Um papo sobre religião
14th, February 2009
Ontem comemorei o meu aniversário junto com o Twestival e foi uma noite realmente especial! Não só pelo privilégio de estar entre mais de 80 pessoas que estão fazendo história ajudando a moldar a cibercultura (e isso merece um post próprio lá no Meme de Carbono), mas também pela chance de encontrar meia dúzia de amigos que me conhecem há mais de 20 anos!
Um deles se tornou fundamentalista cristão no sentido de seguir a Bíblia à risca incluindo crer no criacionismo, por exemplo.
Nada melhor para abir nossa mente e nos ajudar a entrar na cabeça dos outros do que o respeito conquistado ao longo de um quarto de século. O amigo em questão e eu já passamos por muitos momentos difíceis e isso cria laços que vão além das crenças pessoais.
Quem caiu aqui de paraquedas não sabe: para todos os efeitos sou ateu (pelo menos é como me classificariam a maioria dos religiosos) e defendo que as religiões modernas são um instrumento para impor controle e justificar absurdos. Já falei bastante nisso na série Em Busca do Pó e não há porque voltar a me aprofundar mais.
O fato é que, apesar de achar algumas das afirmações do meu amigo muito estranhas…
- O Cristianismo só sobreviveu porque Cristo ressuscitou
- Quem mais disse que era a verdade a luz e a vida e que só através dele se chega a Deus?
- Não pode haver duas verdades
- Os primeiros humanos já foram criados com a capacidade de falar
… eu respeito o cara muito antes dele ter essa visão filosófica-religiosa tão incompatível com as minhas.
Normalmente eu simplesmente rejeitaria tudo e seguiria em frente, mas a nossa razão é uma vítima fácil para as nossas emoções e enquanto ele falava minha mente buscava motivos para achar aquilo tudo bom.
O papo foi no meio de quase cem pessoas, conversas, músicas e um rodízio de pizzas e não dava para ir muito fundo na conversa que acabou ficando pela metade deixando um certo desconforto.
Cheguei a dizer uma grosseria na frente de um outro bom amigo que também é cristão… Eu disse “Só podia ser crente”… Me lembrem disso da próxima vez que eu disser que não tenho preconceitos! E na hora de dormir minha mente hiperativa me impedia de entrar nos domínios de Morpheus.
Ao acordar escrevi um email para o meu bom e velho amigo…
Como a sua crença define sua forma de ver o mundo e se relacionar com as pessoas e com voce mesmo?
Foi mais ou menos o que lhe perguntei no email e agora estou buscando nas palavras dele uma reposta para a pergunta que me perturba: a religião é boa para ele? E quero que a resposta seja sim.
Estou há horas tentando me desfazer de tudo que me parece sensato para poder mergulhar em outro universo construído por idéias que no meu mundo são pura insensatez.
A situação é pior do que o embate entre criacionismo e evolucionismo, deísmo e ateísmo. Quando a pessoa tem convicções ela pode mudá-las, mas eu simplemente não tenho convicção nenhuma! E a certeza parece estar na base do pensamento religioso do meu amigo assim como está na de muitos ateus.
O primero passo deve ser então: porque eu haveria de ter certeza? De acreditar na existência de uma verdade?
Tem que haver um sentido para tudo isso, minha vida não pode ser apenas um galho seco se quebrando em uma floresta deserta
Talvez seja isso. A nossa vida precisa ter um sentido! Somos seres dotados de consciência, seres que raciocinam, que constroem civilizações, fazem arte e precisam lidar com os horrores que também criamos como as guerras, o preconceito e a injustiça social.
Há um mal entre nós que não entendemos e o que nos protegerá dele? O que nos explicará de onde ele veio? Vamos deixar de viver todas as outras coisas que temos que viver como trabalho, filhos, amigos e o próprio amor pela vida (incluindo experimentar a arte) para tentar resolver uma equação que em 10 mil (ou seis mil para os criacinistas) não fomos capazes de decifrar? Ainda mais quando há respostas prontas?
Vivemos uma época de grandes e velozes descobertas científicas e uma grande onda de valorização da razão que ameaça as velhas tradições que sempre mantiveram nosso equilíbrio. O que aconteceria se repentinamente todos deixagem de acreditar nas instituições que sempre mantiveram nossa civilização coesa?
As investidas do ateísmo são tão intensas que é necessário construir argumentos contra ele em sua própria arena, a da razão, e assim cria-se o design inteligente.
Um dia certamente nossa crença nos Deuses será muito diferente, mas isso não pode acontecer levianamente. É necessário preservar os valores morais essenciais.
Filed under: Crenças | 1 Comment »
Devemos ter medo do Google?
11th, January 2009
O @lesilva (do Copiar e Colar)me passou o link para uma matéria intitulada O que você precisa saber sobre a empresa mais influente do mundo em que o Maurício Moraes nos convida a refletir sobre o Google apesar de temer ser apedrejado por isso.
Ele acabou não falando nada demais (talvez por estar dentro de um site da velha mídia onde é necessário se preocupar com os leitores e anunciantes) então decidi colocar a língua ferina em ação e deixar um comentário lá.
Como não sei se ele vai poder liberar o comentário decidi publicá-lo aqui também.
Aqui entre nós, que chato esse cadastro da Abril que temos que preencher para deixar um comentário, hein?
Pô, achei que vc ia pegar pesado quando falou em ser apedrejado! Vou fazer isso por vc apesar de usar o Google para quase tudo (agenda, documentos, email, estatísticas de acesso, pesquisas).
Primeiro pegando no pé dos fundamentalistas religiosos: o Google não pode ser divindade pq fingue que seu lema é não fazer o mal e a maioria das divindades dos fundamentalistas são ciumentas, vingativas, mesquinhas e fazem o mal o tempo todo
![]()
Quanto ao Google.
O bicho já virou um monopólio mais restritivo que a Microsoft.
Todos nós conhecemos a história das inovações que a Microsoft tentou inibir e das tantas que ela conseguiu inibir e que seriam grandes avanços para o bem da humanidade, dá para citar rapidamente o Quicken, o OS/2 da IBM e os mais importantes de todos (ainda bem que esses ela não ganhou) a cultura OpenSource e a Internet.
Na lista do Google a gente tem o Zoho que é um pacote de aplicativos muito melhor que o Google Docs, o Clusty que é um buscador que traz várias qualidades interessantes e o Yahoo!Live que talvez tenha morrido por causa da criação do Youtube Live.
Mas o maior perigo do Google nem são as suas características monopolistas e sim o poder absurdo que ele tem ao ter acesso a praticamente TUDO sobre nós!
Ele sabe sobre o que pesquisamos, o que conversamos (por email ou chat), de quem somos amigos (não pelo Orkut que não colou, mas pelo OpenSocial ou pelo livro de endereços do Gmail), o que fazemos (pela agenda), onde vamos (ainda não criou seus mapas personalizados no Maps?) e a lista segue bem adiante com o Android, gps etc.
Com esse volume de informações e um bom consultor em data mining eles podem analisar as tendências de comportamento da humanidade como ninguém!
Quer eleger um presidente? Criar o celular perfeito? Lançar um produto inédito que todos estão querendo, mas ninguém notou ainda? A chave está nos bancos de dados do Google…
E o Google e a Internet são apenas a ponta do mastro de uma embarcação que não sabemos bem como é… Já sabemos que virtual e real não se aplicam mais e sim online e offline já que nada disso é brincadeira ou invenção, mas lugares onde espalhamos e compartilhamos nossas vidas reais!
Até mesmo o online e offline são fronteiras cada vez mais sutis ou o Twitter não é um sucesso justamente por fazer a ponte entre os dois?
Pode ser que o Twitter seja o comecinho das velas que estão abaixo daquele mastro distante, mas quem sabe o que virá a seguir?
E não dá para terminar sem deixar um motivozinho a mais para apedrejamentos
![]()
Fundamentalistas…
Não importa o nome que um fundamentalista dê a seus deuses, quem está por trás é sempre a mesma entidade: um ego inflado e arrogante. O deus de um fundamentalista é ele mesmo. A única razão para usarem outros nomes é porque ninguém seguiria um baixinho esquálido, então, assim como em O Mágico de Oz, eles elegem algo grande e ameaçador que controlam como uma marionete para disparar seus preconceitos e autoridade contra os outros…
Filed under: Atualidades | 1 Comment »
Ocaso de mil sóis cegos…
8th, May 2008
Comissão da Câmara rejeita projeto de descriminalização do aborto
Então prevalece a hipocrisia de milhares de mulheres pobres provocando o aborto ou recorrendo a clínicas açougueiras enquanto as ricas (conheço várias e me pergunto se devo denunciá-las à justiça, vc denuncia?) abortam em segurança em clínicas seguras aqui ou fora do Brasil.
Enquanto isso vamos permanecer de olhos fechados para os milhares de mães E futuros
bebês que morrem totalmente sem controle…
Agora está nas mãos da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e depois de volta ao plenário da Câmara.
Se nossa civilização não fizer algo urgentemente contra o fundamentalismo nossos problemas ainda se agravarão muito.
Filed under: Atualidades, Sociedade | 3 Comments »
Somos todos um
22nd, January 2008
Aproveitando que a visitante Laura me criticou por ver a verdade na ficção… Bem, eu nunca falei isso, né? Digo sim que a linguagem metafórica da fantasia (e não da ficção) é o melhor instrumento para retratar as coisas mais importantes e que vão além dos fatos nús e crus. Algo assim.
Em todo o caso – já que levei o selo de ignorante e que eu gosto mesmo é de falar das coisas que podem atingir a todos e não apenas o restrito grupo de leitores capazes de ler Shakespeare – decidi falar de um filme da linha “Quem Somos Nós” e “O Segredo“.
É este aqui: Somos todos um.
Notou que as capas de todos estes filmes são parecidas? E o pior é que cada um tem pouco ou nada a ver com os outros…
Este contém as respostas de um monte de religiosos e espiritualistas sobre coisas como “o sentido da vida” ou “quem é Deus”.
O problema desta leva de livros, digo, de filmes de auto-ajuda é a sua abordagem superficial, mas pense bem… Nós não vivemos imersos em uma cultura superficial? Quantas pessoas estão a fim de ler Goethe?
“Somos Todos Um” é feito por amadores e dá para notar isso. Há partes dramatizadas que são enfadonhas, mas eles foram felizes nas perguntas e nos entrevistados que conseguiram atrair.
Fiquei com uma certa impressão de que existe uma inspiração anti-cristã e anti-ateista o que já é interessante pois em geral as coisas estão de um lado ou de outro. Pensando melhor o tom é anti-fundamentalista.
Na pior das hipóteses o filme vale para ver certas diferenças e semelhanças entre rabinos, padres, sufistas, espiritualistas e, um dos pontos fortes, pessoas na rua sem nada de especial, mas com opiniões ricas e instigantes.
Seria melhor um tratado filosófico cheio de referências e discussões filológicas? Para mim seria, mas creio que este, melhor do que os outros dois filmes que citei no começo, pode fazer um serviço positivo a favor da trasnformação das nossas fronteiras culturais em pontes humanas.
Filed under: Cinema & Vídeo, Crenças, Fogo | No Comments »
Violência contra a mulher: olhando o próprio rabo…
10th, December 2007
Não sei se o vídeo é verdadeiro, não acredito em nada sem as devidas provas, mas não me pareceu absurdo.
Vão me crucificar então preciso dizer que sou contra qq tipo de violência. Sou contra o nosso sistema presidiário, contra castigar crianças, contra até a discursos inflamados.
Apesar disso o vídeo me pareceu um avanço se for verdadeiro.
Uma sociedade que admite a pena de morte por apedrejamento que passa a pregar a moderação da violência (não causar sangramento, fraturas etc.) vai a caminho de práticas mais humanas.
Me preocupa mais o Brasil que agora tem vagões exclusivos onde as mulheres podem se esconder na hora do rush em vez de haver punições reais para os assediadores.
Me preocupa a crescente sede de vingança e tortura para os criminosos que se armam com o fogo ou a corrupção.
Tenho receio que estejamos revoltados com vídeos como este porque é para lá que nos dirigimos enquanto eles talvez estejam se afastando destas violências.
Achei este vídeo aqui no blog Mídia Árabe.
Filed under: Atualidades, Comportamento, Reflexões, Terra | No Comments »


