Um desfile de expressões atravessa o sinal: sérias, neutras, apressadas, preocupadas, distantes. A maioria delas coberta pela névoa do estresse urbano.

Atrás da faixa de pedestres os carros se entulham desordenados. Dentro deles peças de um museu de cera, expressões congeladas.

Lor 0938, um carro vermelho, parece vibrar sob o sol intenso de primavera. Sentada na frente uma jovem ri animadamente da outra jovem diante do volante enquanto ela tenta se entender com o seu celular. Olha para ele e volta a colocá-lo rapidamente no ouvido. Ela se move como um felino, ligeira e suavemente.

As roupas leves atraem olhares e interjeições masculinas. Uma saia fina e colorida escorrega do seu colo deixando a perna esquerda livre exibindo a suavidade e rigor dos vinte anos.

Talvez ela acorde com olheiras de vez em quando, talvez chore e fique horrível, talvez as duas briguem, mas, agora, no LOR 0938, é primavera!