Curinga, o Filme
25th, July 2008
Ontem fui assistir o filme do Curinga (que chamaram de Batman por motivos comerciais, só pode ser) e vou contar o que achei.
Pode ler o resto do post pois não gosto de escrever spoillers e não vou contar nenhum fato do filme me concentrando mais no que o filme tem a dizer.
A grande pergunta que o filme nos faz é: O que separa você do colapso da sua humanidade e da sua entrega ao caos que pensamos dominar nossa civilização?
É uma pergunta muito perigosa que, na minha opinião, não deveria ser feita por qualquer pessoa, independente da sua idade e, certamente, não por jovens de 12 que acabaram de ler um inócuo Harry Potter. Aliás, não sei se mesmo os jovens notáveis que leram Proust ou Philip Pullman estão necessariamente prontos para este tipo de choque com a realidade…
… Realidade? Não sei se loucuras como a do Curinga acontecem de verdade, mas esta é outra história.
Hoje, quase 24h depois de ver o filme, percebi que há um lado negativo que devemos levar em consideração.
Hollywood é uma máquina de fazer grana. Quando "ela" vê um filme fazer sucesso sai copiando, mas raramente entende realmente onde estava o segredo daquele filme preferindo imitar apenas sua forma. O exemplo perfeito para isso é Senhor dos Anéis que foi seguido por uma infinidade de "filmes de fantasia".
Curinga, digo Batman, se destaca pelo realismo da sua violência psicológica (não tem sangue) e receio que comecem a fazer uma série de filmes imitando. Será que amanhã veremos jovens border line arrancando os próprios dedos em desespero diante de uma vida sem sentido nos filmes para maiores de 12 anos?
Tirando esta ressalva Batman é um dos melhores filmes dos últimos tempos e, sem sombra de dúvida, o melhor inspirado em personagens de quadrinhos.
O ambiente deste filme é o de Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e Piada Mortal exceto pelo fato do Curinga ir além de todos os Curingas que já vi nos quadrinhos se aproximando mais de Hannibal e outros "top" psicopatas do cinema. Isso é uma conquista para os fãs mais antigos de Batman que finalmente receberam o filme que, já adultos, gostaríamos de ver.
Outro ponto alto do filme, reforçado pelo excelente elenco, é a profundidade dos personagens e complexidade das suas personalidades e relacionamentos. Não chega a ser um filme a colocar ao lado de Dogville e similares, mas não fica muito longe.
De infantil o filme só tem uma certa bondade essencial do genero humano, mas ela era inevitável diante de um demônio tão pleno quanto o Curinga.
A propósito, não posso deixar de observar que movimentos fundamentalistas se mobilizam (com sucesso) para derrubar a bilheteria de filmes que incitam ao livre-arbítrio como A Bússola de Ouro, mas se calam diante de um outro filme que apresenta um demônio purificado de qualquer sinal de humanidade e nos pergunta o quão distantes ou próximos estamos de nos tornar como ele?
A pergunta no entanto é necessária, aliás, ela é questão de vida ou morte para a nossa civilização. Não falo do fim da civilização, isso não vai acontecer, mas quanto caos ainda produziremos antes de nos dirigirmos para a celebração da vida, da conscência, da arte, cultura e espírito?
Sim, com nossa sede por vingança a cada crime hediondo, escândalo de corrupção e insatisfação dos nossos pueris desejos consumistas estamos mais perto do Curinga do que do mocinho, mais perto do caos do que da ordem.
Ao ter sede de justiça esquecemos do desejo e necessidade de paz e nos entregaríamos facilmente às loucuras do Curinga e à sua visão distorcida da alma humana. Tudo isso está lá no filme, só não direi onde pois, como disse, não gosto de fazer spoillers.
Batman, ou Curinga como passarei a chamar para sempre este filme, é uma obra vital para abrir nossos olhos apesar de nos revelar um mundo perigoso.
Ao contrário de alguns movimentos fundamentalistas creio que o caminho do amadurecimento não é ignorar o questionamento, deixar de ver o trem que vem a caminho, mas encará-lo fixamente para conhecer suas arestas e pontas afiadas e saber como evitá-las ou transformá-las em algo que nos ajude a ser melhores hoje do que fomos ontem.
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Violência e jogos como CS e EQ
23rd, January 2008
Resolvi me manifestar em relação à proibição da comercialização dos jogos Counter Strike e Ever Quest.
Segundo me informaram o email da Vara que tomou esta decisão que tem abrangência nacional é 17vara@mg.trf1.gov.br. Mandei a sequinte mensagem para lá.
Saudações,
Parece-me que partiu desta Vara a decisão de proibir dois jogos de computador e o fato me preocupa.
Em primeiro lugar, ao meu ver, demonstra o total desconhecimento do que tem alimentado a violência em nossa civilização e, combatendo a fonte errada, deixa-se de lado as verdadeiras raízes da violência que, mais uma vez em minha opinião, tem mais relação com a falta de objetivos humanos elevados (tão raros em uma sociedade centrada no consumo), na manipulação das massas para usá-las como instrumento de disputas comerciais alimentando a intolerância entre culturas a fim de sustentar conflitos.
Em segundo lugar haveria de se manter a coerência proibindo TODOS os jogos de guerra ou violentos que talvez representem 90% do mercado. Mas que não se proibisse somente os jogos, mas também toda expressão cultural, artística, esportiva (várias lutas olímpicas) ou religiosa que seja usada como justificativa para a violência. A propósito, as religiões deveriam então ser banidas já que certamente superam todas as demais justificativas para a violência?
Há uma razão para não tomarmos uma iniciativa tão radical: estas manifestações supostamente violentas não são causa, mas reflexos de uma civilização violenta. Elas são necessárias até para que tenhamos uma via para a catarse da violência a que somos submetidos diariamente nas páginas de jornal, no noticiário e nos fatos políticos que nos fazem sentir impotentes e usados.
Em terceiro lugar, estes jogos que são jogados em grupo são uma chance de socialização para jovens que, de outra forma, trilhariam o estreito corredor da solidão onde toda a realidade é moldada por uma única mente, a do jovem. E se esta mente não é saudável ele é mais facilmente cooptado pela esquizofrenia ou meramente por uma neurose que pode assumir dimensões catastróficas.
O que estou dizendo é que, ao proibir formas de socialização e liberação da violência (principalmente sem acabar com suas causas) pode ter um efeito contrário atirando jovens que poderiam encontrar alívio e apoio para os seus problemas tornando-se bons cidadãos em um curso de pensamentos que culminará com a sua desintegração social.
Tenho certeza que, se vocês consultarem psiquiatras, psicanalistas e psicólogos de renome a respeito disso haverá um consenso entre eles muito semelhante ao que eu disse embora não seja profissional da área, mas apenas um adulto que conversa muito com as crianças da família e entende como elas lidam com estes jogos.
Obrigado pela atenção.
Atenciosamente,
Roney Belhassof
Para quem mais será que vale a pena enviar?
Estou me lixando para os jogos, mas realmente acho preocupante que enfrentemos as coisas erradas… Assim a gente não sai do lugar!
Resolvi acrescentar um links úteis.
- O que explica a violência de jovens de classe média? da psicanalista Anna Verônica Mautner
- Artigo no Consultor Jurítico (com comentários interessantes)
- Texto completo da decisão do juiz (quero colocar aqui, mas não achei)
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Violência contra a mulher: olhando o próprio rabo…
10th, December 2007
Não sei se o vídeo é verdadeiro, não acredito em nada sem as devidas provas, mas não me pareceu absurdo.
Vão me crucificar então preciso dizer que sou contra qq tipo de violência. Sou contra o nosso sistema presidiário, contra castigar crianças, contra até a discursos inflamados.
Apesar disso o vídeo me pareceu um avanço se for verdadeiro.
Uma sociedade que admite a pena de morte por apedrejamento que passa a pregar a moderação da violência (não causar sangramento, fraturas etc.) vai a caminho de práticas mais humanas.
Me preocupa mais o Brasil que agora tem vagões exclusivos onde as mulheres podem se esconder na hora do rush em vez de haver punições reais para os assediadores.
Me preocupa a crescente sede de vingança e tortura para os criminosos que se armam com o fogo ou a corrupção.
Tenho receio que estejamos revoltados com vídeos como este porque é para lá que nos dirigimos enquanto eles talvez estejam se afastando destas violências.
Achei este vídeo aqui no blog Mídia Árabe.
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