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Propriedade Intelectual

Em busca do Pó: Parte 2

15th, February 2008

Arrogância 

A introdução na parte 1 (leia antes de continuar, por favor) foi fácil, agora começa a parte difícil.

Qual deve ser o primeiro ponto a abordar em uma busca pela consciência e pela espiritualidade? Principalmente se está sendo escrita por mim, que não sou teólogo, antropólogo ou filósofo?

Tenho a impressão de que a questão principal para a maioria de nós está no conflito entre a ciência e a fé.

De um lado há descobertas científicas (difíceis de entender) sobre a formação do Universo e da vida que excluem a intervenção divina. De outro está a fé nos dizendo que os Deuses devem estar em algum lugar.

Creio que podemos dizer a razão e a fé são diferentes instrumentos de percepção afinal utilizamos todas as duas para construir o mundo onde vivemos ou pelo menos para dar-lhe uma forma.

A fé nos diz que nossa existência não pode ser sem significado e que portanto deve haver um espírito e alguma forma de consciência que transcende a nossa. Ela não é objetiva, mas uma forte convicção.

Já a ciência é um instrumento objetivo que depende de suposição, experimentação e demonstração para demonstrar como o Universo funciona e fatalmente será modificada, aprimorada ou mesmo abandonada mais adiante se vier a falhar em algum ciclo de experimentação e demonstração.

Existe uma diferença fundamental entre a razão e a fé: enquanto a primeira é alimentada pela dúvida e demonstra o funcionamento das coisas a segunda está repleta de certeza e nos fala do que podemos ou devemos ser.

Neste ponto prefiro mudar o nome que estou usando para fé e usar espiritualidade.

A fé do jeito que é vivida atualmente está repleta de convicções e respostas enquanto a espiritualidade é um impulso visceral cheio de dúvidas que nos inspira a procurar expandir a nossa consciência. Nossa espiritualidade pode nos conduzir a uma fé.

Por um certo ponto de vista podemos distinguir os momentos da nossa vida entre aqueles em que temos forças para a busca da espiritualidade e os em que cedemos ao conforto da fé.

Até onde sei a ciência moderna não é capaz de perceber sinais da existência de Deuses o que não significa que eles existam, mas a fé convicta neste ou naquele Deus também não nos ajuda a encontrá-lo caso ele exista.

Em geral a fé e as religiões sugerem que sabem como, quem é e como pensa Deus.

Isto não é menos arrogante do que usar a ciência para afirmar que não há Deuses. Além de ser um desperdício das qualidades da ciência.

Sem a humildade de admitir que estamos muito longe de entender totalmente o Universo e mais longe ainda de perceber Deus. Estaríamos presos a um universo onde o Sol gira em torno da Terra e as mulheres seriam vistas como instrumentos do diabo.

Com isso creio que apresento mais ou menos bem o segundo ponto que norteará os próximos posts:

Creio que a única forma de abordar tanto a ciência quanto a espiritualidade é munindo-se de dúvida, da consciência de que mal arranhamos a superfície do funcionamento da natureza ou da nossa consciência.

Além disso a espiritualidade pode ser uma excelente suposição a ser experimentada e demonstrada pela razão e pela ciência, mas a ciência não pode ser uma suposição a ser experimentada e demonstrada pela espiritualidade 

Filed under: Ciência, Crenças, Filosofia | 4 Comments »

Em busca do Pó: Parte 1

15th, February 2008

Do pó viemos, ao pó voltaremos.

Na mitologia judaico/cristã os humanos foram feitos de barro, de pó com água e o sopro divino que nos concedeu consciência.

Não é deste pó que estou falando. Aqui Pó será o sopro divino da consciência. Estou fazendo referência a Fronteiras do Universo (His Dark Materials), um livro de fantasia humanista escrita pelo inglês Philip Pullman.

Até onde conheço é a obra que chega mais perto do que penso sobre Deuses, espiritualidade e religião. Tem uns pesquisadores do MIT que também me interessam bastante, mas ainda não os li com calma.

Já a um bom tempo venho escrevendo posts que abordam a espiritualidade e a consciência, mas vinha me esquivando de mergulhar a fundo no assunto, só que isso de falar nas coisas pela metade estava me fazendo voltar sempre ao tema e este blog nunca foi monotemático. Não quero que passe a ser.

Assim, decidi escrever tudo que tenho para escrever sobre este assunto AGORA!!

Tá, não tão agora assim! Primeiro vamos à introdução que será "linkada" em todos os outros, mesmo que eu tenha que escrever em 250 partes! Pelo menos esgoto o tema e… nunca… mais… …falo nele…

Bem, este é o primeiro ponto importante: eu não posso esgotar o tema tanto como não posso explicar plenamente a teoria das cordas. Estas coisas estão sempre em movimento.

Ainda outro dia um visitante reclamou que o meu problema é que dou a minha opinião! Mas, pelos Deuses!!! Só alguém que tem o delírio de se achar Deus ou seu arauto é que pensa estar proferindo verdades e não sua opiniões pessoais!

Em alguns momentos vou citar motivos científicos que apoiam a minha opinião, mas lembre-se: aqui não haverá nenhuma verdade! Aliás haverá uma: eu acredito no que estou escrevendo. Mas se este post tiver mais de um ano ele já pode ser mentira! ;)

Eu pretendia dizer muito mais neste primeiro post, mas vou terminar por aqui pois acho que dois pontos chave já são o bastante para definir a linha de argumentos que virá a seguir:

  1. Esta série de posts "Em Busca do Pó" é sobre a busca da consciência e o papel da religiosidade, das religiões e das crenças nesta jornada
  2. Não haverá verdades aqui, apenas opiniões de um humano agnóstico que, sempre que possível, busca na ciência e na filosofia algum suporte para corroborar ou invalidar uma destas opiniões

Créditos: Esta série de posts não existiria se não fosse a Miriam (coloco aqui o link para o blog dela se ela quiser), mas acho que ela nem notou!

Filed under: Crenças, Filosofia | 9 Comments »

Convicções?

12th, February 2008

Que absurdo! Eu não escrevi nada ontem! Eu jurava que tinha escrito algo ontem! Gostaria de escrever todo dia porque tem todas estas coisas na minha cabeça… Idéias, devaneios, opiniões, dúvidas… Nossa! Muitas dúvidas!

Comecei a duvidar aos 11 anos quando descobri que, conforme a física de Einstein, a gente não passava de energia que parecia sólida no que me pareceu na época um tipo de ilusão.

Bem, pensando melhor eu duvidava muito antes. Creio que toda criança duvida.

O que acontece é que, esta característica de criança, eu nunca abandonei.

Por mais que a gente duvide tem coisas que a gente esquece de duvidar. Nos acostumamos com elas e nem pensamos a respeito. Que nem ensinar pela força, batendo. Pelo menos para algumas pessoas que ainda batem em seus filhos sob pretexto de educá-los.

Adestramento InteligenteEu mesmo esqueci de duvidar disso no que se referia à educação canina. Só agora que tenho um cãozinho de 31Kg (e uma esposa brilhante) fui levado a duvidar do adestramento pela força, comprei o livro do Alexandre Rossi (aqui ao lado) e tenho um educadíssimo (embora medroso) amigo que aprendeu tudo sem apanhar.

Também passei umas três décadas sem duvidar de vários pontos básicos da religiosidade.

Basta parar para pensar em qualquer coisa para notar que há muito a rever, muito a descobrir sobre cada pequena ou grande base da nossa cultura, moral, crenças…

Convicções… Teve uma época em que eu, duvidador convicto, falava em questionar "minhas convicções"! Vê se faz sentido? Se é convicção não se questiona! ;-) E isso não faz muito tempo!

A todo momento estamos sendo incoerentes em algum ponto. Hoje o meu alvo são as incoerências das convicções religiosas que, se são convicções, já estão erradas!

Se religião é um meio de buscar Deus e se Deus é qq coisa incomensuravelmente além de nós então qualquer convicção nos prende a uma visão antiga, incompleta e portanto distante de Deus.

É melhor não começar a falar agora onde esta minha onda de desconstrução do que eu pensava sobre Deus está me levando porque isso é um post, não um artigo e muito menos um livro! Vou dizer apenas que até agora posso até simpatizar com muito do que os ateus do momento tem a dizer, mas acho que eles são a reação de igual intensidade e vetor oposto ao fundamentalismo religioso.

Na zona de impacto entre os velhos donos de Deus e seus assassinos modernos há espaço para uma Consciência extasiante que nenhum de nós jamais supôs porque estávamos presos aos Deuses que os humanos primitivos foram capazes de "ver".

Bem, com isso acho que cumpro a sugestão de um amigo judeu para este judeu desgarrado: em seu aniversário aproveite a oportunidade para refletir. ;-)

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10 visões individuais para o século XXI

19th, January 2008

Já tem uns meses que estou com este post guardado. Hoje vi uma entrevista com Robert Rappé no blog Pensamentos Humanistas e tive que terminá-lo. Mesmo sabendo que este blog não atinge realmente muita gente.

Nós temos 8 metas globais para erradicar a miséria. A verdade é que seria muito melhor que já estivéssemos envolvidos em metas para fazer colônias fora da Terra, para organizar melhor a ilimitada produção cultural e científica de uma civilização onde todos tem condições de produzir arte e ciência e para levar o nosso desenvolvimento um passo além.

Ao invés disso estamos aqui embolados com nosso subdesenvolvimento e com a visão tacanha que pode existir um país desenvolvido e outro subdesenvolvido: Enquanto houver uma nação subdesenvolvida seremos uma civilização subdesenvolvida.

É bom que tenhamos metas para ir superando isso, mas tenho sentido falta de metas pessoais (não para mim, tenho as minhas) para erradicar este subdesenvolvimento e, preferencialmente, nos lançar em direção a uma vida mais civilizada.

Pensando nisso escrevi 8 visões individuais para o século XXI. Depois vou escrever 8 ou 10 Metas Individuais para o século XXI que creio serem úteis a todos.

  1. O caos aparente da civilização não precisa implicar no caos real individual
  2. Podemos não ter grande impacto nos rumos da civilização, mas o medo, intolerância e preconceito que deixamos nos dominar certamente colaboram para retardar os nossos avanços coletivos
  3. Tolerância é intolerância educada: o antônimo de intolerância é admiração
  4. A era da informação nos permite destacar nossas vozes individuais da algaravia das esquinas e salas de estar
  5. A capacidade de interpretar e filtrar informações construindo seu próprio conhecimento e opiniões é a grande qualidade intelectual do milênio. As qualidades estéticas já não valem grandes coisas
  6. Deuses são a voz da consciência que podemos vir a ter, mas são uma voz interior que diz a palavra certa para cada um de nós, não uma voz autoritária ditando regras para todos
  7. O passado não é melhor do que o presente ou o futuro. Evoluimos, ou se preferir, nos desenvolvemos levando as conquistas da ciência e do espírito a cada vez maiores parcelas da civilização
  8. O grande inimigo do futuro é a alienação, a fuga para o entretenimento sem conteúdo,  para o show pirotécnico do consumo

Seria muita pretenção elaborar oito visões definitivas para o milênio. Este é o melhor rascunho que pude fazer até agora e ainda assim com várias restrições e a certeza de omissões. No entanto todos nós falamos em “fazer a nossa parte”, mas que parte é esta? É necessário pensar em visões para o milênio antes de enxergar as metas.

Filed under: Atualidades, Comportamento, Crenças, Filosofia | 1 Comment »

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