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Propriedade Intelectual

Lembretes para o dia a dia 93: Anam Kara

10th, August 2009

Sua família o ajudará por instinto, seus amigos de alma o ajudarão por amor.

Anam Kara é o nome celta para o amigo que é nosso companheiro de jornada. São almas gêmeas pois já não vivemos na era solitária quando, com sorte, achávamos uma única alma gêmea.

As fronteiras do mundo estão ruindo sob o canto suave da humanidade que cansou de ser tribos e decidiu se tornar um povo onde cada cultura é amada em vez de tolerada.

Seu Anam Kara está logo ali, naquela pessoa que compartilha suas paixões, seus ideais o, algumas vezes não compartilha muita coisa além da certeza de que juntos vocês são mais do que separados.

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Em família

22nd, December 2008

A sala cheia apesar de haver poucas pessoas para enchê-la. Uma família com pai, quatro filhos, meia dúzia de irmãos e primos, duas crianças da mais nova geração correm para um lado e para o outro inventando grandes aventuras. E os namorados e namoradas da geração do meio, claro. Um quarto de uma centena de vozes, risadas, piadas, histórias, memórias… e o calor do solstício que trouxe o verão lá pelas dez horas da manhã.

Foi um ano frio com muitas perdas e dores para todos, o calor é bem vindo e inspira recomeços festejados com orações, bastante comida, troca de presentes e o abraço forte dos olhares cúmplices que vivem a mesma história ainda que cada um trilhe seus próprios caminhos…

Cada caminho é uma parte da grande história da família que começou no século passado, atravessou crises, pobreza, guerras, revoluções e todas essas coisas externas que não são (e não devem ser mesmo) lembradas quando se juntam e sabem apenas que são família.

Ali jogado num pufe uma namorada brinca com as crianças que um dia talvez sejam sobrinhos. Por um instante seu olhar se perde ao redor, expectadora ainda distante do quadro aconchegante das pessoas ao redor da grande mesa, entre elas encontra o sorriso familiar do namorado. Por um instante sonha com o dia que sorrirá do mesmo jeito, abraçada pelas vozes, as risadas, as memórias, as histórias da família.

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Prima-irmã

20th, August 2008

Eu ainda era um adolescente quando alguém decidiu fazer uma árvore genealógica da nossa família.

"Nossa! Isso parece um baobá" , foi o que pensei.

Durante a infância e a adolescência volta e meia minha mãe me dizia "Meu filho, seu primo da França moreu!" ou "Sabe seu primo fulano teve um filho lindo!"… Eu não fazia idéia da existência daqueles primos!

É uma família danada de grande! Só de primo de primeiro grau tinha tantos que não dava para enumerar, a gente sempre esquecia alguém!

Só que entre toda esta familiarada tinha uma prima em especial.

Nem sei porquê era uma prima especial… Tinha outros primos com a mesma idade, tinha outros primos com interesses em comum, mas ela era especial e continua sendo (não se assuste, esta não é uma história triste cheia de perda e morte, apesar de ter uma perda e uma morte).

Passamos a adolescência juntos. Eu passava uns dias no sítio em Santa Cruz, ela passava algumas férias comigo em Cabo Frio.

Caçamos saci-pererê juntos, andamos a cavalo, acampamos muitas vezes e batíamos papo ao redor das enormes fogueiras que reuniam a família toda! Não esqueço do prazer te catar as batatas doces do meio das brasas e comer queimando os dedos…

O tempo foi passando, a gente virou adulto. Eu casei, ela também. Viajei, ela nem tanto, mas quando vimos fazia anos que não nos encontrávamos.

Muita gente pensa "Nossa… A gente não se vê faz tanto tempo! Será que vai ser estranho quando nos reencontrarmos?", mas a gente não pensava isso e realmente parecia que nem havíamos ficado anos sem nos vermos quando nos encontrávamos na casa da nossa tia.

Nossa tia, uma de centenas, era o terceiro elemento da nossa pequena tríade familiar dentro da multidão de parentes anônimos: A tia era como mãe e nós como os filhos que ela não teve. Minha prima, minha irmã.

Um dia cheguei lá na cada da tia e lá estava minha prima, a filha dela, que tinha sido uma coisa minúscula agora sentava nas minhas costas ipressionada que eu fosse capaz de fazer flexões com ela lá! Ainda bem que foi só um dia!

Passaram mais uns anos… É incrível como cabem anos em uma vida e como parecem poucos quando ela acaba…

Mas passaram alguns anos e nos reencontramos, a minha sobrinha, aquela que sentava nas minhas costas, agora uma moça enorme, de cabelo pintado de vermelho e cheia de atitude. Ainda bem que não quis sentar nas minhas costas enquanto eu fazia flexões (eu não tinha mais vinte e poucos anos!), mas ela lembrava.

Horas, como sempre, de bons papos e do prazer do reencontro.

E lá se foram mais uns dois anos. Toca o telefone meio tarde da noite. Reconheço logo a voz e sei pelo tom que algo vai mal.

Nossa tia querida estava no hospital e minha prima carregando quase sozinha (bom homem o marido dela, viu) o fardo de ter a tia mais querida internada em estado grave.

Corri até ela com a minha esposa (uma grande mulher como o marido da minha prima) até ela e lá estava aquele olhar de sempre, forte apesar de exausto e cheio daquela complicidade que sempre tivemos.

Por uma semana largamos tudo, tanto ela quanto eu, deixamos trabalho e família para cuidar da nossa tia que, felizmente melhorava um pouco a cada dia.

Chegou o domingo, ela acordou e pudemos tentar nos comunicar com ela por mímicas e alguns rabiscos em papel. No dia seguinte poderíamos falar com ela pois os aparelhos de respiração seriam tirados.

Eram quase 4h da manhã quando o telefone tocou e eu soube antes de atender… Do outro lado da linha só havia solucos e lágrimas invisíveis que eu praticamente podia tocar. Consegui falar com firmeza, mas desabei nos ombros da minha esposa ao desligar…

Foi um dos dias mais difíceis da minha vida… Foi um dos dias mais difíceis da vida da minha prima e irmã… Nossa! Como foi importante encontrar força e complicidade nos olhos um do outro no meio daquela perda enorme!

A gente supera, né? Ainda hoje volta e meia, acho que não passa nunca mais de uma semana, vejo alguém que lembra minha tia ou, do nada, lembro dela. Não é com dor, mas com saudades e logo voltam à memória as coisas que ela me ensinou… Determinação, otimismo, espiritualidade e amor pela vida.

Nós dois, os primos-irmãos, prometemos não deixar mais que os estranhos ventos metropolitanos empurrassem anos entre cada encontro nosso, mas temos falhado.

Assim são os tempos modernos… É uma torrente tão vasta de estímulos e cobranças que acabamos falhando em preservar aquela fagulha frágil de cumplicidade juvenil.

Bom, o fim de semana vem ai e já tenho compromissos para sexta, sábado e domingo à noite, mas quem sabe não ligo para ela e nos vemos para uma caminhada pela praia?

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Efêmera. Efêmera. Dor…

8th, February 2008

Bird of happinessHoje o dia virou do avesso sem aviso e há de se falar com muito cuidado sobre ele pois a efemeridade da vida, de todas, é a mais difícil questão humana. Mais do que a fé, mais do que o medo ou o ódio que impulsionam o preconceito, o orgulho e tantas outras qualidades humanas tão desumanas.

A dor da perda do primo que, pouco mais velho, nos ensina sobre a essência da vida contida no prazer do Rock&Roll, no sabor achocolatado de uma piada boba e no sentido da vida autocontido na própria vida: a vida é o sentido da vida.

A dor da perda do filho, do pai, do tio, do marido, do amigo de tantas histórias, de tantas piadas, de tantas tardes mornas, de festas e, claro, de sofrimentos também. É um que se vai, mas são muitos os que partem com ele.

Essa dor é para ser comentada com muito carinho em respeito dos que agora carregam a saudade.

Ainda carrego a minha.

Lá estava o conforto da fé, das orações e cânticos, das palavras do padre, do pedido solitário a Deus "Forças!", mas o abraço forte que realmente aliviava a dor eram os olhos firmes dos parentes e amigos que vieram em socorro uns dos outros, talvez uma centena, reunidos em poucas horas na dor repentina.

Sinto orgulho de ter me juntado a essa família. De todas as coisas a que mais me impressiona é o espírito humano, essa determinação e capacidade de amar. Tenho certeza de que o primo também se orgulha da família que se inspirou nele para encontrar o amor necessário para um dia como este.

A imagem acima é o pássaro da felicidade de Carol Grigg.

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