Invasores (de Corpos)
23rd, May 2008
Peguei o filme sem esperar muito, aliás esperando ver outra vez a transformação de uma história marcante em correria de ação cinematográfica e muitos efeitos especiais.
Invadores é mais uma adaptação do clássico Invasores de Corpos de 1976. Aliás vale comentar que a protagonista do primeiro tem um papel coadjuvante neste.
Quem viu o original ou as refilmagens posteriores sabe que se trata de uma história opressiva e angustiante. Não entrarei em detalhes porque se tem algo que odeio é ficar entregando as surpresas dos filmes.
O que vou comentar são algumas coisas que me surpreenderam muito positivamente nesta versão. Aliás, a tal ponto que prefiro ela ao original, coisa que raramente ocorre comigo.
A primeira qualidade do filme que me chamou a atenção foi a edição utilizando micro flash back & forward. Funciona mais ou menos assim: um personagem diz ao outro que vai pegar o pé de cabra no porão e pede que o outro vá fechando as cortinas enquanto isso (não existe esta cena) e entre uma frase e outra há flashes deles minutos depois fazendo o que estão combinando.
Parece besteira, mas bem usado confere um dinamismo agradável em cenas que seriam totalmente sem graça, além disso reproduz em nós a tensão que o personagem sente diante de certas percepções repentinas.
Pode não ser a primeira vez que isso foi feito, mas foi a primeira vez que vi tão bem feito.
Até aqui seria apenas um filme bem dirigido e editado, isso não basta para me estimular a escrever sobre ele.
O que ocorre é que na minha opinião esta releitura é uma obra já com o espírito do século XXI.
Enquanto a obra original nos remete diretamente à paranóia anti-comunista dos tempos de Macarthur e à nossa impotência diante de uma cultura massificante e “desindividualizante” este (mesmo sem intenção aparente dos produtores, roteiristas e diretor) parece ser levado por outros ventos.
Vale a pena nos desumanizarmos em nome da paz?
Isso não chega a ser s síntese da aventura, não creio que haja uma intenção tão definida na obra, mas creio que esta é uma questão moderna que acaba se esgueirando nas coisas que criamos.
Outro insight interessante é a respeito da fibra dos personagens que me parecem muito mais fortes do que no original e, como em Senhor dos Anéis, capazes de ir além do ponto onde todas as esperanças se esvairam pois não lutam por eles, lutam pela humanidade. Esta é uma das qualidades que mais admiro em nosso tempo: acredito que nunca antes nossa espécie se preocupou tanto com a espécie, ou mesmo com outras espécies simplesmente pelo valor humanista de que toda existência é rara e sagrada, mesmo a de um animal ou vegetal.
Enfim, Invasores para mim é um exemplo interessante das transformações que nossa cultura vem sofrendo e, de bonus, ainda é um triller bastante empolgante!
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Clipping e Doutor Who
18th, November 2007
Graças ao clipping da Carol o meu clipping dos últimos dias está melhor do que nunca com várias dicas de fotografia, Cartoon e filmes de animação.
Além disso tem alguma coisa sobre o terceiro mandato do Lula, um carro camaleão da Nissan, um site onde vc pode baixar um programa de graça por dia, mas…
… naturalmente, o link que eu mais gostei de achar foi um falando sobre a influência da trilogia Fronteiras do Universo nos dois últimos episódios da segunda temporada de Doutor Who.
Eu sei que meus amigos cultos que lêem Goethe, Chomsky, Eco e Gramsci ficam chateados comigo por insistir tanto nas obras de fantasia como forma de introduzir alguma transgressão no mundo, mas o problema é: quantas pessoas efetivamente chegam a ler as obras sérias? A maioria sequer conhece os nomes destes senhores.
É claro que existe toda uma sociedade do espetáculo (se 3 em cada 100 pessoas lembrarem de Debord ao ler isso ficarei surpreso!) por trás dos Heroes, Lost, Friends, Babylons 5, Doutores Who e Fronteiras do Universo da vida, mas também há seres humanos cultos e determinados (perturbados pode ser mais adequado) que não se satisfazem em apenas fazer parte do jogo e dão um jeito de injetar mais do que lazer catatônico em algumas destas obras.
Além desses que citei acima eu posso dizer que conheço House, Jericho, Painkiller Jane, Desventuras em Série, Harry Potter, Douglas Adams, Monk… Quer dizer, tenho uma boa noção das séries e livros populares que andam por ai, mas tem duas obras atuais que acho fora de série enquanto a maioria é só lazer acéfalo.
Já cansei de falar na trilogia de Philip Pullman (A Bússola de Ouro, a Faca Sutil e A Luneta Âmbar), mas ainda não tinha falado que considero o esteticamente trash Doutor Who a mais instigante série de televisão sendo produzida. Pelo menos até a segunda temporada. Qualquer dia vou explicar porquê.
Ainda não achei para vender no Brasil, mas tem na Amazon:
Doctor Who - The Complete First Series
Doctor Who - The Complete Second Series
Doctor Who - The Complete Third Series
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