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Propriedade Intelectual

Essa não é uma mensagem de natal

24th, December 2009

Não sou uma pessoa natalina porque sou uma dessas pessoas sérias que acham que devíamos ser natalinos e respeitar a vida todo dia. Devíamos ser “reveilloninos”  todos os dias e fazer algo para que amanhã seja melhor que hoje.

Mas esse ano algo diferente aconteceu.

Tenho muitos motivos para aproveitar o natal e ano novo para festejar o fato de 2009 ter sido um ano com 364 natais e viradas de ano!

Hoje posso descansar de um ano de muitas conquistas e compartilhar com vocês aquele tipo de alegria pura e tão rara que nos faz rir simplesmente porque a vida é boa! As pessoas são boas! E amanhã, sem a menor dúvida, será melhor que hoje por melhor que hoje seja!

Para festejar esse ano – e porque tenho certeza que o que nos torna especiais são as pessoas especiais com quem nos relacionamos – resolvi reunir as coisas mais legais que estou recebendo dos amigos.

Tenho que começar pela Lia Amâncio que mandou um videozinho gravado por ela mesma que para mim tem justamente aquele riso leve bem diferente da piada pesada da TV ou da comédia onde a graça quase sempre está na miséria de alguém:



Acho que o Bruno resumiu bem o lado sério da data:

“Aproveitem toda a experiência que veio, mas guardem os bons momentos e deixem os ruins para trás; preocupem-se com suas vidas,  deixem os outros viverem as deles; comemorem as conquistas, não remoam os fracassos, porque tudo tem um momento e um motivo.

Enquanto isso, pra que esperar 2010? Vivam muito, amem muito, sejam livres, mas não percam o rumo!”

Da Mõnica e do Roberto copio isso:

“Também teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes. Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo. Aproveite esse ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!”

Bem, talvez não todos, mas podemos começar a realizar vários, com certeza! :-)

Da Isa pego essas palavrinhas:

“Não acredito nessa coisa de ano novo, vida nova, e de que tudo vai ser diferente a partir de janeiro. Mas certamente nós vamos mudando aos pouquinhos e a cada dia somos melhores do que éramos.”

A Moon mandou um cartão lindo com bonecos de neve engraçados e um tipo de encantamento para que nossos dias fossem recheados daqueles milagres cotidianos como a caneca de café que alguém prepara para nós, achar as chaves exatamente onde achamos que estavam, uma ligação inesperada de um velho amigo… Ela está certíssima! Podem não ser milagres, mas os pequenos gestos puros e apreciar a vida como ela é são as chaves para construir o mundo.

A Lilian mandou um cartão cheio de desejos de um 2010 idílico onde a nossa paz e alegria transborde para quem estiver à nossa volta. Vou tentar me lembrar disso toda manhã ao acordar!

Um senador me mandou uma voz estranha desejando votos padrão de Natal e Ano Novo… Muito esquisito! :-)

O Dudu também acha que os amigos são o importante do espírito do Natal:

“minha grande realização de 2009 foi me cercar de pessoas tão queridas, e ter a amizade retribuída. Fica o meu ‘muito obrigado’ aos amigos que conheci em 2009, e aos amigos de longa data que permaneceram amigos ao longo de mais um ano”

Ele nem precisava te mandado a letra de War is Over do John Lennon, mas concordo que, mesmo batida, vale a pena reler sempre!

A Manu (do Rio, não a de Minas que também alegra meu dia sempre que lembro dela) escreveu algo divertidíssimo falando que já desejou que tivéssemos tempo, depois compreensão e esse ano ela nos deseja Disposição! Vale a pena ler inteiro. Guardei aqui: http://roney.posterous.com/sim-e-um-email-de-final-de-ano

Disposição é uma sábia sugestão, afinal estamos saindo de um mundo onde precisávamos nos conformar em obedecer para um onde somos co-criadores da nossa realidade, mas isso, apesar de maravilhoso, é assunto para outros dias :-)

E por falar em sábios não dá para esquecer essa crônica dos natais passados quando as pessoas e não os presentes estavam no centro da festa: http://coisasdojunco.blogspot.com/2009/12/sobre-o-natal.html

Foram tantos amigos mandando palavras de ano novo! Esse email já está longo e de qualquer forma eu esqueceria alguns, mas creio que a mensagem está clara: Se uma coisa mudou para melhor no mundo foi que estamos cada vez mais próximos uns dos outros. Seja por causa da Internet, do telefone ou do celular a gente consegue driblar a massacrante máquina de produção e consumo da sociedade do espetáculo e criar espaços de convivência onde um minuto vale por duas horas.

Esse mundo online é um mundo de palavras, torpedos, emails, tuites e imagens, é verdade, mas quem se satisfaz em interagir somente online?

Se imagens falam por 1024 palavras os atos falam por terabytes e preciso terminar essa mensagem lembrando não as palavras, mas os atos de uma amiga querida que morou quase seis meses aqui em casa e agora está a caminho do Canadá.

Uma amiga “virtual” como 80% dos nossos amigos. Uma amiga que veio para o mundo “real” (como 80% dos amigos “virtuais”) e compartilhou nosso espaço provando dia-a-dia que as pessoas não são apenas palavras vazias no natal e que todos carregamos dentro de nós aquela amizade pura e alegria leve do karaokê da Lia lá no começo dessa longa mensagem de Natal e Ano Novo.

Ela é uma pessoa rara e especial, mas todos somos raros e especiais quando conseguimos (diariamente) ser maiores que o mundo virtual (sem aspas) construído por nossos medos e que faz a humanidade parecer um virus egoísta, mesquinho e perturbado quando a verdade é que nenhum de nós é assim:

nós somos a voz que muda o mundo coletivamente. Sempre fomos. Foram as pessoas como você e eu do passado que construíram tudo que há de bom em nossa civilização e nós somos e podemos muito mais que eles. Somos mais humanos, temos mais empatia, somos mais livres, responsáveis e sabemos que queremos construir um mundo onde todos são respeitados.

Essa, portanto, é minha mensagem de natal: A única ilusão nas mensagens natalinas é que elas estão fadadas a ficarem presas na hipocrisia de um dia sequestrado pelo consumismo, elas são a realidade diária que só não percebemos porque não estamos vendo claramente no meio do turbilhão de estímulos e informações.

E que no Natal do ano que vem você possa festejar 360 dias de conquistas!

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Às vésperas dos fogos

30th, December 2008

Uma balbúrdia circula pelo bar no centro histórico onde nos séculos passados caminhavam poetas boêmios que morriam de tuberculose precocemente, mas achavam tempo para povoar as linhas da literatura com vozes veludosas, veldas vozes de um passado mais distante para a memória do que para os anos.

Na mesa branca se espalham copos, cestinha com pães, bandejinha com aperitivos acebolados e meia dúzia de máquinas digitais.

Cinco amigos ao redor da mesa desfiam memórias, histórias, opiniões, tiram fotos… Risadas pontuam as frases e dão o ponto final continuativo das histórias que parecem sempre terminar com reticências.

As mesas ao redor são imagens desfocadas. Turistas que se alojam nos albergues e hotéis mais baratos ou que pesquisaram e foram capazes de encontrar aquela região de tesouros escondidos da velha cidade turística. Outros ali saíram dos seus trabalhos e buscaram o famoso chopp gelado. Uns poucos caíram ali por mero acaso.

Do lado de fora as ruas já escuras e vazias do movimento febril do último dia útil de 2008.

A julgar pela chuva de papéis de trabalho catarsicamente picotados e defenestrados muita gente considera os dias não úteis mais úteis, ou pelo menos mais agradáveis, que os dias ditos úteis.

Na praça, assistidos pelos olhos silenciosos das janelas do altivo mosteiro que permanece invisível até que de lá escapem as notas graves do canto sacro, homens de laranja operam vassouras e máquinas de varrer para remover pilhas de papel picado.

Não há pessoas na cidade. Estão todas mais além…

As escadas rolantes do metrõ desembocam como rios em vários pontos da Princesinha do Mar já alagando suas ruas, calçadas e areias com os primeiros milhares que logo serão mais de um milhão de pequenas pessoas que se espremem para ver o fim de um ano ritualisticamente queimado pelos fogos que explodem em cores e formas no céu escuro da última noite do ano.

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Ciclos artificiais: Festas de fim de ano…

26th, December 2008

Nós humanos somos feitos de idéias que viajam em corpos de carbono e genes.

Escutamos as palavras, deciframos a dança dos movimentos e o significados ocultos dos costumes.

De toda forma tentamos ser um só, uma unidade.

Ao ver um rosto pela primeira vez, ao escutar um “Oi! Muito prazer!” de um novo amigo normalmente partilhamos o que há de mais essencial em nós: fraternidade… Salvo, claro, quando vem algum preconceito antes por causa dos códigos dos gestos ou costumes que não entendemos como uma burca, o jeito de andar, uma minissaia, uma tatuagem…

Estivemos até hoje afastados uns dos outros. Inventamos palavras, roupas, crenças e uma infinidade de outros memes que nos ajudam a conviver com as cidades, florestas, ilhas ou oasis onde vivemos.

Então nossa essência foi mais forte! Fomos separados quando Pangéia se dividiu, mas aprendemos a cavalgar, inventamos carroças, carros, aviões e foguetes, fomos até a Lua para ver como estávamos próximos uns dos outros!

Infelizmente dezenas de milhares de anos tinham passado e tornou-se tão difícil ver alguém igual por baixo de todos aqueles costumes diferentes que chegaram a fazer julgamentos para decidir se índios ou negros eram mesmo humanos!

Ah! Mas o poder na nossa essência… o grito da nossa consciência é ainda mais poderoso que nosso medo e nossa ignorância. Então criamos novos veículos!

Agora não viajamos mais pela Terra, viajamos pelas idéias! Criamos carruagens, automóveis e foguetes que transportam nossos pensamentos! Nossos memes e toda cultura, costumes e crenças que eles articulam!

Rádio, cinema, jonais e televisão são esses novos veículos que nos trouxeram até aqui, mas não eram nossa voz pois só podiam transportar uns poucos de cada vez transformando a maioria de nós em espectadores passivos. Então criamos um novo mundo real onde absolutamente todos podem falar e ser ouvidos!

A Internet é o pequeno mastro de uma nave que vemos no horizonte e vai crescendo conforme nos aproximamos. A cada dia vemos um pouco mais do que está por vir: hiperdemocracia, uma nova mídia, outras estruturas de governo onde cada um tem sua voz, uma era onde o conhecimento, a criatividade e a consciência são o maior patrimônio…

Em 2008 finalmente entendemos que a Internet é uma rede de pessoas. Sites são pessoas que compartilham suas vozes!

Aqui e ali pipocam “desconferências” que descobrem e ajudam a descobrir um novo mundo onde finalmente veremos de perto que nossas diferenças são tesouros da nossa criatividade e não coisas a serem toleradas!

Em 2008 eventos como ted.com, Descolagem, Sou + Web, Blogcamps, Manhãs Digitais e tantos outros finalmente começaram a convergir trazendo antídotos para a o medo das diferenças e alimento para o êxtase diante da nossa diversidade!

Agora estamos nos momentos finais do ciclo artificial de 2008 quando normalmente as pessoas fogem da realidade para beber, comer e festejar… Pois meus votos são que em 2009, assim como em 2008, cada vez mais aprendamos a apreciar diariamente os ciclos naturais dos solstícios, equinócios e, principalmente, das transformações da nossa consciência!

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Luzes…

31st, December 2007


Festa das luzes na Índia
 

Calor! O ano vai mesmo virar! Sempre é assim! Ou muita chuva, ou muito calor!

Os preparativos aqui são modestos. Frutas, farofa de alho, tender porque minha sogra adora, chester com alternativa para uns e prato principal para outros, salada de batatas, um panetone trazido por uma amiga e um pouco de saudades dos poucos amigos que tem pouso garantido aqui em casa. Vocês sabem quem vocês são!

Pensamos em ir na praia depois de alguns anos vendo os fogos de casa, mas o calor e a multidão nos desanimou.

“Medo da violência?”

Que nada! A gente não curte é a mistura de calor com multidão, barulho etc.

Isso me lembra do amigo que está zanzando por Ipanema e periga hipnotizar a praia inteira! Vou dar uma ligada… Será que ele vai encontrar com nossa amiga de Sampa que veio em socorro de um amigo?

Virada de ano para uns é assim: tempo de exercitar os valores da amizade, companheirismo, amor…

Para um bocado de gente é só alegria! Saltar na praia ao som inebriante do techno ou energético do funk banhado de muita cerveja, sorrisos largos como o céu lá em cima e um toque de alienação que uns criticam, mas alimenta as esperanças para o ano que chega!

Até que bateu uma brisinha aqui e o pipocar de tiros e fogos do morro deu uma folga, eles também estão no embalo do funk agarrando-se por um dia ao prazer puro da alegria das transições.

Ah! Este espírito indeciso que nos divide entre o medo e a paixão pela transformação!

Isso sem falar nas pequenas diferenças que nos fazem viver em mundos ligeiramente diferentes uns dos outros e… algumas vezes, beeeem diferentes…

Se você der uma espiadinha aqui no nosso verá uma gente que se reúne em torno da chama tênue da razão cuja luz sabe deixar nas trevas do passado as convicções obsoletas para abraçar as descobertas do futuro sempre um passo adiante.

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