Filmes: Hora de Voltar (Garden State)
20th, April 2008
Há filmes que fogem de classificações e, ao meu ver, somente por isso já seriam especiais, no entanto nem sempre o que é original é bom, positivo ou memorável.
Hora de Voltar (Garden State) não é comédia, não é drama, não é fantasia ou filme de arte, mas tem uma pequena dose de cada, mas não é isso que me fez gostar do filme a ponto de voltar a escrever sobre cinema aqui.
Hora de Voltar é delicado e sensível, nos apresenta a personagens um pouco inusitados, mas reais e multifacetados.
O cinema andou marcado por personagens monodimensionais e totalmente iverossímeis então é ótimo acompanhar pessoas como as deste filme.
Elas tem um bocado de absurdo como um sujeito tomando o café da manhã usando uma armadura medieval (atualmente um dos protagonistas de Big Bang Theory), mas há uma textura psicológica que me laçou de jeito.
A única coisa que este filme não fez foi me deslubrar (aliás em geral só livros me deslumbram) e por isso não diria que é um dos 3 melhores filmes que já assisti, mas com certeza é uma obra capaz de nos divertir, fazer refletir e nos deixar com uma sensação para cima ao final.
Os que gostam de filmes bem no padrão hollywoodiano talvez não apreciem a película.
Uma surpresa, ao menos para mim, é a boa direção e roteiro de Zach Braff (ator do seriado Scrubs) o que vem mais uma vez provar que há sensibilidade e inteligência alimentadas pelos lucros da vazia cultura de massas (nunca vi Scrubs então posso estar sendo injusto).
Fica aqui, então, a dica de um bom filme para assistir num desses dias que precisamos de algo que deixe a vida mais leve sem nos alienar.
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Filmes para a temporada
10th, February 2008
Fui dar uma espiadinha nos trailers na Apple e fiz uma listinha do que me chamou a atenção ou que acho que vai chamar a atenção dos outros:
- The Ruins: trash, trash, trash, nojor (terror nojento). Eu até gosto do tema, mas o trailer não anima nem um pouco. Baseado no livro de Scott Smith. Quem é Scott Smity?? Estréia lá em abril.
- Kung Fu Panda: Animação. Deve ser divertidíssimo. A equipe de dubladores conta com Jackie Chan, Luci Liu, Jack Black e até Dustin Hofman! Verão de 2008 (inverno aqui)
- Smart People: Tem cara de ser o que eu chamo de "filme vida" e sempre é injustamente classificado como drama. Tem o Danis Quaid e a Ellen Page que são dois atores que gosto e uma história que envolve o equilíbrio entre inteligência e amadurecimento emocional. Algo que acho necessário para os nossos tempo. Devo assistir. Ah! Em cartaz lá em abril
- Homem de Ferro: Com o Robert Downey Jr. no papel de Stark?? Isso só pode ficar muito bom! Bem, ao menos dentro das espectativas do estilo, né? Entra em maio
- Flawless: Filme de assalto brilhante. Adoro o estilo e este parece ter os elementos principais além da atuação sempre agradável do Michael Caine e da Demi Moore aparentemente em boa fase. Estréia em março
- Son of Rambow (escrevi certo): Verei com certeza! O filme fala sobre o suposto efeito da violência dos jogos e filmes modernos em contraste a uma educação religiosa e conservadora. Tudo com muito bom humor (ou seja, nada de humor besteirol). Maio
- Star Trek: Precisa fazer comentário? E ainda tem o Sylar como Spock. Aqui só as versões HD funcionaram. Pode ser uma porcaria, não dá para sacar muito pelo teaser, mas eu sou nerd… Estréia no natal de 2008
- Príncipe Caspian: Baseado em outra das crônicas de Narnia (até melhor do que o Leão, o armário e a feiticeira), mas temo que não tenha uma estética mais adulta do que a primeira crônica filmada. Em todo o caso deve ser um bom filme para a criançada. Estréia em 16/maio
- Nim’s Island: Tem cara do tipo de filme de aventura leve que também adoro. Pode até ser melhor do que o Caspian. A Jodie Foster também costuma se envolver com filmes que eu gosto. Abril.
- The Dark Night: Sim, mais um do Batman. 18/julho
- Speed Racer: Não é desenho, é filme mesmo, mas acho que os fãs do desenho vão odiar… 9/maio
- I’m not there: Biográfico em torno de Bob Dylan. Estreou em nov/2007 e nem vi entrar em cartaz, não deve ter agradado, mas eu gostaria de ver.
- Backseat: Drama sobre homens na era da infantilização. Pode ser interessante. Estréia em março
- 88 minutes: Gosto do All Pacino. Estréia em abril.
- War Dance: Outro que estreou em nov/2007 e mal foi comentado o que pode ser uma pena. Aborda Uganda e o poder liberador da arte. Tudo a ver com o que penso…
- Taxi to the dark side: Documentário sobre o taxista afegão que foi morto por forças do exército estadunidense. Estreou em jan/2008
- The Orphanage: Terror, aparentemente bom terror, como o espanhol Espinha do Diabo. Estreou em dez/2007 o que sugere que não fez muito sucesso.
- Cassandra’s Dream: Estreou lá em 18/jan. Aviso logo que é escrito e dirigido por Woody Allen pq muita gente odeia ele, eu gosto de algumas coisas. Além disso tem o Ewan McGregor e Colin Farrell que andam se envolvendo em projetos interessantes.
- How She Move: Adoro dança, adoro sapateado. Estreou em jan/2008
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Faltam DOIS dias: Uma sinopse para A Bússola de Ouro
23rd, December 2007
Talvez você nunca tenha ouvido falar na trilogia literária inglesa Fronteiras do Universo (His Dark Materials no original) e não saiba nada sobre a adaptação do primeiro volume que chegará em dois dias aos cinemas brasileiros: A Bússola de Ouro.
Primeira informação importante: Pode ler este post pois não vou entregar nada que atrapalhe o seu prazer de assistir o filme!
Se for este o caso, ao ver o cartaz é capaz de você pensar que se trata de uma aventura infantil. Não é.
Por outro lado, é possível que você tenha ouvido falar na condenação do Vaticano e vários grupos religiosos ao filme já que a mídia adora um escândalo.
Eu li os tres livros tres vezes ao contrário da maioria dos comentaristas e resolvi escrever uma sinopse do primeiro filme para acabar com um mal entendido:
A Bússola de Ouro não tem nada a ver com matar Deus, com ateísmo ou anti-cristianismo.
O que vem a ser A Bússola de Ouro?
Esta é a primeira parte de um épico de fantasia em três partes e aqui acaba a semelhança com Senhor dos Anéis.
A aventura inteira ocorre em um mundo alternativo muito parecido com o nosso, mas dominado por um governo fundamentalista religioso. É como se a Igreja Católica tivesse se tornado o que o fundamentalismo islâmico parece ter se tornado.
Outra diferença entre o nosso mundo e o do filme é que todas as pessoas tem um tipo de alter-ego animal o que pode parecer engraçado a princípio, mas acaba se mostrando uma metáfora interessante para o diálogo entre ego, id etc.
No centro da história está Lyra Belacqua, uma menina órfã criada pelos professores da universidade de Oxford daquele mundo e o mistério do desaparecimento de várias crianças sem que ninguém saiba o que está ocorrendo.
Lyra se verá envolvida neste mistério e será levada a uma longa jornada que resultará no seu amadurecimento precoce enquanto ela aprende sobre um mundo onde certos grupos estão dispostos a tudo para impor suas verdades ou para ser mais preciso, sua autoridade.
A metáfora serve para qualquer movimento político ou religioso fundamentalista radical e por isso muitas pessoas - como eu - consideram a obra tão importante… Sem falar no que virá nos próximos volumes.
Segunda informação importante: A Bússola Dourada é sobre a liberdade para seguir o seu próprio discernimento e não o que lhe é imposto pelo uso da força
Se você acha que o fundamentalismo radical é algo bom para o mundo e não deve ser questionado então vai odiar o filme. Não vá!
O primeiro volume da trilogia não é muito mais do que uma aventura se comparado aos outros, mesmo assim é interessante ver que Lyra se envolve na aventura não por bagunça, mas por fidelidade a um amigo e “não poder ficar de braços cruzados enquanto coisas importantes acontecem” e nisso a história talvez lembre o Frodo de Senhor dos Anéis.
Terceira informação importante: A Bússola de Ouro é sobre não se omitir, é sobre fazer algo pelo bem comum simplesmente porque o problema se apresentou diante de você.
Se você acha que a sociedade contemporânea não está precisando se engajar mais nos problemas que atingem a todos então este filme pode não lhe dizer muito.
A questão é que a trilogia de Philip Pullman, já no primeiro volume, serve de metáfora para muitas questões contemporâneas centrais na transição de uma sociedade alienada e consumista para outra em que o conhecimento e a consciência são tão importantes quanto foram nos séculos passados a aparência e o poder.
Por motivos como estes é que considero A Bússola de Ouro um forte candidado a filme mais adequado para ver no natal!
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