Imagem:Os quatro Cavaleiros do Apocalipse, por Viktor Vasnetsov (1887)

Passo por um discreto cavalete de metal com diversos folhetos cristãos.

A cada lado uma pessoa com vestes recatadas e olhar tranquilo e convidativo.

Coroando o cavalete um cartaz com uma imagem como essa e a pergunta “Você sabe a influência que os quatro cavaleiros do apocalipse exercem sobre a sua vida?”

A alma transgressora e imoral forma imediatamente a imagem profana e o desejo de abordar aquelas pessoas dizendo algo como:

“Eu sei bem… Minha vida obscura é cercada de sofrimento e morte até os dias que sento em um bar, peço uma xícara com chá de maçã e canela bem quente, uma torta de nozes e recebo os outros três amigos para falar amenidades. São os momentos de luz e alegria para os meus dias e de descanso para o meu cavalo.”

Logo depois me lembro que a simbologia dos quatro cavaleiros é muito útil e real, que a fome, a peste, o conflito e o encerramento da vida estão presentes de diferentes formas em quase todos os nossos dias.

E não falo do medo da morte, da doença que estã sempre assolando alguém próximo a despeito de todos os nossos avanços, da discórdia que inicia conflitos a todos momento ou da fome que assola bilhões de humanos.

Falo da nossa rejeição à natureza que nos leva a ver os cavaleiros como entidades malignas, acabamos por ver a própria realidade, o mundo em que vivemos como maligno.

Somos como crianças mimadas que não admitem experiências desagradáveis e as associam a demônios, a um mal transcendental que corrompe nosso éden.

É… No final das contas talvez os cavaleiros possam ser bons companheiros de bar…