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Amizade virtual X real

1st, July 2008

No dia 20 tivemos o solstício de inverno e alguns dias depois escrevi um dos meus 4 emails gerais que mando para os meus amigos nos solstícios e equinócios.

Nele eu falava que o email não é mais uma forma adequada para encontrar os amigos pois, além de ler seus blogs, podemos acompanhar o que fazem online e offiline através dos Friendfeed, Twitter, Plurk e StubleUpon da vida.

Uma amiga respondeu o seguinte:

Vc tá doido?
 
O que significa: "Hoje em dia a gente não precisa mais dos emails
para saber dos amigos, tem jeitos muito mais interessantes e vcs podem me achar em três deles:"?

O meio mais interessante para saber dos amigos é encontrá-los.

Sabe que não é?

Não se trata de amizade virtual X real como vários jornalistas gostam de colocar quando não sabem o que falar a respeito de redes sociais online, trata-se de espaço real e espaço virtual de interação!

Hoje tenho certeza que as pessoas que me encontram 10% no mundo real e 90% no virtual me conhecem melhor do que a maioria das que me encontram 90% no mundo real e 10% no virtual.

Mal comparando é como dizer que falar é uma besteira pois sabemos mais uns dos outros grunhindo e caçando nús pelas pradarias… Bem, é verdade que estas práticas revelariam muito do que realmente somos, mas a invenção da fala e da escrita foi como escancarar uma janela que antes não passava de uma fresta na parede!

Quando você acompanha as manifestações online de uma pessoa interessante invariavelmente descobrirá que ela se interessa por assuntos que você nunca imaginou porque quando estão juntos pessoalmente não há tempo para falar de tudo!

No caso da amiga em questão o caso fica ainda mais curioso já que ela é enrolada com telefones e simplesmente só consigo falar com ela por email! ;-)

O humano do século XXI é complexo demais para ser conhecido apenas por suas manifestações no mundo real, o que ele faz no mundo virtual e o que diz em seus blogs, Youtubes e Twitters constroem uma personalidade que não cabe no lento mundo virtual onde as palavras devem ser ditas uma de cada vez.

A Internet realmente é a Matrix, mas, e isso é algo que vou explorar mais em outro post, se você quer ver o mundo real, as pessoas reais é lá nela, na Matrix que você deve procurar…

Filed under: Filosofia, Sociedade | 2 Comments »

Neuromancer

27th, January 2008

Tenho que escrever lá no meu site…

Pelo menos sobre os livros que li eu tinha que escrever. Se não sobre eles sobre os que vou lendo.


Capa de Neuromancer
Acabei de ler o Neuromancer nesta edição ai do lado com o rosto pálido da Trinit, digo Molly.

Pode continuar lendo pois não gosto de spoillers e não vou contar nada importante sobre a trama do livro. 

A leitura não foi das mais fáceis para mim no começo. Demorei a entender o intrincado mundo do futuro imaginado por Gibson, mas depois da dificuldade inicial adorei.

O fato curioso é que só costumo gostar de livros que tem algo instigante a dizer como uma visão profética do futuro ou, melhor ainda, uma análise audaciosa da alma do nosso tempo ou da essência da nossa própria alma. As grandes obras são assim.

Neuromancer faz toda ficção científica cyberpunk como Matrix parecer uma adaptação simplificada e piorada da imaginação do Gibson, mas não vi na história nada que realmente me surpreendesse o que tem me feito perguntar porque gostei tanto da leitura.

Bom, é um mundo cinza, sem bem ou mal, somente pessoas que, embora sejam essencialmente boas, se encontram endurecidas por um mundo inóspito e sem grandes perspectivas de futuro. Parecido com o nosso.

Quero dizer que as pessoas em Matrix, digo, em Neuromancer, parecem se dividir entre as que batalham para ter o direito de sobreviver pagando por um pouco de diversão, moradia e comida e as que são ricas e não tem no que gastar a grana além de prazeres hedonistas.

Bem parecido com o nosso mundo ou com o que ele pode se tornar.

Começo a perceber porque gostei da obra… De certa forma é um alerta para o tipo de mundo que podemos criar se não formos capazes de encontrar objetivos individuais e para a nossa espécie.

Talvez as grandes questões do Universo não sejam de onde viemos, quem somos nós e para onde vamos, mas sim  para onde queremos ir, quem desejamos ser e como chegaremos lá. Sem metas talvez acabemos no Sprawn.

Filed under: Comportamento, Literatura | 1 Comment »