Sobre o projeto

Esse ? o d?cimo s?timo conto do projeto #UmS?badoUmConto?(Post explicando o projeto)

Durante a semana as pessoas votam em estilo, g?nero, p?blico e ?poca. O autor (eu) s? pode saber o resultado ?s 8h do s?bado e tem at? meio dia (mais ou menos) para terminar o conto.

Cada conto ? escrito com um processo criativo diferente (veja no final).

O que voc? v? a seguir ? o conto com a m?nima revis?o. Voc? pode ler? sem revis?o no Google Drive.

Voc? pode votar no que devo escrever no pr?ximo aqui:http://bit.ly/1w5JcZT ou usar o mesmo formul?rio mesclado abaixo.

Antes de ler vota a? no pr?ximo, t?? Por favor?

O Conto

A sess?o do Senado finalmente tem qu?rum para discutir quest?es clim?ticas, energ?ticas e de preserva??o do ecossistema. Ricardo Pereira ? um dos poucos pol?ticos que parecem compreender a gravidade do problema, mas ? visto com desd?m por seus colegas, ou por estarem muito satisfeitos com as verbas de campanha que recebem de setores da ind?stria interessados na explora??o de petr?leo para seus diversos usos, ou simplesmente porque acreditam que a Terra ? um tipo de organismo vivo que sempre manteve e sempre manter? a vida sobre sua superf?cie.

Ricardo se coloca atr?s do microfone para se dirigir ? casa. Muitos dos seus colegas formam pequenos grupos de papos paralelos, desligados do que acontece ao redor. Exibem sorrisos e conversam como adolescentes trocando figurinhas de jogadores de futebol.

? Caros colegas, caras colegas? Todos n?s devemos ter consci?ncia de que nosso planeta n?o tem predile??es a respeito do tipo de vida que se abriga sobre sua fina superf?cie. Que por cinco vezes nosso planeta assistiu extin??es em massa que levaram ? aniquila??o de formas de vida predominantes substitu?das por novas esp?cies que surgiram atrav?s da adapta??o ?s novas condi??es. As formas de vida atuais dependem do Oxig?nio que n?o chega a 21% da nossa atmosfera composta principalmente por nitrog?nio, ?til para vegetais, mas praticamente in?til para a maioria dos animais.

Ele olha ao redor enquanto fala. Seu discurso chama aten??o de algumas cabe?as que se votam para ele, mas a maioria parece j? saber do ter?o que ele sempre recita. Ricardo pensa em como seus colegas s?o pat?ticos e ignorantes, exceto por umas poucas exce??es. Mesmo quem ouve seu discurso em geral n?o entende as bases cient?ficas que lhe d?o respaldo e acreditam nele simplesmente porque o acham convincente.

Ele continua decidido a dar uma virada na apatia que costuma dominar a Casa durante seus discursos?

? A quest?o, senhores e senhoras, ? que, antes de n?s humanos desaparecermos, veremos o fim dos bichinhos que tantos de voc?s e dos seus eleitores gostam de defender, afinal temos como criar habitats para n?s, mas os animais selvagens n?o e ser?o os primeiros a perecer como j? est? acontecendo. Isso n?o ? problema dos seus netos e nem mesmo dos seus filhos, seus pr?ximos mandatos podem depender disso muito antes do que voc? pensam.

Ele usou um tom de voz frio em vez do costumeiro discurso inflamado rico em perdigotos cuspidos contra o microfone, olhos esbugalhados, rostos vermelhos e veias saltadas. Ele falou como quem noticia um decreto de morte. Mais rostos se viraram.

? Estou aqui hoje para revelar um segredo que pode colocar minha vida em risco, um segredo pelo qual muitos j? desapareceram e outros tiveram que desaparecer espontaneamente para continuar seu trabalho.

Nas galerias uma jovem de cabelos curtos muito encaracolados formando uma nuvem ao redor do seu rosto, olha com aprova??o enquanto escreve velozmente em seu celular. Ela n?o aparenta ter mais do que 16 anos, mas seu olhar ? firme e penetrante denunciando uma experi?ncia e maturidade que n?o condiz com sua idade aparente.

Em algum lugar do planeta um grande monitor em uma sala sem janelas que serve para refei??es coletivas e reuni?es exibe sua mensagem:

“Ele est? prestes a falar”.

? Como sabemos passamos os ?ltimos 200 anos devolvendo ? atmosfera carbono que foi capturado h? quase 100 milh?es de anos, quando as formas de vida predominantes eram muito diferentes das atuais e temos n?o apenas que parar de fazer isso, mas retirar os gases estufa que foram inseridos artificialmente. O maior obst?culo para isso ? a falta de alternativas para produzir energia para manter a estrutura da nossa civiliza??o e ir muito al?m produzindo v?rias vezes a nossa necessidade energ?tica para alimentar m?quinas que fa?am a recaptura de carbono e de metano. Esse obst?culo n?o existe mais? Ele ? mantido apenas pela for?a da amea?a de grandes corpora??es cuja base econ?mica est? no petr?leo ou que n?o tem como obter lucro em uma sociedade de fartura energ?tica. Hoje vou mostrar provas disso de duas maneiras. A primeira ? um v?deo que me foi enviado por contatos cuja identidade n?o posso revelar simplesmente porque n?o as conhe?o.

A um sinal as luzes se reduzem e uma proje??o come?a na tela ao lado do microfone. Dessa vez ele consegue a aten??o de toda a Casa? Ele sabia que podia contar com as d?cadas de condicionamento da TV para atrair a aten??o de todos.

A grande tela mostrava uma enorme caverna submarina. Uma esfera que parecia de vidro estava colocada no centro da c?mara com talvez 20 metros de ?gua acima e abaixo. Um som agudo e mel?dico enche os alto-falantes enquanto Ricardo explica.

? O que os colegas est?o vendo ? um reator de fus?o ? frio. Essa frequ?ncia de som ativa a vibra??o de elementos no centro da esfera e dutos levam a ?gua at? pr?ximo desses componentes que logo estar?o mais quentes que o interior do nosso sol.

Um flash dispara do centro da esfera deixando a tela totalmente branca por alguns segundos enquanto a os sensores da c?mera se ajustam. Quando a imagem volta v?-se o que parece um sol dentro da esfera que parece de vidro e um fluxo intenso de vapor girando ao redor do sistema. A c?mera se move acompanhado o fluxo at? um conjunto de dezenas de turbinas que se movem velozmente resfriadas pela ?gua ? volta.

A jovem na galeria volta a mexer no celular e a tela na sala distante mostra outra mensagem.

“Ele mostrou o filme. Vou liberar os projetos agora”

? ? claro que isso pode ser apenas efeito especial, por isso meus contatos garantiram que, enquanto falo, estariam liberando publicamente os planos desse dispositivo constru?do secretamente em uma base que hoje ? mantida energeticamente apenas por esse reator de fus?o que produz energia suficiente para abastecer metade da necessidade energ?tica da nossa civiliza??o. Esses projetos est?o no sequinte IP: 194.71.107.80. Isso quer dizer que voc? podem digitar isso em seu navegador para baix?-los. Qualquer pesquisador, universidade ou grupo interessado em construir uma usina dessas pode baixar os esquemas e, em seis meses, ter um reator de fus?o operacional. Ele pode ser feito at? em caixas d’?gua com apenas 40 mil litros. A crise energ?tica terminou. Agora depende s? de acabarmos com o monop?lio do petr?leo retirando o apoio pol?tico dessas empresas.

A mo?a na galeria pede licen?a e se dirige ? sa?da ainda deslizando os dedos delicados pela tela do celular.

“Est? feito”

Surge na tela do refeit?rio/sala de reuni?es que se enche de aplausos e vivas de quase uma centena de homens e mulheres que abriam m?o das suas vidas pessoais vivendo sob a terra nos ?ltimos anos para realizar aquele projeto.

Depois de se apresentar Ricardo encontra um lugar reservado e pega seu celular.

“Como foi poss?vel fazer isso? Os custos da pesquisa? O transporte de equipamentos para onde quer que seja o reator de fus?o…”

Ricardo escreve em um aplicativo de texto criptografado que seu contato lhe instruiu a usar sem saber que ela ? uma mulher e que est? no banheiro a poucos metros dele? Tudo que ele sabe dela ? seu nome c?digo “Ponto 8”.

“Posso e devo te revelar que h? financiamento de grandes empresas de economia digital, empresas que vivem de distribuir informa??o, bits, e n?o ?tomos. Essa ? a nova economia e o projeto s? foi poss?vel gra?as a elas. Voc? deve saber disso para entender que n?o est? sozinho e que n?s, hackers, n?o somos seu ?nico apoio. Voc? acabou de garantir toda verba de campanha que j? sonhou e a nossa prote??o contra outros grupos hackers comprometidos com a velha economia.”

Passam alguns segundos e a tela mostra “Ponto 8 est? escrevendo”

“Como sinal de confian?a estou disposta a me encontrar com voc?. Me encontre em meia hora no caf? gourmet no museu de arte de Bras?lia.”

Ricardo mal teve tempo de ler a mensagem pois ela se auto-apagou em menos de 30 segundos depois de ser exibida.

Ent?o Ponto 8 era uma mulher? Ele nunca tinha imaginado isso.

J? imaginando que esse pessoal ? paran?ico com seguran?a ele pega seu carro at? uma rua pr?xima do metr?, anda duas esta??es e pega um t?xi para o seu destino. Chega ainda com alguns minutos de anteced?ncia olhando ao redor esperando uma mulher entre 30 e 35 anos, um pouco mais velha que ele e poderosa. Ele se sente atra?do por mulheres poderosas.

Senta-se numa mesa perto de um canto e fica olhando ao redor buscando por uma mulher que se encaixa em suas expectativas.

Uma adolescente vem andando entre as mesas com um skate debaixo do bra?o e uma bolsa cheia de folhetos que vai distribuindo de mesa em mesa, algum an?ncio de pe?a de teatro ou performance sendo realizada no museu, certamente. Ele a observa achando interessante como ela parece segura apesar da pouca idade e da falta de vaidade. As sobrancelhas s?o grossas e os cabelos arredios encaracolados ao redor do rosto jovem destacam o sorriso inocente.

Ela chega ? sua mesa e ele j? faz sinal que n?o, preocupado que seu contato se retraia ao ver que ele est? sendo abordado para algu?m. Ele j? identificou uma mulher numa mesa pr?xima, cabelos loiros bem presos na cabe?a formando um pequeno rabo de cavalo, um vestido claro e justo, uma mulher de uns 28 anos, portanto um pouco mais nova que ele, mas dotada da postura que ele est? acostumado a ver nas jornalistas mais dedicadas. Certamente ela deve ser a Ponto 8.

? Tinha certeza que voc? n?o adivinharia que era eu?

A jovem estava ao seu lado e de costas para todas as outras pessoas no caf?. Ser? que terei que te dar ponto 8 raz?es para acreditar que sou seu contato?

O sorriso infantil tinha desaparecido. O olhar que se dirigia a ele definitivamente n?o era o de uma adolescente. Ricardo percebe que seu queixo caiu e fecha a boca rapidamente antes que ela se abra denunciando sua surpresa, o que ? in?til, claro, o olhar da jovem hacker j? tinha deixado claro que havia percebido sua surpresa.

Olhando mais atentamente ele percebe que talvez ela seja realmente muito mais adulta que parece, uma dessas pessoas que consegue parecer adolescente ainda que esteja perto dos 30 anos, mas ? realmente imposs?vel ter certeza?

Ela senta ao seu lado, o skate sob os p?s que brincam deslizando-o para frente e para tr?s.

? Voc? est? se arriscando ao nos ajudar. Admiro muito isso Ricardo. N?s admiramos muito isso. Para sua pr?pria seguran?a ? melhor que voc? n?o saiba quem n?s somos, mas achei que voc? merecia um voto de confian?a da nossa parte e por isso decidi me revelar a voc?.

Ricardo ? um homem experiente nas rela??es com outras pessoas, ele sabe farejar os verdadeiros sentimentos que os outros tem em rela??o a ele: admira??o, desprezo, interesse, indiferen?a? Ela tem interesse nele. Est? bem claro que ela queria se aproximar dele por outros motivos.

? Ponto 8 ? ele diz bem baixo para que ningu?m mais ou?a o nome dela ? Confesso que voc? me surpreendeu! Esperava algu?m mais? Que aparentasse ter mais idade, uma pessoa sisuda e sem gra?a. No entanto n?o cairei no erro de achar que voc? ? uma menininha boba.

192.168, como ela costuma ser chamada pelos mais pr?ximos (Ponto 8 ? um c?digo dentro do c?digo, resultado da divis?o de 168 por 192 que d? .875) sente um breve oco dentro do peito, aquela sensa??o de ser admirada por algu?m que n?s admiramos. Ela n?o est? acostumada a essa sensa??o. Naturalmente desconfiada n?o costuma se impressionar com elogios, mas tem algo na forma do Ricardo olhar para ela, no tom de voz que parece abra??-la e admir?-la inteiramente.

Eles conversam por pouco mais de 15 minutos pois Ponto 8 determina essa regra para evitar de chamar a aten??o. Ricardo olhando para o folheto como quem est? interessado no que ele anuncia e ela fazendo gestos largos como os adolescentes costumam fazer, Ricardo se pergunta se ela ? uma atriz brilhante ou se realmente carregou a adolesc?ncia para a vida adulta, ou ainda se na verdade n?o tem muito mais de 19 anos.

? Vou lhe permitir tr?s perguntas, Ricardo. Se eu n?o puder responder te deixo fazer outra, ok? At? completar tr?s respostas.

? Certo? Vejamos? Existe um movimento para restringir financiamentos de campanha por empresas, como os patrocinadores do projeto poder?o colaborar para a minha pr?xima campanha pol?tica? N?o me leve a mal, mas a impress?o que temos ? que grupos hackers anonymous n?o se importam muito com a forma oficial de fazer as coisas, mas eu me importo, eu preciso me importar.

? Sem ofensas! ? verdade que n?s temos nossas pr?prias leis, mas respeitamos, pelo menos o meu grupo que n?o ? um Anonymous qualquer, as regras que os nossos aliados devem seguir. O sistema deve ser mudado e n?o transgredido pois a transgress?o ? um instrumento, mas n?o estabelece novos paradigmas, ela ? o conflito de transi??o de um modelo para o outro. Voc? receber? apoios de pessoas f?sicas apenas. Gente id?nea. Sabemos que grupos que n?o s?o ligados a n?s j? est?o analisando os documentos que divulgamos e eles repassar?o o conte?do em seus sites. S?o grupos s?rios e respeitados em universidades no Brasil e em outros pa?ses. Temos contato com algumas pessoas chave que ajudar?o a trazer investimento da comunidade deles para sua jornada pol?tica. Temos confian?a no seu comprometimento com a causa pois sabemos que voc? ? cientificamente bem formado e que, portanto, entende o desafio que temos pela frente. Outra pergunta?

? Qual ? o seu papel na organiza??o? Digo, desculpe dizer, mas voc? me fascina!

O breve oco que 192.168 sentiu antes agora parece um fen?meno c?smico, um buraco negro que conduz a regi?es do seu cora??o que ela procura deixar bem protegidas. Ele se fascina por ela? ? claro que outras pessoas sentem o mesmo por ela, mas tem algo diferente em Ricardo.

Na verdade ela ? uma organiza??o em si mesma. Ela ? um roteador, da? o apelido conhecido somente por quatro ou seis pessoas mais pr?ximas e de confian?a? Nenhum amigo dela do mundo Anonymous sabe seu nome de batismo ou onde ela morava. Somente quatro pessoas em sua vida sabem toda a verdade sobre o ativismo dela (e seus pais n?o est?o entre elas). Sozinha ela construiu uma rede ligando cientistas, jornalistas, membros de grupos Anonymous e orquestrou a revela??o dos planos para o mundo. Ela precisa ser extremamente cautelosa pois ela ? a ?nica pe?a de conex?o. Se ela for comprometida todos poderiam ser identificados e eliminados? Ela est? pronta para morrer se for descoberta? Mas n?o pensa muito nisso j? que tinha tudo preparado para apagar todos os tra?os digitais das suas atividades e outros planos.

? Sou apenas um telefone cego que liga voc? aos pesquisadores. N?o sei onde eles est?o, quem eles s?o? Assim se eu for comprometida s? poderia revelar a sua identidade, mas voc? j? fez isso? At? hoje eu era uma pe?a chave na sua seguran?a, agora sou apenas um telefone.

Era mentira, claro, mas n?o foi se entregando ?s imprud?ncias do cora??o que 192.168 conseguiu chegar t?o longe.

? Somente um telefone? Pode ser sua fun??o, mas para mim est? claro que voc? ? uma pessoa muito mais interessante que apenas isso. Tenho s? mais uma pergunta? Eu a verei novamente? Digo? Sem essa limita??o de 15 minutos? N?o, espere! Quantos anos voc? tem realmente?

? A? j? ser?o quatro perguntas? Voc? est? trapaceando. ? O sorriso dela ? divertidamente repreendedor, como quem fala com um menino malcriado. Tenho idade suficiente, rapaz! E tem um albergue pouco conhecido, frequentado por gente que n?o far? ideia de quem voc? ? e menos ainda de quem eu sou…

Ela aproxima os l?bios da orelha dele e sussurra o endere?o. Sua respira??o acariciando o pesco?o do Ricardo que se controla para n?o se arrepiar.

? Agora voc? vai embora por ali e eu por l?, certo? ? E falando mais alto ? Espero que goste da pe?a mo?o!

Ela salta no skate e vai deslizando atraindo o olhar repreendedor do seguran?a.

Ricardo paga a conta repetindo mentalmente o endere?o do albergue ansioso pelo pr?ximo passo com a Ponto 8. Para ele ela ainda ? um mist?rio, uma mulher forte que soube n?o se entregar em seus bra?os, que n?o confia plenamente nele e ele gosta de fazer que as pessoas confiem plenamente nele?

192.168 se certifica que ele j? est? indo embora e entra no banheiro? L? ela encontra com a jornalista que tinha chamado a aten??o de Ricardo antes. Seus instintos s?o bons? Ela realmente tinha algo a ver com o seu encontro.

? Ent?o, Jaque? O que voc? achou do sujeito? Eu? Eu marquei de encontrar com ele mais tarde?

? 192? N?o sei, cara? Ele ? pol?tico? Pol?ticos s?o bons em esconder suas inten??es? Quer dizer, sabemos que ele realmente acredita nas suas causas, que ele realmente j? se arriscou outras vezes ainda mais que agora, mas isso n?o quer dizer que seja uma boa pessoa? Meus instintos est?o me incomodando?

A 192.168 ? uma pessoa franca com os amigos pr?ximos e sabe escolh?-los pela capacidade de lidar com a franqueza dela.

? Jaque? Voc? est? com ci?mes?

? Ah! T? sim! Sei como ? quando as pessoas decidem namorar e deixam os amigos de lado, n?? Mas a gente est? ligada por mais do que amizade, n?s temos um projeto, uma causa a qual somos mais comprometidas do que com a maioria das outras pessoas.

? T? Eu vou ficar ligada, t? Jaque? Sei que voc? n?o ? nada boba, admiro muito sua capacidade de julgar as pessoas. Fica na boa! Vai para a reda??o que j? te enviei os endere?os de ftp para pegar os artigos que a galera est? escrevendo em linguagem leiga sobre o projeto do reator, ok? Olha, te amo!

Jaqueline se despede da amiga com um beijo na testa e um “se cuida”. 192.168 desconfia que a amiga sente mais do que amizade por ela, mas tem medo de estragar tudo se envolvendo, ela prefere n?o namorar pessoas do seu c?rculo mais pr?ximo. Amor ? complicado? Gera expectativas, compromissos? Ela prefere as pessoas que s? conhecem os c?digos do seu nome c?digo como Ponto 8, 27 ou 1,14i. Pessoas que n?o chegam nem perto de tocar sua ess?ncia.

Quando ela se encontra com Ricardo ? noite eles sentam em uma mesa que fica longe da luz, o albergue parece mais uma taberna medieval. Seria imposs?vel para algu?m na mesa do lado ver o rosto deles.

A conversa come?a em amenidades, coisas que eles gostam, filmes, livros (ela se surpreende ao saber que ele leu v?rios de Cory Doctorow) e m?sicas. Bebem uma, depois duas e a? tr?s garrafas de cerveja, o dia foi quente e a noite est? seca como costuma ser em Bras?lia.

O dono do albergue a conhece, mas a chama de 27. Ricardo se pergunta se essa ? a idade real dela.

? Quantos nomes voc? tem Ponto 8?

? Para a maioria das pessoas somente um? Voc? ? um privilegiado de conhecer dois.

Ela n?o sabe bem porque, mas quis que ele sentisse que ? mais importante para ela do que a maioria. O sorriso do Ricardo parecia um galanteio em reconhecimento pela import?ncia, mas era satisfa??o por ver que ela estava entrando em sua teia?

Ricardo realmente estava disposto a arriscar quase tudo pela causa da manuten??o do ecossistema necess?rio para a manuten??o das formas de vida atuais, ele n?o ? idiota e percebe que essa ? a ?nica coisa l?gica a fazer e, al?m disso, as pessoas reconhecem o poder de quem est? disposto a se sacrificar por grandes causas.

No entanto, nas rela??es com as outras pessoas, ? o poder que o alimenta. Sentir que o outro depende dele e quanto mais poderosa ? a pessoa e quanto mais profunda a depend?ncia, maior ? o seu prazer. Ele gosta de ver a seguran?a e independ?ncia delas se partir em milh?es de peda?os conforme v?o dependendo mais e mais da aprova??o e do poder dele. Quando percebe que a pessoa n?o ? mais capaz de viver sem ele o homem carinhoso e agrad?vel que ele foi se transforma em um mestre exigente e cruel.

Ricardo jamais tocaria violentamente no corpo de outra pessoa, isso n?o lhe d? prazer e deixa marcas? Mas seus dedos se engendram como tent?culos em cada fresta da alma do outro. Ele saber? que dobrou a Ponto 8 totalmente quando ela lhe revelar seu nome de batismo, ele quer dissec?-la totalmente.

Entretanto isso tudo ainda est? no futuro de 192.168. No momento ela est? com um homem culto, cort?s e fascinante. Suas pernas se ro?am sob a mesa, seus olhos se perdem no brilho m?tuo de admira??o e desejo.

Ela escolheu o albergue pois queria aquele homem e ali sempre havia um quarto separado para ela.

Seus corpos se encaixaram como se tivessem sido feitos um para o outro.

Nos 5 anos desde que saiu de casa para rodar o mundo por conta pr?pria, ainda adolescente, 192.168 tinha conhecido muitos homens e mulheres, mas nunca algu?m que a preenchesse daquela forma, ela parecia ser o universo para ele, todos os seus sentidos envolvidos pelos bra?os fortes, pela voz grave que percorria sua pele enquanto os l?bios deslizavam ?midos por suas pernas, quadril, seios, pesco?o e orelhas antes de chegar ? sua boca. Ela sentou sobre ele jogando a cabe?a para tr?s e segurando firmemente o peito peludo e musculoso, mas ele logo a girou ficando por cima e dominando-a? E ela gostou?

Nas semans seguintes, sem que ela notasse, a din?mica da cama se transferiu para a rela??o dos dois. Ricardo se apagava e parecia genuinamente magoado quando ela n?o lhe confiava algum segredo, primeiro pequenos, depois outros maiores. At? que um dia, quando estavam sozinhos ? beira do lago, ele lhe perguntou porque ainda s? conhecia dois dos seus nomes? Disse que a vida dele estava nas m?os dela, mas que ela n?o estava t?o entregue ? rela??o.

“Tenho certeza que algum amigo seu coloca minhocas na sua cabe?a, diz que n?o se pode confiar nos amores, mas amor ? o que h? de mais importante em nossas vidas, otcho”

“Otcho” foi o apelido que ele deu a ela dizendo que aquele era s? deles.

Realmente a Jaque vinha reclamando do afastamento dela, dizendo que ele a estava afastando dos amigos de verdade, que nunca cobraram nada dela e foi ent?o que 192.168 se lembrou do alerta da amiga.

“Escreva na sua cabe?a, 192, nessa sua cabecinha brilhante, bondosa e inteligente: Quem te ama n?o te cobra coisas para ele mesmo? Te cobra coisas que fazem bem a voc?! Como estou fazendo agora, entende? Quando algu?m te cobrar fidelidade, quando voc? sentir que deve a essa pessoa para ela n?o ficar magoada com voc? ent?o voc? provavelmente est? em uma rela??o perversa? E voc? ? a v?tima”.

192 se levantou imediatamente. Virou para ele e disse “Tenho que ir. N?o sei se estou pronta para isso”.

Era um teste. Ela precisava saber como ele reagiria. Se ele a respeitaria ou se a humilharia ao ver seu momento de indecis?o em cima do muro para dar o golpe de miseric?rdia em seu desejo de agrad?-lo a qualquer custo.

? Voc? n?o se importa comigo, Ponto 8! Voc? acha que seus amigos de aventura podem te dar o que eu tenho para te dar? Voc? vai envelhecer, deixar de ser ?til para eles e ser? jogada fora, eu n?o! Quero voc? sempre ao meu lado para eu cuidar, para te deixar segura! Voc? um dia ser? achada pelos inimigos que tem constru?do?

E ele metralhou sobre ela uma sequ?ncia de amea?as e agress?es. Os olhos dela se enchiam de l?grimas e ela parecia estar se quebrando, parecia estar prestes a se entregar para ele, mas na verdade ela lamentava ter sido t?o cega? Ter se deixado enganar. Atr?s do rosto torcido de sofrimento ela pensava febrilmente se ele poderia ser um risco para as pessoas que tornaram o projeto poss?vel? N?o? Ele s? conhecia o albergue. No m?ximo 27 e Ponto 8 teriam que morrer? Ela tinha tudo planejado desde sempre, v?rias formas de morrer? Teria que sumir de Bras?lia talvez para sempre, claro.

Sem que ele notasse ela destravou o celular, deu dois cliques na tela. A Jaque n?o demoraria a mandar socorro. O aplicativo desenvolvido por ela j? enviava o local e uma frase: transporte an?nimo.

192 decidiu fazer o jogo dele. Se ajoelhou pedindo perd?o enquanto o transporte n?o aparecia.

? Vou te contar tudo, meu amor! Eu s? preciso de algumas horas para apagar meus rastros! Vou te provar como confio em voc?, como voc? ? tudo para mim!

Era outro teste? Uma pessoa que realmente nos ama e nos respeita n?o quer ser tudo para n?s, quer que n?s sejamos nossos pr?prios melhores amigos, que sejamos independentes.

Ele se transformou, ela nunca o vira assim! Ele olhava de cima para ela triunfante, havia ?dio no olhar dele? Como ela pode se deixar enganar? E mesmo agora uma parte dela dizia que ela merecia aquele ?dio, que ele tinha dado tanto para ela e que s? havia recebido desconfian?a e segredos guardados, segredos bobos, ali?s as pr?prias causas dela lhe pareciam tolas agora.

Apareceu um t?xi piscando o farol. O motorista colocou a cabe?a para fora e disse “Me mandaram pegar uma mo?a descabelada de skate aqui, ? voc? menina?”

Ele olhava desconfiado para a cena. Um homem de mais de trinta anos e uma mo?a muito jovem chorando que imediatamente correu para o seu carro antes que ele tivesse tempo de se arrepender.

Olhando para tr?s ela gritou para o Ricardo:

? Hoje de noite, amor!! Me espera no albergue! Vou te provar o meu amor!

Ela entra no t?xi enxugando as l?grimas, digitando no celular e dizendo para o motorista sair r?pido “vai? mo?o! Vai r?pido! Me deixa no metr?. Qualquer metr?…”

O celular da Jaqueline treme. Ela ainda est? na reda??o. “Estou indo para a sua casa. Perd?o? Perd?o? Acabou!!”

“N?o tem nada para se desculpar! Chego em casa em meia hora!” ? ? a resposta da Jaqueline

Quando chega em casa Jaqueline j? encontra a 192.168 sentada descal?a com as pernas cruzadas na cadeira que fica na varanda. Ela olha para o infinito bebendo uma caneca de caf?.

? Jaque? Que merda? Voc? tinha raz?o e eu me afastei de voc? Semana passada at? fui grossa, disse? Disse que voc? queria me afastar dele como se voc? tivesse motivos ego?stas para isso, mas voc? s? queria o meu bem? Ele ? um monstro? E eu sou idiota…

? Deixa de ser boba, 192! O mundo est? cheio de monstros. Eles s?o especializados no que fazem… Sabem como apavorar os corajosos, corromper os honestos, controlar os fortes? E voc? acabou notando! A maioria demora anos para perceber e a? j? ? como o v?cio no cigarro: sabem que aquilo os est? matando, mas sentem que j? ? tarde, que ? algo de que n?o se livrar?o? Eu sei bem como ? isso? At? hoje sofro e? Tenho medo de me envolver.

? Eu tenho que morrer, Jaque? Voc? vai ter que ma ajudar em mais isso? Por favor?

? O QU???? De jeito nenhum!!! Aquele idiota n?o merece isso! Voc? ? uma mo?a linda e cheia de vida pela?

192.168 encosta o dedo indicador nos l?bios da Jaque para que ela pare de falar. A amiga se cala e olha para ela entre perplexa, preocupada e curiosa. Com a outra m?o 192 segura o rosto da amiga e lhe d? um beijo nos l?bios macios.

? Calma, t?? Eu s? vou parecer morrer! Desculpe! Me expressei mal! ? que eu nunca te disse que tenho planos prontos para matar meus disfarces em caso de emerg?ncia? Eu j? matei o meu nome de batismo? Lamento pelos meus pais, eles n?o mereciam, mas eu precisava proteger a minha fam?lia. Agora vou matar a Ponto 8 e a 27.

? O que eu tenho que fazer, 192?

? S? queria que voc? ficasse comigo? Voc? j? disse tantas vezes que queria mudar de ares? Quer se mudar comigo para outra cidade? Tenho grana para nos manter por um ano enquanto voc? procura outro trabalho? Sei que ? r?pido, que? Bem, a gente se conhece h? tr?s anos, n?? E voc? tem meu nome de verdade! 192.168? O outro eu mesmo n?o quero mais lembrar? Pode ser assim?

? Claro! Mas voc? sabe que morar junto ? diferente de ser muito amigas, n?? Diferente de namorar? De ser amantes?

? N?o? Eu nunca fiz isso, mas se vou fazer com algu?m, de todas as pessoas que j? conheci? Quero que seja com voc?!

Mais tarde o dono do albergue entrega um papel com um IP para o homem que vinha se encontrando com a 27 ali nas ?ltimas semanas. O bilhete dizia “assista sozinho”.

Era um v?deo com ela sentada em uma cadeira no meio de um tipo de armaz?m. Olhando para a tela ela dizia que n?o podia dar a ele o que ele precisava, que ele ficaria em grande perigo, que essa era a ?nica sa?da?. E um clar?o interrompe a transmiss?o. Ele pede para ligarem a TV do sal?o e colocar no canal de not?cias. Logo vai ao ar a hist?ria da explos?o em um galp?o repleto de material inflam?vel. Ricardo sorri? Ela morreu por ele?

Observa??es

Esse conto me capturou? Os personagens s?o mais reais do que a m?dia, espero ter passado isso.

Fiquei com receio de ficar a impress?o de que a 192.168 ? menor. Ela n?o ?, mas n?o quero revelar que idade eu acho que ela tem. Certamente ? menos de 28 e mais de 17 ;-)

Tive que abandonar o elemento scifi para poder contar a hist?ria do romance. Se for desenvolver esse conto vou intercalar na hist?ria os jogos pol?ticos e as v?rias empresas pequenas que surgir?o usando a nova tecnologia e desenvolvendo-a criando dispositivos ainda menores permitindo o uso em motores de enormes navios e no projeto de naves espaciais do tamanho de cidades que seriam constru?das em algumas d?cadas com material colhido de asteroides. Coisas assim, mas com mais foco nos conflitos conforme pequenas usinas de fus?o s?o constru?das em cada cidade e a energia excedente ? usada para alimentar m?quinas de recaptura de carbono e outros poluentes.

Queria explorar mais as pessoas no reator de fus?o, mas a? j? ia deixar de ser um conto para ser um livro. Assim mesmo vou usar uma imagem para ilustrar o post que pretendia usar quando comecei o conto e achei que seria centrado no reator porque ela serve bem ao mergulho profundo no relacionamento em que a 192 se meteu.

O processo criativo

At? o d?cimo quarto conto eu seguia uma “f?rmula” criativa para cada conto. Achei que seria interessante para o leitor interessado em como funciona o processo criativo, mas era uma coisa artificial, n??

Essa fase acabou e agora entro em outra mais livre! Ufa!

Vou descobrindo junto com os leitores as melhores formas de compartilhar o processo criativo agora que posso deixar a mente solta. Esse ? um dos objetivos principais dessa segunda fase (al?m de escrever que ? algo que me faz muito bem!!)

[8:12] T? meio atrasado, mas o calor do Rio me deixa mais lento nessa ?poca. Vamos l? ver o que decidiram que devo escrever hoje!.

Romance, adulto, presente, scifi. Adoro quando d? umas coisas menos comuns como scifi no presente.

Entre as sugest?es teve: humor, cyberpunk, pol?tica, fic??o, realidade alternativa.

Sempre tem algu?m pedindo cyberpunk, n?? O estilo parece em alta entre os meus amigos :-) (n?o, n?o ?… Confundi com steampunk… Vai seguindo para ver quando me toquei do erro absurdo)

Tenho tido vontade de fazer um conto adulto mais adulto do que vinha fazendo, e um romance que n?o seja fofo, mas que aborde as rela??es perversas em que muitas vezes nos envolvemos sem perceber, mas tamb?m quero usar as sugest?es.

O humor pode quebrar um pouco o peso de um relacionamento perverso.

D? para colocar tamb?m uma realidade alternativa em que a tecnologia cyberpunk (steampunk) seja comum no presente e isso ali?s d? uma boa puxada para quest?es pol?ticas como as tramas para impor a tecnologia do petr?leo, mais poluente, ? do vapor.

Cyberpunk (Steampunk) n?o ? bem scifi, n?? Preciso de algum elemento com tecnologia de ponta ou do futuro?

O problema de um conto com tantos elementos ? que ele pode ficar longo para menos de 4h escrevendo.

J? estou delineando algumas ideias aqui? Lembrei de uma cena de Final Fantasy VII (o filme) em que duas ideias concorrentes s?o expostas para um grupo de pol?ticos. Gosto muito dessa cena porque me permite abordar quest?es como a falta de alfabetiza??o cient?fica dos pol?ticos e as consequ?ncias disso. Pensei at? em come?ar com essa cena j? deixando claro qual ? o tema e ambiente do conto.

Gente!!! O calor realmente fundiu meus neur?nios!!! Hahahahaha!! Estou falando em cyberpunk pensando em steampunk! Affe!

Pelo menos n?o passei meia hora pensando no caminho errado dessa vez! E d? para adaptar? Posso deixar a tecnologia de combust?vel f?ssil no papel de tecnologia a ser substitu?da, o elemento de fic??o cient?fica vem de algu?m que desenvolveu uma t?cnica de fus?o (tenho at? uma hist?ria que veio de um sonho que serve bem para isso) e o cyberpunk fica para os ativistas que se colocam contra o jogo pol?tico da imposi??o do petr?leo.

Estou com vontade de colocar o vil?o como protagonista? ? algo antip?tico e meio desagrad?vel de fazer, mas ? bom material para abordar um romance perverso.

[8:33] Vou dar uma pausa para ligar o ar (n?o sei o que pensei ao n?o ligar logo!) e tomar um caf? r?pido [8:49]

O que j? decidi do conto:

  • Come?a com um protagonista homem engajado na substitui??o das fontes de energia f?sseis por outras renov?veis. Ele ? pol?tico e tem boa forma??o em ci?ncias obtida na escola p?blica? N?o sei ainda como ele obteve sua forma??o? J? sei, v?deos no Youtube. Se fosse pela escola esse j? seria um elemento de realidade alternativa hahaha e acho que n?o vou usar isso.
  • A 192.168 ? uma jovem de idade indefinida, parece ter 16, mas tem os conhecimentos de algu?m com p?s gradua??o em seguran?a de TI. ? nossa protagonista cyberpunk. Ela ser? o contato de liga??o entre o cara e uma equipe de engenheiros cyberpunk que desenvolveu uma tecnologia de fus?o vi?vel e j? funcionando em pequena escala? Onde? ? No Brasil, com certeza? Aha!!! Onde tem aqueles olhos d’?gua? Vou pesquisar?
    Outros nomes dela: 1,14i (192/168), ponto 8 (de 168/192), 27 (soma dos algarismos).
    Explica??o do nome: ela ? um roteador. Uma das ?nicas que pode ligar pol?ticos, pesquisadores, jornalistas e grupos ativistas que precisam trabalhar anonimamente pela causa comum de estabelecer uma tecnologia de energia limpa.
    A personagem ? inspirada na 26 de Cinema Pirata e na “roteadora” de Trem Noturno para Lisboa (vi o filme, e o livro est? na fila).
  • O protagonista homem, apesar de ser um her?i para a manuten??o da vida no planeta se revela perverso em suas rela??es sociais e se envolver? com a Ponto 8 pressionando-a j? no final da hist?ria a ficar com ele dizendo que o terceiro personagem importante ? um sonhador que jamais poder? lhe dar a estabilidade e recursos que ele pode dar.
  • O terceiro elemento do tri?ngulo amoroso ser? Uma jornalista. Ela ser? amiga da 27 e secretamente apaixonada por ela.

Bem, melhor come?ar o conto porque me atrasei um pouco mais do que deveria, se bem que acho que a hist?ria est? mais bem resolvida na minha cabe?a do que na maioria dos outros contos. Vou s? pegar ?gua? [9:10]

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Imagem ilustrativa

Fonte: Blog da Mary? – Viktor Lyagushkin