam sozinhos. No fundo cada um deles se alegra um pouco por elas n?o terem que viver esse resto de vida onde sentido e prop?sito s?o apenas mem?rias nost?lgicas.

O grupo se formou porque todos eram ge?logos e tinham assunto para levar uns com os outros. Logo cedo na vida eles descobriram que, se tem um assunto que n?o chama a aten??o de ningu?m ? geologia? At? ginecologista, lixeiro e auxiliar de escrit?rio tem hist?rias que interessam mais gente.

Saulo, Samuel e Jorge reduzem o passo para que o Jos? e o Ricardo reduzam a dist?ncia.

? nesse momento que uma mo?a jovem, com n?o mais de 25 anos, passa correndo como uma gazela por eles, quase fazendo boliche com os cinco. Eles observam as pernas grossas e fortes apertadas na cal?a jeans, o cabelo azul e rosa amarrado em um rabo de cavalo girando ao redor enquanto ela se vira para olhar para tr?s.

As primeiras coisas que eles pensam s?o “que potranca” “que sa?de” “que maluca, vai machucar algu?m correndo assim”.

Ela pula a cerquinha de dois palmos que separa a trilha do gramado, mas n?o d? tr?s passos antes que um homem apare?a diante dela obrigando-a a parar abruptamente escorregando na grama e caindo de bunda. A blusa de seda fina sobe a ponto de mostrar a barriga. A bolsa cai um pouco atr?s dela.

O homem avan?a para peg?-la e mais dois vem do mesmo lado que ela veio e logo passar?o pelos cinco amigos que se encolhem com receio de serem derrubados no ch?o pelos brutamontes.

? o Ricardo que tem o primeiro impulso e grita “Hei!! O que tr?s homens grandes tem que se meter com uma mocinha s??

Oito pares de olhos se viram para ele, os dos amigos, o da mo?a e o dos tr?s perseguidores, mas ele s? v? o da mo?a: firme, determinado e profundo, mas com medo. Aquele tipo de medo que temos pelos outros, pelo que outros v?o sofrer se n?s falharmos, n?o era o medo do tipo “o que vai acontecer comigo?”

Ele se dirige para a mo?a enquanto os outros quatro velhinhos encaram os perseguidores, um deles est? de terno o que ? muito estranho, o outro usa uma roupa de correr e o terceiro roupas normais de quem ia a um cinema ou trabalhar (era sexta-feira).

A situa??o produz a pausa que a mo?a precisava. Ela consegue se levantar e disparar correndo novamente entre os quatro amigos (Ricardo est? a dois passos dela e chega a ouvir um leve “Obrigada” escapar junto com a espira??o ofegante da mo?a).

Ela d? um encontr?o forte no Jorge, mas j? est? longe na fra??o de segundo seguinte quando grita “Foi mal! Espero n?o ter te machucado”. O “Espero n?o ter te machucado” eles s? sup?e que foi dito pois j? n?o dava mais para escutar conforme a voz dela se perdia na retomada de f?lego e na correria desembalada.

Os perseguidores n?o perderam tempo com eles e partiram de novo atr?s da mo?a. Os cinco mal podiam andar r?pido o que dir? tentar correr para impedir aqueles homens.

? Vou ligar para a pol?cia ? Diz Saulo j? pegando o celular, daqueles de bot?es porque ele n?o gosta de tecnologia como os outros que vivem insistindo para ele ter um whatsapp.

? Pol?cia!!! Pol?cia!!! ? Jos? prefere uma abordagem mais direta. N?o h? ningu?m para ouv?-lo, mas ele continua gritando e apontando ? Para l?! Para l?! Tr?s brutamontes atr?s de uma mo?a.

Somente o Jorge parece quieto enquanto os outros discutem o acontecido. Demora quase tr?s minutos para eles notarem e perguntarem o que foi, se ele tinha se machucado com o encontr?o da mo?a. Ele disse apenas para irem para o boteco onde tinha a mesa da diretoria, sempre vazia l? no fundo a essa hora.

Chegando l? ele tira um envelope de dentro da camisa.

? Quando a mo?a esbarrou em mim ela me virou para os tr?s perseguidores n?o verem que estava enfiando isso debaixo da minha camisa. O que fazemos? Abrimos? Mandamos para a pol?cia? Jogamos fora?

? Abrimos?

? Abrimos?

? ? Abrimos – Esse ? o Samuel, que ? mais covarde, digo, cuidadoso

? Abrimos, claro! – Ricardo est? decidido, algo acendeu dentro dele ao ver aquela mo?a meio pirada, ? verdade, mas determinada e cheia de vida, fugindo de algo que ele n?o tinha entendido, mas queria entender.

? um envelope pardo, desses com uma cordinha que embola numa pe?a de metal para fechar, mas n?o tem nada escrito nele, nem mesmo um logo de empresa.

Eles desenrolam a cordinha e tiram o conte?do. S?o cinco grupos de folhas presas, cada um com tr?s p?ginas preenchidas.

Primeiro grupo

C?rdoba – Monsenhor Joaquim Cruz Barbosa

Um mapa impresso da cidade de C?rdoba na Argentina com um X marcado sobre uma igreja e um c?rculo sobre uma casa na periferia perto de um shopping Center (DinoMall).

O restante ? um texto teol?gico em espanhol.

Segundo grupo

Amesbury, Wiltshire SP4 7DE, Reino Unido – Amy Easternvale

N?o tem mapa, mas tem a estranha instru??o “Entre o portal leste, quarenta passos ao norte.

O texto ? em ingl?s, uma carta para Amy falando sobre mergulhar nos fluxos de vida da Terra, sentir as linhas de conex?o da vida, em sua fragilidade, em como devem ser preservadas ou um dia se desfar?o sozinhas levando embora as formas de vida atuais e abrindo espa?o para outras

Terceiro Grupo

Freeport – Texas – Jonh Smith

O mapa aponta uma parte da cidade, e tem tr?s zooms mostrando uma esquina, uma hora e a data dentro de quatro dias.

O texto em ingl?s diz apenas “n?o desista” e “Na casa da sua av?. Sob a escada dos fundos”

Quarto Grupo

S?o Paulo – Centro Cultural Vergueiro

Tem uma foto de um monumento que parecem fitas dobradas e uma seta para um ponto sob ele.

As outras p?ginas est?o em branco.

Quinto Grupo

Rio de Janeiro – Forte de Copacabana – Coronel Antonio Carlos Epstein

N?o tem foto ou mapa, apenas uma longa lista de tarefas como “Estudar geografia”, “Conhecer Armas Antigas”, “Viajar para a Inglaterra”, “Leia James Lovelock e duvide”, “Duvide sempre”, “Duvide de voc? mesmo” (essas tr?s est?o agrupadas).

? Que porra ? essa? ? Jos? ? o mais desbocado, ainda que nenhum deles seja exatamente? delicado

? A quest?o ? o que fazer com essa porra, n?o? ? Jorge olha intrigado para os grupos de pap?is. Talvez por ter sido escolhido pela mo?a ele sinta alguma responsabilidade. Talvez uma forma de devolver os pap?is ? Vamos tentar achar a mo?a? Ela certamente n?o queira que isso ca?sse em m?os erradas, essas pessoas devem ter alguma import?ncia.

? A mo?a tinha cabelo colorido, mas j? viu quanta gente tem cabelo colorido hoje em dia? A ?nica chance de ach?-la ? se os caras pegaram ela, mataram e a pol?cia encontrar em algum lugar? Pobre mo?a. Certamente est? morta agora e ela n?o servir? para nada morta. ? Saulo? O amargo.

Samuel e Jos? se entreolham, os outros se calam e olham para eles.

? Que se foda! A gente vai morrer daqui a pouco mesmo e somos cinco, vamos entregar essas merdas dessas mensagens nesses lugares. ? isso que voc?s est?o pensando, n? seus putos?

Os cinco caem na gargalhada. Saulo n?o tem grana guardada, mas os outros tem o bastante para rachar as despesas da viagem dele. Estavam guardando para a velhice? Um deles comenta o fato e caem todos na gargalhada de novo.

? Meu neto mora em S?o Paulo, ele n?o vai gostar muito, mas pode me ajudar e? Bem? Essa pode ser a nossa ?ltima viagem, n?o ?? ? Curiosamente o olhar de Ricardo n?o ? triste. ? como se pela primeira vez em mais de dez anos ele estivesse feliz

? Bem, acho que o Jorge deve ir para a Inglaterra, algo me diz que vai ter um bocado de caminhada envolvida e voc? ? o mais forte de n?s. Quem mandou passar a vida sem fumar, quase sem beber e comendo alfafa? ? Ricardo ? o mais estrategista dos cinco.

? Faz sentido ? dizem todos em coro e o Jorge concorda com a cabe?a pensando que talvez seja melhor um negro zanzando na Inglaterra do que vagando pelas ruas no Texas.

? Samuca, Freeport ou C?rdoba? ? Ricardo permanece na fun??o de coordena??o

? C?rdoba nem pensar! Meu espanhol ? um terror! Vou pedir t?xi e v?o me enfiar em uma casa de orgias!

? Olha l? se n?o ? isso que voc? quer, hein Samuca? – A risada do Jorge ? contagiante. Os gar?ons pensam que eles est?o comemorando o anivers?rio de algum deles de tanto que gargalham.

? Vou para Freeport. J? estive por l? algumas vezes em congressos do petr?leo. ? Samuel bate o martelo

? Acho que sou o ?nico no grupo que fala espanhol pelo menos decentemente, n?? Passei uns quinze anos trabalhando com aquela empresa de minera??o Argentina e at? h? estive em C?rdoba h? uns 20 anos. ? uma cidade pequena e aconchegante, n?o deve ter mudado muito. ? diz Jos?

? Ent?o o Saul?o aqui fica com a cidade das bundas e seios voluptuosos, o Rio de Janeiro! Vou causar um estrago por l?!

Os amigos caem novamente na gargalhada!

Os preparativos s?o r?pidos. Dois dias depois Samuel deixa um envelope na portaria da neta com as chaves e endere?os dos apartamentos de cada um deles para que ela possa cuidar das coisas “caso nenhum de n?s volte”. Ele deixa tamb?m a chave de um cofre privativo num banco acrescentando para ela esconder aquela chave e s? us?-la se n?o souber deles em uma semana. Tudo estar? explicado nos documentos que est?o no cofre.

Eles se preocupam em deixar esse peso sobre os ombros da neta que tem aproximadamente a mesma idade da mo?a que lhes deu os documentos, mas sentem que aquilo n?o pode acabar ali com eles, caso falhem.

Os cinco se separam no aeroporto. Olham desconfiados ? volta, mas n?o enxergam ningu?m suspeito. Talvez as pessoas que perseguiam as mo?as n?o saibam que ela passou o envelope para eles ou nem fa?am ideia de como encontr?-los. Quem esperaria que um bando de velhos moribundos sa?ssem em uma aventura pelo mundo?

Os Voos do Jorge e do Samuel s?o os primeiros a sair, mas ser?o os ?ltimos a chegar, principalmente o Jorge que ainda ter? que viajar para o norte da Inglaterra at? o endere?o indicado.

Saulo

Ele ? o primeiro a chegar. O voo ? curto e o hor?rio foi feliz, tinha pouco tr?nsito.

O forte na verdade ? um ponto tur?stico. Saulo n?o sabia disso. Chega no lugar e tem uma guarita/bilheteria onde ele se identifica, mas n?o precisava. Idosos entram sem pagar e ningu?m duvida que ele ? idoso.

? Rapaz, com quem posso falar para encontrar o coronel Ant?nio Carlos Epstein?

? Senhor, n?o tem nenhum coronel com esse nome aqui? Mas o senhor pode ser informar naquele pr?dio ali.

Ele passa por uma infinidade de jovens militares que dizem que n?o podem fazer a pesquisa para um civil, mas que n?o tem nenhum coronel Ant?nio Carlos Epstein ali. E ficam lhe sugerindo que v? na Colombo tomar um ch? e aproveitar a vista como se ele fosse um velho maluco.

Mas ele nota uma mulher comprida encarando-o de tr?s de ?culos escuros, ele tem certeza que ela o est? encarando, sentada numa das mesas externas da confeitaria/restaurante/casa de ch? e resolve disfar?ar e adotar outra t?tica.

Entra no sal?o, vai at? o balc?o como quem quer olhar para os salgadinhos e pergunta para uma mo?a muito sol?cita do que s?o e qual ela acha mais gostoso?

A mo?a gosta da coxinha que tem o osso da galinha espetado nela, um f?mur espetado na coxinha? Lugares chiques tem umas coisas estranhas, Saulo pensa com seus bot?es.

Uma outra mo?a vem perguntar se ele n?o quer se sentar a uma das mesas e ele estica o papo com ela tamb?m, mas sem arredar p? do balc?o fingindo que precisa ver as coisas para escolher.

Finalmente, entre risos ele diz que acha que o filho de um amigo trabalha naquele forte, o Ant?nio Carlos Epstein “voc?s conhecem?”

? Claro! ? o Carlinhos! Sei por causa do cart?o de d?bito que tem o nome inteiro, achei engra?ado o sobrenome, sou f? dos Beatles, sabe? ? N?o, Saulo n?o sabia e n?o entendeu a rela??o, mas n?o se importava

? Que ?timo! Ser? que consigo encontr?-lo hoje?

? Carlinhos? Ah! O Ant?nio Carlos? Ele se chama Epstein? Que engra?ado! ? Diz a outra mo?a, a que queria lev?-lo para uma mesa ? Claro, ele deve aparecer aqui daqui a pouco, eu digo a ele para ir para a sua mesa. O senhor quer se sentar agora? Tem prefer?ncia?

Ele v? a mulher que estava do lado de fora entrar para olhar o balc?o tamb?m e se apressa em desconversar dizendo “claro! Claro! Aquela ali est? ?tima” ?e senta torcendo para as mo?as n?o mencionarem que ele est? procurando algu?m.

Felizmente elas n?o fazem isso. A mulher estranha ainda volta umas duas vezes e o v? tomando ch? e comendo um salgadinho. Ela acaba desistindo e n?o aparecendo mais.

Demora quase duas ?horas at? que uma das mo?as apare?a na porta apontando sua mesa para algu?m.

Surpreso Saulo v? que a pessoa vindo para a sua mesa n?o pode ter mais de 20 anos. ? praticamente uma crian?a. Ele jamais poderia ser um Coronel, quer dizer, pode vir a ser um dia? Estranho?

? Oi, o senhor conheceu meu pai? ? que eu lamento dizer que ele morreu pouco depois que eu nasci? Fui o ?ltimo filho dele quando j? estava com quarenta e cinco anos.

? Sente-se! ? E Saulo sorri com uma alegria curiosa que ele talvez nunca tenha sentido. Que mist?rio ser? esse? ? Voc? se chama Ant?nio Carlos Epstein?

? Sim senhor, de onde meu pai o conhecia?

? Voc? gosta de mist?rios meu jovem? Pois n?o vejo outra forma de resolver isso. Veja s?, h? dois dias uma mo?a fugindo de uns caras no parque onde eu caminhava ? ele achou melhor n?o falar dos amigos ? me entregou isso discretamente antes de continuar a fugir.

Ele entrega o papel para o rapaz que primeiro olha com a testa franzida e absoluta descren?a nos olhos e at? um sinal de ira como se estivesse achando que era alvo de alguma pegadinha ou golpe at? que seus olhos se arregalam enquanto v?o lendo a lista.

? Senhor? Como mesmo o senhor disse que era seu nome?

? Saulo, meu filho, Saulo. Eu n?o tinha dito ainda. Isso significa alguma coisa para voc??

? As tr?s ?ltimas frases? ? algo que minha m?o dizia para mim toda noite antes de dormir. Ela ainda diz de vez em quando? S? pessoas muito importantes para a nossa fam?lia sabem dessas frases? O senhor precisa me dizer mais sobre isso!

? Lamento, jovem. Eu n?o sei nada! Nada mesmo! S? estou aqui porque sou um velho sem nada a perder, minha vida j? devia ter acabado, quase todo mundo que conheci j? partiu e sinto que vivo de cr?ditos que n?o merecia? Tem s? uma coisa. Tinha os homens perseguindo a mo?a, acho que tinha uma mulher suspeita me vigiando logo que cheguei aqui. Talvez o melhor seja voc? guardar muito bem esse papel e fazer de conta que nunca me viu. Fa?a segredo, filho?

Antes de sair da mesa Saulo manda um torpedo para o Ricardo. Ele xinga a cada palavra que escreve, como ? dif?cil escrever naquele treco, porque n?o deu ouvidos aos amigos e comprou um daqueles telefones espertos? Medo do aparelho ser mais esperto que ele, talvez?

Foi mais de meia hora escrevendo torpedos explicando tudo que acontecera a fim de alertar os outros que o mist?rio ? maior do que eles pensavam e que, pelo jeito, h? riscos.

O Ricardo com certeza ter? mais facilidade de repassar a hist?ria para os outros pelo whatsapp ou o que quer que eles usem naquelas parafernalhas. Veja s? Velhos usando essas coisas de jovens… eles n?o tem vergonha mesmo!

Saulo come?a a rir sozinho e decide pedir uma cerveja “tem cerveja? Ma traz uma cerveja mo?a, tenho uma vida muito longa pela frente ainda”.

Ricardo

O Centro Cultural Vergueiro ? at? perto do aeroporto de Congonhas para uma cidade do tamanho de S?o Paulo e o Ricardo ? o segundo a chegar ao seu destino.

O monumento fica no meio de um canteiro central. H? uma casa de mendigos mais no canto sob umas ?rvores e Ricardo tem medo. Ele j? recebeu os torpedos do Saulo e repassou para os amigos. Passou meia hora zanzando pelo centro cultural para ter certeza que n?o era seguido antes de ir para o ponto marcado.

Tinha mesmo uma seta no ch?o? N?o daria para notar, era como se algum ?cido tivesse queimado a grama formando uma seta e, bem na ponta, a terra estava fofa com um fiapo de arame para fora.

Ao puxar veio uma caixa de um pouco mais de um palmo, dessas de pl?stico que vedam hermeticamente. Dentro dela tinha quatro canetas envelopes e uma instru??o: quando os outros terminarem use as p?ginas em branco para enviar uma carta para cada uma das pessoas contactadas com o nome e ?ltimo endere?o conhecido das outras pessoas. Diga para procur?-las apenas em 27 anos.

Jos?

Ao chegar em Buenos Aires, escala para C?rdoba, Jos? consegue wifi num caf? no pr?prio aeroporto e fica sabendo da experi?ncia dos outros.

Ele decide que sua primeira parada ser? a casa marcada no mapa e depois a igreja, mas antes passa no DinoMall, o grande shopping Center que aparece no mapa para se informar sobre a regi?o e n?o andar ?s cegas. Come em um restaurante chamado La Parrilla de Mirta, h? 12 anos ele n?o comia carne assim, era perigoso para sua sa?de, “para o inferno a sa?de! nunca me senti t?o bem pensa ele”.

Ele fica sabendo que a regi?o ? um pouco deserta e que ? perigoso um senhor idoso andar entre as ruas onde fica a casa, ele ent?o decide passar em frente de t?xi e v? que a casa tem uma placa de “Vende-se” e uma fam?lia muito pobre olha para ele do jardim.

Ao chegar na igreja ele n?o se surpreende ao saber que n?o existe um Monsenhor Joaquim Cruz Barbosa, mas tem um coroinha Joaquim que ele logo descobre que se chama Cruz Barbosa.

Ele mostra o endere?o da casa para o garoto e a mensagem teol?gica. Os olhos dele brilham. Ele ? de fam?lia rica, a casa tinha sido da fam?lia dele. Ele agradece muito.

Jos? tem o cuidado de j? chegar na igreja perguntando pelo jovem Joaquim e conversa com ele sem que ningu?m ou?a e passa os papeis para ele discretamente e avisa para ele cuidar muito bem do segredo.

Ao sair ele acha que o padre da par?quia o acompanha com aten??o demais.

Samuel

Samuel chega 24 hora antes do hor?rio determinado e tem tempo de planejar bem sua linha de a??o. As pessoa n?o andam a p? em Freeport. O encontro dele s? pode ser com algum tipo de morador de rua e ficar?o expostos. Como a mo?a pretendia fazer esse encontro em seguran?a? Ela teria que ter parceiros, afinal n?o d? para estar em v?rios cantos do mundo ao mesmo tempo. Algu?m colocou a caixa em S?o Paulo. Onde estar?o os associados da mo?a?

Samuel decide se vestir como um mendigo e chegar meia hora antes na esquina marcada. Senta no ch?o perto de uma cerca meio recuada onde ? dif?cil ser visto. Fica olhando desconfiado para um e para outro lado pois no sagu?o do hotel ele tem certeza de ter visto tr?s pessoas sentadas longe umas das outras, mas que se entreolhavam e olhavam para ele.

Ao sair foi pela cozinha e saiu pela ?rea de carga e descarga do hotel certo de que os despistou. Trocou as roupas num beco e escondeu a mochila com as roupas boas em um espa?o estrat?gico que achou.

A pessoa que surgiu na esquina pontualmente na hora indicada era um funcion?rio p?blico que foi fazer manuten??o em um poste de eletricidade ou telefonia.

Ele aborda o homem que tem cerca de quarenta anos. Primeiro ele olha surpreso, depois come?a a chorar ao ver a refer?ncia ? escada? Ele diz que a filha de 8 anos est? muito doente em casa e ele estava pensando em forjar sua morte para que a fam?lia ganhasse o seguro e pudesse viver pelo menos mais um tempo. A vida n?o vinha sendo boa para eles.

Samuel segue com o homem at? a casa da av? onde eles encontram t?tulos ao portador e uma carta dizendo “Salve a Caroline e guarde o resto para a faculdade dela”.

O homem, que realmente se chamava Jonh Smith pensa que Samuel ? o benfeitor, mas ele diz que n?o e conta a hist?ria para o homem sugerindo manter segredo.

? Do Brasil??? – S? o que o homem consegue dizer perplexo.

Jorge

Jorge ? o ?ltimo a chegar, tanto pela dist?ncia do voo quanto pela dificuldade de acesso ao endere?o indicado que o leva para? Stonehenge!!!

Ele caminha um bom tempo at? l? e fica claro o que significa o portal leste. Um dos conjuntos de pedras aponta diretamente para o nascer do sol. Ele caminha os passos indicados na dire??o certa e encontra uma rocha encravada no ch?o. Parece estar ali h? anos e tem uma seta apontando para o sul e uma dist?ncia 3,48km (em KM mesmo).

Ele segue na dire??o contando com o apoio do gps at? encontrar uma casa. Na porta tem a caixa postal e o nome Easternvale. ? uma fam?lia.

Ningu?m o seguiu, ele tomou bons cuidados para isso tamb?m.

Ele bate ? porta e ? atendido por um casal bonachudo de ingleses, ela negra, ele branco como a neve. Ela com uma grande barriga.

Jorge j? desconfia e pergunta apontando para a barriga: essa ? a Amy?

E conta a hist?ria para os dois

27 anos depois

Um monge argentino que trabalha pelos pobres, uma jovem bruxa inglesa e bi?loga premiada por desenvolver tecnologias de recupera??o do ecossistema, uma educadora americana que se dedica ? educa??o universal e um militar brasileiro que se est? fazendo a segunda tese de doutorado abordando a transforma??o das for?as armadas em for?as de paz recebem cada um uma carta com os nomes e ?ltimos endere?os dos outros.

O remetente ? uma mulher de pouco mais de cinquenta anos que diz apenas que o av? dela pediu h? 27 anos que ela enviasse essas cartas e que os destinat?rios entenderiam (alguns talvez depois de conversar com os seus pais)

Os quatro decidem se encontrar. O que os unia? Que intelig?ncia superior previu seus futuros?

Eles se re?nem na ?frica, em Sfax na Tun?sia que ainda tem um ferry boat que a liga ? Fran?a.

A mais nova ? Amy, com 27 anos.

Eles passam um longo tempo comparando hist?rias de fam?lia que possam lev?-los at? o Brasil de onde teria vindo aquele senhor 27 anos antes. Percebem que s?o v?rios senhores e n?o um s?, provavelmente mortos h? muito tempo, j? teriam mais de noventa, talvez mais de 100 anos.

Finalmente eles chegam a um nome. Uma empresa para a qual a fam?lia de cada um deles trabalhou, uma empresa de geologia cujo dono fez prospec??o no mundo inteiro com a desculpa de estudos geol?gicos, mas que amava mesmo era as pessoas. A fam?lia de cada um deles tinha acolhido esse homem em algum momento.

Eles passaram a vida achando que uma for?a maior tinha antevisto o futuro deles. Tiveram for?as para continuar nos momentos mais dif?ceis porque sabiam que tinham um sentido na vida, que tinham um prop?sito.

Na verdade a for?a maior tinha sido um homem agradecido que preparou um grande esquema para dar prop?sito a cinco dos seus amigos e a quatro fam?lias que lhe mostraram amor.

O prop?sito de cada um deles foi definido por eles mesmos no final das contas. A grande for?a superior que talvez nem imaginasse que criaria quatro pessoas que teriam muito a dar pelo bem da humanidade, era uma boa pessoa que soube dar espa?o ? sua gratid?o.

Fim
[12:45]

Considera??es finais

Desculpem mais uma vez pelo fim corrido? ? mais um conto que merece ser mais desenvolvido se for publicado. Espero pelo menos que voc?s consigam sentir o suspense e a aventura (acabou virando suspense tamb?m, n??) e n?o fiquem decepcionados com a trama que criei, ela pode acabar mudando quando o conto for mais trabalhado. O que acham?

Ao desenvolver a aventura de cada um dos amigos terei mais material para deixar claro que as pessoas perseguindo os cinco, incluindo a mo?a e os perseguidores no come?o, foram contratadas para compor a trama.

Not?cias etc

1- vou acrescentar g?nero ?s op??es: scifi, fantasia, realista

2- a partir da semana que vem vou fazer o Hangout no domingo em vez de logo depois de escrever

3- voc?s podem fazer perguntas e sugest?es pelo Twitter (@roneyb) ou nos coment?rios no Blog ( https://www.roney.com.br/2014/09/11/um-sabado-um-conto/)

[8:10]Voltei!!

Processo criativo

Vamos ver como foi a vota??o:

Tema Votos P?blico Votos ?poca Votos
Terror 4 Infantil 2 Passado 5
Romance 4 Jovem 3 Presente 6
Aventura 7 Adulto 12 Futuro 6
Suspense 2

 

Aventura, Adulto e? Ih! Empatou! Presente e futuro? Humm? Que tal nas duas ?pocas ent?o? ;-) Mas ainda n?o vou fazer scifi? Tenho facilidade em escrever scifi e quero dificultar :-)

Entre as sugest?es tem “mente e comportamento humano” e “Proibido, Idosos, Brasil, Serra” ser? Serra pol?tico ou serra o acidente geogr?fico? Algo me diz que era o pol?tico? Vou deixar isso na cabe?a e ver se surge alguma coisa.

Vamos ver agora que processo criativo vou usar, j? foram quatro, esse ? o quinto e tenho mais uns 7. Vou ver a lista que fiz? J? volto[8:19]

[8:21] Estilo ?pico: pensar em v?rias loca??es que combinem com o tema e conect?-las. Esse ? boa para um conto que tem que acontecer no presente e no futuro, n??.

Os meus contos adultos n?o andam t?o adultos, tirando o de terror, n?? Vou tentar melhorar isso hoje.

Ent?o a regra ? pensar nos lugares que me permitam viajar entre o presente e o futuro sem fic??o cient?fica, ou seja, a hist?ria come?a no presente e continua no futuro, ou come?a no futuro e vem para o presente.

O segundo caso ? melhor para suspense do que para aventura pois a gente v? o resultado e vai descobrir depois as causas, mas talvez fa?a o contr?rio para dificultar, hehehehe.

Enquanto escrevo Stonehenge fica na minha cabe?a, mas ? porque tenho um universo de fantasia para RPG que acontece por l? em v?rias ?pocas, isso vai acabar influenciando a criatividade. Vamos ver.

Como n?o tenho muito tempo para pesquisar o ideal ? pegar lugares que eu conhe?a e um futuro que j? ande sempre pela minha cabe?a? Ah, e que se preste a uma hist?ria de aventura, claro! Queria pegar um lugar no Brasil e na serra por causa das sugest?es?

Eu poderia oscilar entre presente e futuro. Fica ?timo, mas normalmente eu teria que ter planejado o conto todo antes.

T?, os lugares s?o S?o Paulo, Minas, Rio de Janeiro, C?rdoba na Argentina e Stonehenge (porque n?o? Hehehehe).[8:30 – Esse ? meio que o limite que eu notei que tenho para come?ar o conto e acabar at? o meio dia]

Agora tenho que pensar em que tipo de aventura poderia ligar esses cinco lugares, talvez com algo proibido e mexendo com a mente e o comportamento humano? N?o, isso deve vir naturalmente, o proibido ? uma boa ideia.

Tem idosos nas sugest?es!! Isso ? bom! N?o teve idosos ainda nos contos do projeto!

[8:35]Deixando a mente divagar entre o que j? decidi[8:41]

Aha!!! J? sei quase tudo! Como come?a, por que come?a, mas falta decidir exatamente qual ? objetivo da aventura. Preciso de mais uns minutos para pensar nisso. Algumas vezes d? para ir construindo enquanto escrevemos, mas esse exige um pouco mais de detalhes antes de come?ar. J? volto.

[8:55]N?o consegui fechar tudo n?o, mas acho melhor come?ar com o que tenho[8:56]

O Hangout

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