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Lembretes para o dia-a-dia 95: O que nos torna humanos?

7th, March 2010

Hoje sabemos que muitos animais são capazes de altruismo, auto-sacrifício, compaixão, empatia, se comunicar por palavras… Praticamente tudo que sempre consideramos humano é animal e isso, combinado ao medo natural de grandes transições como a que vivemos, nos leva a uma profunda auto-depreciação: Somos apenas animais com deifeito, somos maus.

Mas nem isso é privilégio dos humanos, animais também são capazes de manipular, enganar, odiar…

No entanto há duas coisas especiais que fazemos melhor que qualquer animal, se é que algum outro é capaz de fazer isso:

  • Nossa consciência é capaz de superar nossos instintos permitindo-nos mudar o rumo da nossa evolução genética para uma evolução cultural
  • Animais tem empatia por outros na mesma espécie, nós somos capazes de ter empatia por qualquer coisa, até virtuais: Humanos são capazes de amar como nenhum outro animal
  • Nós temos a resposta para o sentido da vida, do universo e tudo mais: Buscar o sentido da vida do universo e tudo mais! Somos os únicos animais conhecidos capazes de buscar respostas para nossa própria existência e do Universo

É bom e saudável curtir os prazeres animais da vida, mas não devemos nos esquecer jamais do que nos torna quem somos e a chave para isso, como sempre digo é que “A arte é o ar que a consciência respira”

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#SavetheW: Salve o Mundo

15th, November 2009

Por que decidi usar a tag #SavetheW para todos os meus tuites sobre ecologia, humanismo, igualdade social, justiça social, liberdade de expressão, democracia, direitos humanos etc?

Já andei falando que não adianta mais tentar impedir as mudanças climáticas, mas isso não significa que não devemos nos tornar uma presença benigna na pequena nave em que cruzamos o Universo.

É por isso que resolvi abraçar a tag #SavetheW no Twitter.

Entendo que a intenção original é estimular reflexões e ações ecológicas e que estou pervertendo um pouco o uso da tag, no entando não lhe parece que há algo de errado em uma sociedade que se preocupa com assassinato de golfinhos, mas clama publicamente pelo holocausto de criminosos ou permite que mais de um bilhão de humanos vivam sem conhecer a luz elétrica?

Mundo. O que é Mundo?

As campanhas de Salve o Planeta me incomodam porque o Planeta mal sabe que estamos aqui. Nossa arrogância chega a crer que os terremotos acontecem para nos castigar ou coisa parecida.

Mundo, de acordo com o Aulete online é “A população mundial, a espécie humana” ou “Qualquer parte da Terra, ou os seres e coisas que nela existem”, portanto Salve o Mundo é salvar os terráqueos e com isso concordo plenamente.

A evolução é uma força inexorável e, se nenhum cataclisma natural avassalador (como o impacto de um grande asteróide) interromper nossa jornada, nossos sucessores continuarão povoando a Terra nos milênios por vir.

No entanto me pergunto como seremos? Mais altos, mais baixos? Mais fortes, mais delicados? Lindos? Horríveis?

Hoje isso não depende de nós. Não criamos realmente nossa língua, nossos costumes, nossa economia ou nossos arranjos sociais. Somos mais fruto de acaso de instinto do que de planejamento, razão e consciência.

Se estamos em um ponto de ruptura creio que não é o da ruptura climática, mas da ruptura da conciência.

Já não faz mais sentido que nos deixemos controlar pelos impulsos animais: precisamos construir nosso mundo.

Preferia até essa tag: Build_the_W. Mas #SavetheW está perfeita pois a mobilização para formar massa crítica é necessária.

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Porque os evangélicos são perseguidos?

18th, September 2009

Sempre digo que já falei tudo que queria sobre religiosidade na série Em Busca do Pó, mas de tempos em tempos acabo escrevendo algo que me dá pena de deixar perdido então aqui vai o comentário que deixei no post Porque o cristão evangélico eh sempre o alvo? da Tici Meliani:

Não achei esse texto no blog da Malu então vou comentar aqui dando o ponto de vista de alguém que odeia ser abordado por evangelistas.

Tirando uns Hare Krishna também chatos nunca fui abordado por taoistas, budistas ou wiccas querendo me impor que eu iria para o inferno ou que deus ficaria irritado comigo se não admitisse que ele (o evangelizador) estava errado.

Tem uma coisa meio perversa no cristão que se diz portador da palavra de deus, sabe?

Para mim é por isso que as pessoas batem a porta na cara do evangélico: elas os vêem como falsos profetas e preferem buscar Deus à sua maneira.

Eu li a bíblia toda quando tinha uns 11 ou 13 anos. Não é uma leitura agradável e não corresponde mais aos nossos tempos com toda aquela coisa de apedrejar adúlteras (homem pode), matar quem trabalha no sábado ou escravizar o filho de quem te deve dinheiro.

Porque a palavra de Deus seria a palavra da bíblia e não a do Corão, do Tao Te King ou de Buda?

Porque Deus teria falado apenas com os judeus ao longo de três mil anos de história ignorando os gregos, os romanos, os chineses, os apaches, os inuit, os tapajós, os incas, os astecas… Foram todos criados por outro deus? É compreensível que os espanhóis tenham chegado a fazer um julgamento para decidir se índios eram ou não humanos lá no século XVII se não me falha a memória.

A questão é que talvez a bíblia seja apenas uma das tentativas humanas de entender a própria consciência, o mundo em que vive, e não a palavra de deus.

O problema é quando grupos de pessas decidem que ela é a palavra única e absoluta de Deus e que a sua interpretação daquelas palavras é a única e absoluta forma correta de interpretação.

Na minha opinião a religião jamais deve ser um princípio a ser imposto ou mesmo sugerido aos outros, ela deve ser um conjunto de compromissos pessoais para nos tornarmos alguém melhor e cada um deve escolher o conjunto mais adequado para si mesmo, nem que seja o (argh odeio) Harry Potter ou o (Aha! Adoro!) Fronteiras do Universo do Philip Pullman.

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Como um evangélico deve conversar com um ateu?

27th, June 2009

Acabo sempre voltando ao tema religião… Mesmo tendo escrito exaustivamente sobre isso aqui mesmo em uma série de posts ;-)

Sou humanista, ou seja, não me parece importante inserir deuses na equação da consciência humana, mas algumas das pessoas que mais respeito são especiais justamente pela forma que se relacionam com a sua fé e recentemente vi um convide da @aevangelista para comentarmos a difícil comunicação entre ateus e “teus” no seu post A Sabedoria de Deus é loucura para os homens (a da ciência também, a propósito):

Aqui está o meu comentário que achei que, pela extensão, precisava virar post:

É necessário ser muito cuidadoso com as pessoas pois nós humanos (aliás, toda forma de consciência) merece o mais profundo respeito, mesmo que discordemos diametralmente das expressões dessa consciência.

Vim deixar meu comentário aqui porque posso facilmente ser visto como um ativista ateu ou anti-religioso, mas na verdade sou um ativista da consciência livre e sinto que a Evangelista também é.

Em todo caso, minha posição e as minhas idéias a respeito de deuses e religiões devem ser expressas aqui com muito carinho. Espero que todos entendam ao me colocar contra certas idéias não me coloco contra as pessoas.

Bem, até pouco tempo eu me declarava como tecnicamente ateu pois não vejo razão para crer que o Universo foi criado por uma divindade, que alguma divindade ouça nossas orações ou cuide de nós.

Estou parando de me definir assim pois a palavra ateu está sendo usada para definir quem tem certeza que não existem deuses. Não acho que nosso conhecimento atual nos permita fazer esta declaração.

O máximo que podemos dizer é que os deuses que eventualmente existam não fazem questão de se mostrar para a humanidade preferindo que cada um encontre sua própria fé.

A fé do bom ateu é na humanidade, é no amadurecimento da nossa consciência no sentido de agirmos de forma moral porque é lógico e não porque algum deus nos ameaça com o inferno ou nos seduz com a promessa do céu.

A fé do bom cristão (fui profundamente cristão desde os 4 anos quando conheci uma freira especial até me decepcionar aos 11 ao fazer primeira comunhão) me parece ser em um Deus pronto a compartilhar com ele a sabedoria que não pode obter sozinho (nenhum de nós, crentes ou descrentes pode).

Algumas das pessoas que mais admiro e considero mais sábias são religiosas como Ghandi, Frei Betto, Dalai Lama, Leonardo Boff e alguns amigos que são especiais justamente por sua relação com sua religião.

Entretanto há facetas negras nas religiões.

Talvez a pior de todas, e que mais incomoda os ateus, seja a arrogância de crer que já sabe qual é a verdade absoluta, o Deus verdadeiro. E tudo piora quando quem não vê a mesma verdade é demonizado….

Os bons cristãos (católicos, protestantes, islãmicos), budistas, taoistas, wicca, esotéricos não são assim, são pessoas procurando desenvolver cada vez mais suas consciências para tentar ter uma visão melhor de Deus.

Os ateus também… Só que eles não creem em um deus místico, eles creem na consciência.

Talvez no final não seja muito diferente, mas se torna no momento que um grupo usa a lógica para comprovar o que não temos tecnologia para comprovar (a inexistência de deuses) enquanto os outros tentam usar suas experiências subjetivas no sentido contrário.

É uma fonte inesgotável de conflito.

Há de haver humildade.

De um lado a dos materialistas, deístas ou ateus que devem entender que na ausência de provas a favor ou contra todos devem ter direito a seus próprios postulados.

De outro a dos que creem que devem entender que a fé é uma experiência pessoal que deve reger a nossa concepção do mundo, a nossa moral, e não a dos outros. Usar a fé, nossos deuses e religiões para impor a nossa cultura aos outros é um ato de violência.

A arrogância (que atinge os dois grupos, é bom lembrar) é a raiz dos conflitos que contaminam até as relações entre cristãos e enquanto estivermos engajados em impor a nossa razão (ateista ou “teista”) perderemos de vista a razão em sua acepção pura.

Ao nos agarrar na razão rígida e imutável assumimos uma postura que não é nem evolutiva, nem criacionista, mas involucionista já que temos certeza que a visão correta de Deus é aquela de quem viveu há 5 mil anos…. No mínimo estamos estagnados. Vale lembrar que esse é um fenômeno humano afinal há um certo consenso de que nunca haverá outro Shakespeare. Só na física há um pouco de desenvolvimento, mas não sem resitências selvagens.

Respondendo a Evangelista, eu creio que o evangelismo proativo (incluindo o ateu) é um caminho contaminado pela arrogância… Não lembro nenhum grande humano ter dito para impormos nossas crenças a outros humanos, nem mesmo Cristo.

Será que os cristãos do segmento x, divisão y, categoria k do bairro h são superiores aos do bairro q e só eles entenderam Deus?

Parece-me claro que, se há um ou mais deuses cada um de nós, cada cultura humana, vê ou escolhe ver algumas das suas características.

Uns preferem seu ombro amigo onde podem depositar seus sonhos e projetos, outros preferem o braço forte para ajudá-los em suas difíceis missões de vida, poetas preferem tentar entrever seus olhos misteriosos cheios de sabedoria.

Essas escolhas são feitas de acordo com as nossas necessidades pessoais e aqueles com necessidades similares se juntarão a nós em nossas crenças ou razões. Não faz sentido impor a todos os humanos a mesma cultura.

A minha opinião é que o evangelismo passivo (incluindo o ateu) é o caminho.

Permitir que nossa visão de mundo altere profunda e constantemente a nossa consciência nos transforma em faróis brilhando com as cores e ritmos adequados para atrair nossos irmãos de fé ou de razão.

O problema é quando um grupo quer impor a sua consciência a todos os outros. Por isso defendo que não haja interferência religiosa na política e no ensino ou que haja interfêrencia completa apresentando-se as razões e contra razões de cada religião.

Fora isso há vários desafios dentro da própria forma de ler e interpretar os livros sagrados afinal é ridículo querer impor pela fé que a Terra é um disco apoiado sobre 4 elefantes que estão sobre uma tartaruga cósmica conforme está descrito nas crenças indus.

Da mesma forma minha avó morreu jurando que os homens tinham uma costela a menos que as mulheres pois ela foi tirada para fazer Eva. Não adiantava mostrar um esqueleto para ela pois sua fé era maior que sua razão (era mais uma pessoa profundamente boa que sempre admirei).

Na minha opinião os religiosos precisam deixar de ver seus livros sagrados como livros de física, química, antropologia e história passando a buscar neles o significado moral, a mensagem que eles trazem para nossa consciência e não para a nossa razão. Do contrário se tornará cada vez mais difícil argumentar com quem se baseia em fatos e ciência.

Afinal de contas qual é o ponto importante? Quantas costelas temos? Se fomos feitos de barro? Se o Universo existe há 6.485 anos? Ou a questão é o que vamos dizer para o outro humano que chega até nós precisando de uma palavra de conforto ou de motivação?

Estou enrolando por quatro parágrafos, mas acho que é necessário dizer… Desapeguem-se da Bíblia. Ou pelo menos lembrem-se que Jesus Cristo veio também para revelar que a palavra de Deus está escrita no coração dos humanos… Por isso ele pode transformar as leis antigas convidando quem não tinha qualquer pecado a apedrejar a adúltera… E com isso aboliu uma lei bíblica.

Foi Cristo também que disse que edificaria sua Igreja sobre Pedro, o homem comum e de coração puro e sincero. Cristo não deixou uma Bíblia, não precisamos dela para encontrar ou provar a existência de Deus, Espírito ou consciência, isso está escrito em cada pequeno fragmento do Universo onde encontramos pela fé ou pela razão, maravilhas sem fim!

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Eu não tenho fé, mas estava lá!

21st, September 2008

Duvido que algum deus real interfira em nossas vidas, desconfio que ao morrer nossa consciência se dissolve e deixamos de existir. Por isso me defino como ateu apesar dos protestos dos amigos mais íntimos que me lembram que acredito em formas de consciência superiores à nossa e que o Universo a desenvolve naturalmente assim como desenvolve matéria e vida.

Eles estão certo, mas em termos práticos prefiro me definir como ateu.

Então o que eu estava fazendo no meio de 50 mil pessoas que berravam EU TENHO FÉ!!!! AXÉ!!!!!   ???

É muito simples! Tenho dois grupos de razões! As que me levaram lá e as que descobri depois de algum tempo lá.

Porque fui?

Como humanista eu defendo até as últimas forças o seu direito de pensar e sentir livremente, mesmo que eu não concorde com você! Este movimento foi organizado por tradições culturais e religiosas que vem sendo perseguidas e demonizadas sistematicamente por alguns grupos que se dizem crsitãos.

Estes mesmos grupos querem impor o ensino das suas crenças como se fossem ciência e proibir o ensino de ciência como se fosse crença e isso me atinge diretamente. Nada comparado com o que a Ubanda, o Cadonblé, a Wicca e outras tradições sofrem, mas ainda assim é uma boa razão para me unir ao movimento.

Curiosidade. Eu também fui por curiosidade.

Porque fiquei?

Cheguei lá às 10h. Fiquei em pé andando lentamente ao lado deles por mais de 4h. Porque fiz isso?

Ao chegar lá percebi que havia motivos muito melhores para ter ido.

Tive vontade de me oferecer para subir no palanque deles e dizer porque havia pelo menos um ateu entre eles.

Era uma festa tão bonita que achei que não era o melhor momento para causar este tipo de comoção e portanto mantive silência, mas  o discurso que imaginei explica porque acho que todos nós (religiosos ou ateus) deveríamos estar lá!

Sou ateu e aqui estou entre tantas pessoas de tantas crenças e tradições do espírito. Estou aqui em defesa do fim da intolerância. para manifestar meu apoio à causa de tranformá-la em tolerância (que é intolerâncai educada), depois em respeito e, finalmente, em uma extasiante admiração da riqueza e diversidade da nossa espécie!

Sejamos ateus ou religiosos, todos nós buscamos o desenvolvimento da consciência e ao chegar aqui percebi que a consciência não pode ser plenamente explorada pela ciência. Precisamos aliar a ela a arte e a transcendência da arte e da ciência que nos aponta o futuro da nossa consciência, que nos fornece modelos utópicos a almejar.

O que chamo céticamente de modelo utópico pode ser apenas o resultado da miopia da minha visão quando olho para os seus Deuses!

E são Deuses no plural sim! Além de não podermos esquecer dos neo-pagãos que louvam ao menos dois Deuses (o Deus e a Deusa) cada um de vocês é o brilho e e cores de uma parte do grande e complexo mosaico que seria Deus.

Ver a diversidade de manifestações da consciência humana em sua jornada até a consciência suprema ou Deus é emocionante e já tive que segurar as lágrimas nos olhos uma dúzia de vezes hoje.

A diversidade das nossas manifestações científicas, filosóficas, artísticas e espirituais é a essência da busca por Deus e combater esta diversidade é mais do que combater a ciência, a filosofia ou uma religião: é combater Deus.

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