O cara escreve bem pacas, ainda assim raramente concordo com o que ele tem a dizer. No entanto duvido que o texto que rola pela rede falando de uma suposta entrevista do Jô Soares com o Chico Aníso (dois que também tem umas ideias bem esquisitas) falando para sermos todos sedentários obesos e ociosos seja mesmo dele.

Recebi o texto hoje, mas já tinha recebido uns anos atrás. Quem mandou é uma pessoa que eu adoro, mas não consegui me conter e fui meio grosso na resposta.

Puxa, a obesidade e o sedentarismo são problemas seríssimos hoje em dia. Matam mais do que o cigarro, pô! Sem falar em quem não morre, mas tem uma qualidade de vida medíocre por conta disso.

Aqui vai o que escrevi para ela:

Eu não suporto o Jabor, mas duvido que esse texto seja, dele, essas coisas que circulam por email sempre são falsas, né?

Seja quem for que escreveu perdeu uma ótima oportunidade de falar da futilidade que marca as academias onde a maioria finge se exercitar ou do narcisismo dos que moldam os corpos deixando mente e alma jogados no canto das memórias inúteis da infância (todo mundo tem alma quando é bem criançinha, mas depois acha mais bonito tomar emprestado as almas de celebridades vazias).

O que o autor fez foi uma ode ao sedentarismo e à má alimentação que matam tanto quanto a fome.

Sei que a ideia é rir um pouco daqueles idiotas obcecados com exercício, mas alguém com IMC 32 como eu, se não fizesse exercício poderia até não morrer cedo, mas se arrastaria por décadas de vida sem qualidade e demoraria 10 segundos para percorrer 3 metros o que para mim já é pior do que morrer!

Desculpe ser chato, mas tem coisas com que não consigo brincar e essa é uma delas, sabe? Um corpo entregue ao sedentarismo ocioso abriga uma alma tão apática quanto a dos fúteis das academias.

O link leva para um artigo na SciELO sobre a iniciativa Agita Brasil do Ministério da Saúde.