um trecho de vegetao nativa cercado por edifcios e ruas asfaltadas. No mais de 400 metros quadrados milagrosamente intocado desde tempos imemoriais enquanto a cidade crescia sua volta.

Bem no centro tem uma pedra com cerca de dois metros de altura onde trs amigos se reuniram para conversar por nenhum motivo em particular, apenas acharam estranho achar uma mini-floresta no meio da cidade e acabaram escalando a pedra e sentando ali.

Quando eles se do conta h uma rachadura dividindo a rocha cinza e um tremor repentino os faz saltar para o cho bem a tempo de v-la se dividir em duas revelando que estavam sobre algo oco, cheio de cristais roxos, amarelos e negros como a noite cobrindo a superfcie interna e, bem no meio, uma pessoa de cabelos longos, castanhos e ondulados, uma densa barba e completamente n.

Os amigos se entreolham imaginando que a estranha figura deve estar morta, mas logo descobrem que ele respira e na verdade parece estar despertando.

Improvvel seria o mnimo a dizer do homem que se levanta de costas para eles, provavelmente sem saber que esto ali. Eles se entreolham pensando em fugir ou ficar, mas a curiosidade grande demais e suas pernas se negam a largar o cho assim como suas bocas, ainda que levemente abertas com a surpresa, no emitem qualquer som.

– Ahhhh!! Quanto tempo terei dormido? Como estar meu jardim? – O homem se espreguia colocando as mos na cintura e estalando as costas. – Mas… Tem algo errado aqui… Era para ter esse cheiro? E que barulhos so esses vindo de alm das rvores?

Lentamente ele gira vasculhando o ambiente tentando se ambientar. Sua voz grave e potente, os amigos se perguntam se poderia ser ouvida at por quem passasse de carro ao redor com os vidros fechados.

Os olhos do homem, negros como nix, encontra com os deles e se arregalam.

– Hein??? Que droga essa? O que so vocs? Tem pelos… No parecem muito inteligentes… Ser que falam?

Ele os cutuca bem na testa, depois no peito. Vira o rosto para um lado, depois para o outro e volta a se assustar e se apalpar no rosto, nos braos e na cintura.

– Ahhh!!! Eu assumi a forma de vocs! Que merda!! Vocs so… so… errados! Digam alguma coisa, vamos, no fiquem a me olhando com essa cara de paspalhos!

Carina a que tem mais presena de esprito e tambm uma das menos cautelosas dos trs amigos e consegue responder.

– Ehhhh… Bem… Somos brasileiros… E… Bem… Voc fala nossa lngua, se parece conosco… Que papo esse de “o que ns somos”?

O homem se apoia na pedra com uma mo e leva a outra ao queixo pensativo.

– Bem, vamos recapitular… O que vocs trs sabem sobre de onde vocs vieram? Vocs entendem, n? Como a vida se desenvolveu at aqui.

Carlos se anima, finalmente algo um pouco mais concreto! Ele d um pequeno passo para frente e responde, mas ele realmente no tinha prestado muita ateno nas aulas de biologia nos tempos de colgio.

– Olha, a vida foi criada e foi evoluindo… A vieram os dinossauros, aqueles lagartos enormes, ento caiu um meteoro que matou todos eles e… a ns aparecemos, humanos, voc sabe, n? Evolumos dos macacos…

“Meteoro?”

O homem parece falar com ele mesmo olhando para o cho.

“No era para ter meteoro nenhum! Vinham os dinossauros, as aves e finalmente o Dodo, minha criao mxima”

Reconstituio e esqueleto do Dod
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Pinterest
  • Gmail
  • Tumblr

Pssoro Dod – Fonte: < a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dod%C3%B3#Extin.C3.A7.C3.A3o">Wikipedia

– Ok – ele se volta novamente para os jovens – Tem um deste tamanho (e mostra com as mos), com duas pernas grossas, penas sobre o corpo, um nariz… bico, um bico duro comprido e bojudo… Meteoro… De onde veio o raio desse meteoro? – e volta a divagar murmurando sozinho antes de voltar a ateno aos amigos quando o Anderson, que mexia no celular, disse que talvez ele estivesse falando do Dod, que tinha vivido em Madagascar perto da frica e mostra a foto para o homem.

– Isso! Esse mesmo!!! Como eles esto?

– Extintos – responde Anderson – aqui diz que, quando a gente colonizou a ilha por volta de 1500 eles foram… errr… comidos…

– C O M I D O S !!!!

O homem comea a sentar desolado, os amigos acham que ele vai cair, mas uma rocha surge sob ele no momento perfeito para que ele se sente.

Anderson, Carina e Carlos se sentem tontos, completamente desorientados, mas tentam se adaptar aos acontecimentos.

Os trs se entreolham e tomam coragem para perguntar em coro:

– Senhor, no estamos entendendo o que est acontecendo!

Carla continua enquanto os amigos se calam:

– Como voc pode estar dentro de uma pedra?

Anderson se anima e pergunta ao homem quem ele .

Carlos permanece calado, parece que suas mentes ignoraram o fato de que uma pedra apareceu para que o homem se sentasse.

– Est bem… Vamos dar uma volta pelo jardim enquanto penso e explico a vocs. Talvez assim eu organize melhor os pensamentos e entenda o que deu err… Cad meu JARDIM??

O homem tinha acabado de sair da mini-floresta dando de cara com as ruas, prdios, carros e pessoas apressadas.

– Foram vocs que destruram tudo?? Mais de quatro bilhes de anos de trabalho? Eu descansei s por uns sessenta, setenta milhes de anos e d nisso? S pode ter sido a droga do meteoro, de onde veio essa porcaria que eu no vi?

– Voc… O senhor… Quer dizer… O Senhor Deus? – Carlos consegue falar, mas ainda meio em choque como seus amigos. – O Senhor criou o Universo?

O homem olha para eles desolado, mas no parece com raiva, somente triste.

– Ningum criou o Universo… No que eu saiba… A gente sempre esteve por ai e os Universos fazem POP e aparecem, duram um tempo e puf, desaparecem. assim qeu funciona. A gente assiste… A eu decidi fazer algo diferente, construir alguma coisa, sabe? Chamei de Edem.

Carlos aproveita que tinha conseguido falar e parece se animar ao ver que, de alguma forma, estava diante de algo familiar.

– Edem! Nirvana! Vrias religies falam desse lugar! tipo um jardim de onde ns fomos expulsos por… bem, pelo senhor pelo jeito… O Edem era nesse mato, digo, nessa floresta onde o achamos?

– Claro que no, o planeta inteiro era Edem. Eu s coloquei as coisas no lugar e o resto acontece sozinho. A vida surgiu e quase sumiu umas cinco vezes, a cada vez se aproximava mais do meu querido Dod e o Edem cada vez mais se parecia com o jardim que idealizei… Eu no devia ter ido descansar… Tudo errado… Tudo errado… Eu devia ter ouvido os outros e deixar o Universo funcionar sozinho como sempre.

Os amigos voltam a se entreolhar e cada um diz um pedao da frase:

– O Senhor…
– Est pensando…
– Em nos “desfazer”?

– Claro que no… J fiz tudo errado e mexer mais s vai piorar as coisas… Quem sabe o Universo no est certo e vocs devem existir? Alm do mais parece que vocs no esto notando que quebraram o Edem e ele pode acabar com quase toda a vida de novo dando espao para comear tudo de novo e, quem sabe, dessa vez o meu Dod aparea e sobreviva? Mas no vou descansar aqui… Nem usando essa forma que vai acabar com alguma doena por causa dessa poluio danada que vocs fazem.

O homem caminha pelado de volta para a mini floresta e comea a ficar translcido, como se estivesse virando um cristal, na verdade vrios cristais, at que fica apenas uma suave nuvem de vrias cores que vai desaparecendo ao longe no cu…