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Em tempos de grandes espetáculos repletos de cores e efeitos especiais a emoção é barata, mas os sentimentos são raros. Ponte para Terabítia é uma rara e bela excessão. A sinopse na contracapa a propósito não lhe faz Juz ao retratar Terabítia como uma terra de aventuras: ela é uma terra de liberdade e de fantasia.
O que imaginamos tornamos real ainda que não fisicamente e muitas vezes esta realidade nos modifica tão intensamente ou até mais do que a realidade "real". Histórias que nos colocam diante disso nos ajudam a ser o tipo de humano que ajuda a moldar o futuro e fico muito feliz em dizer que Ponte para Terabítia é uma dessas histórias. Falar sobre este filme sem atrapalhar o prazer de assistí-lo é uma tarefa difícil, mas pode continuar a ler este artigo pois me esforçarei para fazer justamente o contrário: ajudar o leitor a entender o que está preste a assistir, decidir se é o tipo de filme que quer ver e tirar o melhor proveito dele. Jess é um garoto sensível que gosta de desenhar cartoons, mas é solitário no colégio onde sofre com a chacota daqueles alunos típicos que fazem pouco dos outros para se sentirem mais fortes. Em casa ele sente que os pais pobres tem mais carinho para dar para sua irmã mais nova (a família tem três meninas e um bebê além dele) do que para ele. O pai rígido e severo claramente o ama, mas tem dificuldade em mostrar isso. Além do desenho Jess ama correr. Leslie é filha única de escritores e tem uma família feliz apesar de igualmente solitária pois os colegas de colégio, esforçando-se para abandonar a infância, tem dificuldade em aceitar uma menina que acredita em sua imaginação a ponto de praticamente tocar nos trolls e outros seres fantásticos que ela imagina. Os dois se encontram e forma uma dupla perfeita e Jess, mesmo relutando a princípio, acaba cedendoao mundo de Terabítia imaginado por Leslie para os dois em uma parte afastada da floresta nos arredores da casa dos dois. À partir daqui os fimes comuns nos levariam a uma aventura de efeitos especiais, trilhas sonoras grandiosas e fuga da realidade, mas Terabítia não é uma fuga, ela é uma representação metafórica da realidade vivida pelos dois e que os ajuda a lidar com as dificuldades e encontrar forças e idéias para lidar com elas. Em Ponte para Terabítia há espaço para alegria do encontro e a satisfação da conciliação, mas também há espaço para a dor da perda e da rejeição. Ao contrário de muitas histórias populares porque são divertidas, esta é marcante porque está cheia de sentimento. Aquele tipo de sentimento que anda fazendo falta. Se você gosta do tipo de arte que toca os seus sentimentos este filme pode ser uma experiência surpreendente ainda que com uma certa dose de dor - lembrando que dor não implica em sofrimento e muitas vezes é ela que nos transforma e nos coloca em contato com sentimentos difíceis de assumir. Pode não ser o tipo de filme para quem gosta ou está precisando dar uma fugidinha da realidade, neste caso sugiro um Harry Potter da vida onde as perdas não tem o impacto das perdas reais. Seja para adultos ou para crianças, não temos visto muitas obras por ai que se atrevam a colocar o sentimento na frente da emoção: Senhor dos Anéis, Dogville, Elefante, Fronteiras do Universo e temos que juntar Ponte para Terabítia a este grupo apesar de não ser tão audaciosa quanto alguns deles. O livro tem edição brasileira e pretendo comprar em breve: |