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Em busca do Pó: Parte 1

15th, February 2008

Do pó viemos, ao pó voltaremos.

Na mitologia judaico/cristã os humanos foram feitos de barro, de pó com água e o sopro divino que nos concedeu consciência.

Não é deste pó que estou falando. Aqui Pó será o sopro divino da consciência. Estou fazendo referência a Fronteiras do Universo (His Dark Materials), um livro de fantasia humanista escrita pelo inglês Philip Pullman.

Até onde conheço é a obra que chega mais perto do que penso sobre Deuses, espiritualidade e religião. Tem uns pesquisadores do MIT que também me interessam bastante, mas ainda não os li com calma.

Já a um bom tempo venho escrevendo posts que abordam a espiritualidade e a consciência, mas vinha me esquivando de mergulhar a fundo no assunto, só que isso de falar nas coisas pela metade estava me fazendo voltar sempre ao tema e este blog nunca foi monotemático. Não quero que passe a ser.

Assim, decidi escrever tudo que tenho para escrever sobre este assunto AGORA!!

Tá, não tão agora assim! Primeiro vamos à introdução que será "linkada" em todos os outros, mesmo que eu tenha que escrever em 250 partes! Pelo menos esgoto o tema e… nunca… mais… …falo nele…

Bem, este é o primeiro ponto importante: eu não posso esgotar o tema tanto como não posso explicar plenamente a teoria das cordas. Estas coisas estão sempre em movimento.

Ainda outro dia um visitante reclamou que o meu problema é que dou a minha opinião! Mas, pelos Deuses!!! Só alguém que tem o delírio de se achar Deus ou seu arauto é que pensa estar proferindo verdades e não sua opiniões pessoais!

Em alguns momentos vou citar motivos científicos que apoiam a minha opinião, mas lembre-se: aqui não haverá nenhuma verdade! Aliás haverá uma: eu acredito no que estou escrevendo. Mas se este post tiver mais de um ano ele já pode ser mentira! ;)

Eu pretendia dizer muito mais neste primeiro post, mas vou terminar por aqui pois acho que dois pontos chave já são o bastante para definir a linha de argumentos que virá a seguir:

  1. Esta série de posts "Em Busca do Pó" é sobre a busca da consciência e o papel da religiosidade, das religiões e das crenças nesta jornada
  2. Não haverá verdades aqui, apenas opiniões de um humano agnóstico que, sempre que possível, busca na ciência e na filosofia algum suporte para corroborar ou invalidar uma destas opiniões

Créditos: Esta série de posts não existiria se não fosse a Miriam (coloco aqui o link para o blog dela se ela quiser), mas acho que ela nem notou!

Filed under: Crenças, Filosofia | 9 Comments »

Convicções?

12th, February 2008

Que absurdo! Eu não escrevi nada ontem! Eu jurava que tinha escrito algo ontem! Gostaria de escrever todo dia porque tem todas estas coisas na minha cabeça… Idéias, devaneios, opiniões, dúvidas… Nossa! Muitas dúvidas!

Comecei a duvidar aos 11 anos quando descobri que, conforme a física de Einstein, a gente não passava de energia que parecia sólida no que me pareceu na época um tipo de ilusão.

Bem, pensando melhor eu duvidava muito antes. Creio que toda criança duvida.

O que acontece é que, esta característica de criança, eu nunca abandonei.

Por mais que a gente duvide tem coisas que a gente esquece de duvidar. Nos acostumamos com elas e nem pensamos a respeito. Que nem ensinar pela força, batendo. Pelo menos para algumas pessoas que ainda batem em seus filhos sob pretexto de educá-los.

Adestramento InteligenteEu mesmo esqueci de duvidar disso no que se referia à educação canina. Só agora que tenho um cãozinho de 31Kg (e uma esposa brilhante) fui levado a duvidar do adestramento pela força, comprei o livro do Alexandre Rossi (aqui ao lado) e tenho um educadíssimo (embora medroso) amigo que aprendeu tudo sem apanhar.

Também passei umas três décadas sem duvidar de vários pontos básicos da religiosidade.

Basta parar para pensar em qualquer coisa para notar que há muito a rever, muito a descobrir sobre cada pequena ou grande base da nossa cultura, moral, crenças…

Convicções… Teve uma época em que eu, duvidador convicto, falava em questionar "minhas convicções"! Vê se faz sentido? Se é convicção não se questiona! ;-) E isso não faz muito tempo!

A todo momento estamos sendo incoerentes em algum ponto. Hoje o meu alvo são as incoerências das convicções religiosas que, se são convicções, já estão erradas!

Se religião é um meio de buscar Deus e se Deus é qq coisa incomensuravelmente além de nós então qualquer convicção nos prende a uma visão antiga, incompleta e portanto distante de Deus.

É melhor não começar a falar agora onde esta minha onda de desconstrução do que eu pensava sobre Deus está me levando porque isso é um post, não um artigo e muito menos um livro! Vou dizer apenas que até agora posso até simpatizar com muito do que os ateus do momento tem a dizer, mas acho que eles são a reação de igual intensidade e vetor oposto ao fundamentalismo religioso.

Na zona de impacto entre os velhos donos de Deus e seus assassinos modernos há espaço para uma Consciência extasiante que nenhum de nós jamais supôs porque estávamos presos aos Deuses que os humanos primitivos foram capazes de "ver".

Bem, com isso acho que cumpro a sugestão de um amigo judeu para este judeu desgarrado: em seu aniversário aproveite a oportunidade para refletir. ;-)

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Somos todos um

22nd, January 2008

Aproveitando que a visitante Laura me criticou por ver a verdade na ficção… Bem, eu nunca falei isso, né? Digo sim que a linguagem metafórica da fantasia (e não da ficção) é o melhor instrumento para retratar as coisas mais importantes e que vão além dos fatos nús e crus. Algo assim.

Em todo o caso - já que levei o selo de ignorante e que eu gosto mesmo é de falar das coisas que podem atingir a todos e não apenas o restrito grupo de leitores capazes de ler Shakespeare - decidi falar de um filme da linha “Quem Somos Nós” e “O Segredo“. 

É este aqui: Somos todos um.


Somos todos Um - DVD
Notou que as capas de todos estes filmes são parecidas? E o pior é que cada um tem pouco ou nada a ver com os outros…

Este contém as respostas de um monte de religiosos e espiritualistas sobre coisas como “o sentido da vida” ou “quem é Deus”.

O problema desta leva de livros, digo, de filmes de auto-ajuda é a sua abordagem superficial, mas pense bem… Nós não vivemos imersos em uma cultura superficial? Quantas pessoas estão a fim de ler Goethe?

“Somos Todos Um” é feito por amadores e dá para notar isso. Há partes dramatizadas que são enfadonhas, mas eles foram felizes nas perguntas e nos entrevistados que conseguiram atrair.

Fiquei com uma certa impressão de que existe uma inspiração anti-cristã e anti-ateista o que já é interessante pois em geral as coisas estão de um lado ou de outro. Pensando melhor o tom é anti-fundamentalista.

Na pior das hipóteses o filme vale para ver certas diferenças e semelhanças entre rabinos, padres, sufistas, espiritualistas e, um dos pontos fortes, pessoas na rua sem nada de especial, mas com opiniões ricas e instigantes.

Seria melhor um tratado filosófico cheio de referências e discussões filológicas? Para mim seria, mas creio que este, melhor do que os outros dois filmes que citei no começo, pode fazer um serviço positivo a favor da trasnformação das nossas fronteiras culturais em pontes humanas.

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