Punição
31st, August 2008
Esta semana recebi alguns emails de um grupo de amigos falando sobre o caso do menino de 11 anos que foi preso depois de roubar um carro e fugir da polícia por 2,5Km.
…não pode ser preso
e nem encaminhado à Fundação Casa, que só recebe infratores de 12 a 17
anos. Ele poderá ser incluído em programas comunitários. Os pais não
respondem criminalmente, apenas civilmente pelos atos do filho. Eles
podem perder a guarda da criança.
As opiniões se dividiam, mas quase todos estavam revoltados por não poder ser aplicada uma punição mais rígida ao menino.
Eu pretendia ficar calado porque acho um desperdício falar neste tipo de assunto por email e o que eu tenho a falar sempre vai além da esfera individual.
Explico. Não estou preocupado com o menino… Quando essas coisas acontecem logo se formam dois grupos, o do "mata esfola lincha" e o do "tadinho é só uma vítima do sistema".
Pois não me importa muito o caso individual deste garoto embora preferisse que ele tivesse um tratamento diferente do que provavelmente terá (punição ou impunidade).
É um erro querer mudar o sistema à partir de casos individuais e no furor das emoções.
Este garoto é o padrão das crianças marginalizadas? Não creio.
O que precisamos observar é (percentuais meramente ilustrativos): 90% dos jovens infratores são de famílias de baixa renda, 88% dos políticos corruptos foram mimados por seus pais, 10% de ambos os casos sofrem de psicopatias sérias tratáveis apenas com remédios.
Somente com este tipo de informação podemos entender o que está transformando humanos em marginais.
Depois disso podemos penser em punições adequadas. Mas…
Tenho um cão. Sempre tive cães, mas hoje tenho um grande (é magro de pesa mais de 30 Kg) e percebi que ele teria que ser melhor adestado que os outros. Como você adestra pela punição um animal grande, um leão por exemplo?
Foi então que descobri o livro Adestramento Inteligente de Alexandre Rossi e aprendi que a punição não precisa ser uma forma de tortura, não precisa envolver dor, vergonha ou qualquer tipo de maltrato, mas simplesmente ser a privação de um prêmio, por exemplo. Graças a ele hoje temos um cão extremamente dócil e obediente sem ter recebido qualquer castigo físico, e olha que certamente não aplicamos com perfeição os ensinamentos do livro.
Também vale a pena ouvir (em Inglês) a palestra de Ian Dunbar no TED:
A questão é que – e lamento falar mais uma vez em crenças e humanismo engordando ainda mais as palavras-chave ai do lado – a crença judaico-cristã de que a moral pode imposta pelo temor a Deus, ao inferno ou castigo está obsoleta. Precisamos de razões humanistas para não cometermos crimes e respeitar os limites e necessidades dos outros, mas como fazer isso em uma sociedade espetacular (vide Guy Debord) e consumista marcada pelo individualismo?
Do último email que troquei com os amigos:
A medida sócio educativa ao meu ver passa por uma visão humanista que
mostre à criança e à família novos horizontes. Note-se que o pai
afirmou ter batido bastante no garoto, mas que isso não adiantou! Mas é
claro que adiantou! Mostrou a ele que tem razão quem é mais forte, mais
esperto e é o que ele está fazendo, se aproveitando dos outros. O
garoto é a maior vítima nesta história toda pois se encaminha para um
futuro curto e sem perspectivas.Não vejo caminho para nossa civilização através do uso da força,
vingança, castigo, raiva ou fundamentalismos que demonizam os
criminosos, não existem demônios, apenas humanos perturbados ou
confusos. Para os prmeiros há tratamento psiquiátrio, para os outros -
a maioria – há a razão.O problema é que é difícil alimentar a razão em um mundo dividido
entre dois fortes movimentos fundamentalistas, ambos cristãos: o
protestantismo ocidental e o islamismo oriental…Vivemos um
momento maravilhoso em que cada um de nós tem a chance de fazer algo
para conduzir nossa espécie para um mundo mais humano e esse caminho
começa pela não ação de Ghandi ou pelo amar ao próximo como eu vos
amei… Sim, há muito de bom e positivo na essência das religiões, mas
não no sequestro que foi feito pelos que se dizem cristãos hoje em
dia…
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Jill Bolte Taylor e o hemisfério do Nirvana
10th, July 2008
Jill Bolte Taylor é uma pessoa cética que afirma que as religiões são uma historinha que o hemisfério esquerdo do nosso cérebro conta para o direito.
Ela também é uma neurologista que sofreu um derrame que paralizou o hemisfério esquerdo e experimentou na pele, ou melhor, em sua própria consciência, o que está em nosso hemisfério direito (que controla nosso lado esquerdo).
No vídeo abaixo ela comenta algumas coisas fascinantes, até mesmo fantásticas:
- Nosso hemisfério direito é um tipo de processador paralelo enquanto o esquerdo é serial
- O hemisfério direito vive o agora com uma intensidade avassaladora. Para ele não há fronteiras entre as coisas, sensações e sentimentos, é tudo um único fluxo de energia e ele só conhece a paz e a satisfação
- Enquanto isso o esquerdo é uma seleção das experiências passadas do hemisfério direito e as projeções de possibilidades para o futuro. Ele nos vê como indivíduos separados e está preocupado com ontem e amanhã.
A descrição dela para o derrame que sofreu é ao mesmo tempo engraçadíssima e estonteante, mas a razão que ela encontrou para vencer o derrame e recuperar a fala (os centros da fala estão no hemisfério esquerdo) provavelmente lhe arrancará lágrimas.
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Em Busca do Pó: parte 12
8th, June 2008
Doze é um ótimo número cabalístico e com ele vou começar a parte fácil desta série: qual é o sentido da vida, quem é Deus e o que vai acontecer agora?
É muito fácil responder isso pois, como tentei mostrar em algum post anterior da série, ela é quase totalmente subjetiva e uma escolha pessoal.
Bom, pessoalmente acho sem graça buscar Deus nas coisas como em “quem criou o Universo” ou “Como explicar a Matéria Escura?”, afinal de contas um dia chegaremos a respostas meramente científicas para isso e, além de ficarmos com cara de tacho Deus vai morrendo aos poucos.
O Deus que me interessa é o da alma. Aquele (ou aqueles) de onde emana nossa consciência e desejo de ir além dela.
Um animal, um vegetal ou uma rocha tem níveis de consciência muito baixos e se satisfazem em correr atrás de uma bola, fazer fotossíntese ou simplesmente ficar lá erodindo.
Humanos e outros seres mais conscientes querem se perguntar o sentido disso tudo e, ao nos perguntarmos, damos sentido a isso tudo. Este, para mim, é o maior milagre do Universo! A transformação de matéria inerte em consciência.
Como isso acontece? Como uma mistura dos 118 elementos se organizou na forma de organismos e como eles desenvolveram consciência?
Sabemos a resposta para boa parte do processo físico disso, mas é incrível que algo tão ímpar como a consciência apareça.
É claro que não conhecemos consciências não terráqueas, mas aqui entra meu insight (ou fé se preferir embora eu não veja assim).
Da mesma forma que tando uma caneta quanto uma pena caem em direção à Terra por causa da gravidade creio que se a consciencia surgiu aqui é porque de alguma forma ela é uma tendência natural do Universo e, onde há fatores básicos para que os elementos se organizem para produzir vida, logo haverá consciência.
Qual é a característica desta consciência? Existe uma consciência perfeita Platônica? Ela é um fenômeno individual em que cada consciência existe independente das outras e solitária?
Por séculos (milênios até) temos esbarrado em sinais de que a consciência extrapola os limites do nosso corpo. Temos oráculos, profetas que enxergam além e, mais recentemente, Jung com seu inconsciente coletivo.
O Universo como escolhi ver é um tipo de encubadora da consciência, ela existe fora de nós parcialmente nos criando e criada por cada ser vivo (talvez até uns não tão vivos) conforme desenvolve sua própria consciência. E podemos conversar com um tipo de consciência coletiva usando aletômetros como o I Ching ou um bocado de tranquilidade mental.
Logo vou defender mais especificamente cada um destes pontos de vista, mas o importante neste post é que…
O Pó é Deus, o Pó é consciência, Consciência é o fogo que alimenta nossa alma e ela é parte, senão função, do Universo.
O restante da série:
| Parte 1 |
Parte 2 |
| Parte 3 | Parte 4 |
| Parte 5 | Parte 6 |
| Parte 7 | Parte 8 |
| Parte 9 | Parte 10 |
| Parte 11 |
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Ocaso de mil sóis cegos…
8th, May 2008
Comissão da Câmara rejeita projeto de descriminalização do aborto
Então prevalece a hipocrisia de milhares de mulheres pobres provocando o aborto ou recorrendo a clínicas açougueiras enquanto as ricas (conheço várias e me pergunto se devo denunciá-las à justiça, vc denuncia?) abortam em segurança em clínicas seguras aqui ou fora do Brasil.
Enquanto isso vamos permanecer de olhos fechados para os milhares de mães E futuros
bebês que morrem totalmente sem controle…
Agora está nas mãos da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e depois de volta ao plenário da Câmara.
Se nossa civilização não fizer algo urgentemente contra o fundamentalismo nossos problemas ainda se agravarão muito.
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Post trumpicando pelos cantos
23rd, April 2008
Eu realmente precisava escrever todo dia! Tenho este impulso furioso de opinar e esta escravidão desesperada pelo questionamento e reflexão.
Mais cedo um grande e sábio amigo me disse que é ateu entre os ateus e “teu” entre os religiosos. Entendo perfeitamente como é possível administrar esta aparente incoerência (e falei sobre isso na série Em Busca do Pó), mas percebi que sou o contrário: ateu entre os “teus” e “teu” entre os ateus… É a necessidade de cultuar a dúvida com a mesma necessidade que outros cultuam a certeza.
“Isso não é brilhante? Eu amo não saber! Mantém os pés no chão.” – Doctor Who (s04e02)
Pois eu realmente não sei e acho que ninguém sabe sobre as coisas mais importantes e por isso mesmo temos que falar sobre elas, temos que pensar sobre elas! E fazê-lo livremente para podermos ir abandonando o que pensamos saber…
Hummm… Alguém notou que eu me perdi totalmente do assunto deste post?
Este devia ser um post rápido sobre como me amarro nas Chicas e na versão delas para Me Deixa:
Mas estou me sentindo mal por não estar dando continuidade a duas séries de posts: a série Em Busca do Pó (na metade) e agora uma outra que deve consumir mais uns dois posts pelo menos sobre como funciona a economia Open Source.
Para falar a verdade nem sei se são importantes para os outros, mas dizer tudo que tenho a dizer sobre esses assuntos é muito importante para mim, nem que seja para organizar as idéias.
O problema é que, pensando bem, acho que só consigo voltar a essas coisas depois do dia 30/4… Algum dia explico porque, por hora vou me limitar a dizer que provavelmente vou demorar um tempinho para falar de coisas sérias ou extensas por aqui, certo?
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