Estou no ar, separado do chão por vários centímetros. Lá embaixo um pequeno rio de dejetos humanos escorre para a Voluntários da Pátria.

Desculpem o trocadilho vulgar, mas a merda escorria sobre Voluntáios da Pátria!

Não era muita, é verdade, nem acho que os voluntários da pátria estejam tão desprezados assim, mas antes que meu pé tocasse o chão do outro lado eu já estava tomado pela imagem dos Rios de excrementos que fluem sob nossos pés! Em cada bairro centenas de milhares de moradores, cada um fazendo as vezes de pequeno afluente de um grande rio, o Amazonas metropolitano que desemboca em grandes estações de tratamento. Céus! É muita merda!

Quando tudo corre bem os rios escorrem despercebidos sob nossos pés, não mais do que uns dois metros abaixo dos nossos luxuosos Outbacks, Guimas e Shoppings da Gávea. Sob toda luxúria há excesso da merda!

Isso tudo nos leva a Llao Llao, na Argentina! Lá está a propaganda, nunca mais do que quatro amigos em uma vastidão de verdes campos e plácidos lagos. É impossível não lembrar de Zardoz (filme de 1960 e tantos com Sean Connery) com os famintos espremidos contra os limites do paraíso construido para abrigar a casta dominante e privilegiada que sequer chega a conhecer a velhice e a morte.

Precisamos aprender com a Terra a não fazer mais merda do que o nosso meio ambiente é capaz de transformar em combustível para a vida…