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Convicções?

12th, February 2008

Que absurdo! Eu não escrevi nada ontem! Eu jurava que tinha escrito algo ontem! Gostaria de escrever todo dia porque tem todas estas coisas na minha cabeça… Idéias, devaneios, opiniões, dúvidas… Nossa! Muitas dúvidas!

Comecei a duvidar aos 11 anos quando descobri que, conforme a física de Einstein, a gente não passava de energia que parecia sólida no que me pareceu na época um tipo de ilusão.

Bem, pensando melhor eu duvidava muito antes. Creio que toda criança duvida.

O que acontece é que, esta característica de criança, eu nunca abandonei.

Por mais que a gente duvide tem coisas que a gente esquece de duvidar. Nos acostumamos com elas e nem pensamos a respeito. Que nem ensinar pela força, batendo. Pelo menos para algumas pessoas que ainda batem em seus filhos sob pretexto de educá-los.

Adestramento InteligenteEu mesmo esqueci de duvidar disso no que se referia à educação canina. Só agora que tenho um cãozinho de 31Kg (e uma esposa brilhante) fui levado a duvidar do adestramento pela força, comprei o livro do Alexandre Rossi (aqui ao lado) e tenho um educadíssimo (embora medroso) amigo que aprendeu tudo sem apanhar.

Também passei umas três décadas sem duvidar de vários pontos básicos da religiosidade.

Basta parar para pensar em qualquer coisa para notar que há muito a rever, muito a descobrir sobre cada pequena ou grande base da nossa cultura, moral, crenças…

Convicções… Teve uma época em que eu, duvidador convicto, falava em questionar "minhas convicções"! Vê se faz sentido? Se é convicção não se questiona! ;-) E isso não faz muito tempo!

A todo momento estamos sendo incoerentes em algum ponto. Hoje o meu alvo são as incoerências das convicções religiosas que, se são convicções, já estão erradas!

Se religião é um meio de buscar Deus e se Deus é qq coisa incomensuravelmente além de nós então qualquer convicção nos prende a uma visão antiga, incompleta e portanto distante de Deus.

É melhor não começar a falar agora onde esta minha onda de desconstrução do que eu pensava sobre Deus está me levando porque isso é um post, não um artigo e muito menos um livro! Vou dizer apenas que até agora posso até simpatizar com muito do que os ateus do momento tem a dizer, mas acho que eles são a reação de igual intensidade e vetor oposto ao fundamentalismo religioso.

Na zona de impacto entre os velhos donos de Deus e seus assassinos modernos há espaço para uma Consciência extasiante que nenhum de nós jamais supôs porque estávamos presos aos Deuses que os humanos primitivos foram capazes de "ver".

Bem, com isso acho que cumpro a sugestão de um amigo judeu para este judeu desgarrado: em seu aniversário aproveite a oportunidade para refletir. ;-)

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Somos todos um

22nd, January 2008

Aproveitando que a visitante Laura me criticou por ver a verdade na ficção… Bem, eu nunca falei isso, né? Digo sim que a linguagem metafórica da fantasia (e não da ficção) é o melhor instrumento para retratar as coisas mais importantes e que vão além dos fatos nús e crus. Algo assim.

Em todo o caso - já que levei o selo de ignorante e que eu gosto mesmo é de falar das coisas que podem atingir a todos e não apenas o restrito grupo de leitores capazes de ler Shakespeare - decidi falar de um filme da linha “Quem Somos Nós” e “O Segredo“. 

É este aqui: Somos todos um.


Somos todos Um - DVD
Notou que as capas de todos estes filmes são parecidas? E o pior é que cada um tem pouco ou nada a ver com os outros…

Este contém as respostas de um monte de religiosos e espiritualistas sobre coisas como “o sentido da vida” ou “quem é Deus”.

O problema desta leva de livros, digo, de filmes de auto-ajuda é a sua abordagem superficial, mas pense bem… Nós não vivemos imersos em uma cultura superficial? Quantas pessoas estão a fim de ler Goethe?

“Somos Todos Um” é feito por amadores e dá para notar isso. Há partes dramatizadas que são enfadonhas, mas eles foram felizes nas perguntas e nos entrevistados que conseguiram atrair.

Fiquei com uma certa impressão de que existe uma inspiração anti-cristã e anti-ateista o que já é interessante pois em geral as coisas estão de um lado ou de outro. Pensando melhor o tom é anti-fundamentalista.

Na pior das hipóteses o filme vale para ver certas diferenças e semelhanças entre rabinos, padres, sufistas, espiritualistas e, um dos pontos fortes, pessoas na rua sem nada de especial, mas com opiniões ricas e instigantes.

Seria melhor um tratado filosófico cheio de referências e discussões filológicas? Para mim seria, mas creio que este, melhor do que os outros dois filmes que citei no começo, pode fazer um serviço positivo a favor da trasnformação das nossas fronteiras culturais em pontes humanas.

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Religiões, teísmos, humanismos e ateísmos

6th, December 2007

Amigo é que nem flor, a gente tem que cultivar…

Não pode haver justiça se a lei for absoluta…

Errar é humano…

Quando a gente se expressa por chavões não há risco em sair dando opinião sobre tudo, mas se pensamos um pouco fora da caixa como dizem nossos primos estadunidenses a coisa se complica.

Tenho mania de ficar falando de religião, religiosidade e paradigmas como a sociedade do conhecimento ou do consumo e depois percebo que olho para as coisas de um ângulo tão diferente da maioria que acabo não sendo compreendido e soando profundamente preconceituoso ou arrogante.

Um ótimo exemplo é o post que escrevi para criticar uma apresentação que, ao meu ver, chama um rapaz incrível de ingrato e… bem, para início de conversa a maioria achou que eu estava criticando o rapaz e não a apresentação.

Estou escrevendo por causa do post de ontem e tantos outros onde falo sobre religião e dão a nítida impressão de que desprezo ou considero os cristãos seres inferiores. Não é bem assim. Também passo a impressão de ser ateu, até já escrevi um post dizendo que  sou publicamente ateu.

Não é certo ou justo fazer pouco de religiosos indiscriminadamente e não é isso que pretendo fazer muito embora possa ser interpretado assim.

A minha crítica é à sociedade do consumo onde toda consciência é superficial e toda crença ou princípio não passa de um chavão proferido sem qualquer reflexão como se fôssemos uma sociedade de cascas vazias hipocritamente cobertas com roupas de papel crepom.

Ultimamente a vítima tem sido a religião, mas poderia ser a política, filosofia de vida, princípios, moral ou qualquer outra qualidade que um humano deve demonstrar. Isso é parte do meu próprio processo pessoal.

Por falar em ultimamente… Ultimamente meus posts estão grandes demais…

Sendo assim, resumindo:

  1. As melhores pessoas que eu conheço são especiais justamente por serem coerentes com sua espiritualidade
  2. As piores pessoas que conheço são hipócritas que se vestem externamente de princípios que não seguem
  3. Ao meu ver espiritualidade é extremamente íntima, não podemos compartilhar com os outros nossos Deuses e sempre que tentamos fazer isso estamos na verdade impondo nossa superioridade e demostrando arrogância
  4. O que podemos compartilhar uns com os outros para moldar um futuro mais humano são pensamentos e princípios humanistas

Tudo que escrevo em torno destes temas é neste sentido, se parece diferente é porque me expressei mal ou pulei etapas entre o seu paradigma e o meu tornando-o incompreensível.

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