Faltam DOIS dias: Uma sinopse para A Bússola de Ouro
23rd, December 2007
Talvez você nunca tenha ouvido falar na trilogia literária inglesa Fronteiras do Universo (His Dark Materials no original) e não saiba nada sobre a adaptação do primeiro volume que chegará em dois dias aos cinemas brasileiros: A Bússola de Ouro.
Primeira informação importante: Pode ler este post pois não vou entregar nada que atrapalhe o seu prazer de assistir o filme!
Se for este o caso, ao ver o cartaz é capaz de você pensar que se trata de uma aventura infantil. Não é.
Por outro lado, é possível que você tenha ouvido falar na condenação do Vaticano e vários grupos religiosos ao filme já que a mídia adora um escândalo.
Eu li os tres livros tres vezes ao contrário da maioria dos comentaristas e resolvi escrever uma sinopse do primeiro filme para acabar com um mal entendido:
A Bússola de Ouro não tem nada a ver com matar Deus, com ateísmo ou anti-cristianismo.
O que vem a ser A Bússola de Ouro?
Esta é a primeira parte de um épico de fantasia em três partes e aqui acaba a semelhança com Senhor dos Anéis.
A aventura inteira ocorre em um mundo alternativo muito parecido com o nosso, mas dominado por um governo fundamentalista religioso. É como se a Igreja Católica tivesse se tornado o que o fundamentalismo islâmico parece ter se tornado.
Outra diferença entre o nosso mundo e o do filme é que todas as pessoas tem um tipo de alter-ego animal o que pode parecer engraçado a princípio, mas acaba se mostrando uma metáfora interessante para o diálogo entre ego, id etc.
No centro da história está Lyra Belacqua, uma menina órfã criada pelos professores da universidade de Oxford daquele mundo e o mistério do desaparecimento de várias crianças sem que ninguém saiba o que está ocorrendo.
Lyra se verá envolvida neste mistério e será levada a uma longa jornada que resultará no seu amadurecimento precoce enquanto ela aprende sobre um mundo onde certos grupos estão dispostos a tudo para impor suas verdades ou para ser mais preciso, sua autoridade.
A metáfora serve para qualquer movimento político ou religioso fundamentalista radical e por isso muitas pessoas - como eu - consideram a obra tão importante… Sem falar no que virá nos próximos volumes.
Segunda informação importante: A Bússola Dourada é sobre a liberdade para seguir o seu próprio discernimento e não o que lhe é imposto pelo uso da força
Se você acha que o fundamentalismo radical é algo bom para o mundo e não deve ser questionado então vai odiar o filme. Não vá!
O primeiro volume da trilogia não é muito mais do que uma aventura se comparado aos outros, mesmo assim é interessante ver que Lyra se envolve na aventura não por bagunça, mas por fidelidade a um amigo e “não poder ficar de braços cruzados enquanto coisas importantes acontecem” e nisso a história talvez lembre o Frodo de Senhor dos Anéis.
Terceira informação importante: A Bússola de Ouro é sobre não se omitir, é sobre fazer algo pelo bem comum simplesmente porque o problema se apresentou diante de você.
Se você acha que a sociedade contemporânea não está precisando se engajar mais nos problemas que atingem a todos então este filme pode não lhe dizer muito.
A questão é que a trilogia de Philip Pullman, já no primeiro volume, serve de metáfora para muitas questões contemporâneas centrais na transição de uma sociedade alienada e consumista para outra em que o conhecimento e a consciência são tão importantes quanto foram nos séculos passados a aparência e o poder.
Por motivos como estes é que considero A Bússola de Ouro um forte candidado a filme mais adequado para ver no natal!
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Na falta da densa filosofia resta a fantasia
31st, October 2007
As criações literárias ou cinematográficas de fantasia ou ficção científica são alvo freqente do desdém dos cultos, mas talvez se esqueçam ou não tenham lido A Odisséia, Sonhos de Uma Noite de Verão, Dom Quixote e outras obras imortais. Talvez não tenham percebido que, em plena guerra fria nenhum outro programa na TV foi capaz de atingir mais gente criticamente do que a série original de Jornada nas Estrelas.
As densas e nobres filosofias raramente tocam diretamente a nossa civilização. Antes elas atingem homens como Tolkien, Straczinsky e Pullman que criam fantasias capazes de sintetizar metaforicamente os novos mundos que se descortinam diante dos olhos dos nossos mais brilhantes cientistas e filósofos.
Tenho dito que a mais recente destas obras é a trilogia literaria Fronteiras do Universo e a adaptação do primeiro volume chega aos cinemas no dia 25 de dezembro deste ano aqui no Brasil.
Como já disse a Igreja tem feito pressão e conseguiu retirar a palavra “Igreja” do filme, mas ainda assim pode ser uma boa adaptação (apesar de uma tradução desagradavelmente mal feita para a nossa língua).
Um trailer não é capaz de transmitir tudo que está por trás desta saga, mas há algumas pistas… E tem um novo trailer que descobri hoje, ligeiramente, mas substancialmente, diferente do anterior que já publiquei aqui:
Trailer de A Búsola Dourada (ou de Ouro, argh)
Publiquei também no Multiply para quem tem banda mais estreitinha:
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