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Propriedade Intelectual

Divã

25th, March 2009

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Enquanto os créditos finais do filme Divã subiam eu tuitei a minha primeira reação:

Divã é aquele tipo de poesia que ri, chora e desperta como a vida que vale a pena! link

Um filme pode ser divertido, crítico, instigante, assustador, mas poucos são arte e esse é um deles.

Divã é arte porque fala de vida, e é boa arte pois faz isso sem nos arrastar para baixo ainda que não nos poupe da realidade.

Há um delicado equilíbrio entre a atuação emocionante da Lília Cabral, a direção e o roteiro que levam a obra além dos rótulos. Não é comédia embora tenha me feito rir como pouquíssimos filmes até hoje, não é drama apesar de nos conduzir da comédia à reflexão, é o tipo de história que gosto de definir como poesia da vida.

Em tempos de tanto pessimismo é muito reconfortante ver uma obra que aponte para frente, para aquela pulsão de vida que mantém nosso espírito leve apesar dos movimentos, algumas vezes bruscos, da pena do destino que rasga sem muito pudor os rumos da nossa história.

O filme estréia em 17 de abril de 2009

Leia outras opiniões no blog do The Best.

O filme também tem um blog: Blog Divã.

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Juno

19th, August 2008

Juno, DVD importadoExiste uma delicadeza em Juno que é incomum. Algo que vemos em filmes como Pequena Miss Sunshine ou Ponte para Terabítia.

Gosto de classificar bons filmes de acordo com a sua capacidade de projetar em nossas emoções o mundo que não queremos ter ou o mundo que gostaríamos que fosse real.

Nos últimos tempos os retratos construídos são pessimistas demais ou ingênuos demais.

Pequena Miss Sunshine (nacional)

É nisto que Juno me parece uma obra ímpar: o que vemos é um mundo bom, um onde gostaríamos de viver. Com personagens que gostaríamos de ser. No entanto a perfeição ingênua de outras obras passa longe ali.

Não é segredo que este filme é sobre uma menina de 16 anos que engravida e precisa decidir como lidar com isso.

Pode continuar lendo pois abomino "spoillers" e não vou dizer nada que prejudique o prazer da sua descoberta.

O que provavelmente te surpreenderá é a profundidade dos personagens e os seus comportamentos.

Este é um filme difícil de comentar sem estragar algumas coisas. O máximo que posso fazer é sugerir que você preste atenção no seguinte…

  • A forma como as personagens encaram seus problemas
  • O julgamento que eles fazem uns dos outros
  • O julgamento que você faz de cada um

Preciso chamar atenção, se você assistir nos DVDs com legenda em Português, para a má tradução: o tempo todo a protagonista se refere ao bebê como "coisa" até um momento específico. A legenda usa o tempo todo a palavra bebê.

O ponto mais importante de Juno, na minha opinião, é que ele é mais um sinal de mudança de paradigmas, neste caso, acho, para outro melhor do que o anterior.

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A Viagem de Chihiro e outras fábulas de Hayao Myazaki

15th, June 2008

Apesar de ser de 2001 nunca falei aqui nas fábulas fantásticas de Hayao Miyazaki das quais A Viagem de Chihiro se não é a mais famosa talvez seja a que agrada a gostos mais diversos.

Pacote: Chihiro e Blink BillÉ uma pena ver estas obras sumindo do mercado brasileiro. Notei que hoje você só pode comprar a saga da corajosa Chihiro junto com Blink Bill, o Ursinho Travesso (que não conheço, mas soa estranho ao lado de Chihiro) lá no Submarino.

Capa de A Viagem de ChihiroA Livraria Cultura tem a capa original, mas informa que a publicação está cancelada: 

Cada obra de Miyazaki aborda um tema essencial.

Em A Viagem de Chihiro estamos diante da responsabilidade e do amadurecimento de uma menina pré-adolescente que se vê em um mundo mágico cheio de regras que ela não compreende e seus pais não são capazes de dominar pois… Bem, eles são seduzidos pelos apelos consumistas por assim dizer. Não vou falar mais para não atrapalhar o prazer do filme.

Já disse outras vezes que a arte que eu mais gosto é aquela que me diz algo e não há dúvida que as fábulas de Miyazaki são assim! Mas nem tudo que nos diz algo é arte (nem toda arte diz algo) e nem sempre o que nos faz refletir ou nos prepara de alguma forma para o mundo é boa arte (não me atrevo a revelar o primeiro exemplo que me ocorre!) como é o caso de Babylon 5 cujo valor artístico… bem… Não sei se tem valor artístco ;)

Miyazaki não se satisfaz em ter conteúdo, ele faz arte de qualidade.

O cuidado que ele tem na construção do ambiente mitológico e da fluidez das suas animações é algo que só os especializados nisso podem explicar.

Capa de Princesa Mononoke (importado)Antes de Chihiro (1997) houve Princesa Mononoke onde a questão ecológica (que passa ao largo em Chihiro) é o tema central.

Em 2004 ele nos trouxe o Castelo Animado que é uma sobre amor. A gente anda muito confuso sobre o amor. Muita gente ainda acha que ciúme é demonstração de amor e não de possessividade e… Veja o filme ;-)

Castelo Animado: capaHá uma coisa que me agrada muito em O Castelo Animado: ele parece estar em sintonia com uma visão entre um tipo de visão neo-ultra-romântica e uma contemporânea do amor puro e impossível contra o qual todas as forças lutam e que não pode se realizar. Ele está em Philip Pullman, em seriados adolescentes, em Neil Gaiman e, claro, em literatura mais séria como… A Menina que roubava livros, talvez…

Castelo Animado: ImportadoEm minha humilde opinião estes deviam ser os filmes da infãncia dos jovens que terão a tarefa de consertar os erros das gerações passadas e não, me desculpem, os Harry Potter, Homem Aranha, Shrek e similares (apesar destes filmes não terem nada de similar).

Se queremos dar o melhor aos nossos pequenos humanos temos que prepará-los para o mundo e não distraí-los dele, afinal o mundo chegará de qq forma.

Conheça mais sobre Hayao Miyazaki na Wikipedia.

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Filmes: Hora de Voltar (Garden State)

20th, April 2008

Há filmes que fogem de classificações e, ao meu ver, somente por isso já seriam especiais, no entanto nem sempre o que é original é bom, positivo ou memorável.


Capa na Cultura
Hora de Voltar (Garden State) não é comédia, não é drama, não é fantasia ou filme de arte, mas tem uma pequena dose de cada, mas não é isso que me fez gostar do filme a ponto de voltar a escrever sobre cinema aqui.

Hora de Voltar é delicado e sensível, nos apresenta a personagens um pouco inusitados, mas reais e multifacetados.

O cinema andou marcado por personagens monodimensionais e totalmente iverossímeis então é ótimo acompanhar pessoas como as deste filme.

Elas tem um bocado de absurdo como um sujeito tomando o café da manhã usando uma armadura medieval (atualmente um dos protagonistas de Big Bang Theory), mas há uma textura psicológica que me laçou de jeito.

A única coisa que este filme não fez foi me deslubrar (aliás em geral só livros me deslumbram) e por isso não diria que é um dos 3 melhores filmes que já assisti, mas com certeza é uma obra capaz de nos divertir, fazer refletir e nos deixar com uma sensação para cima ao final.

Os que gostam de filmes bem no padrão hollywoodiano talvez não apreciem a película.

Uma surpresa, ao menos para mim, é a boa direção e roteiro de Zach Braff (ator do seriado Scrubs) o que vem mais uma vez provar que há sensibilidade e inteligência alimentadas pelos lucros da vazia cultura de massas (nunca vi Scrubs então posso estar sendo injusto).

Fica aqui, então, a dica de um bom filme para assistir num desses dias que precisamos de algo que deixe a vida mais leve sem nos alienar.

 

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Faltam DOIS dias: Uma sinopse para A Bússola de Ouro

23rd, December 2007

Talvez você nunca tenha ouvido falar na trilogia literária inglesa Fronteiras do Universo (His Dark Materials no original) e não saiba nada sobre a adaptação do primeiro volume que chegará em dois dias aos cinemas brasileiros: A Bússola de Ouro.

Primeira informação importante: Pode ler este post pois não vou entregar nada que atrapalhe o seu prazer de assistir o filme! 

Se for este o caso, ao ver o cartaz é capaz de você pensar que se trata de uma aventura infantil. Não é.

Por outro lado, é possível que você tenha ouvido falar na condenação do Vaticano e vários grupos religiosos ao filme já que a mídia adora um escândalo.

Eu li os tres livros tres vezes ao contrário da maioria dos comentaristas e resolvi escrever uma sinopse do primeiro filme para acabar com um mal entendido:

A Bússola de Ouro não tem nada a ver com matar Deus, com ateísmo ou anti-cristianismo.

O que vem a ser A Bússola de Ouro?

Esta é a primeira parte de um épico de fantasia em três partes e aqui acaba a semelhança com Senhor dos Anéis.

A aventura inteira ocorre em um mundo alternativo muito parecido com o nosso, mas dominado por um governo fundamentalista religioso. É como se a Igreja Católica tivesse se tornado o que o fundamentalismo islâmico parece ter se tornado.

Outra diferença entre o nosso mundo e o do filme é que todas as pessoas tem um tipo de alter-ego animal o que pode parecer engraçado a princípio, mas acaba se mostrando uma metáfora interessante para o diálogo entre ego, id etc. 

No centro da história está Lyra Belacqua, uma menina órfã criada pelos professores da universidade de Oxford daquele mundo e o mistério do desaparecimento de várias crianças sem que ninguém saiba o que está ocorrendo.

Lyra se verá envolvida neste mistério e será levada a uma longa jornada que resultará no seu amadurecimento precoce enquanto ela aprende sobre um mundo onde certos grupos estão dispostos a tudo para impor suas verdades ou para ser mais preciso, sua autoridade.

A metáfora serve para qualquer movimento político ou religioso fundamentalista radical e por isso muitas pessoas – como eu – consideram a obra tão importante… Sem falar no que virá nos próximos volumes.

Segunda informação importante: A Bússola Dourada é sobre a liberdade para seguir o seu próprio discernimento e não o que lhe é imposto pelo uso da força

Se você acha que o fundamentalismo radical é algo bom para o mundo e não deve ser questionado então vai odiar o filme. Não vá!

O primeiro volume da trilogia não é muito mais do que uma aventura se comparado aos outros, mesmo assim é interessante ver que Lyra se envolve na aventura não por bagunça, mas por fidelidade a um amigo e “não poder ficar de braços cruzados enquanto coisas importantes acontecem” e nisso a história talvez lembre o Frodo de Senhor dos Anéis.

Terceira informação importante: A Bússola de Ouro é sobre não se omitir, é sobre fazer algo pelo bem comum simplesmente porque o problema se apresentou diante de você.

Se você acha que a sociedade contemporânea não está precisando se engajar mais nos problemas que atingem a todos então este filme pode não lhe dizer muito.

A questão é que a trilogia de Philip Pullman, já no primeiro volume, serve de metáfora para muitas questões contemporâneas centrais na transição de uma sociedade alienada e consumista para outra em que o conhecimento e a consciência são tão importantes quanto foram nos séculos passados a aparência e o poder.

Por motivos como estes é que considero A Bússola de Ouro um forte candidado a filme mais adequado para ver no natal!

Filed under: Ar, Cinema & Vídeo, Crenças, Filosofia, Fogo | 1 Comment »

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