Enquanto escrevo o Sol cruza o Ponto Libra e começa sua jornada para o trópico de Capricórnio. Noventa e dois dias, dezoito horas e vinte e nove minutos de jornada. Cada um desses dias um pouco mais longo que o anterior até que teremos o dia mais longo de todos sobre os chifres imaginários de Capricórnio.

Há milhares de anos nossos antepassados sentiam nos ossos a virada da estação, o início de um período de renascimento para os que viviam no hemisfério sul, ou o cansaço que vem depois do verão para os que viviam no hemisfério norte.

Hoje nos escondemos atrás de paredes, condicionadores de ar e a comida permanece intacta em nossas geladeiras, entretanto até pouco tempo nossas roupas, nossos pratos à  mesa tinham que mudar obedecendo os ritmos do mundo onde vivíamos.

Agora estamos fora do mundo em uma realidade construída com elétrons e cimento.

Ao olhar para o céu sequer podemos notar que já não é a constelação de Libra e sim a de Virgo que sorri para nós no manto noturno pois as luzes das cidades e as emissões de gases desconectam nossos olhos do Cosmos.

Todavia tudo isso é muito recente. Há poucos anos sequer existiam geladeiras! Nossos ossos continuam sentindo alguma coisa. O Sol intenso lá fora, tão diferente do que me cumprimentou ontem, deixa bem claro: o mundo mudou! Nosso astro rei deixou o hemisfério norte e busca o zênite sobre nossas cabeças.

E, se o mundo que inventamos nos afasta do mundo que nos criou, nossa tecnologia pode aumentar nossa visão e hoje alguns de nós já caminha acima do planeta e podem nos trazer imagens do Universo e fontes para reflexão com que os nossos antepassados pagãos jamais puderam sonhar e podem tornar a Ostara dos modernos Wicca muito mais rica.

Sol visto da Estação Espacial Internacional
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Sol visto da Estação Espacial Internacional

Imagem do post: Renoir – 1881 – Almoço com Remadores