O Conto

O telefone de Carlos toca de um jeito meio assustado, como quem grita “ME ATENDE! ME ATENDE!!”.

S?o oito e meia e Carlos est? entrando em seu escrit?rio, mas o expediente s? come?a ?s 9h. Normalmente ele nem atende antes disso, mas dessa vez o toque est? assustado. Carlos n?o sabe por que acha isso, o toque ? sempre o mesmo, mas ? que o seu cora??o deu uns pulos no peito.

? Carlos e associados, investiga??o particular, quem fala? ? N?o tem associados, ele sempre diz isso para parecer que seu neg?cio ? muito maior do que ? na?verdade.

A voz do outro lado ? estranha e Carlos demora alguns segundos para notar que ? a voz do Google! Algu?m quer mesmo se manter inc?gnito. N?o d? nem para saber se ? um homem ou uma mulher do outro lado.

? Preste aten??o. Anote. Vou esperar voc? pegar papel e caneta. Renata da Costa, Escola Federal Ant?nio Videira. Lembre-se de Juan Ramirez.

Carlos come?ou a suar frio! Esse foi o nome que ele usou em um dos seus casos mais dif?ceis e secretos. N?o era para nigu?m saber que ele era Juan Ramirez ou nem mesmo que tinha algo a ver com ele.

“S? me resta investigar essa Renata da Costa na Escola Federal Ant?nio Videira” ? o que ele pensa enquanto troca a mensagem da secret?ria eletr?nica para “Todos nossos agentes est?o em campo nesse momento, por favor, deixe seu recado ap?s o bipe ou use o formul?rio de contato do nosso site”.

No caminho para a Escola Federal Ant?nio Videira Carlos quase bate em um carro que d? uma freada brusca no t?nel que leva de Copacabana ao shopping Rio Sul. Dentro do carro um homem de ?culos suava e olhava para um grande grafite na parede do t?nel.

O grafite bem feito retratava um homem em tons de preto e cinza arremessando uma lata colorida de ?gua t?nica. Parecia uma obra de Banksy que Carlos j? tinha visto.

No caminho ele v? v?rios outros grafites iguais, pelo jeito algu?m andou ocupado ? noite, deve ser alguma campanha publicit?ria.

Ao chegar na escola ele se identifica como Carlos da Costa.?Diz que sua bisav? est? fazendo 101 anos e a fam?lia decidiu buscar todos os parentes para festejar. Ele desconfia que Renata da Costa pode ser uma prima em v?rios graus e pergunta se poderia falar com ela.

? Ela ? nossa professora de qu?mica, uma mo?a de 27 anos. Acho que a fam?lia dela vem do sul do pa?s. Ela s? estar? aqui perto da hora do almo?o pois ter? turmas somente ? tarde.

Carlos agradece a informa??o e diz que voltar? em uma hora. Ao?se dirigir ? sa?da da escola, uma gaivota de papel acerta sua testa. Nas asas tem uma palavra recortada de uma revista: “abra” e dentro tem um mapa da escola com uma marca de pilot vermelho em uma pequena sala.

As propor??es do mapa n?o s?o perfeitas, mas Carlos logo acha a pequena sala, uma dispensa. Vassouras, produtos de limpeza, prateleiras com pacotes de papel toalha e embalagens de sab?o l?quido para repor nos banheiros, mas uma coisa destoa: um origami de papel verde brilhoso colocado no ch?o.

Quando se abaixa para pegar Carlos percebe que tem uma seta desenhada na poeira do ch?o e, ao segu?-la entre encontra uma micro geladeira, dessas em que s? cabem umas duas latas de refrigerante. Dentro dela tem duas latas de ?gua t?nica id?nticas ?s dos grafites que ele viu no caminho. O que significava isso?

Segurando cuidadosamente as latas com uma luva de latex para n?o deixar impress?es digitais (e n?o borrar as que talvez estejam nas latas) ?ele as balan?a e nota que uma delas ? pesada, mas n?o tem l?quido. Olhando melhor ele percebe que a tampa de alum?nio est? solta e se abre.

Dentro da lata tem um tipo de espuma sint?tica e um espa?o vazio onde poderia estar um tubo de ensaio, mas agora estava vazio.

Carlos decide deixar tudo como est?, tira fotos, procura por sinais de impress?es digitais, mas nada? No entanto algu?m o levou at? ali e a professora Renata da Costa teria que ter algo a ver com isso.

Ele sai sorrateiramente da dispensa prestando aten??o para ver se ningu?m est? olhando e, logo em seguida, se dirige para o bar em frente ? escola onde come?a a colher informa??es sobre a movimenta??o ali. Coisas como quem entra e sai tarde da noite por exemplo.

? Ele entrou na dispensa? Ser? que ele viu? ? Jaque tem a voz aguda e os cabelos bem negros e encaracolados parecendo uma nuvem ao redor do seu rosto. N?o deve ter mais de nove anos.

? Claro que viu! Ele demorou um tempo e saiu com o origami na m?o.

? Tem certeza Pedro ?ngelo? ? A Jaque fazia qest?o de chamar o Pedro pelo nome inteiro, dizia que n?o tem muitos anjos no mundo.

Pedro ?ngelo estuda naquela escola, foi ele que achou a geladeira na dispensa, mas essa parte da hist?ria vai ficar para mais tarde pois agora temos que prestar aten??o na Jaque que n?o estuda ali e sim no Pav?ozinho, ao lado do Pav?o que ? onde ela mora.

Apesar de ter uns nove anos ? a que tem mais mobilidade dos tr?s amigos, sim, temos um terceiro her?i nessa hist?ria, mas Jorge tamb?m vai esperar um pouco para ser apresentado.

Jaque cresceu, quer dizer, est? crescendo entre o asfalto e a comunidade. Estuda de tarde e ajuda os pais durante a manh?, mas tem dias que fica livre e sai explorando a cidade de skate atr?s de pequenos insetos e plantas. Ela adora biologia.

? Seria tudo bem mais f?cil se a gente tivesse celulares? Ser crian?a n?o ? f?cil? Vai l? avisar o Jorge, Jaque! Eu fico de olho aqui!

Jaque dispara em seu skate descendo pela ladeira em dire??o ? pista onde o pessoal pratica em frente ao Rio Sul, Jorge estar? l? com sua m?e, eles ter?o que ter cuidado ao conversar.

Jorge ? crucial para essa trama que se desenvolve, mas temos que prestar aten??o no Pedro ?ngelo agora. Ele fica com a incumb?ncia de vigiar Carlos, o espi?o deles. Ele precisa descobrir o que ele descobrir sem que Carlos perceba.

Sim, foi o PA, esse ficou sendo o nome c?digo dele no grupo de tr?s amigos para quando tivessem que falar em c?digo, bem foi ele que ligou para Carlos mais cedo usando um computador do laborat?rio de inform?tica.

A aproxima??o?tinha que ser feita agora pois ele estava justamente na primeira aula da professora Renata Costa e poderia se aproximar com a desculpa de falar do trabalho de casa e ficar por perto enquanto ela convesasse com Carlos. Ningu?m presta aten??o em crian?as, ? como se elas tivessem esse super-poder de invisibilidade.

? Professora, professora Renata da Costa? Com licen?a, sou Carlos da Costa?

Pedro ?ngelo ficou por perto escutando, viu como Carlos convidou sua professora para tomar uma ?gua t?nica para ver sua rea??o e ela realmente ficou bem nervosa. Eles estavam certos!

Na noite anterior ele teve que esperar at? mais tarde para seu pai ir peg?-lo no col?gio e foi quando ele viu o professor Bruno e um amigo conversando em um canto escuro do p?tio e, atr?s de uma ?rvore, uma silhueta que ele n?o conseguia identificar, mas assim que o professor e o amigo foram embora ele viu que a pessoa atr?s da ?rvore foi pelas sombras para dentro da escola.

Com os joelhos tremendo ele a seguiu de longe e acabou reconhecendo sua professora e a viu entrar na dispensa. Depois que ela saiu, e sempre mantendo um olho no port?o para ver se seu pai tinha chegado, ele correu at? a dispensa e achou a geladeira, mas o que significaria aquilo? Eles s? sabiam que o professor Guilherme, seu amigo e a professora Renata estavam envolvidos. Ele precisava investigar!

? a? que temos que conhecer o Jorge.

Jorge ? filho do investigador Carlos e conhece o Pedro ?ngelo da escola de futebol aos s?bados. Por sorte eles moram perto e conseguiram conversar sobre o ocorrido e fazer o plano. Eles se encontraram no parque onde a Jaque, amiga antiga deles, estava praticando skate, ela dizia que praticar de noite deixava os olhos mais espertos, mas a verdade ? que ela era ainda melhor no skate do que o Jorge porque ela parecia j? ter nascido com eles colados nos p?s!

Os tr?s arquitetaram ali o plano para descobrir o mist?rio da microgeladeira, esse foi o nome que eles deram ao seu primeiro caso.

Depois que o pai do Jorge se encontrou com a professora Renata o dia virou uma avalanche! O tempo era curto!

Jorge n?o podia ser visto pelo pai, PA n?o poderia ser visto em lugares inesperados pelos professores Bruno ou Renata ent?o o papel da Jaque seria o de agente secreta e ela era a mais preparada para lidar com o problema pois, assim que eles contaram para ela o que tinha na geladeira foi ela que soube dizer o que estava acontecendo: virus!

Jaque adora biologia, como voc? j? sabe, e passa um bom tempo assistindo document?rios sobre isso no Youtube, muitos deles falando sobre como guardar virus, o que s?o e para que servem.

Al?m disso foi ela que viu uma pessoa fazendo os grafites do homem com a lata de ?gua t?nica e disse que a pessoa andava numa bicicleta vinho, exatamente como a professora Renata.

No entanto ainda faltava ligar os pontos do professor Bruno e seu amigo.

? nesse momento que entra o homem em quem o pai do Jorge quase bateu no t?nel: O pesquisador Guilherme.

Pedro ?ngelo v? aquilo com o queixo ca?do! Ele reconhece imediatamente o homem. A Jaque j? est? longe indo econtrar com o Jorge ent?o ele tem que fazer o pai do Jorge perceber o homem, mas como?

Antes de ter qualquer ideia ele v? que n?o ser? necess?rio pois Carlos, como bom detetive, nunca esquece um rosto e j?estava olhando intrigado para o homem que sa?a do carro e parecia em d?vida entre ir para a escola ou n?o.

De repente Pedro ?ngelo percebe que Carlos, de alguma forma, reconheceu o homem (“como o pai do Jorge ? bom dedetive” ele pensa) ?pois passou a olhar fixamente para o homem que agora pegava um celular e ligava. PA correu para dentro da escola para ver se o professor Bruno ia atender e foi o que aconteceu! Dava para escutar.

? Grafite, Guilherme? N?o faz sentido? Como? Quem? Vou ver agora! T? indo! T? indo! Voc? est? na frente da escola? T? maluco? Sai da?! T? chegando l?!

Pedro ?ngelo v? como o professor sai transtornado da pequena dispensa olhando para os lados para ver se n?o est? sendo vigiado, mas o PA est? bem escondido atr?s de um bebedouro.

? ? terr?vel? Algu?m pegou, Guilherme? Nem quero imaginar o mal que pode ser feito com aquilo! Voc? tem certeza que n?o tem como fazer uma vacina?

Pedro anotava tudo num pequeno bloco que tinha no bolso. Vacina, Bruno = bom, Renata = ??

Pedro ?ngelo sabe que eles precisam do pai do Jorge, mas como avisar das suas descobertas para os amigos?

Ele corre novamente para o port?o da escola e v? que o homem que deve se chamar Guilherme est? indo embora e que o pai do Jorge segue logo atr?s em seu carro.

O laborat?rio de inform?tica! O Jorge est? com a m?e e ela tem um celular.

Suando mais de nervoso que por estar correndo, PA chega ao laborat?rio e consegue mandar uma mensagem para a tia Marta, a m?e do Jorge.

“Tia Marta, o Jorge t? com a senhora? Pergunta para?ele se ele lembra do Bruno que eu falei ontem, eu lembrei quem ? o amigo dele.”

A resposta n?o demorou a vir. Jorge deve ter usado de muita l?bia com a m?e porque a mensagem o chamava de PA e assinava FC que eram os c?digos secretos deles (FC era de futebol clube porque eles se conheceram no clube de futebol) o que siginificava que era o pr?prio Jorge que estava escrevendo.

“Nosso agente j? est? na cola do Guilherme que era o amigo do Bruno ontem. Eles n?o s?o maus – apaga essa mensagem e deixa s? a pr?xima!”

“O amigo do Bruno se chama Guilherme, ele quer fazer parte do time na defesa, vai pensando a?”

Quando a tia Marta pegou o celular de volta viu s? a ?ltima mensagem.

A essa altura Jaque j? estava chegando na pista de skate e se encontrando com o Jorge.

Os dois sentam na grade e conversam enquanto a tia Marta comprava pipocas.

? Jaque, meu pai t? seguindo o amigo do professor do Pedro, parece que eles s?o legais, n?o deu para ele me contar muito pelo celular da minha m?e, mas isso quer dizer que a professora Renata n?o deve ser boa coisa? Mas ela deve estar voltando para casa correndo agora que o meu pai foi l? falar com ela. Voc? t? pronta?

Jaque est? ofegante da corrida de skate at? ali, mas confirma com a cabe?a. Ela viu para que dire??o a professora grafiteira tinha ido ontem e se posiciona no caminho para segu?-la, ainda bem que a professora?anda de bicicleta?

Quando Jaque est? quase perdendo-a de vista, v? quando ela entra num pr?dio. Deve ser onde ela mora ou onde ela escondeu o virus roubado do Guilherme e do Bruno, mas de onde esses dois teriam tirado o virus? Se eles eram bons porque n?o entregaram o v?rus para a pol?cia?

Quando a professora sai do pr?dio est? com uma bolsa t?rmica que coloca na cesta da bicicleta, por sorte ela continua de bicicleta ent?o a Jaque poder? continuar a segu?-la enquanto o pai do Jorge descobre quem ? o Guilherme.

A professora segue muito mais devagar agora, talvez com medo da sua carga, talvez por estar mais tranquila agora que est? levando a coisa para outro lugar.

Ela para em uma pra?a com sombra e usa o celular. Jaque percebe que tem que avisar algu?m. Um orelh?o! Tem um orelh?o perto.

? O laborat?rio de inform?tica, por favor? ? Jaque tenta engrossar a voz ao m?ximo, fica mais engra?ado que convincente, mas por sorte as pessoas tem medo de falar da voz estranha dos outros ? Sou a prima do Pedro ?ngelo, preciso dar um recado do pai dele.

Por sorte eles tinham anotado os telefones mais importantes uns dos outros e tinha um ramal no laborat?rio de inform?tica do Pedro onde ele ficaria fazendo o papel de liga??o da “equipe”.

? Pedro, ? a Jaque! A hiena pegou a andorinha e veio para o parque perto do arpoador.

? Hein??? Fala direito Jaque, quer dizer, prima, ? n?o te ouvi direito ? e cochichando ? que hiena ? essa?

? Linguagem de espi?o PA!! A professora pegou o neg?cio e veio para c?. Ela t? ligando para algu?m do celular! Voc? precisa avisar o pai do Jorge!

Como tem outras pessoas no laborat?rio de inform?tica s? resta ao Pedro ?ngelo mandar mensagem de texto. Ele olha ? volta e percebe que n?o tem outro jeito:

? Professora, posso usar seu celular para mandar um torpedo pra minha m?e?

E ? do telefone da professora que o pai do Jorge recebe a mensagem “Renata est? entregando a encomenda na pra?a do arpoador”.

Mais tarde v?o descobrir que foi ele que mandou a mensagem e eles ter?o muito a explicar, mas depois ele pensa nisso. Um virus n?o pode ficar solto pelo mundo!

Ele manda por internet uma mensagem tamb?m para a m?e do Jorge “Tia Marta, diz para Jorge que a Jaque me avisou que as rodinhas novas pra o skate est?o com ela na pra?a do arpoador?”

Pedro ?ngelo s? fica sabendo do desenrolar dos fatos mais tarde pelos amigos quando se encontram na pista de skate, mas voc? que l? esse relato saber? agora!

Jorge e sua m?e s?o os primeiros a chegar e encontrar a Jaque. A m?e dele ? muito legal e vai comprar um lanche para os tr?s.

Logo em seguida chega o Carlos com um outro homem que o Jorge e a Jaque n?o conhecem, mas o Pedro ?ngelo reconheceria.

Na pra?a tem ainda tr?s ou quatro pessoas caminhando, um jovem, um homem com uns sessenta anos e uma mulher de uns trinta.

Quando a professora Renata v? o Carlos e o homem com ele ela tenta correr para a bicicleta enquanto Jorge e Jaque olham curiosos.

O jovem, o homem mais velho e a mulher ent?o levantam uma das m?os com um distintivo e mostram suas armas na cintura com a outra m?o: “Todo mundo no ch?o! Pol?cia Federal!”

A tia Marta praticamente joga o lanche no ch?o e abra?a Jaque e Jorge e se esconde com eles atr?s de uma ?rvore, mas reconhece o marido no meio da pra?a. Ele est? se?deitando e dizendo que ? investigador privado “posso explicar tudo” ele diz bem alto e claro.

Por via das d?vidas a pol?cia algema todos, menos o Carlos, claro, mas ficam de olho nele.

A tia Marta, como boa promotora p?blica, n?o poderia ficar de fora: ela se aproxima do grupo deixando Jaque e Jorge atr?s da ?rvore. “Promotora p?blica Marta, esse homem ? meu marido. O que est? havendo?”

? claro que as duas crian?as d?o um jeito de ouvir a conversa.

O homem estranho ? o primeiro a falar.

? Sou Guilherme dos Santos, estudo virus para uma grande farmac?utica e descobri que um colega de trabalho pretendia roubar uma cultura de v?rus perigosa e vender para algu?m. Eu a tirei do laborat?rio e escondi com um amigo pois n?o sabia em quem podia confiar.

A professora interrompe subitamente.

? Como ?? Eu ouvi voc? e o professor Bruno conversando sobre esconder virus e o segui enquanto ele escondia na dispensa. Foi uma loucura escond?-lo em uma escola! Eu tinha que tirar de l? e tinha certeza que voc?s s? poderiam ser algum tipo de criminosos! Ali?s, ? o que continuo achando!

A mulher de seus trinta anos pega um r?dio e transmite para algu?m “Prefessor Bruno, localizem e apreendam”.

Mais tarde o Jorge contaria tudo para os amigos: seu pai nunca revelou de onde recebeu as mensagens, mas o levou para o escrit?rio dele e disse que era ?bvio que ele, Jorge estava envolvido e Jorge contou tudo, afinal seu pai era seu her?i tamb?m.

Foi assim que os tr?s ficaram sabendo da hist?ria, que realmente Guilherme e Bruno estavam tentando evitar que uma organiza??o criminosa pegasse o v?rus e a professora Renata, bem mais sensata que eles tinha tirado o v?rus da escola com a melhor das inten??es e foi ela que chamou a Pol?cia Federal quando se viu pressionada. Ela tamb?m fez os grafites para os criminosos ficarem nervosos fazerem alguma besteira se revelando.

Gra?as ? a??o dos tr?s a pol?cia pode fazer, junto com o pai do Jorge, uma opera??o que desbaratou uma grande organiza??o criminosa.

Coment?rios

Pois ? Hist?rias mais ?picas ou matrioskas como essa n?o s?o adequada spara escrever em menos de quatro horas. Meu plano para ela era bem diferente, mas logo notei que n?o daria tempo.

Em todo caso acho que boa parte desse projeto est? em compartilhar o processo criativo e deixar pelo menos um rascunho do conto que pode ser desenvolvido depois.

No futuro talvez eu fa?a isso mostrando as tr?s etapas: o processo criativo, o primeiro rascunho e o conto finalizado totalmente diferente.

Vote no proximo:

Nesse formul?rio voc? pode escolher estilo, g?nero, idade e ?poca para o pr?ximo conto:

 

O Processo Criativo
(escrito antes do conto)

Vamos ver o resultado da vota??o da semana?

Aventura, presente, realista e adulto e infantil empataram.

Tema Votos P?blico Votos G?nero Votos ?poca Votos
Terror 1 Infantil 3 Scifi 2 Passado 1
Romance 2 Jovem 1 Fantasia 1 Presente 4
Aventura 3 Adulto 3 Realista 4 Futuro 2
Suspense 1

?

Essa semana s? tivemos uma sugest?o: espionagem, mas vamos ver a vota??o?

Tivemos um pedido tamb?m, colocar um personagem Pedro ?ngelo.

Nas semanas anteriores tivemos sugest?es como:

  • Tric?
  • Beattles,
  • Steampunk
  • P?s-apocal?ptico
  • Internet das coisas?

Mas t? pensando em fazer um lance diferente com o campo de sugest?o para ter mais gente votando (quanto mais gente votando, mais imprevis?vel o que terei que escrever): Vou ter que dar o meu jeito de inserir a sugest?o de quem indicar a vota??o para mais gente.

Mas eu n?o devia estar aqui enrolando, j? comecei atrasado hoje.

Bem, primeiro o desempate entre Adulto e Infantil. Vai ser f?cil: nunca teve infantil e o Pedro ?ngelo ? um infante :-) Ser? infantil, mas continuem votando em adulto porque tenho ideias para ele (vi que ando pegando muito leve no adulto).

Como pediram espionagem tamb?m e essa semana finalmente eu vi Dois Coelhos (o filme brasileiro) que me deu mais uma ideia de processo criativo, que vou chamar de matriosca, essa ser? a minha estrat?gia.

O processo matriosca ? o que parece mesmo: a gente pensa na hist?ria e vai colocando camadas sobre ela para esconder o mist?rio e cada camada vai nos dando ideia para a pr?xima.

Assistir isso ao vivo pode acabar tirando o prazer de ler o conto ent?o sugiro que voc? s? acompanhe ao vivo se n?o se incomodar com isso, ok?

Ficamos ent?o com uma aventura de espionagem, infantil, realista e no presente.

Vai ser bem divertido fazer isso em um universo realista e ao mesmo tempo infantil e de aventura. Pelo menos a espionagem ajuda :-)

Vou fazer no Brasil tamb?m. At? facilita um pouco j? que estou meio atrasado. S?o [8h34].

Tem um quadro do Banksy do meu lado e isso acabou me fazendo pensar em grafites pol?ticos que apare?am de repente pela cidade? Rio de Janeiro j? que moro aqui e vai ficar mais f?cil lidar com a geografia dela.

Mas qual ? a espionagem? N?o pode ser descobrir quem ? o Banksy brasileiro, muito ?bvio. E n?o posso esquecer da aventura?

Para construir uma hist?ria matrioska o melhor ? come?ar de dentro. Do final da trama?

[8h38] Pensando?. [8h40] isso foi r?pido!

O protagonista ? um detetive que vai esbarrar numa trama de espionagem que parece pol?tica, mas ? industrial. O filho dele? A filha? Humm? O filho e os amigos do filho? N?o, muito personagem demanda muito tempo para escrever. N?o daria tempo. Vai ser s? o detetive Carlos, seu filho Jorge e o melhor amigo do filho que se chama Pedro ?ngelo.

Na verdade os dois jovens ? que ser?o chave na trama porque eles n?o tem a imagina??o limitada pelas possibilidades.

N?vel um da matrioska

Um pesquisador da ind?stria farmac?utica rouba um frasco contendo um v?rus desenvolvido em laborat?rio para impedir que ele seja roubado por um colega que pretende vend?-lo para um grupo que quer usar como arma biol?gica. Um grupo de terroristas (meio lugar comum, eu sei, vou tentar melhorar isso).

N?vel dois

O pesquisador (Guilherme) coloca uma pequena geladeira port?til (dessas para duas ou 4 latas de refrigerante) ligada na tomada dentro de uma dispensa no col?gio do Jorge e do Pedro ?ngelo. Ele tem?um amigo (Bruno) de inf?ncia com quem n?o fala h? anos, mas confia plenamente que trabalha l? como professor e vai lhe dar cobertura. O v?rus est? dentro de um frasco acondicionado dentro de uma lata de refrigerante recheada de espuma sint?tica para mant?-lo gelado.

N?vel tr?s

Jaque (Jaqueline) ? amiga dos meninos, anda de skate com Jorge e Pedro ?ngelo na pista em frente ao Rio Sul onde eles v?o de bicicleta. Ela mora no Pav?o e os dois meninos pedir?o a ajuda dela.

N?vel quatro

(vai dar tempo de escrever isso? Corre Roney! Corre!! Hehehehe! Cara, tenho que fechar a trama com no m?ximo mais dois n?veis contando com esse.)

O policial corrupto que v? o pesquisador Guilherme entrar na escola? N?o? Muito ?bvio. Uma colega de trabalho do professor Bruno (o amigo do pesquisador Guilherme) que v? a movimenta??o estranha e rouba a lata de refrigerante colocando outra parecida (mesmo peso e sem l?quido) no lugar.

Como ela faz para dar alguma utilidade para aquilo? Hummm? [9h00] Pensando [9h02] Duh! T?o ?bvio! Ela desconfia que a coisa ? grande e decide chantagear o Bruno, mas ? claro que n?o pode fazer diretamente. Por isso ela se veste com uma roupa preta apertada para n?o perceberem que ela ? mulher e bon? para fazer grafites que parecem pol?ticos, mas dar?o pista ao Bruno e ao Guilherme que algu?m sabe do v?rus.

Ela come?a a fazer os grafites bem em frente ? casa do Bruno e nas vias por onde ele sempre passa. Os grafites mostram pessoas doentes e um homem arremessando uma lata de refrigerante que brilha estranhamente.

Ela se chama Renata da Costa.

N?vel Cinco

Esse tem que fechar tudo, tem que ser o ponto de liga??o das crian?as com o caso. [9h08] Pensando?[9h10] Pensei em algu?m do laborat?rio, o Guilherme ou o Bruno chamarem o Carlos para o caso, mas ficaria muito for?ado o filho dele e o amigo estudarem na mesma escola, estou achando que o Carlos perdeu o protagonismo conforme fui desenvolvendo a ideia. S?o os amigos Jorge e Pedro ?ngelo que colocar?o Carlos no caso de forma indireta ao verem que algo est? acontecendo na escola deles.

Agora preciso pensar de verdade antes de come?ar a escrever, tentar bolar como essas pontas v?o se ligar? Vou aproveitar e comer uma fruta e tomar um caf? enquanto penso. J? volto? [9h14]

[9h31] A dificuldade est? em criar uma trama que se desenrole aos poucos para quem est? lendo e centrada nas crian?as, demorei esses 17 minutos para me tocar que elas tem que procurar os adultos e engendr?-los no plano deles para resolver o problema. ? claro que os tr?s se organizam de uma forma que o adulto n?o conhe?a a crian?a que vai falar com ele. Esse ? um dos pap?is da Jaque, ela tamb?m ser? a especialista em biotecnologia do grupo por gostar de ver document?rios sobre isso no Youtube. O plano deles ? feito em conjunto, acho que essa gera??o ? mais “em conjunto” que as anteriores, n?o tem tanto grandes her?is, a for?a do grupo est? em sua capacidade coletiva. Mas ? claro que cada um deve ter um talento especial. Vejamos? ? infantil, n?? Jorge ? o ?s do skate (mas n?o tanto quanto a Jaque) e sabe ser convincente, Pedro ?ngelo ? bom no futebol e sabe quando uma pessoa est? falando a verdade.

O plano todo ? deles e os adultos s?o pe?es no tabuleiro das tr?s crian?as, mas n?o podem ser aqueles adultos retardados de v?rias hist?rias de crian?a, isso tamb?m ? muito lugar comum e nunca gostei, parece que as crian?as ? que s?o retardadas.

Tem um desafio extra a? pq, a rigor, o grupo teria que ter uns oito ou nove anos no m?ximo, acho que vou amadurec?-los um pouco, mas eu sempre prefiro tratar o jovem como se fosse um pouco mais maduro do que a gente espera daquela idade de acordo com os nossos pr? conceitos.

Acho que vou apresentar a trama j? escrevendo o conto. Depois vejo no hagout (se tudo der certo por volta de 12h15) se comento mais sobre a cria??o da trama em si.

[ A? comecei a escrever o conto [/]

O Hangout

Como tem sido a experi?ncia?

Intensa :-)

Tenho duas tend?ncias criativas: hist?rias muito curtas, cr?nicas que descrevem uma ?nica cena ou hist?rias muito longas que cobrem longos per?odos de tempo e muitos personagens.

Escrever um conto em apenas quatro horas ent?o ? um desafio para mim pois n?o pode ser uma cr?nica que em escreveria em pouco mais de uma hora e nem algo que pediria alguns dias de trabalho.

Ent?o estou tendo que aprender a controlar o fluxo das ideias, n?o chega a ser uma castra??o da criatividade porque as hist?rias continuam vindo, eu s? vou tentando medir o quanto vou demorar para construir cada parte e vou guardando para desenvolver caso volte ao conto no futuro (coisa que pretendo fazer com alguns deles).

Teve algumas vezes nos oito contos que acabei tendo que escrever por cinco horas para terminar. Espero estar disciplinado para n?o fazer mais isso e conseguir fechar ao meio dia.