Sento em um bar noturno, destes escuros e com ar condicionado. Em uma mesa vejo um homem sozinho fumando um cigarro. Sobre sua mesa, além do cinzeiro, só há uma mochila oculta pelas sombras.

– Deve ser o calor! Isso não pode estar acontecendo! – O homem sussurra entre os dentes, mas tão perturbado que pode-se ouvir claramente o que está falando.

– Tá bom! Eu pago a conta! Tenho alguns florins aqui comigo.

Quem quer que tenha falado não poderia ser o homem na mesa pois a voz vinha claramente da mesa em frente a ele e era rouca e sibilante, muito diferente para ser o fumante solitário e louco. Além do mais apurei os olhos acostumados a ver no escuro como um gato, qualidade da qual me orgulho, e percebi alguma coisa pequena na mesa em frente a ele, tão pequena que apenas o par de olhos ficava acima da mesa, os olhos brilhantes e duas orelhas pontudas e… pareciam pelos!

— Um gato! Meu deus!? Por que um gato? — murmurou o homem ainda descontrolado e olhando ao redor desconfiado, felizmente sem me notar.

— Você não bate bem! Ora! Porque um gato!? E você, porque é humano?

— Ué! Eu… Francamente! Isso é óbvio! Eu nasci, tenho pais, avós… Eu não poderia ser outra coisa, mas você sim afinal você não é r…

— Hei! Olha a falta de respeito! Sou gato muito antes dos seus avós serem os idiotas que foram!

A pequena figura se levanta na cadeira batendo com uma pata sobre a mesa. Percebo que aquilo que julguei ser a mochila do homem é na verdade um grande chapéu. Preocupado olho ao redor para ver se mais alguém está vendo a inusitada discussão, parece que não. As pessoas tem dificuldade de ver a realidade pois ficam muito ocupadas com suas fantasias.

— Calma! Por favor! — O pobre homem suplica antes de continuar – Desculpe, é que… Bem, se eu fosse louco — penso ver um brilho irônico no olhar do gato — tá, bom, se eu fosse mais louco, certo? Se eu fosse mais louco e tivesse alucinações com um gato de botas, porque seria justo um gato de botas?

— Sabe, ando preocupado comigo… Tenho visto muitos homens imaginários…

O garçon se aproxima da mesa, abaixa-se e escuta o pedido do Gato de Botas partindo logo em seguida para a cozinha.

— O peixe daqui é uma especiaria! — conclui o Gato

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