Um futuro para os livros de papel
9th, March 2010
Vamos reconhecer: Não escrevemos mais em rochas ou em papiro. Não fazemos mais livros à mão e quem tem menos de 15 anos muitas vezes não sabe o que é uma fita K7 ou VHS.
O papel e tinta vai acabar. Isso é indiscutível. E a cada dia fica mais claro que será muito em breve e por isso evitarei discutir agora os livros na era digital.
No entanto algumas das limitações dos livros de papel os tornam úteis e, até mesmo um defensor do livro digital como eu, deve pensar em preservar:
- Temos que treinar nossa linearidade e livros digitais são hipertextuais
- Percorrer com os olhos prateleiras de livros tem algo do labirinto de Borges em Aleph, tem uma dimensão lúdica no papel que será fatalmente diferente no digital
Apesar disso a imposição memética matará em breve o livro de papel e tinta para assim liberar seus conteúdos para fluirem livremente por um número muito maior de mentes.
Certo disso, e lamentando pelo universo lúdico antigo que não sobreviverá no novo digitolúdico, tenho refletido longamente e hoje fui recompensado com um insight que passo a compartilhar.
Podemos levar as livrarias modernas um passo adiante aumentando seus espaços de leitura e movendo sua fonte de lucro para outros serviços.
Os livros de papel poderiam ficar disponíveis para leitura gratuita para todos que consumissem cafés, bolos, sanduiches.
Poderiam haver espaços de leitura interativa para as pessoas dispostas a comparar e conversar sobre os livros que estão lendo.
Cada um desses centros de leitura poderia ter duas ou três salas para falas, debates e encontros. Alguns pagos, outros gratuitos.
Uma das grandes limitações dos livros de papel que não consigo ver como vantagem é seu caráter solitário e anti-sociável. E isso seria praticamente eliminado em espaços de leitura onde as pessoas naturalmente se interessariam umas pelas outras quando não estivessem lendo.
Esse é apenas um rascunho de uma proposta, mas livrarias e editoras devem começar a pensar em alternativas como essas imediatamente pois o mercado editorial certamente é o próximo passo na digitalização da humanidade.
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Digitalizando a biblioteca
9th, February 2010
Decidimos digitalizar todos os nossos livros e passar as versões de papel para nossos amigos mais próximos e leitores dos blogs.
Para você pegar o seu é facinho!
- Clique abaixo para ver os livros que ainda não vendemos e os valores. Se quiser um e ninguém tiver pego ainda deixe um comentário na foto dizendo que o quer.
![]() |
| 2010-02-09 sebo |
- Se não der para se encontrar conosco pessoalmente para pegar o livro calcule o frete com o calculador de frete dos Correios (essa é a parte chata…) e marcar as seguintes opções:
- Serviço: PAC
- CEP de origem: o nosso, ou seja 22071-100
- CEP de destino: o seu
- Peso estimado: 1Kg (a menos que vc compre um monte de livros juntos)
- Formato: Caixa/Pacote
- Comprimento: 30cm
- Largura: 23cm
- Altura: 4cm
- Mão própria: não
- Valor declarado: R$10,00
- Aviso de recebimento: não
- Embalagem: caixa encomenda 04 (36×27x18)
- Agora paga, né?
- O último passo é enviar o seu endereço por email para a Cláudia Mello usando o formulário de contato do site dela (só ela lê).
Assim que o pagamento aparecer a gente envia os livros para você
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Godofredo chega em 12 de dezembro
28th, November 2009
O Godô dança será lançado
sábado, dia 12 de dezembro de 2009,
das 11h30 às 14h,
na Livraria Sobrado,
na Av. Moema, 493 – Moema – São Paulo – SP.
Vai ter contação de estória para os pequenos.
Godofredo é um livro infantil escrito por Carolina Vigna-Maru, amiga de longa data e uma das pessoas mais cultas que conheço.
Poucos amigos me pedem para escrever sobre seus trabalhos porque minha natureza solitária me torna um crítico sem pudor: Se for ruim eu falarei mal.
No entanto esse ainda não é um post sobre o livro, posto que não o li ainda, mas sobre a autora, seu estilo e a densidade das suas palavras.
Já li muitas coisas da Carol e há nelas várias qualidades que me enchem de expectativa e esperança diante dessa publicação.
Em primeiro lugar há justamente uma densidade de experiências e profundidade de vida que frequentemente transbordam, no cenário, no caráter dos personagens ou até permeiam toda a obra (conto, poema…) fazendo das suas criações muito mais do que arte de consumo.
Não menos importante: ela escreve para nossa porção inteligente, jamais para nossos aspectos tolos.
Como disse mais acima, quando é ruim não me importo se é amigo ou não, entretanto, vindo da Carol realmente espero uma obra no mínimo original e instigante. Vá conferir ![]()
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Livro de papel na era digital: Singular Digital
30th, September 2009
Pois então, eu ganhei a Cabeça do Steve Jobs no Twestival Rio
Tá ai a foto do livro:
Beleza, tô lendo o livro e adorando, mas o que me deixou de queixo caído foi outra coisa. O livro foi impreso sob demanda!
Na boa? Não sei se a Singular Digital (que é do grupo Ediouro) se tocou, mas acho que eles tiveram a idéia de ouro e grana para implementá-la com qualidade.
Antes de mais nada tive dificuldade em acreditar que se tratava de um livro impresso sob demanda pois ele é igual ao que está nas livrarias.
Em segundo lugar, e mais importante, é que há tempos as editoras se mostram como um obstáculo à publicação de livros e não um agente facilitador.
Até a Singular Digital a gente tinha duas opções:
- Bancar do nosso bolso uma edição independente e sem qualidade para fazer o lançamento em uma livraria onde 20 cópias seriam vendidas antes de sumir no limbo editorial
- Mandar nosso original para todas as editoras e aguentar as rejeições até sermos descobertos como aconteceu com a J.K Rowling, Dan Brow e vários bons escritores despresados pelas editoras até serem levados a público ávido por eles.
A Singular pode mudar tudo isso!
Resumindo ao essencial:
Você entra no site da Singular Digital, se cadastra, envia seu o arquivo digital do livro e pronto.
É só isso mesmo! Acabou! O resto do trabalho a qualidade do seu texto e as redes sociais online farão por você.
Se entendi corretamente seu livro fica lá no site deles, se alguém quiser comprar é só clicar nele, pagar e eles imprimem e mandam para a casa do comprador. Devia se chamar Simples Digital
Com esse tipo de serviço à diposição imagino que novos Shakespeares possam apostar nas suas obras colocando-as lá, divulgando trechos por conta própria nos seus blogs e em redes sociais, talvez possam até distribuir o livro digitalmente em Creative Commons para ser conhecido.
É o que pretendo fazer com pelo menos 3 livros que tenho praticamente prontos e nunca tive paciência de expor ao escrutínio de uma indústria míope.
O que falta?
Caminhando pelo site senti falta de algum tipo de acordo de licensa de uso que defina como vai funcionar o relacionamento do autor com a editora.
Também não vi onde diz quanto do valor do livro vai para o autor.
Também não sei se é o autor que deve obter o isbn ou se a editora providencia isso.
Mas estas coisas são detalhes que certamente serão resolvidos enquanto o serviço se desenvolve.
Resta torcer para a Ediouro perceber o pequeno tesouro que tem em suas mãos e conduzir bem o projeto!
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Hipopotamonstrosequispedaliofobia
17th, December 2008
- Hã?
- Hipopotamonstrosequispedaliofobia… Medo de palavras muito grandes, tá aqui no livro, é uma das 10 maiores palavras da nossa língua… Engraçado, né?
- an-ti-cons-ti-tu-cio-na-li-ssi-ma-mente… É maior! Eu pensei que ela fosse a maior!
- Não, essa é a oitava…
- Nossa… O hipopótamo é a primeira, então?
- Não… Sexta! Hehehe!
- Que absurdo! Qual é a primeira?
- Pneumoultramicro… Não consigo ler tudo isso! Toma o livro aqui!
- …noconiócito! Vixe!
Canecas de café fumegante descansam sobre a pequena mesa redonda contrastando com a fina película de chuva que bruxuleia entre as luzes dos postes acesos. Os dois amigos esperam o tempo passar enquanto conversam e folheiam a pequena pilha de livros cuidadosamente colocada longe do café e dos biscoitos de amêndoa.
A noite já virou madrugada, mas eles não tem pressa, belas moças ainda entram e saem da bucólica casa de chás. Umas fazendo uma última escala antes de voltar para casa, outras ainda se aquecendo antes de mergulhar nas luzes e no som abafado de uma boate.
Em silêncio os dois observam duas mocinhas jovens lá pelos 27 anos conversando animadamente deixando-os enebriados por muito tempo ainda com os traços dos seus perfumes.
Quais serão os 10 momentos mais felizes na vida de uma pessoa? Os dez mais tranquilos, os mais meditativos, os extasiantes? Quem sabe?
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