Sobre o projeto

Esse ? o d?cimo sexto?conto do projeto #UmS?badoUmConto?(Post explicando o projeto)

Durante a semana as pessoas votam em estilo, g?nero, p?blico e ?poca. O autor (eu) s? pode saber o resultado ?s 8h do s?bado e tem at? meio dia (mais ou menos) para terminar o conto.

Cada conto ? escrito com um processo criativo diferente (veja no final).

O que voc? v? a seguir ? o conto com a m?nima revis?o. Voc? pode ler? sem revis?o no iCloud.

Voc? pode votar no que devo escrever no pr?ximo aqui:http://bit.ly/1w5JcZT

Antes de ler vota a? no pr?ximo, t?? Por favor?

O Conto

Se voc? est? lendo esse texto e nunca ouviu falar de SCION, pessoas com poderes n?o naturais, se Oxford na Inglaterra ? uma cidade como qualquer outra e, principalmente, se voc? nunca ouviu falar em Rephains e Emins ent?o tenho boas e m?s not?cias.

As boas not?cias s?o: meu experimento funcionou e pude enviar esse documento para uma realidade paralela e voc? vive em um mundo seguro e tranquilo. A m? not?cia ? que h? uma liga??o entre nossos mundos.

O que voc? ler? a seguir come?a em Oxford em 1859 poucos meses atr?s. O Natal esse ano ser? o primeiro de muitos repletos de dor, escravid?o e desespero.

Sou John Steinback, f?sico te?rico na Universidade de Oxford. Eu sou respons?vel pelo flagelo da humanidade.

Minha esposa e meus filhos j? haviam se acostumado com a minha aus?ncia trabalhando at? tarde em meu laborat?rio. Os mist?rios do Universo esperaram eras para serem desvendados, mas conforme nos aproximamos das chaves que destravam seus segredos mais profundos n?o podemos perder mais tempo! E eu sentia que estava ?s portas de algo totalmente novo.

Apenas Mary e Olson, meus criados, me acompanhavam nessas jornadas noturnas auxiliando-me n?o s? preparando ch?s, caf? e bolos, mas providenciando os instrumentos de metal e lentes que projeto.

Com o ?culos de lentes sobrepostas que inventei sou capaz de observar nuances no ar que, do contr?rio, seriam invis?veis. As lentes s?o tratadas com resinas e pigmentos de ervas especiais.

Foi com esses ?culos que notei pela primeira vez algo realmente novo. Uma perturba??o ao redor de Mary. Como ondas de calor, uma aura de ondas. No entanto s?o frias e diminuem a temperatura do ambiente ao redor dela, mas apenas quando ela tem medo.

Depois que descobri isso Mary se tornou tamb?m minha cobaia. As mulheres se assustam facilmente e a mera leitura de Edgar Allan Poe, falecido h? cerca de 10 anos, bastava para coloc?-la naquele estado.

Por vezes pens?vamos ouvir ru?dos, como gelo se quebrando em algum lugar ao longe ou o zumbido de insetos.

A pele ou o corpo de Mary mantinham sua temperatura normal, mas term?metros fixados ao seu redor mostravam quedas de at? 10 graus na temperatura o que realmente n?o fazia o menor sentido. Algo teria que absorver o calor para isso acontecer, mas o qu??

Foi ent?o que percebi que a ?nica explica??o seria algum tipo de passagem que n?s n?o pod?amos ver e me lembrei dos estudos de Newton e da polariza??o da luz.

O relojoeiro disse que o dispositivo seria imposs?vel, mas ? custa de uma alta soma, conseguimos construir discos sobrepostos com finos fios de ouro que me permitem separar cada faixa de luz polarizada e foi quando pude ver?

Ao redor de Mary, quando ela tinha medo, surgiam rachaduras no ar. Esse ? o ?nico termo que me ocorre, ? como uma fina camada de gelo sobre o lago que se racha quando pisamos nela.

Arranquei os pavilh?es de todos os gramofones que pude encontrar e passei a posicion?-los pr?ximos ?s rachaduras.

J? n?o era mais necess?rio assustar Mary. Quando a sent?vamos na cadeira cercada por term?metros e amplificadores de som ela j? manifestava sua capacidade n?o natural.

Foi Olson que sugeriu chamar de n?o natural e hoje eu me rendo ao termo pois n?o posso conceber que o que testemunhamos fa?a parte das leis da natureza. N?o ? algo meramente artificial ou acima do natural. ? algo que transcende nosso Universo, mas estou me adiantando.

Obviamente eu precisava descobrir o que havia do outro lado das rachaduras que absorvia o calor do ambiente, mas logo descobri que na verdade ela emanava vapores frios, como algum tipo de g?s, mas que assume colora??es diversas no espectro ultra-violeta quando?olhado com a lente adequada e longe da luz do sol. Sim, tudo que emana das fendas rejeita a radia??o solar, mas estou me adiantando novamente.

Olson era um bom homem? No entanto era um rude, sem a instru??o a que tive acesso e sem a educa??o servi?al que moldou o car?ter de Mary. Apesar de considerar a criada uma boa pessoa ele, aos poucos, foi sendo envolvido pelo medo da sua capacidade n?o natural. Em sua mente simples o que n?o era da natureza ent?o n?o era de Deus.

Sabendo que eu jamais permitiria tal coisa ele atraiu Mary para o laborat?rio e me ludibriou a voltar para minha propriedade ? distante uma hora de Oxford ? para cuidar da minha esposa que estaria com uma febre repentina. Duas horas seriam mais do que o suficiente para ele executar seu plano.

Enquanto eu ia para a minha casa, descobria?o engodo e voltava fazendo com que os cavalos usassem todo o f?lego de seus pulm?es, ele amarrava Mary e recebia tr?s exorcistas para tentar livr?-la do dem?nio que ele achava estar se apossando dela.

Esse ? o relato que Mary fez para mim quando finalmente cheguei ao lugar e tudo j? estava perdido?

?Quando entrei na sala com a bandeja de prata com ch? e bolo para o senhor dois homens agarraram meus bra?os fazendo com que o belo bule se espatifasse no ch?o. Meu primeiro pensamento foi a tristeza da perda daquele lindo e delicado bule de ch?, mas a viol?ncia com que os homens apertavam meus bra?os logo me trouxeram para a realidade.

Enquanto eles me arrastavam para a cadeira eu me debatia, mas n?o pude gritar por socorro porque algu?m encheu minha boca com estopa. Eu chorava senhor, chorava pensando que eles pretendiam me desonrar? Antes fosse? Antes fosse? N?s mulheres somos desonradas o tempo todo, mas raramente somos levadas ao inferno.

Quando me amarraram ? cadeira derrubando seus delicados instrumentos eu vi Olson escondido nas sombras, eu o vi claramente como se fosse dia! ? como se eu visse uma outra luz dentro do laborat?rio e foi quando percebi que ela vinha de tr?s de mim. Tentei virar a cabe?a o melhor que pude e vi as rachaduras que o senhor descrevia, eu nunca as tinha visto antes. Mas agora tinham quase um palmo de largura e emanavam essa luz que, pelo jeito, somente eu via.

Um quarto?homem, al?m do Olson e dos outros dois que me prenderam ? cadeira e agora permaneciam ao lado dela, come?ou a aspergir ?gua sobre mim, provavelmente ?gua benta, mas n?o me acalmei pois ele recitava palavras horr?veis em latim, amea?as cheias de ?dio e ele me sufocava senhor! Colocava sua grande m?o sobre meu rosto tapando meu nariz e minha boca cheia de estopa de forma que eu n?o conseguia respirar.

Por v?rias vezes minha vis?o me abandonou e nem mesmo a luz das fendas chegava aos meus olhos. At? que, depois do que me pareceu mais de uma hora, eu me senti repentinamente leve. Me surpreendi ao ser capaz de me levantar da cadeira!

Quando olhei para tr?s vi que eu ainda estava l?. O homem ainda segurava meu rosto me impedindo de respirar e as fendas agora eram t?o numerosas que quase se uniam em um grande arco ao meu redor, como as aur?olas dos santos, mas ao envolvendo?todo o meu corpo e com uma energia que me assustava, senhor.

Sem saber o que fazer, querendo me livrar daquele homem, eu tentei agarrar a cabe?a dele e pux?-lo para longe do meu corpo.

Quando fiz isso senti meus dedos atravessarem sua carne. Era como enfiar os dedos em carne mo?da, senhor. O berro dele atravessou a sala chegando at? mim como um grito dentro da ?gua, mas continuei enterrando meus dedos atrav?s da sua cabe?a, Deus me perdoe! Eu estava desesperada! Quando percebi que eu estava puxando alguma coisa al?m da sua carne, senhor? ? Ela come?ou a solu?ar e a chorar enfiando o rosto entre as m?os ? eu percebi que estava puxando o esp?rito dele para fora do corpo, senhor! Ele tirou as m?os do meu rosto para segurar a pr?pria cabe?a e pude respirar novamente! Fui puxada de volta para meu corpo! Presa novamente na cadeira! Minha alma desabou nesse momento senhor ? Ela fala entre l?grimas e solu?os descontrolados ? o desespero tomou conta de mim! Presa novamente! O homem diante de mim sentado sobre as pr?prias pernas babando e com o olhar distante de quem perdeu a raz?o, os outros dois puxavam facas de suas botas, eles iam me matar!

Algo quebrou atr?s de mim, mas acho que s? eu ouvi porque os homens avan?avam em minha dire??o com as facas em punho. No segundo seguinte me senti cercada por um enxame de moscas, o zumbido era ensurdecedor! Elas eram uma nuvem em torno de alguma coisa que veio de tr?s de mim, das fendas, senhor!

O primeiro homem foi acertado em cheio por aquilo. Eu escutei o ru?do de ossos se quebrando e um grito abafado seguido pelo som de algu?m se afogando? A coisa saiu de cima dele e vi que ele se afogava no pr?prio sangue. Sua garganta aberta, seu rosto terrivelmente deformado, seus bra?os e pernas estavam torcidos em posi??es imposs?veis, a m?o que segurava a faca estava faltando? Ela sumiu senhor.

O segundo homem tentava correr para a porta, mas logo foi alcan?ado. Vi suas costas se curvarem quando ele foi atingido pouco acima de cintura. O estalo terr?vel e o ?ngulo em que ela ficou provocaram uma onda de pavor em mim! Logo eu seria a pr?xima!

A criatura se deteve no segundo homem e percebi que alguma coisa estava soltando minhas m?os. Olhei para o lado e era Olsen com seus ?culos, senhor. Ele suava e sussurrava ?perd?o? perd?o?? choramingando como uma crian?a, senhor.

Ele me soltou e corri para me trancar no arm?rio de ferro onde o senhor me encontrou ao chegar. Passei pelo homem que eu tornei demente. Ele ainda vivia, mas sua mente estava destru?da. Eu n?o sou diferente daquele monstro que saiu das fendas, senhor?

Antes de me trancar no arm?rio vi a ?ltima coisa, senhor. Um homem? Uma coisa que parecia um homem. Devia ter mais de dois metros de altura, seus olhos brilhavam, sua pele era dourada e ele disse com uma voz poderosa ?EMIM” e isso atraiu a criatura que se virou e partiu para cima dele se apoiando em Olsen para saltar, acho que foi quando o pobre Olsen, que Deus o tenha, n?o tenho raiva dele? Foi quando ele deve ter morrido, senhor.?

Quando cheguei ao laborat?rio, cerca de uma hora depois, encontrei tudo destru?do. Olsen morto com o pesco?o quebrado ainda usando meus ?culos especiais regulados para ver uma determinada polariza??o com uma lente que amplifica os comprimentos ultra-violeta.

Coloquei os ?culos e n?o precisei procurar muito. Onde antes havia fendas estava um grande c?rculo irregular luminoso, como se o tecido do Universo tivesse se rasgado totalmente. Sem os ?culos o laborat?rio estava mergulhado na escurid?o e sentia-se apenas um vento frio, mas com eles a passagem era clara, entretanto?n?o era apenas isso. Havia brumas luminosas por toda a sala, tra?os de alguma coisa no ch?o e, num canto da sala, uma emana??o, como o vapor que deixa o nosso corpo depois de um banho quente em um dia de inverno. Tinha alguma coisa naquele canto.

Ouvi o choro abafado de Mary e a encontrei no arm?rio, mas n?o tirei?os olhos do canto escuro at? mesmo visto atrav?s dos ?culos.

Ela saiu e me abra?ou desesperada. Eu lhe disse para sair lentamente da sala e ela, boa mo?a, me obedeceu seguindo cautelosamente.

Mesmo sem os ?culos eu podia ver que havia alguma coisa no canto do laborat?rio. N?o via as emana??es de vapor violeta, mas vi uma grande massa escura.

Encontrei um lampi?o intacto e iluminei o objeto imprudentemente, sem buscar uma arma.

H? experi?ncias que nossos olhos n?o est?o prontos para ter e, num primeiro instante, eles n?o conseguem identificar as formas do que est? diante deles. Foi o que ocorreu comigo naquele momento. Minha mente cient?fica n?o estava preparada para aquilo e vi uma pilha de ossos, espinhos e fui capturado pelo odor de podrid?o.

Demorei quase um minuto para conseguir identificar que estava olhando para duas criaturas: algo disforme vertendo um sangue negro e um ser human?ide sob a criatura, sangrando algo que exalava vapores violeta, os vapores que vi com os ?culos especiais.

Os corpos de tr?s homens me cercavam, dois desconhecidos e Olsen. Ainda sentado sobre as pernas e com o olhar morto havia um padre? O homem jamais se recuperou e morreu poucos meses depois sem causas aparentes, simplesmente desistiu de estar vivo.

? Diga que morri por algu?m que vale a pena? ??A voz fraca, quase um suspiro, vinha do human?ide.

? Voc? ainda n?o est? morto, amigo.

? Em breve?

Sua voz n?o tinha entona??o. Era grave e segura apesar de quase inaud?vel. Como se ele n?o se importasse, como se estivesse apenas anunciando um fato corriqueiro: seu caf? est? na mesa, senhor. N?o sei se ? indiferen?a ou se eles consideram o mundo t?o desprez?vel que n?o merece suas emo??es.

A criatura estava morta, aquele ser matou com as m?os nuas a fera mais monstruosa que eu havia visto at? ent?o.

? Sou John, sou um membro da ra?a humana. E voc??

? Arcturus. Rephaim? Humana? Chegue mais perto?

Quando me aproximei senti algo diferente, minhas for?as me abandonando lentamente, meu nariz sangrou?

? Fraco demais? Ef?mero demais? ? in?til?

Eu n?o sabia se Arcturos falava de si mesmo ou de mim, mas isso logo ficaria claro pois Mary, pobre Mary? Ela vinha correndo atr?s de mim com a bandeja em punho.

? Senhor! Venha para c?! Essas coisas n?o podem ser naturais!

Os olhos de Arcturus se voltaram para ela e seu brilho mudou de cor, suas for?as come?aram a voltar. Era de mim que ele estava falando antes! Eu era?fraco demais para que ele pudesse?se alimentar de mim e agora estava se alimentando de Mary.

Olho para tr?s e a vejo cambalear e se apoiar na parede.

? Pare, por favor? Deve haver outra forma! ? Eu imploro consciente de que estou diante de algum ser que n?o compreendo. Antigo, orgulhoso e poderoso.

? A f?mea viver?. A fenda. Vir?o outros emins e eles ter?o fome? Vir?o outros Rephaim e eles ser?o piores.

Me aproximo de Mary e a tomo nos bra?os acalmando-a. Digo que ficar? tudo bem. Ela olha para Arcturos e para a fenda alternadamente.

Ele se levanta com dificuldade e caminha apoiando-se nas paredes e pilastras.

? Esse lugar precisa ser isolado ou seu mundo ser? destru?do. Temos pouco tempo. Por hora a passagem est? bloqueada, mas logo se abrir? novamente. Outras vir?o espontaneamente agora que uma j? foi aberta. O que produziu isso?

? Minha pesquisa Arcturus. Errr? Mary tem essa capacidade de causar rachaduras no tecido do Universo quando est? com medo e hoje ela? Bem, ela foi atacada, levada ao desespero.

Arcturus estava fraco demais. Apagou no meio do meu laborat?rio. N?s providenciamos uma cama e tratamos das suas feridas.

Sem saber sobre a fisiologia dos Rephaim n?s apenas limp?vamos seus ferimentos. Ele se alimentava quase inconscientemente de Mary, era poss?vel ver a mudan?a no brilho dos seus olhos mesmo com as p?lpebras fechadas.

Os Rephaim n?o s?o feitos do mesmo tipo de mat?ria que n?s, talvez nem sejam realmente feitos de mat?ria, mas nos momentos em que ele acordava nos tr?s dias que demorou para se recuperar descobrimos ervas e alimentos que lhe serviam muito bem.

Desconfio que os Rephaim j? tiveram outros contatos com o nosso mundo. Nosso h?spede n?o nos contava muito sobre seu mundo ou sobre sua pr?pria hist?ria, mas sinto que ele tem algum tipo de carinho pelos humanos.

Lembro repetidas vezes de Prometeus quando converso com Arcturus, mas talvez n?s estejamos mais para Pers?fone aos olhos dos Rephaim.

Mandei construir um cofre refor?ado ao redor da fenda e, no terceiro dia, come?amos a ouvir ru?dos vindos de dentro dele. Jamais o abri, mas foi ent?o que come?aram os assassinatos. Na verdade eram?ataques.

Outras passagens realmente deviam estar se abrindo e outros emins come?avam a se espalhar por Oxford.

No sexto dia Arcturus mandou Mary me chamar e me disse que n?o poder?amos mais esperar, mas que ele n?o poderia fazer nada sozinho. Que trazer os outros era a ?nica forma.

Arcturus devia sentir dores ainda, mas se levantou e me fez lev?-lo para um grande audit?rio. Teria que ser um lugar com alguma dignidade, foi o que ele disse.

Chegando l? ele fez um corte na pr?pria m?o e deixou seu sangue verter sobre o palco dando seis passos para tr?s em seguida.

Mesmo sem os ?culos eu pude ver uma passagem oval se formar e dela sa?ram outros seis seres como ele, mas alguns com pele oliva, outros com tom lil?s. O sol tinha acabado de se por.

A l?der deles era uma f?mea t?o alta quanto Arcturus. Nashira.

Mary n?o participou, Arcturus disse que seus convidados jamais deveriam?ver uma Caminhante On?rica e que Mary era uma rara vidente com essa capacidade, mesmo entre eles, os Rephaim.

J? eram dezenas as mortes provocadas por emins em Oxford, alguns casos j? surgiam em regi?es pr?ximas.

Nashira e seus asseclas se dirigiram a Londres para ?negociar” com a Rainha?enquanto outros vinham pela passagem e come?avam a transformar Oxford em alguma outra coisa. Ao mesmo tempo um tipo de pris?o e um ?farol” para emins conforme percebi pela movimenta??o dos Rephaim.

Percebendo o perigo, mandei que Mary entrasse na minha carruagem, fosse pegar minha fam?lia e fugisse com eles para a Irlanda e fiquei para tr?s para tentar registrar os fatos e alertar outros mundos, pois se eles chegaram aqui podem chegar a outros.

Os emins s?o feras aparentemente irracionais, mas desconfio que essa n?o ? toda a verdade. Os Rephaim n?o escondem seu desprezo por n?s, humanos, mas se regalam com a presen?a dos nossos videntes e se apresentam como seres imortais e invulner?veis. Contudo, dado nosso primeiro encontro com Arcturus me parece que essa n?o ? bem a verdade.

Notei no entanto que Arcturus nunca deixou que os outros soubessem que eu tinha conhecimento da vulnerabilidade deles. Creio que do contr?rio eu seria morto.

Nosso mundo, poucos meses depois, se rendeu ao controle dos Rephaim. Eles responsabilizaram os videntes como Mary por todos os males da Terra e se ofereceram ?magnanimamente” para cont?-los e corrigi-los.

Eu fiquei em Oxford enquanto ela era separada do mundo e sei que os humanos aqui s?o escravos.

Ser? que precisamos ser defendidos mais dos emin do que dos rephaim?

Existem outros como Arcturus que n?o concordam com a escravid?o do nosso povo, mas eles s?o poucos e n?o tem poder sobre seus l?deres.

A ci?ncia que rege os poderes dos videntes e dos seres que vem do mundo de Arcturus ? certamente a mesma, algo que transcende os universos, que existe acima deles e que, infelizmente, est? muito al?m da ci?ncia moderna.

No entanto suspeito que os diversos mundos existam em linhas de tempo diferentes. Talvez o mundo de Arcturus seja como o passado do nosso e o seu pode ser em nosso futuro. Talvez voc?s tenham m?quinas voadoras e possam explorar o Universo de formas que nossos instrumentos n?o podem e n?s mal sonhamos. Para outros mundos pode haver esperan?a, pode n?o ter acontecido ainda o primeiro contato ou apenas contatos ef?meros.

Esses seres n?o podem se manter em nosso mundo se n?o houver uma certa quantidade de passagens, se eles n?o puderem se alimentar do que chamei de energia escura pois n?o ? detectada por nenhum dos nossos instrumentos, sendo percebida?apenas?pelos?efeitos que causa no mundo f?sico.

N?o tenho muito tempo. Carreguei eletricamente o cofre ao redor da primeira fenda. Notei que isso muda sua sintonia e preparei v?rias c?pias dessa mensagem que estou mandando para cada frequ?ncia diferente para tentar alertar outros para os perigos que est?o t?o pr?ximos quanto a ponta do seu nariz, para? a exist?ncia de humanos com capacidades n?o naturais, ou desnaturais como as pessoas passaram a chamar depois que a Rainha fez seu pronunciamento declarando a consolida??o do estado independente de SCION controlado pelos Rephaim.

N?o tenho not?cias de Mary e da minha fam?lia, n?o posso correr esse risco. S? posso esperar que eles estejam seguros na Irlanda

Ao ler esse relato voc? pode achar que est? apenas lendo uma obra de fantasia, mas preste aten??o em lufadas de vento frio repentinas, no curso dos seus pr?prios pensamentos, algumas vezes voc? parece ter pensamentos que n?o s?o seus? Sonha com pessoas que vem a conhecer depois? Tem crises de profundo sono e ao acordar descobre que algu?m pr?ximo faleceu enquanto voc? dormia (o mito das valk?rias existe tamb?m em seu mundo?), voc? costuma ter intui??es que se concretizam? Voc? pode ser um vidente? Voc? pode ser o alvo deles.

O processo criativo

At? o d?cimo quarto conto eu seguia uma “f?rmula” criativa para cada conto. Achei que seria interessante para o leitor interessado em como funciona o processo criativo, mas era uma coisa artificial, n??

Essa fase acabou e agora entro em outra mais livre! Ufa!

Vou descobrindo junto com os leitores as melhores formas de compartilhar o processo criativo agora que posso deixar a mente solta. Esse ? um dos objetivos principais dessa segunda fase (al?m de escrever que ? algo que me faz muito bem!!)

Bem, s?o 8h06 e estou pronto para escrever. Vamos ver o resultado dos votos.

Hahahahaha! Zero votos!! Eu imaginei que isso poderia acontecer nessa ?poca de festas :-)

Gente!!! Deu bug na planilha do Google! Ou eu configurei errado! Tem votos sim!! Pior que demorei meia hora para me tocar e ir ver de novo. Vou respeitar os votos, claro! S? que vou ter que correr! Vou deixar o que escrevi achando que n?o tinha votos a? em baixo, ok?

[Escrito achando que n?o tinha votos?]

Isso quer dizer que hoje estou livre. Posso escrever qualquer coisa.

As op??es s?o:

  • Tema:?Terror, Romance, Aventura ou Suspense
  • P?blico: Infantil, jovem ou adulto
  • G?nero: Scifi, fantasia, realista
  • ?poca: Passado, presente ou futuro

Engra?ado. Acostumei a me dizerem o que escrever e agora notei que, de certa forma, ? c?modo.

Vejamos. Vou escolher algo que escrevo com mais facilidade (terror, fantasia, suspense)? N?o? Quero fazer algo mais realista, j? que estou livre vou escrever algo que gosto de ler: hist?rias reais de pessoas reais e vivendo as quest?es que todos n?s vivemos diariamente.

A gente vive uma ?poca em que a fantasia tem sido mais consumida. Seja no cinema, seja nos livros. Talvez seja uma caracter?stica de tempos em que estamos muito insatisfeitos com o presente? Nem acho isso justo!

O in?cio do s?culo XXI tem sido simplesmente incr?vel! Temos avan?os em tudo! As pessoas se relacionam mais gra?as ? transforma??o dos computadores e celulares em instrumentos de conex?o de grupos de pessoas. Nem precisa falar em ci?ncia e tecnologia, n?? A mis?ria diminui no planeta todo. As mulheres cada dia s?o mais respeitadas (ainda que ?mais respeitada? em alguns lugares ainda fique longe de respeito de verdade). A comunidade cient?fica chegou a um consenso sobre a seriedade da nossa influ?ncia no clima do planeta e as mentes mais competentes da nossa civiliza??o est?o engajadas em achar solu??es. A sociedade desabrocha de v?rias formas?

Ok. N?o quero parecer um deslumbrado porque n?o sou e deslumbramento ? p?ssimo como filosofia de vida, mas acho uma pena que a gente tenha vergonha do presente quando ele n?o ? motivo para vergonha apesar de todos os problemas que, se voc? pensar bem, nos incomodam tanto justamente porque n?o queremos mais carreg?-los conosco.

Bem, essas reflex?es s?o importantes para a gente sintonizar as ideias nos temas que podem dar algum significado para o que vamos escrever. Uma hist?ria n?o pode ser apenas um relato do tipo ?Fulano foi ? padaria comprar p?o, conversou isso e aquilo sobre o jogo de v?lei com o balconista e foi para casa mancando porque deu uma topada quando acordou?.

Vixe, 8h28! A gente se perde em pensamentos, n??

Ainda n?o fiz nenhum conto com personagens parecidos comigo. Na faixa dos 50 anos. Uma gera??o (d?cada de 60 do s?culo passado) que n?o achou muito bem seu lugar (tenho v?rios amigos que at? hoje n?o tem uma profiss?o muito certa? Eu mesmo n?o tenho) tanto profissionalmente quanto na hist?ria da sociedade.

? dif?cil escrever sobre realidades (vis?es da realidade, claro) t?o pr?ximas da nossa porque ? muita exposi??o, n?? Mas deu vontade e na verdade essa coisa toda de privacidade ? super-estimada.

Ent?o vamos l?: um romance realista adulto no presente.

Um homem de uns 50 anos. Casado com uma grande amiga. N?o preciso perder tempo falando sobre o trabalho dele, basta mostrar que, como muitos da gera??o dele, vive de v?rias habilidades que acumulou durante os anos.

Estou pensando em um clima intimista, quero dizer, enquanto escrevo as imagens que me surgem s?o de dois ou quatro amigos caminhando ? beira da praia, parando em algum lugar para tomar um suco e comer um sandu?che e conversando muito sobra a vida, o Universo e tudo o mais.

Uma hist?ria sem aventura, sem suspense, sem conflitos…

[Fim do que escrevi achando que n?o tinha votos?]

A vota??o foi cheia de empates!

  • Terror e aventura
  • Passado e Presente
  • Jovem
  • Scifi

Ok, n?o foi cheia, foram s? dois :-)

Vou fazer com tudo.

Teve a sugest?o de fazer algo meio steampunk e, al?m de adorar steampunk, estou justamente acabando de ler The Bone Season que transita por um futuro pouco scifi, ? jovem, tem um ambiente meio steampunk passando pelo presente e pelo futuro e ? bom para terror e aventura.

S? que uma fanfic de um universo que quase ningu?m leu n?o me d? a vantagem de n?o precisar contextualizar ent?o ele ser? s? fonte? de? inspira??o? Tive uma ideia!

Vou fazer uma fanfic apresentando esse universo que achei t?o original e bem escrito.

O conto come?a em 1859 ent?o?

[8h52] Preciso me alimentar hehehe! Sen?o n?o consigo correr com o conto que vai ser meio apertado. Vou comer algo enquanto junto as pontas do que vou escrever. [9h10]

Pronto! Uma vez alimentado fica mais f?cil pensar! Fui s? ver se a vers?o na nuvem est? sendo atualizada direitinho.

Observa??es

Fiquei bem insatisfeito com o ritmo no final. Perdi totalmente a tens?o dram?tica e n?o consegui substituir por a??o para segurar um bom ritmo.

Poderia me justificar alegando que estou fazendo uma fanfic para uma hist?ria de 7 livros sendo que apenas o primeiro foi lan?ado e portanto n?o conhecemos bem ainda esse universo, mas justamente por isso tenho liberdade criativa.

Creio que perdi o ritmo por falha de planejamento e provavelmente terei ?timas ideias mais tarde para melhorar o conto.

Paci?ncia, o jogo ? esse: escrever de surpresa e em quatro horas.

Esse foi o primeiro que fiz colocando o leitor como parte do conto. N?o sei se ficou claro desde o come?o, mas a ideia ? que voc? sinta que est? lendo um texto real enviado para a sua realidade e que, portanto, parte do conto acontece no seu presente enquanto o conto acontece no que seria um passado poss?vel para Oxford.

Foram fontes de inspira??o para esse conto: Fringe, Fronteiras do Universo e Doctor Who (o epis?dio que apresenta a fenda de Cardiff)