Reagindo a preconceito com preconceito: coisas que irritam

Imagem: Liz Bridges

Na série “Coisas que incomodam”

Preconceito seletivo
“Os héteros vieram agredir as minas”

Aha! Mas pode parar se você está pensando “Feministas odeiam homens” que você está errando tanto quanto as pessoas acima!

Claro que irrita uma frase contra um preconceito construindo outro, afinal esperamos que a pessoa que seja contra um preconceito seja contra os preconceitos em geral. Mas não é assim. Todos nós podemos ter essa cegueira.

Mas não use isso para desqualificar uma causa, o que aliás é uma falácia vexaminosa: olha, tem feminista que odeia homem, feminismo é odiar homem.

  1. Desenvolver uma sociopatia contra um grupo agressor infelizmente é um dos efeitos da agressão constante e é compreensível;
  2. Da mesma forma que o distúrbio de que quem discrimina mulheres é o ódio e não a heterossexualidade (que sequer é distúrbio) o distúrbio (provavelmente trauma) de quem tem estereotipa os héteros (para usar o exemplo acima) não tem nada a ver com feminismo.

Agora sim eu posso falar por que me irrita.

Se realmente queremos fazer algo para dissolver preconceitos e estereótipos temos que identificá-los e dissolvê-los em nós mesmos, do contrário acabaremos alimentando uma polaridade que não existe e criando um conflito que estimula a ideia de que um é inimigo natural do outro (brancos e negros, homens e mulheres, heterossexuais e LGBT, direita e esquerda, uma religião e outra religião…) quando somos complementares, quando somos todos parte de uma infinita possibilidade de diversidade.

Nos tornamos agentes do preconceito…

E isso me irrita!