Sopro do leste
1st, January 2009
Onze horas da manhã do primeiro dia de 2009.
Deuses sopraram seu bafo do leste durante a noite, Ipanema, Copacabana cobertas com as brumas quentes do verão, o Leblon se disfarça de Avalon e desaparece.
Pessoas, no calçadão, nas ruas litorâneas, nas areias, milhares delas já despertaram dos festejos e se alimentam do primeiro dia do novo ano.
Aqui ou ali olhos marejados dos que ainda não viram o hotel e emendaram a festa com a praia, são espectros que carregam uma certa tristeza de embarcação sem porto, de coração sem dono…
O mundo real offline tem mais cores do que o real online, entretanto ainda mais cores tem o mundo virtual dos que se enganam sob a luz dos fogos ou o brilho do monitor. Tem mais cores, não mais calor! Online ou offline não há calor mais constante do que a amizade sincera, do olhar que se desvencilha da fantasia mesmo sabendo que em tudo há uma dose inevitável de virtual.
Reveillon é um ciclo virtual, um fim inventado… Sim, um fim… Devia ser um começo… Homenagem ao que houve de bom no ano que passou (e continuará no que chega) e boas vindas ao que haverá de bom. Em geral explodimos em luzes para exorcisar o mal passado… Felizmente hoje tive muito a comemorar!
Pois o ciclo pode ser virtual, mas o brilho de felicidade leve na maioria dos olhos que passam por mim deixa claro que hoje começa algo muito bom!
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Às vésperas dos fogos
30th, December 2008
Uma balbúrdia circula pelo bar no centro histórico onde nos séculos passados caminhavam poetas boêmios que morriam de tuberculose precocemente, mas achavam tempo para povoar as linhas da literatura com vozes veludosas, veldas vozes de um passado mais distante para a memória do que para os anos.
Na mesa branca se espalham copos, cestinha com pães, bandejinha com aperitivos acebolados e meia dúzia de máquinas digitais.
Cinco amigos ao redor da mesa desfiam memórias, histórias, opiniões, tiram fotos… Risadas pontuam as frases e dão o ponto final continuativo das histórias que parecem sempre terminar com reticências.
As mesas ao redor são imagens desfocadas. Turistas que se alojam nos albergues e hotéis mais baratos ou que pesquisaram e foram capazes de encontrar aquela região de tesouros escondidos da velha cidade turística. Outros ali saíram dos seus trabalhos e buscaram o famoso chopp gelado. Uns poucos caíram ali por mero acaso.
Do lado de fora as ruas já escuras e vazias do movimento febril do último dia útil de 2008.
A julgar pela chuva de papéis de trabalho catarsicamente picotados e defenestrados muita gente considera os dias não úteis mais úteis, ou pelo menos mais agradáveis, que os dias ditos úteis.
Na praça, assistidos pelos olhos silenciosos das janelas do altivo mosteiro que permanece invisível até que de lá escapem as notas graves do canto sacro, homens de laranja operam vassouras e máquinas de varrer para remover pilhas de papel picado.
Não há pessoas na cidade. Estão todas mais além…
As escadas rolantes do metrõ desembocam como rios em vários pontos da Princesinha do Mar já alagando suas ruas, calçadas e areias com os primeiros milhares que logo serão mais de um milhão de pequenas pessoas que se espremem para ver o fim de um ano ritualisticamente queimado pelos fogos que explodem em cores e formas no céu escuro da última noite do ano.
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Luzes…
31st, December 2007
Calor! O ano vai mesmo virar! Sempre é assim! Ou muita chuva, ou muito calor!
Os preparativos aqui são modestos. Frutas, farofa de alho, tender porque minha sogra adora, chester com alternativa para uns e prato principal para outros, salada de batatas, um panetone trazido por uma amiga e um pouco de saudades dos poucos amigos que tem pouso garantido aqui em casa. Vocês sabem quem vocês são!
Pensamos em ir na praia depois de alguns anos vendo os fogos de casa, mas o calor e a multidão nos desanimou.
“Medo da violência?”
Que nada! A gente não curte é a mistura de calor com multidão, barulho etc.
Isso me lembra do amigo que está zanzando por Ipanema e periga hipnotizar a praia inteira! Vou dar uma ligada… Será que ele vai encontrar com nossa amiga de Sampa que veio em socorro de um amigo?
Virada de ano para uns é assim: tempo de exercitar os valores da amizade, companheirismo, amor…
Para um bocado de gente é só alegria! Saltar na praia ao som inebriante do techno ou energético do funk banhado de muita cerveja, sorrisos largos como o céu lá em cima e um toque de alienação que uns criticam, mas alimenta as esperanças para o ano que chega!
Até que bateu uma brisinha aqui e o pipocar de tiros e fogos do morro deu uma folga, eles também estão no embalo do funk agarrando-se por um dia ao prazer puro da alegria das transições.
Ah! Este espírito indeciso que nos divide entre o medo e a paixão pela transformação!
Isso sem falar nas pequenas diferenças que nos fazem viver em mundos ligeiramente diferentes uns dos outros e… algumas vezes, beeeem diferentes…
Se você der uma espiadinha aqui no nosso verá uma gente que se reúne em torno da chama tênue da razão cuja luz sabe deixar nas trevas do passado as convicções obsoletas para abraçar as descobertas do futuro sempre um passo adiante.
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