Jill Bolte Taylor e o hemisfério do Nirvana
10th, July 2008
Jill Bolte Taylor é uma pessoa cética que afirma que as religiões são uma historinha que o hemisfério esquerdo do nosso cérebro conta para o direito.
Ela também é uma neurologista que sofreu um derrame que paralizou o hemisfério esquerdo e experimentou na pele, ou melhor, em sua própria consciência, o que está em nosso hemisfério direito (que controla nosso lado esquerdo).
No vídeo abaixo ela comenta algumas coisas fascinantes, até mesmo fantásticas:
- Nosso hemisfério direito é um tipo de processador paralelo enquanto o esquerdo é serial
- O hemisfério direito vive o agora com uma intensidade avassaladora. Para ele não há fronteiras entre as coisas, sensações e sentimentos, é tudo um único fluxo de energia e ele só conhece a paz e a satisfação
- Enquanto isso o esquerdo é uma seleção das experiências passadas do hemisfério direito e as projeções de possibilidades para o futuro. Ele nos vê como indivíduos separados e está preocupado com ontem e amanhã.
A descrição dela para o derrame que sofreu é ao mesmo tempo engraçadíssima e estonteante, mas a razão que ela encontrou para vencer o derrame e recuperar a fala (os centros da fala estão no hemisfério esquerdo) provavelmente lhe arrancará lágrimas.
Se formos capazes de reconhecer que tudo que pensamos até hoje sobre Deuses e nosso espírito talvez sequer tenha arranhado a superfície da espiritualidade poderemos finalmente dar passos decisivos para longe das visões supersticiosas e mitológicas dos nossos antepassados para enfim encontrar uma espiritualidade com horizontes mais amplos!
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Em Busca do Pó: parte 12
8th, June 2008
Doze é um ótimo número cabalístico e com ele vou começar a parte fácil desta série: qual é o sentido da vida, quem é Deus e o que vai acontecer agora?
É muito fácil responder isso pois, como tentei mostrar em algum post anterior da série, ela é quase totalmente subjetiva e uma escolha pessoal.
Bom, pessoalmente acho sem graça buscar Deus nas coisas como em “quem criou o Universo” ou “Como explicar a Matéria Escura?”, afinal de contas um dia chegaremos a respostas meramente científicas para isso e, além de ficarmos com cara de tacho Deus vai morrendo aos poucos.
O Deus que me interessa é o da alma. Aquele (ou aqueles) de onde emana nossa consciência e desejo de ir além dela.
Um animal, um vegetal ou uma rocha tem níveis de consciência muito baixos e se satisfazem em correr atrás de uma bola, fazer fotossíntese ou simplesmente ficar lá erodindo.
Humanos e outros seres mais conscientes querem se perguntar o sentido disso tudo e, ao nos perguntarmos, damos sentido a isso tudo. Este, para mim, é o maior milagre do Universo! A transformação de matéria inerte em consciência.
Como isso acontece? Como uma mistura dos 118 elementos se organizou na forma de organismos e como eles desenvolveram consciência?
Sabemos a resposta para boa parte do processo físico disso, mas é incrível que algo tão ímpar como a consciência apareça.
É claro que não conhecemos consciências não terráqueas, mas aqui entra meu insight (ou fé se preferir embora eu não veja assim).
Da mesma forma que tando uma caneta quanto uma pena caem em direção à Terra por causa da gravidade creio que se a consciencia surgiu aqui é porque de alguma forma ela é uma tendência natural do Universo e, onde há fatores básicos para que os elementos se organizem para produzir vida, logo haverá consciência.
Qual é a característica desta consciência? Existe uma consciência perfeita Platônica? Ela é um fenômeno individual em que cada consciência existe independente das outras e solitária?
Por séculos (milênios até) temos esbarrado em sinais de que a consciência extrapola os limites do nosso corpo. Temos oráculos, profetas que enxergam além e, mais recentemente, Jung com seu inconsciente coletivo.
O Universo como escolhi ver é um tipo de encubadora da consciência, ela existe fora de nós parcialmente nos criando e criada por cada ser vivo (talvez até uns não tão vivos) conforme desenvolve sua própria consciência. E podemos conversar com um tipo de consciência coletiva usando aletômetros como o I Ching ou um bocado de tranquilidade mental.
Logo vou defender mais especificamente cada um destes pontos de vista, mas o importante neste post é que…
O Pó é Deus, o Pó é consciência, Consciência é o fogo que alimenta nossa alma e ela é parte, senão função, do Universo.
O restante da série:
| Parte 1 |
Parte 2 |
| Parte 3 | Parte 4 |
| Parte 5 | Parte 6 |
| Parte 7 | Parte 8 |
| Parte 9 | Parte 10 |
| Parte 11 |
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Ocaso de mil sóis cegos…
8th, May 2008
Comissão da Câmara rejeita projeto de descriminalização do aborto
Então prevalece a hipocrisia de milhares de mulheres pobres provocando o aborto ou recorrendo a clínicas açougueiras enquanto as ricas (conheço várias e me pergunto se devo denunciá-las à justiça, vc denuncia?) abortam em segurança em clínicas seguras aqui ou fora do Brasil.
Enquanto isso vamos permanecer de olhos fechados para os milhares de mães E futuros
bebês que morrem totalmente sem controle…
Agora está nas mãos da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e depois de volta ao plenário da Câmara.
Se nossa civilização não fizer algo urgentemente contra o fundamentalismo nossos problemas ainda se agravarão muito.
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Post trumpicando pelos cantos
23rd, April 2008
Eu realmente precisava escrever todo dia! Tenho este impulso furioso de opinar e esta escravidão desesperada pelo questionamento e reflexão.
Mais cedo um grande e sábio amigo me disse que é ateu entre os ateus e “teu” entre os religiosos. Entendo perfeitamente como é possível administrar esta aparente incoerência (e falei sobre isso na série Em Busca do Pó), mas percebi que sou o contrário: ateu entre os “teus” e “teu” entre os ateus… É a necessidade de cultuar a dúvida com a mesma necessidade que outros cultuam a certeza.
“Isso não é brilhante? Eu amo não saber! Mantém os pés no chão.” - Doctor Who (s04e02)
Pois eu realmente não sei e acho que ninguém sabe sobre as coisas mais importantes e por isso mesmo temos que falar sobre elas, temos que pensar sobre elas! E fazê-lo livremente para podermos ir abandonando o que pensamos saber…
Hummm… Alguém notou que eu me perdi totalmente do assunto deste post?
Este devia ser um post rápido sobre como me amarro nas Chicas e na versão delas para Me Deixa:
Mas estou me sentindo mal por não estar dando continuidade a duas séries de posts: a série Em Busca do Pó (na metade) e agora uma outra que deve consumir mais uns dois posts pelo menos sobre como funciona a economia Open Source.
Para falar a verdade nem sei se são importantes para os outros, mas dizer tudo que tenho a dizer sobre esses assuntos é muito importante para mim, nem que seja para organizar as idéias.
O problema é que, pensando bem, acho que só consigo voltar a essas coisas depois do dia 30/4… Algum dia explico porque, por hora vou me limitar a dizer que provavelmente vou demorar um tempinho para falar de coisas sérias ou extensas por aqui, certo?
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Em busca do Pó: Parte 2
15th, February 2008
Arrogância
A introdução na parte 1 (leia antes de continuar, por favor) foi fácil, agora começa a parte difícil.
Qual deve ser o primeiro ponto a abordar em uma busca pela consciência e pela espiritualidade? Principalmente se está sendo escrita por mim, que não sou teólogo, antropólogo ou filósofo?
Tenho a impressão de que a questão principal para a maioria de nós está no conflito entre a ciência e a fé.
De um lado há descobertas científicas (difíceis de entender) sobre a formação do Universo e da vida que excluem a intervenção divina. De outro está a fé nos dizendo que os Deuses devem estar em algum lugar.
Creio que podemos dizer a razão e a fé são diferentes instrumentos de percepção afinal utilizamos todas as duas para construir o mundo onde vivemos ou pelo menos para dar-lhe uma forma.
A fé nos diz que nossa existência não pode ser sem significado e que portanto deve haver um espírito e alguma forma de consciência que transcende a nossa. Ela não é objetiva, mas uma forte convicção.
Já a ciência é um instrumento objetivo que depende de suposição, experimentação e demonstração para demonstrar como o Universo funciona e fatalmente será modificada, aprimorada ou mesmo abandonada mais adiante se vier a falhar em algum ciclo de experimentação e demonstração.
Existe uma diferença fundamental entre a razão e a fé: enquanto a primeira é alimentada pela dúvida e demonstra o funcionamento das coisas a segunda está repleta de certeza e nos fala do que podemos ou devemos ser.
Neste ponto prefiro mudar o nome que estou usando para fé e usar espiritualidade.
A fé do jeito que é vivida atualmente está repleta de convicções e respostas enquanto a espiritualidade é um impulso visceral cheio de dúvidas que nos inspira a procurar expandir a nossa consciência. Nossa espiritualidade pode nos conduzir a uma fé.
Por um certo ponto de vista podemos distinguir os momentos da nossa vida entre aqueles em que temos forças para a busca da espiritualidade e os em que cedemos ao conforto da fé.
Até onde sei a ciência moderna não é capaz de perceber sinais da existência de Deuses o que não significa que eles existam, mas a fé convicta neste ou naquele Deus também não nos ajuda a encontrá-lo caso ele exista.
Em geral a fé e as religiões sugerem que sabem como, quem é e como pensa Deus.
Isto não é menos arrogante do que usar a ciência para afirmar que não há Deuses. Além de ser um desperdício das qualidades da ciência.
Sem a humildade de admitir que estamos muito longe de entender totalmente o Universo e mais longe ainda de perceber Deus. Estaríamos presos a um universo onde o Sol gira em torno da Terra e as mulheres seriam vistas como instrumentos do diabo.
Com isso creio que apresento mais ou menos bem o segundo ponto que norteará os próximos posts:
Creio que a única forma de abordar tanto a ciência quanto a espiritualidade é munindo-se de dúvida, da consciência de que mal arranhamos a superfície do funcionamento da natureza ou da nossa consciência.
Além disso a espiritualidade pode ser uma excelente suposição a ser experimentada e demonstrada pela razão e pela ciência, mas a ciência não pode ser uma suposição a ser experimentada e demonstrada pela espiritualidade
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