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Tenho 52 anos e isso me incomodava até ontem. Você sabe do que estou falando, né?

Primeiro nos ensinam que há números inteiros positivos e você pergunta “esses são todos os números que existem?” e, pelo menos para mim, te dizem que “Claro! Esses são os números que existem!”.

No ano seguinte decidem nos contar que tem também os números negativos, ma aí acabou, né? Nada! Tem frações, racionais, irracionais, imaginários, abundantes. É até números abundantes existem!

Isso acontecia com um monte de coisas na escola há uns 30 e poucos anos e passei décadas xingando esse desrespeito à nossa capacidade de lidar com a existência de coisas que não podemos aprender ainda… Bem, isso é um assunto para outro post, mas está mais para o Meme de Carbono.

Enfim, eu reclamava até ver o vídeo mais abaixo ontem e encher minha garrafa de água hoje.

Se não quiser ver o vídeo acho que a minha metáfora com a garrafa de água bastará.

Minha garrafa de água funciona assim: coloco gelo dentro, coloco sob o filtro, abro a torneira e espero pacientemente ela encher.

Pacientemente porque o filtro estava na últimas, mas hoje troquei o filtro e agora a água sai com a vazão das cataratas de Niágara.

Hoje não tive que esperar e… A água não esfriou. A garrafa encheu rápido demais e não houve aquele lento contato com o gelo que garante aquele primeiro gole de congelar o cérebro.

Claro que algum tempo depois ficou bem gelada, mas a metáfora com nossas mentes termina aí. Não somos garrafas onde enfiamos conhecimento apressadamente para ser absorvido depois.

Precisamos de experiência para aproveitar todas as possibilidades dos conhecimentos que vamos adiquirindo. Experiência é o gelo que refresca nossas ideias e não pode estar na garrafa todo de uma vez, ele vai se acumulando aos poucos.

Por isso agora entendo que temos que nos acostumar com os números inteiros positivos, com a obviedade dos movimentos retilínios uniformes antes de receber o impacto dos números degativos e os desafios dos movimentos uniformemente variados.

Também não é bom acumular experiências antes dos conhecimentos que elas ajudam a processar. Como a pessoa que nunca pensou no formato da Terra até os 20 anos e, já acostumada com a experiência de que ela parece ser plana, acaba não conseguindo lidar com conhecimentos que destroem suas experiências adquiridas.

O que acaba acontecendo é que ficamos com uma geração de gente meio lunática que se embola toda com os conhecimentos e experiências que não viveram devidamente como fala o moço nesse vídeo aqui quando fala de amadurecimento:

Não gosto muito do final do vídeo, tá?