Um dia isso teria que acontecer comigo no Facebook né? Um comentário meu foi apagado. Foi por causa da foto acima que insisto em utilizar. Já vou explicar por quê.

Primeiro segue o comentário pois acho uma pena perdê-lo, não é nada demais, nada brilhante, mas pode ser útil.

Menores de idade, favor apresentar aos seus responsáveis antes de ver, ok?

As regras da nossa sociedade determinam que vocês não podem saber como é o sexo, muito embora possam saber sobre um monte de coisas horríveis sobre tratar mal mulheres, crianças, negros, nordestinos, pobres…

Dito isso…

Aí está uma pergunta que devemos nos fazer: porque a TV não pode falar como as pessoas falam? Agir como as pessoas agem? Abordar certos problemas que as pessoas enfrentam?

A cena não tem nada de anormal, é sexo como provavelmente 80% das pessoas faz, só que esse é um prazer proibido, o sexo. Ninguém fala em como gosta de sexo, tá, quase ninguém e certamente menos gente ainda logo no primeiro papo:

– Oi, sou o Roney, adoro transar fazendo o candelabro espanhol, e você?

Gosto da ideia da arte retratar o mais fielmente possível a realidade quando for essa a proposta.

A polêmica chegou a mim pelo post A cena da série Girls que chocou e o verdadeiro sexo que não se vê nas telinhas no blog Manual do Homem Moderno.

O link acima tem o vídeo com a cena polêmica.

Não assisto a série, mas já me disseram que ela tem colocações muito mais complexas.

Quando duas pessoas começam a explorar seus corpos, quando alguém começa a explorar o próprio corpo solitariamente, é natural sentir vontade de experimentar diversas sensações, regiões e formas de sentir o próprio corpo, o do outro e as emoções dessa entrega mútua ou solitária.

Imagine quantas pessoas se sentiram “erradas” por ter vontade de fazer alguma coisa?

Esse mal estar com o próprio corpo com certeza é raiz de muitos outros problemas que acabam se desdobrando em outros e não falo apenas na agressão diária em busca de um modelo de corpo virtual (criado em Photoshop) sacrificando nossas atividades mais básicas como o prazer de comer impondo-nos a fome para ter um “bom corpo”.

Essa dissociação entre os nossos desejos sexuais e a sexualidade moralmente idealizada nos afasta da realidade e de uma das formas de união mais puras que é a de duas pessoas que viajam nos seus corpos e almas em busca de prazer mútuo.

Isso não é recente. Na geração dos meus pais, e talvez dos meus avós (décadas de 50 e 30 do século passado mais ou menos) tinha a esposa para casar e a amante para a cama pois a união de dois corpos de acordo com nossos instintos era vista como suja, errada, perversa.

Há quanto tempo existe a expressão “Uma princesa na mesa, uma prostituta na cama”?

Envolver o sexo e a sexualidade em tabus não faz bem.

Alguém dirá que a indústria pornográfica segue pelo lado oposto fazendo da mulher um mero objeto de prazer e, de um modo geral, é verdade. Só não é o caso dessa cena de Girls e, vou assistir para conferir, também não parece ser o caso da série como um todo.

Vou acrescentar uma outra imagem da série aqui para que esse post possa ser compartilhado no Facebook, mas no meu blog fica a imagem que eu quero ;-)

Site oficial da série: Girls